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Não. Eu recomendaria só esses dois. Um deles, aliás, infelizmente acabou.
Porém, nada impede você de fazer como eu e ler, por sua conta e risco, formsprings como os seguintes:
http://www.formspring.me/Areopagita
http://www.formspring.me/bdelykleon
http://www.formspring.me/cesarmiranda
http://www.formspring.me/constantor
http://www.formspring.me/evepetersen
http://www.formspring.me/MarceloMesser
http://www.formspring.me/Otsomagus
http://www.formspring.me/qndt
http://www.formspring.me/tanjakrm
http://www.formspring.me/trobairitz
Há outros, que eu desaconselharia ainda mais enfaticamente. -
Sim, ele mesmo: São Panteno de Alexandria, mestre de Clemente de Alexandria. Orígenes, se não me engano, foi discípulo de Clemente.
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Sou. USP, turma de 2000.
O meu curso foi longo e tedioso, quase todos os professores eram picaretas. Aliás, o mesmo se podia dizer dos alunos. Havia dois grupos de disciplinas: as de caráter mais, digamos, filosófico, e as de técnica jurídica, que eram a maior parte. Nas primeiras, perdia-se um tempo enorme estudando Kelsen, um autor que hoje sei ser uma nulidade filosófica, mas que pode impressionar (como de fato impressionava) garotos de 18 ou 19 anos. Por outro lado, Miguel Reale recebia bem menos atenção do que merece. Nas matérias mais técnicas, os melhores autores também eram desprezados. Eu peguei uma época péssima, em que os manuais de Direito Civil mais populares eram de autores como Sílvio Rodrigues, Washington de Barros Monteiro e outros do mesmo naipe. Sobre Pontes de Miranda ninguém escrevia nada, a não ser um professor de Alagoas chamado Marcos Bernardes de Melo. (Graças aos livros dele, que naquele tempo estavam em suas primeiras edições, é que os estudantes de hoje podem ler manuais de Civil em que pelo menos se mencionam esquemas teóricos como os três planos do fato jurídico -- existência, validade e eficácia. No meu tempo, porém, isso era grego para quase todo mundo da área.)
Eu tive não mais que meia dúzia de professores excelentes; dos outros eu em geral nem lembro dos nomes. O curso valeu por aqueles e por alguns colegas, grandes amigos que trataram de suprir as lacunas do curso por conta própria (e que nesse aspecto, aliás, foram bem mais longe do que eu).
Porém, o fato é que quando me formei eu estava tão frustrado que me senti na obrigação de prestar vestibular de novo e ir estudar alguma outra coisa, porque a alternativa seria eu passar o resto da minha vida achando que a vida universitária era só aquilo mesmo e, naquele altura, eu ainda não era capaz de engolir isso.
(Depois a minha goela se dilatou o suficiente, mas isso é outra história.) -
Penso que o CONCURSO PÚBLICO é um meio muito mais belo e moral de seleção de pessoal para a burocracia estatal do que a única alternativa conhecida, que é o APADRINHAMENTO.
Ouvi dizer que os chineses começaram a promover concursos públicos a partir do séc. II a.C. Sendo esse o caso, eu acho que se aplica uma regra que aprendi ainda criança e que quase sempre funciona: tudo o que os chineses já faziam antes dos outros povos descerem das árvores era bom e tinha uma razão de ser. -
Não uso. Nunca provei. Jamais me ofereceram, nem eu quis ir atrás.
O consumo da "danada" não é para mim. Já dissipo meu tempo, meu dinheiro e meu espírito com besteiras demais; pelo menos dessa eu consigo me poupar. -
As universidades brasileiras, em geral, são tabelionatos de títulos e documentos profissionais: sua função é fornecer e autenticar diplomas para pessoas que precisam desses papéis para poder seguir as carreiras que planejam. E os universitários brasileiros, por sua vez, são os pragmáticos e resignados usuários desses serviços -- ninguém gosta de recorrer a cartórios, mas, dadas as leis e a cultura do Brasil, em muitos casos não existe alternativa viável.
