earthlymuse
earthlymuse 9 Jun 12

Qual é o seu poeta preferido? Compartilhe alguma poesia dele que te agrade (se não tiver um preferido cite um dos que mais gosta). [17]

All Responses

  1. Patrícia
  2. Marcelo Ferlin Assami

    Nelson Villamor, poeta cubano. Já foi T S Eliot e quase foi Geoffrey Hill, mas o pouco que conheço de Nelson Villamor me toca além de tudo.

    "I take my anger without bacon and eggs"

    "I will make you a blacck King even if you are white"

    "In Havana I talked to Dracula. Discover me. I am a hot Virgin"

  3. The Siren

    Florbela Espanca, I guess. Mas gosto de vários outros poemas dela e de vários outros poetas.

    Tenho grande simpatia pelos poetas portugueses.




    "Longe de ti são ermos os caminhos.
    Longe de ti não há luar nem rosas,
    Longe de ti há noites silenciosas,
    Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

    Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
    Perdidos pelas noites invernosas...
    Abertos, sonham mãos cariciosas,
    Tuas mãos doces, plenas de carinhos!

    Os dias são outonos: choram... choram...
    Há crisantemos roxos que descoram...
    Há murmúrios dolentes de segredos...
    Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
    E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
    Fumo leve que foge entre os meus dedos! ..."

  4. Peter Rabbit

    She walks in beauty, like the night
    Of cloudless climes and starry skies,
    And all that's best of dark and bright
    Meets in her aspect and her eyes;
    Thus mellow'd to that tender light
    Which Heaven to gaudy day denies.

    One shade the more, one ray the less,
    Had half impair'd the nameless grace
    Which waves in every raven tress
    Or softly lightens o'er her face,
    Where thoughts serenely sweet express
    How pure, how dear their dwelling-place.

    And on that cheek and o'er that brow
    So soft, so calm, yet eloquent,
    The smiles that win, the tints that glow,
    But tell of days in goodness spent,—
    A mind at peace with all below,
    A heart whose love is innocent.

    (Lord Byron)


    Ele não é meu preferido, mas eu gosto muito desse poema.

  5. Queen Crimson.

    É muito difícil, me vejo num impasse. Para cada geração eu tenho dois, três, às vezes, quatro (e no caso do Modernismo, infinitos) poetas prediletos. Mas citarei dois, por serem, não sei, os que, eventualmente, costumo ler com maior frequência e repetidas vezes. Augusto dos Anjos e Fernando Pessoa.

    Versos íntimos

    Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
    Enterro de tua última quimera.
    Somente a Ingratidão – esta pantera –
    Foi tua companheira inseparável.

    Acostuma-te à lama que te espera!
    O Homem, que, nesta terra miserável,
    Mora, entre feras, sente inevitável
    Necessidade de também ser fera.

    Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
    O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
    A mão que afaga é a mesma que apedreja.

    Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
    Apedreja essa mão vil que te afaga,
    Escarra nessa boca que te beija!

    Tabacaria

    Não sou nada.
    Nunca serei nada.
    Não posso querer ser nada.
    À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
    (...)
    Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
    Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
    E não tivesse mais irmandade com as coisas
    Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
    A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
    De dentro da minha cabeça,
    E um sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
    (...)

  6. Anna Anninha Annacarols

    Não é um dos meus favoritos nem nada... é só que eu li esse poema com um tio meu e a situação me fez querer compartilhar.

    Na encruzilhada silenciosa do Destino,
    Quando as estrelas se multiplicam,
    Duas sombras errantes se encontram .

    A primeira falou : - Nasci de um beijo.
    De luz, sou força, vida, alma, esplendor.
    Toda a ânsia do Universo...Eu sou o Amor.
    O mundo sinto exâmine a meus pés...
    Sou Delírio...Loucura...E tu, quem és?

    Eu nasci de uma lágrima. Sou flama.
    Do teu incêndio que devora...
    Vivo, dos olhos tristes de quem ama,
    Para os olhos nevoentos de quem chora.

