Choose silence of all virtues, for by it you hear other men's imperfections and conceal your own.

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    1. Fernando
      oldwulf responded to luacinnamon 9h

      Os três guris são bastante inteligentes para a pouca idade que têm, principalmente o Ben. Mencionei ensino religioso porque ele vem misturado com algumas matérias sem qualquer ligação aparente, como Geografia e Matemática. A questão é que crianças irlandesas precisam lidar com muita coisa: aprendem dois idiomas como língua materna, precisam absorver as noções religiosas e culturais dos celtas ao mesmo tempo que são evangelizados. Alguns (os que acompanham) tendem a ter formação avançada para a faixa etária; assumo que outros fiquem pra trás, embora aqueles com quem tive contato tenham sido todos de uma perspicácia que espanta.

      Estudar não era meu objetivo principal. Tá certo que fui lá dar umas marteladas finais no inglês, mas com um mês fiz o CAE, peguei o diploma e senti que o curso já não me acrescentava muita coisa. Parti então pro trabalho voluntário - que também só durou umas poucas semanas. Eu sequer chamaria de trabalho, era uma ajuda muito trivial. Passava as tardes conversando com idosos. Apenas conversando, pura e simplesmente pela companhia. Durante tudo isso, viajava bastante. Poucos foram os finais de semana em que não viajei. Conheci todo o Reino Unido, boa parte do leste europeu e do centro. Tive a chance de passar uns poucos dias na Escandinávia, mas descartei a possibilidade sem pensar duas vezes. Não quero que minha estadia lá seja corrida. Dinamarca, Suécia, Noruega, todas me fascinam além das palavras. Irei conhecê-las quando tiver tempo para fazê-lo de forma adequada.

    2. Fernando
      oldwulf responded to luacinnamon 9h

      Sim, sim, eles sempre cantam e raramente estão sóbrios. Em determinadas músicas, inclusive, mobilizam todos lá dentro. Lembro-me bem disso porque estava no banheiro quando passaram chamando (lê-se: recrutando) para cantarmos Mrs. McGrath. Eu não sabia a letra, disse a eles, mas não adianta. "C'mon, lad, just sing along, c'mon!" São sempre bastante simpáticos, mesmo bêbados, e o entusiasmo é constante. Vale mencionar que a maioria dessas canções são tristes, baladas sobre guerra e fome, então ao mesmo tempo que o clima é de festa, há certo pesar no semblante deles, principalmente no dos mais velhos - que, aliás, frequentam os pubs em peso, não existe isso de ser algo prioritariamente jovem.

    3. Fernando
    4. Fernando
    5. Fernando

      Não vejo benefícios significativos. Se apertar os olhos e fizer esforço, posso até enxergar um ou dois aspectos que talvez melhorem um pouco, mas a que preço? Eu fico com preguiça só de imaginar o assédio publicitário. Grandes empresas adotando propagandas frenéticas, divulgando o produto com o cuidado de eufemizá-lo; "uncle Gary agora está no Carrefour". A esquerda de ambições infladas riscando um item da lista e partindo para os próximos. Um liberalóide novo a cada semana nos jornais com demandas de legalizações outras e direitos de usuários, integração social de traficantes, sabe o diabo o quantas mais. Do outro lado, artistas da Globo se mobilizando para dizer que está errado, talvez até com novos - o destino permita que não - vídeos no YouTube. Você entende a dimensão do bombardeamento? Entende quantas vezes será obrigado a ouvir Marcos Palmeira falando "pode isso não, meu povo"?

      Isso para não mencionar quantos dos seus amigos - e quantos dos senhores - passarão a fumar como chaminés e se tornarão insuportáveis durante 80% do tempo: um terço dele dando tapa, o restante reclamando do preço. Não menos cansativa, haverá a lamúria diária de quem é contra. De um lado praças públicas com mais marijuana que um gueto na Jamaica; do outro, protestos cegos e sem liderança, tão desprovidos de valor quanto aquela ladainha de marcha contra a corrupção.

    6. Fernando
      oldwulf responded to luacinnamon 9h

      ...te daria um pouco de trabalho pra responder. Não pude deixar de ter aquela pontinha de inveja por você ter estado na Irlanda e presenciado a cultura. Primeiro: Achei incrível essa parte sobre livro viking. Qual parte do livro você leu?

      -

      Estão em todos os lugares, mas foram em peso para o UK + Irlanda. Um dos meus professores costumava dar aulas em Cambridge e ministrar pesquisas sobre fluxo migratório. Segundo ele, formalmente existem oitenta mil latinos no Reino Unido, dos quais mais de cinquenta mil são brasileiros. Formalmente. Os valores reais ultrapassam duzentos mil.