Como os demais cartórios, as universidades brasileiras são muito onerosas para os seus usuários, mesmo quando seus serviços são nominalmente "gratuitos" (o que significa apenas que os seus custos são pagos sobretudo por quem sequer tem direito aos documentos ali expedidos).
Há muitos séculos, segundo reza a lenda, havia finalidades completamente diferentes na coisa: busca do conhecimento, vida intelectual etc. Mas isso era no tempo em que os animais falavam. (Hoje alguns lecionam.) -
Antes de responder, quero esclarecer (para o benefício de alguns leitores) que monasticismo e sacerdócio são coisas diferentes.
Sacerdote é o indivíduo que participa da celebração dos Mistérios (termo grego para sacramentos). Ele batiza, celebra a Eucaristia etc. Na Igreja Ortodoxa, padres podem ser casados e viver "no mundo", isto é, em contato permanente com a comunidade que o rodeia. Aliás, em uma paróquia ortodoxa, normalmente o padre é casado e pai de família. E em países como o Brasil, em que as paróquias ortodoxas frequentemente são pequenas ou pobres demais para sustentar seus padres e suas famílias, é comum que o padre tenha algum emprego ou ocupação secular (embora essa não seja a situação ideal).
Já o monge é o indivíduo que dedica toda a sua vida a Deus. Ele "se afasta do mundo", isto é, abandona seu emprego (caso o tenha), desfaz-se de seu patrimônio, retira-se da presença de sua família, renuncia à possibilidade de vir a casar-se e vai para um mosteiro. Ali ele vai tentar entrar em comunhão com Deus em tempo integral. Talvez essa seja, aliás, uma razoável definição de monasticismo.
Há sacerdotes que não são monges (caso típico dos párocos em geral), há monges que não são sacerdotes (a maioria dos integrantes de um mosteiro típico), e há aqueles que são ao mesmo tempo sacerdotes e monges (por exemplo, os padres que celebram os Mistérios dentro do mosteiro). E há, obviamente, os leigos em geral, que não são uma coisa nem outra.
Eu já pensei, sim, tanto no sacerdócio quanto no monasticismo. E isso desde a infância, quando eu ainda era católico. Quando eu tinha onze, doze anos, era fascinado pela Ordem de São Bento. Em algumas poucas ocasiões, os meus pais me levaram ao Mosteiro beneditino de São Paulo e eu ficava encantado com aquela beleza. Os monges pareciam estar fazendo aquilo que havia de mais importante para ser feito na vida.
Mais tarde, já ortodoxo, a fascinação pelo monasticismo voltou. Às vezes eu me imaginava monge, ou padre casado, e ambos os devaneios me eram agradáveis. Mas não era -- creio que nunca foi -- uma coisa realmente séria. Eu nunca tomei providências concretas para me tornar uma coisa ou outra. Nunca entrei em contato com seminários, nunca fui conversar com um padre ou um bispo a respeito, e meu deslumbramento com o monasticismo nunca me impediu de procurar mulheres nem de fazer elaborados projetos para a minha carreira profissional. Hoje, olhando em retrospectiva, eu tenho a impressão de que era sobretudo uma espécie de atração estética. É fácil idealizar tanto o sacerdócio quanto o monasticismo. Com o tempo, devagar, a consciência das responsabilidades envolvidas no sacerdócio foi me intimidando -- e a vontade foi passando. E a veleidade do monasticismo desapareceu depois que conheci aquela que hoje é a minha mulher e, não muito tempo depois, consegui um emprego satisfatório.
Estou feliz com a minha vida atual, satisfeito com o razoável conforto em que vivo, e seria hipócrita negar que gosto do mundo. Apesar disso, e mesmo já não aspirando mais a esses modos de vida, continuo sentindo uma profunda afeição tanto pelo sacerdócio quanto pelo monasticismo. Em particular, depois de ler um certo número de vidas de ascetas, eu não posso deixar de pensar que um monge "bem sucedido" é a pessoa mais feliz da terra -- no meio de todas as suas privações, tanto as autoimpostas quanto as impostas pelo inimigo, há uma alegria profunda que nada nem ninguém é capaz de tirar. Já se passaram muitos anos desde meu primeiro fascínio infantil com o monasticismo, já me convenci de que isso não é para mim; mas continuo crendo que, na hierarquia objetiva das vocações, não há nenhuma meta tão elevada para se perseguir neste mundo quanto aquela a que os monges empenhados se dedicam todos os dias, no silêncio de suas celas. -
Ahn. Obrigado pela observação. Nada sei de mandarim, infelizmente. É uma lacuna que sonho em suprir, embora não tenha tempo para fazê-lo agora.