    Dizem que ao mundo vim para ser boa.
    Para dar do meu sangue a quem queira.
    Sou a saudade, a tua companheira
    Que punge, que consola e que perdoa...

    Na encruzilhada silenciosa do Destino
    As duas sombras se abraçaram.
    E desde então, nunca mais se
    separaram.

    (As Duas Sombras, Olegário Mariano)

  7. Alice

    Não tenho preferido, mas gosto muito do Carlos Drummond de Andrade. Meu favorito dele é:
    "Lira Romantiquinha"

    Por que me trancas
    o rosto e o riso
    e assim me arrancas
    do paraíso?

    Por que não queres,
    deixando o alarme
    (ai, Deus: mulheres!),
    acarinhar-me?

    Por que cultivas
    as sem perfume
    e agressivas,
    flores do ciúme?

    Acaso ignoras
    que te amo tanto,
    todas as horas,
    já nem sei quanto?

    Visto que em suma
    é todo teu,
    de mais nenhuma,
    o peito meu?

    Anjo sem fé
    nas minhas juras,
    porque é que é
    que me angusturas?

    Minh'alma chove
    frio, tristinho.
    Não te comove
    este versinho?

    Esse poema da Duda Machado:
    "A galinha cor-de-rosa"

    Era uma galinha cor-de-rosa,
    Metida a chique, toda orgulhosa,
    Que detestava pisar no chão
    Cheio de lama do galinheiro.

    Ficava no alto do poleiro
    E quando saía do lugar,
    Batia as asas para voar.
    Mas seus pés acabavam na lama.

    Aí armava o maior chilique,
    Cacarejava, bicava o galo,
    E depois, com ar de rainha,
    Lavava os pés numa pocinha.

    E do Alphonsus de Guimaraens:
    "Ismália"

    Quando Ismália enlouqueceu,
    Pôs-se na torre a sonhar...
    Viu uma lua no céu,
    Viu outra lua no mar.

    No sonho em que se perdeu,
    Banhou-se toda em luar...
    Queria subir ao céu,
    Queria descer ao mar...

    E, no desvario seu,
    Na torre pôs-se a cantar...
    Estava perto do céu,
    Estava longe do mar...

    E como um anjo pendeu
    As asas para voar...
    Queria a lua do céu,
    Queria a lua do mar...

    As asas que Deus lhe deu
    Ruflaram de par em par...
    Sua alma subiu ao céu,
    Seu corpo desceu ao mar...

    E de Goethe:
    "Feliz Só Será"

    Feliz só será
    A alma que amar.

    'Star alegre
    E triste,
    Perder-se a pensar,
    Desejar
    E recear
    Suspensa em penar,
    Saltar de prazer,
    De aflição morrer —
    Feliz só será
    A alma que amar.

    Sei que era só um, mas.

  8. Letícia

    Não: não digas nada!
    Supor o que dirá
    A tua boca velada
    É ouvi-lo já
    É ouvi-lo melhor
    Do que o dirias.
    O que és não vem à flor
    Das frases e dos dias.

    És melhor do que tu.
    Não digas nada: sê!
    Graça do corpo nu
    Que invisível se vê.

    Fernando Pessoa não é, repito: não é(!) meu poeta preferido. Mas estou pendendo a ele hoje.

  9. Mariana

    Eu tenho alguns poetas preferidos, acho que Manuel Bandeira é o meu favorito, mas eu sou apaixonada por Cecília Meireles, Mário Quinta, Manuel de Barros, Florbela Espanca... Vários. Na verdade, eu quero estudar poesia pro resto da minha vida, faço letras e quero viver de dissecar poemas, mas vou deixar um poema aqui de Manuel Bandeira e outro de Charlotte Bronte. O de Manuel se chama "Desencanto" e é um dos meus favoritos:


    Desencanto (Manuel Bandeira)

    Eu faço versos como quem chora
    De desalento , de desencanto
    Fecha meu livro se por agora
    Não tens motivo algum de pranto

    Meu verso é sangue , volúpia ardente
    Tristeza esparsa , remorso vão
    Dói-me nas veias amargo e quente
    Cai gota à gota do coração.

    E nesses versos de angústia rouca
    Assim dos lábios a vida corre
    Deixando um acre sabor na boca

    Eu faço versos como quem morre.
    Qualquer forma de amor vale a pena!!
    Qualquer forma de amor vale amar!

    E o de Charlotte Bronte é, talvez, um dos meus poemas favoritos de todos.

    Evening Solace (Charlotte Bronte)

    The human heart has hidden treasures,
    In secret kept, in silence sealed;
    The thoughts, the hopes, the dreams, the pleasures,
    Whose charms were broken if revealed.
    And days may pass in gay confusion,
    And nights in rosy riot fly,
    While, lost in Fame's or Wealth's illusion,
    The memory of the Past may die.

    But, there are hours of lonely musing,
    Such as in evening silence come,
    When, soft as birds their pinions closing,
    The heart's best feelings gather home.
    Then in our souls there seems to languish
    A tender grief that is not woe;
    And thoughts that once wrung groans of anguish,
    Now cause but some mild tears to flow.

    And feelings, once as strong as passions,
    Float softly back­a faded dream;
    Our own sharp griefs and wild sensations,
    The tale of others' sufferings seem.
    Oh ! when the heart is freshly bleeding,
    How longs it for that time to be,
    When, through the mist of years receding,
    Its woes but live in reverie !

    And it can dwell on moonlight glimmer,
    On evening shade and loneliness;
    And, while the sky grows dim and dimmer,
    Feel no untold and strange distress­
    Only a deeper impulse given
    By lonely hour and darkened room,
    To solemn thoughts that soar to heaven,
    Seeking a life and world to come.

  10. Laura Del Rey

    Edgar Allan Poe:

    Annabel Lee

    It was many and many a year ago,
    In a kingdom by the sea,
    That a maiden there lived whom you may know
    By the name of Annabel Lee;
    And this maiden she lived with no other thought
    Than to love and be loved by me.

    I was a child and she was a child,
    In this kingdom by the sea,
    But we loved with a love that was more than love—
    I and my Annabel Lee—
    With a love that the wingèd seraphs of Heaven
    Coveted her and me.

    And this was the reason that, long ago,
    In this kingdom by the sea,
    A wind blew out of a cloud, chilling
    My beautiful Annabel Lee;
    So that her highborn kinsmen came
    And bore her away from me,
    To shut her up in a sepulchre
    In this kingdom by the sea.

    The angels, not half so happy in Heaven,
    Went envying her and me—
    Yes!—that was the reason (as all men know,
    In this kingdom by the sea)
    That the wind came out of the cloud by night,
    Chilling and killing my Annabel Lee.

    But our love it was stronger by far than the love
    Of those who were older than we—
    Of many far wiser than we—
    And neither the angels in Heaven above
    Nor the demons down under the sea
    Can ever dissever my soul from the soul
    Of the beautiful Annabel Lee;

    For the moon never beams, without bringing me dreams
    Of the beautiful Annabel Lee;
    And the stars never rise, but I feel the bright eyes
    Of the beautiful Annabel Lee;
    And so, all the night-tide, I lie down by the side
    Of my darling—my darling—my life and my bride,
    In her sepulchre there by the sea—
    In her tomb by the sounding sea.

  11. O Cavaleiro da Triste Figura

    Sou incapaz de eleger um único. Cito Raul de Leôni por ser um dos meus favoritos e por ser pouco conhecido:

    História antiga


    No meu grande otimismo de inocente,
    Eu nunca soube por que foi... um dia,
    Ela me olhou indiferentemente,
    Perguntei-lhe por que era... Não sabia...


    Desde então, transformou-se de repente
    A nossa intimidade correntia
    Em saudações de simples cortesia
    E a vida foi andando para frente...


    Nunca mais nos falamos... vai distante...
    Mas, quando a vejo, há sempre um vago instante
    Em que seu mudo olhar no meu repousa,


    E eu sinto, sem no entanto compreendê-la,
    Que ela tenta dizer-me qualquer cousa,
    Mas que é tarde demais para dizê-la...