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GOSTO: Rio de Janeiro, fenômenos anômalos, livros encadernados, cheiro de chuva, C. S. Lewis, macarrão à bolonhesa, roupas largas, Clint Eastwood, croquete de carne da Pavelka em Petrópolis, passar o dia todo com a minha mulher, São Paulo, reencontros com amigos depois de muito tempo, a igrejinha russa em Santa Teresa no Rio de Janeiro, reler e-mails antigos, Konstantínos Kaváfis, pão de queijo, monarquias em geral, Nova York, tirar os sapatos assim que chego em casa, a Livraria Cultura do Conjunto Nacional em São Paulo, responder (ou receber resposta de) e-mails com mais de um ano de atraso, banho quente, Joel e Ethan Coen, Boston, mapas antigos, bauru (o sanduíche), Paris, frio suficiente para dormir de cobertor, a Strand Bookstore em Nova York, modelos de navios para montar, enciclopédias, ícones em estilo bizantino, Bach, doce de leite Coopatos, o Museu do Louvre, recordações das aulas de direito civil com o Alcides Tomasetti na Faculdade de Direito da USP, a língua alemã, Pe. Serafim (Rose) de Platina, Zurique, demonstrações elegantes de teoremas matemáticos, BookFinder.com, Akira Kurosawa, guaraná Antarctica, Mozart, o Museu Carnavalet em Paris, lembranças das aulas de astrologia tradicional com o Luiz Gonzaga de Carvalho, comprar ou ganhar bons livros em línguas que não conheço o suficiente, a Pizzaria Valentina em Brasília, a Dicta&Contradicta, dois terços de água gelada e um terço de água normal, a língua francesa, responder perguntas no Formspring, Mortimer J. Adler, os bouquinistes do Sena, a sorveteria Saborella em Brasília, a democracia suíça, a National Geographic, Otto Maria Carpeaux, carne mal passada, o Bar do Veloso em São Paulo, a língua grega, planejar futuras viagens, Will & Ariel Durant, bater papo com meu irmão, ler enfim um livro que comprei ou ganhei há mais de cinco anos, o restaurante Camarões em Natal, o Metropolitan Museum de Nova York, deitar na rede, quebra-cabeças, afagar os cachorros e gatos dos outros, Malba Tahan, a cultura grega (de qualquer época), o Museu Imperial de Petrópolis, a Casa de Biscoitos Mineiros em Brasília, planetários, Burger King, Vivaldi, dicionários, a churrascaria Fogo de Chão em São Paulo, apagar perguntas idiotas no Formspring sem respondê-las, qualquer boulangerie de Paris, tratados longos e temerariamente ambiciosos escritos por um único e heroico autor, canto litúrgico russo com basso profondo, Sergio Leone, a Peter Luger Steakhouse em Nova York, a antiga ortografia portuguesa (anterior a 1911), a comida da minha mulher, a cultura chinesa em geral, Jorge Luis Borges, camarão na moranga, Arnold J. Toynbee, calendários russos do tipo "folhinha" com as datas nos estilos gregoriano e juliano, amendoim torrado, Quentin Tarantino, vidas de santos e ascetas, empada, caligrafias antigas, Jacques Barzun, iPad, a comida da minha mãe...
NÃO GOSTO: carnaval, futebol, Babado Novo, Brasília, gente que permanece em pé no ônibus mesmo quando há lugar para se sentar, Pablo Picasso, gente que se amontoa nas portas do ônibus mesmo quando ele não está cheio, o Centro Pompidou de Paris, quiabo, Bertrand Russell, sanitários públicos com botão de descarga embutido na caixa, aeroportos, campanha do desarmamento, Fórmula 1, imposto de renda, Richard Dawkins, Microsoft Explorer, Stanley Kubrick, a nova religião da "cidadania", professores universitários que não sabem pronunciar palavras em francês ou alemão, Oscar Niemeyer, estudantes universitários que reclamam de ter que ler textos em inglês, padres efeminados, a patrulha do politicamente correto, imposto de importação, jornais que defendem o governo (qualquer governo), alistamento militar obrigatório, Milton Santos, televangelistas, praça de alimentação de shopping, voto obrigatório, Salvador Dalí, diálogo inter-religioso, carne bem passada, poesia concreta, oratória parlamentar contemporânea, lugares que não aceitam cartão, Pedro Almodóvar, vegetarianismo, cursos universitários de humanas em geral, São Caetano do Sul, pratos ou copos de plástico, Clarice Lispector, leite de soja, Banco do Brasil, doce de abóbora, Jô Soares, macumba, chocolate nacional (exceto Kopenhagen), o Museum of Modern Art de Nova York, detergente nacional, bairros ou cidades feitos para carros, Darren Aronofsky, McDonald's, campanha do xixi no banho, ketchup na pizza, Caetano/Gilberto/Chico/etc., a difícil situação da Igreja Ortodoxa no Brasil, miojo, o Memorial da América Latina em São Paulo, poupançudos da Caixa, Gabriel Chalita, cismas e divisões na Igreja, livrarias que na verdade são papelarias, aparelhos de fax, português forense, grupos intelectuais que se comportam como seitas, leite desnatado, gente que só consegue entender uma ironia por escrito se houver um emoticom sorridente :-) dizendo "isto é uma ironia", perenialismo, telemarketing, tatuagens, ônibus que não param no ponto, chicletes, Bienal Internacional de Arte de São Paulo, quebrar a argola da lata antes de conseguir abri-la, bons blogues arruinados pelos usuários das suas caixas de comentários, Jim Carrey, serviço de atendimento ao cliente de operadora de celular, gramáticas que ensinam que a norma culta do idioma português é necessária apenas em situações formais, banheiros públicos sem sabonete nem papel-toalha, Steven Spielberg, a expressão "e/ou", carros com aparelhos de som possantes, refrigerante diet, Oswald de Andrade, usuários do Facebook com mais de 1000 amigos, lanche da Gol, usuários do Orkut (independentemente do número de amigos), Emulsão Scott (a mais amarga recordação da infância), histórias em quadrinhos de super-heróis, não ter mais onde guardar livros, corretivos líquidos ineficientes, ser reprovado no exame de consciência, andar pelas ruas de Brasília e não encontrar nenhum vestígio de presença humana além de preservativos espalhados pelo chão, academias estaduais e municipais de letras, assistir telejornais que legendam declarações em português e ter que reconhecer que isso é de fato necessário, Felipe Ortiz, homens de um livro só, gente que quer discutir e que não conhece nem a dialética, nem a ética e nem a estética de um bom debate... -
A única maneira de descobrir com certeza se uma certa pessoa é mesmo o amor de sua vida é passar a sua vida inteira amando essa pessoa. Só lá no final você vai ter todos os elementos para avaliar. Casar-se -- ou morar junto -- sempre envolve algum risco. Coragem. Sempre vale a pena -- até quando se erra, se você for do tipo que é capaz de perder esportivamente (algo que a vida vai exigir de você de qualquer maneira, seja no campo amoroso ou em outros campos).
Mas, se você quer uma regrinha prática, é possível que aquela em que eu pessoalmente acredito sirva para alguma coisa. Se você prestar muita atenção, será capaz de distinguir, na pessoa que você ama (ou em qualquer outra, a propósito), duas coisas.
Uma é a mais interior de todas -- aquilo que ela realmente quer da vida, seus objetivos mais importantes, seus valores mais fundamentais, aquilo que ela quer deixar no mundo depois que estiver morta. Talvez nem ela saiba ao certo quais são os valores a que ela mais se apega -- mas mesmo assim é importante que você saiba.
A outra é a mais exterior de todas -- o seu estilo de ser, seus modos, sua maneira de rir, de pedir cerveja no bar. Se ela põe o arroz por cima do feijão ou o contrário.