    Raul de Leôni

  12. Angie

    Um de meus poetas preferidos não só é um como tem mil faces,


    Fernando Pessoa.

  13. karola

    anacarolotus's responses are protected.

  14. karlie

    Chanson de la Plus Haute Tour
    Oisive jeunesse
    À tout asservie;
    Par délicatesse
    J' ai perdu ma vie.
    Ah! Que le temps vienne
    Où les coeurs s' éprennent.

    Je me suis dit: laisse,
    Et qu' on ne te voi:
    Et sans la promesse
    De plus hautes joies.
    Que rien ne t' arrête
    Auguste retraite.

    J' ai tant fait patience
    Qu' a jamais j' oublie;
    Craintes et souffrances
    Aux cieux sont parties.
    Et la soif malsaine
    Obscurcit mes veines.

    Ainsi la Prairie
    À l' oubli livrée,
    Grandie, et fleurie
    D' encens et d' ivraies
    Au bourdon farouche
    De cent sales mouches.

    Ah! Mille veuvages
    De la si pauvre âme
    Qui n' a que l' image
    De la Notre-Dame!
    Est-ce que l' on prie
    La Vierge Marie?

    Oisive jeunesse
    À tout asservie
    Par délicatesse
    J'ai perdu ma vie.
    Ah! Que le temps vienne
    Où les coeurs s' éprennent!
    – Arthur Rimbaud

    Um dos meus favoritos. :3

  15. André Eleutério

    Seria um pecado escolher um favorito. Deixarei aqui poesias de dois grandes:

    Motivo

    Eu canto porque o instante existe
    e a minha vida está completa.
    Não sou alegre nem sou triste:
    sou poeta.
    Irmão das coisas fugidias,
    não sinto gozo nem tormento.
    Atravesso noites e dias
    no vento.
    Se desmorono ou se edifico,
    se permaneço ou me desfaço,
    - não sei, não sei. Não sei se fico
    ou passo.
    Sei que canto. E a canção é tudo.
    Tem sangue eterno a asa ritmada.
    E um dia sei que estarei mudo:
    - mais nada.

    Cecília Meireles

    ---

    LISBON REVISITED (1923)

    Não: não quero nada.
    Já disse que não quero nada.

    Não me venham com conclusões!
    A única conclusão é morrer.

    Não me tragam estéticas!
    Não me falem em moral!
    Tirem-me daqui a metafisica!
    Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
    Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) ­
    Das ciências, das artes, da civilização moderna!

    Que mal fiz eu aos deuses todos?

    Se têm a verdade, guardem-na!

    Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
    Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
    Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

    Não me macem, por amor de Deus!

    Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
    Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
    Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
    Assim, como sou, tenham paciência!
    Vão para o diabo sem mim,
    Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
    Para que havemos de ir juntos?

    Não me peguem no braço!
    Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
    Já disse que sou sozinho!
    Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!

    Ó céu azul ­ o mesmo da minha infância ­,
    Eterna verdade vazia e perfeita!
    Ó macio Tejo ancestral e mudo,
    Pequena verdade onde o céu se reflecte!

    Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
    Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
    Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
    E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

    Álvaro de Campos
    (Meu heterônimo preferido de Fernando Pessoa)

  16. Lunático laranja acinzentado.

    Paulo Leminski.

    ali

    ali
    se se alice
    ali se visse
    quanto alice viu
    e não disse se ali
    ali se dissesse
    quanta palavra
    veio e não desce ali
    bem ali
    dentro da alice
    só alice
    com alice
    ali se parece.

  17. Carol

    Não tenho poeta preferido, mas eu adoro essa poesia do Edgar Allan Poe:


    Alone

    From childhood's hour I have not been
    As others were - I have not seen
    As others saw - I could not bring
    My passions from a common spring.
    From the same source I have not taken
    My sorrow; I could not awaken
    My heart to joy at the same tone;
    And all I lov'd - I lov'd alone.