Minha dica é: procure alguém cujo interior profundo seja o mais parecido possível com o seu, e cujo exterior superficial seja o mais diferente possível do seu. -
Não acho nada. Não li quase nada dele e não tenho planos de me aprofundar.
(Nota: quase nenhum leitor disto aqui saberá quem é Vladimir Moss, o que não configura nenhuma injustiça. É basicamente um inglês que se converteu à Ortodoxia, depois achou que a Igreja estava se corrompendo por causa do modernismo, e aderiu sucessivamente a várias minúsculas seitas cismáticas que se consideram o último refúgio da Ortodoxia pura no mundo. Desde então ele tem escrito um monte de "alertas" sobre "a crise da Igreja". Existem coisas semelhantes no catolicismo, não existem? Pois é. Houve uma época em que eu me dispunha a gastar o meu tempo lendo as "denúncias" desses ideólogos. Hoje não mais. Como disse um bom amigo meu, depois dos 30 percebemos dramaticamente quão curta é a nossa vida.) -
Nunca. Mas foram inumeráveis as aulas que passei dormindo ou lendo discretamente alguma outra coisa na minha carteira, que era sempre a do fundão (minha desculpa era ser muito alto e atrapalhar a visão de quem sentasse atrás de mim, o que até era verdade).
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Depende do meu humor no momento, mas a minha tendência é mais a de editar bastante sim. Às vezes consigo conciliar as duas coisas: escrevo de maneira espontânea e, se tenho tempo, releio alguns dias depois e vejo como aquilo me parece. Nesses casos, normalmente retoco muito.
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Moro aqui há mais de cinco anos. Até hoje, meus sentimentos sobre esta cidade são ambíguos.
A ideia de construir uma cidade no Planalto Central e transferir a capital para lá não é teoricamente ruim. Mas eu preferia ter que me mudar para Brasília uns quatrocentos anos depois da sua fundação, e não apenas cinquenta anos depois.
Ou então ter nascido com quase um século de antecedência e me aposentado do serviço público federal mais ou menos em 1958, depois de décadas de trabalho, o que me daria a agradável oportunidade de continuar a morar no Rio e defender abstratamente a mudança da capital em um botequim de Copacabana: "o Juscelino tá certo", "vamos desbravar o interior (isto é, vocês vão; eu fico aqui)" etc.
Mas enfim. Apesar de tudo, a cidade certamente está bem melhor do que há cinquenta anos. (Ou quero crer que sim.)
Não preciso falar da arquitetura do Niemeyer nem do urbanismo do Lúcio Costa, né? Tudo aquilo que há meio século se julgava "futurista", e que hoje parece datar de precisamente meio século atrás. Morar em Brasília é viver no futuro do pretérito.
Restam os consolos de uma cidade que já é grande e que tem um monte de políticos e burocratas endinheirados: bons restaurantes, boas livrarias, uma oferta razoavelmente grande de serviços de qualidade -- médicos, lojas, cursos disso e daquilo etc. Algo disso justifica a sua mudança para cá? Não, mas atenua o sofrimento, caso seja inevitável, né.
Tem também muito verde, o que provavelmente surpreende quem nunca pôs os pés aqui. E tem o céu, a grande beleza natural de Brasília.
(Nada que o Rio de Janeiro, com todos os seus problemas, não tenha mais e melhor, ainda hoje. Mas o brasiliense, sobretudo o naturalizado como eu, não pode ficar pensando muito nisso.) -
Os chineses não têm esse problema: escrevem apenas 北京 ao se referirem à sua Capital do Norte.
Nós, ocidentais, sentimo-nos mais à vontade com o alfabeto latino. E para tanto nada mais natural do que basear-se na pronúncia chinesa, não? Assim pensaram também os missionários jesuítas franceses na China durante o séc. XVI. Ao ouvir os chineses falando "北京", os franceses, por seu turno, anotavam da melhor maneira possível o que ouviam: e isso deu "Pékin" em francês e "Pechinum" em latim. Seus primos europeus, ao tomarem conhecimento disso, inspiraram-se nessas grafias, adaptando-as à índole de suas próprias línguas; os italianos passaram a escrever "Pechino", os espanhóis "Pekín", e os alemães "Peking", tal como os ingleses. Em português, "Pequim". Os chineses, dando de ombros, assistiam a essa proliferação de grafias ocidentais com uma indiferença sínica.
Foi só no séc. XX, após a queda do Império, que os chineses entenderam conveniente adotar algum sistema oficial de latinização de sua língua. Mas não quiseram adotar nenhum dos sistemas ocidentais em uso na Europa; em vez disso, julgaram melhor criar um sistema próprio e novo. Alguns até pretendiam com isso abandonar os milenares caracteres nativos em prol das letras latinas, mas felizmente prevaleceu o entendimento de que o sistema oficial chinês de latinização seria mero auxílio à educação, à imprensa e à comunicação com o estrangeiro. E assim é.
O primeiro sistema chinês oficial de latinização, adotado em 1928, foi o Gwoyeu Romatzyh. E por esse sistema o nome da Capital do Norte se escreve "Beeijing". O que mais nos chama a atenção é a letra "j" no lugar do nosso "qu" (ou letras de valor equivalente nas outras línguas ocidentais). Mas é que as nossas formas ocidentais se baseiam na pronúncia chinesa de 400 anos atrás, enquanto os métodos oficiais chineses se baseiam na pronúncia contemporânea, e no decurso desses séculos o fonema "k" da segunda sílaba foi consideravelmente suavizado, ficando mais próximo de um "j" do que de um "k" -- embora na verdade não seja igual a nenhum dos dois, mas corresponda a um fonema que não existe em português. (Para maiores detalhes, consulte o imigrante chinês mais próximo.)
Porém, o fato é que o Gwoyeu Romatzyh não pegou. Nem mesmo na China ninguém o usava. Em 1958, os comunistas chineses resolveram substituí-lo por outro sistema, também criado na China: o pinyin. E por esse sistema o nome da Capital do Norte se escreve "Běijīng". (O pinyin é consideravelmente mais simples do que o Gwoyeu Romatzyh, embora a profusão de acentos, alguns deles estranhos para nós, dê à primeira vista uma impressão contrária.) E dessa vez, incentivado pelos métodos maoístas de promoção do império da lei, o sistema pegou. Em 2009, até Formosa -- isto é, Taiwan -- se rendeu e também oficializou o uso do pinyin.
Ninguém no Ocidente teria ligado a mínima para nada disso, se a China não estivesse se tornando lentamente -- e, nos últimos tempos, rapidamente -- uma potência cada vez mais influente no mundo. Isso fez com que as formas oficiais chinesas de transliteração passassem a ganhar cada vez mais difusão e, aos poucos -- não sem alguma compulsão de "kowtow" por parte dos ocidentais --, tomar o espaço das grafias europeias tradicionais. E eis que vemos gradativamente "Beijing" assumir o lugar de "Pequim". E em português a coisa está até um pouco melhor do que em inglês, língua em que a pobre versão "Peking", depois de séculos de bons serviços, está caindo em constrangedor desuso.
Não gosto disso, mas, dada a disseminação cada vez maior da língua chinesa e o desapreço cada vez maior dos ocidentais em geral pelas suas próprias tradições linguísticas, não sei se na prática será possível evitar a "pinyinização" das grafias ocidentais para palavras de origem chinesa.
As informações desta resposta foram em sua maioria produzidas pela Máquina de Fazer Sábios, também conhecida como Wikipedia. Se alguma coisa aí em cima estiver errada, favor reclamar com o fabricante. -
Eu tenho desde criança um amor platônico pela ciência. Pena que eu acho que jamais vai se consumar.
Durante todo o meu tempo de ginásio e no começo do colegial eu cogitei muito seriamente de fazer algum curso de natureza científica na faculdade. (Pensava sobretudo em medicina.) Eu ia muito bem em matemática e em biologia, medianamente em química e mal em física. Foi só da metade do colegial em diante que o interesse por humanas acabou prevalecendo e decidi estudar direito. De fato foi o que fiz, mas me senti insatisfeito com o excesso de retórica vazia (quem fez direito sabe exatamente do que estou falando) e, logo depois que me formei, decidi fazer uma segunda faculdade -- economia, porque ainda era na área de humanas, mas era mais científica. Sofri com a matemática e a estatística (os cinco anos na faculdade de direito, durante os quais obviamente não precisei fazer uma conta sequer, causaram um enferrujamento na minha anterior habilidade matemática do qual nunca consegui me recuperar completamente), mas consegui acabar também o segundo curso. Aprendi que a pesquisa científica conduz a bem menos certezas relevantes -- e, frequentemente, envolve muito mais picaretagem -- do que eu idealizava na minha adolescência. Mas o interesse leigo, assistemático e diletante pela ciência sobrevive até hoje, embora no momento eu não tenha tempo (ou disposição) para satisfazê-lo do modo como eu gostaria.
Os meus dois cursos foram feitos na USP. A USP tem um curso, chamado "ciências moleculares" (http://www.cecm.usp.br/), que não é oferecido no vestibular: só quem já é aluno de qualquer outro curso da USP tem o direito de participar do processo seletivo para se transferir para aquele lá. Nesse curso, estudam-se durante os primeiros dois anos as principais matérias básicas dos cursos de graduação em matemática, física, química, biologia e computação; durante os dois anos seguintes, o aluno tem liberdade para montar sua grade com as matérias de todas essas faculdades, desde que consiga articular um projeto de pesquisa coerente. A ideia é formar um cientista que, embora especializado em alguma coisa, tenha uma base interdisciplinar sólida. (Se essa proposta se realiza de fato ou não, não sei, não tenho nenhum amigo que tenha feito esse curso. Mas a ideia soa muito atraente.) Nas duas ocasiões em que entrei na USP, recebi cartinhas me convidando para participar do processo seletivo. Sobretudo na primeira ocasião, a tentação foi realmente grande. Mas acabei ficando no meu canto.
Durante o curso de economia eu concebi o plano de, mais tarde, fazer alguma coisa assim como autodidata, obviamente numa escala bem mais modesta. Fazer uma boa revisão de cálculo diferencial e integral (a essa altura, anos depois da formatura em economia, eu já me esqueci de tudo), estudar mais algumas matérias importantes de matemática que não fiz (como análise real, por exemplo), e depois pegar para estudar alguns manuais das principais matérias do primeiro ano, ou até mesmo do segundo ano, desses cursos científicos aí -- física, biologia, astronomia, talvez um pouco de química também. Nada disso me faria realmente entender de ciência, obviamente, mas talvez isso me desse os fundamentos necessários para o estudo sério de dois assuntos de que hoje eu gosto ainda mais do que da ciência propriamente dita: a história e a filosofia da ciência.
Mas a execução desse plano levaria anos demais, esforço demais, e eu não tenho disciplina nem para estudar um idioma sequer sozinho, quanto mais os rudimentos de quatro ou cinco ciências em nível superior.
Então o que faço é ler, de maneira assistemática, livros históricos e filosóficos sobre temas científicos. Gostei imensamente de "Os Sonâmbulos - O Homem e o Universo", de Arthur Koestler, uma esplêndida história da cosmologia. Também gostei de "As Bases Metafísicas da Ciência Moderna", de Edwin Burtt, que achei denso mas compensador. Há muitos anos eu li "História Ilustrada da Ciência", de Colin Ronan; achei bom na época, mas não sei o que pensaria hoje. E há mais tempo ainda eu assisti a minissérie e li o livro "Cosmos", de Carl Sagan -- acho que hoje eu consideraria uma merda, mas propositalmente me recuso a relê-lo, para preservar a imagem de que é um livro/seriado fantástico.
Há nas minhas estantes uma prateleira inteira de livros só sobre temas científicos, aguardando leitura. Como tantos de seus vizinhos, não sei quando os lerei de fato. Um dia, um dia. -
Eu acho que foram oito anos de progresso contínuo e tranquilo no rumo do socialismo.
Ou seja, a continuação dos oito anos de FHC.
O próximo governo, seja de Dilma ou Serra, vai manter esse rumo.
Nosso país deixou para trás a instabilidade política característica da América Latina. -
Heh. Possível é, sim, mas não é provável -- sobretudo porque isso exige da nossa parte, antes de mais nada, um desejo verdadeiro de comunicação permanente com Deus, mas a grande maioria dos cristãos não está realmente interessada nisso.
E mesmo que se queira seriamente orar sem cessar, isso não é o tipo de coisa que se consegue de uma hora para outra. Como para tantas outras coisas, há toda uma técnica adequada para se atingir isso, há os pré-requisitos e condições prévias que é preciso reunir, há a imprescindível orientação pessoal de um instrutor que tenha ele próprio recebido de Deus o dom da oração incessante. Ah, tem isso também, que é aliás o mais importante: a oração incessante é um dom gratuito de Deus, e não uma coisa a que você tenha direito se você cumprir a sua parte no contrato. Não existe contrato. Deus o concede a quem Ele quer. E os contemplados desse e de outros dons característicos de estádios adiantados da vida espiritual são sempre pessoas que se prepararam para isso, que se tornaram suficientemente humildes para esses dons supremos.
Mas há, sim, e ainda em nossos dias, casos de pessoas que oram sem cessar. Vale a pena você procurar alguns bons livros sobre ascetismo e vida monástica (embora não seja imprescindível ser monge para orar sem cessar). Dois livros de que eu gostei foram "Anchored in God" e "The Holy Mountain", ambos de Constantine Cavarnos (dá para comprar por aqui: http://www.ibmgs.org/monastic.html). São relatos de peregrinações do autor à Santa Montanha (o Monte Athos, na Grécia, onde ficam vinte mosteiros e inúmeras outras comunidades monásticas menores), transcrevendo suas fascinantes conversas com monges, observações e impressões. (O próprio autor, após décadas de carreira acadêmica no Departamento de Filosofia de Harvard, é hoje monge no Arizona.) Talvez ainda melhor seja "Precious Vessels of the Holy Spirit", de H. Middleton (http://store.holycrossbookstore.com/9608761409.html), uma compilação das vidas e de conselhos de oito grandes anciões gregos do séc. XX. (Na terminologia ortodoxa, chama-se de "ancião" o monge que atingiu estágios muito avançados na vida ascética e está em condições de orientar as outras pessoas. Não é raro que os anciões sejam até taumaturgos.) Se após lidos esses livros você quiser ainda mais, eu indicaria as vidas dos anciões de Optina (http://www.stherman.com/index.htm, clique em "Optina Elder Series", na coluna à esquerda. Se o frete for muito caro, tente este site: http://www.easternchristiansupply.biz/. Não recomendo a Amazon para esses livros porque eles não são propriamente comerciais e dificilmente a Amazon os vende a preços bons.) Optina é um mosteiro russo que, no séc. XIX e começo do séc. XX, ficou famoso por uma série de grandes anciões -- que serviram de inspiração para Dostoyevskiy, por exemplo. ("Ancião" em russo é "staretz".) Essa série de livros contém as biografias de alguns dos mais destacados dentre eles.
Esses livros darão a você provas suficientes de que a oração incessante existe e é possível. Também mostrarão detalhada e concretamente quais são as condições necessárias para que ela se torne real. -
Já, muito -- e na verdade ainda penso. Acho, aliás, que nenhuma outra atividade seria tão compensadora para mim.
A universidade, porém, parece uma possibilidade remota. Não tenho mestrado nem doutorado e nem perspectiva de obtê-los no momento. Não que eu tenha rejeitado a hipótese, mas pós-graduação atualmente não é prioridade na minha vida e eu precisaria ter algum estímulo de ordem prática para encarar esses cursos.
No entanto, eu às vezes me imagino abrindo algum tipo de curso livre. E me parece que a internet tornou iniciativas assim mais baratas e mais viáveis. Em todo caso, se algo nessa linha se tornar realidade, certamente será em um futuro ainda distante; no momento, além da falta de tempo, eu não me sinto preparado para ensinar nada.
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Philippos
Brasília, DF