      Não pude ler o livro, na verdade. Ele é composto por imagens e símbolos que, se você tiver sorte, verá no momento em que algum dos historiadores de Trinity College explica o significado. Mas quase não há grafia, e os trechos que existem estão em gaélico antigo (ou "língua celta"). Fui lá duas vezes, nenhuma delas durante as explicações. Ainda assim, dá para ter noção pelas notas que deixam expostas, e a biblioteca em si também vale muito a pena. (http://tinyurl.com/8x7zw49)

    7. Fernando
      oldwulf responded to laisperandei 1 Jun

      Tenho Facebook. Raramente adiciono alguém e vou dizer o motivo: parto do pressuposto de que as pessoas o farão primeiro. E isso serve para quase tudo no âmbito social. É um hábito que comecei a cultivar não sei bem quando. Deixo o início do contato a cargo dos outros. Não é como se eu nunca fosse falar com eles, mas só vou quando tenho um objetivo específico; quero dizer tal coisa, pedir tal informação, convidar para o evento X. Nunca aprendi abordagens casuais, jogar conversa fora, "fazer a social". Às vezes penso que estou perdendo muita coisa com isso, convenço-me de que é um costume ordinário e preciso largá-lo, mas para onde vai essa determinação na hora da prática?

    8. Fernando

      Gosto de pensar que sim, mas ainda falho em compreender porque foi importante calcular a densidade de sabonetes de glicerina no Ensino Médio. A bem da verdade, tudo que fiz em Química nesse período é meio nebuloso pra mim. Acordava assustado na véspera das provas, suor pingando, por vezes sufocava um grito. "Bases de Arrhenius!"

      Mas passou, passou.

    9. Fernando
    10. Fernando

      Há algo em mim que faz as pessoas concluírem de imediato: "só sei de uma coisa, esse aí gosta de café". A verdade é que não suporto. Tivesse a chance, queimaria todos os nossos cafezais para plantar laranjas.

      Xadrez e palavras serão muito bem vindos no momento em que você sair do anonimato.

    11. Fernando

      Acho. O que exige muita capacidade de abstração é imaginar uma pessoa lógica fazendo essa pergunta. Não tivesse me declarado ateu, será que ainda receberia essas asneiras?

    12. Fernando
      oldwulf responded to luacinnamon 1 Jun

      Indelicadeza nenhuma, estamos cá pra isso mesmo.

      As primeiras impressões (estava bastante cru, ainda) - http://www.formspring.me/oldwulf/q/301460419418008272

      A beleza das moças: http://www.formspring.me/oldwulf/q/301871644735975407

      Culinária: http://www.formspring.me/oldwulf/q/304398192458345693

      Educação: http://www.formspring.me/oldwulf/q/306550841823733709

      Música: http://www.formspring.me/oldwulf/q/307192982711319462

      Outra visão geral: http://www.formspring.me/oldwulf/q/308651972133653251

      Cotidiano nas bandas de lá: http://www.formspring.me/oldwulf/q/317412682347054499

      Aprendi umas poucas palavras em gaélico, mas só por curiosidade, a língua não é usada pela população. Digo, todo anúncio governamental ou sinalização, bem como qualquer coisa de caráter "oficial" vêm escritos em ambos, inglês e gaélico. E existem vilarejos na costa oeste que ainda valem-se desta segunda na comunicação corriqueira, mas são casos isolados. As crianças aprendem a "irish tongue" desde cedo, mas como a finalidade é exclusivamente acadêmica e morre após o ingresso na faculdade, quase não desenvolvem a pronúncia.

    13. Fernando

      “Há um erro de tradução na tira Hagar publicada na Ilustrada no último dia 3. Hagar diz não confiar em conservantes, e não em preservativos, como saiu publicado.”

    14. Fernando

      A mesma sobre quem se chama João e não quer ser chamado de Clóvis. Tratam-se de meninas, Maria, Joana, Gertrudes; não são especiarias etiquetadas ao gosto dos desígnios sociais. Recusam o título não por vergonha, mas por não lhes caber e por perceberem a intenção com que muitos o evocam.

      Pare por um instante. Imagine-se no banheiro. Suponha, agora, que passaram pelo corredor e ouviram o senhor acertando suas contas lá dentro. Decidiram que aquilo era muito engraçado e viraria motivo de chacota, que agora lhe chamariam de "Cagueiro" e se lhe perguntassem o senhor deveria responder prontamente que sim, é o Cagueiro. Conte-me: aceitaria de bom grado? Daria o sobrenome aos filhos e desenharia um brasão para a família?

      Rasos os que sintetizam uma vida com um nome. Chucros os que aceitam.

      Ademais, não entendo o alvoroço em cima disso. Mulheres são, de longe, de muito longe, mais belas que os homens. Se é para ter alguma surpresa, surpreendamo-nos com aquelas que só se sentem atraídas pelo sexo oposto. Somos sacos de carne malhada e peluda. Não temos as curvas femininas, a graça dos movimentos, a amabilidade de gestos, a doçura de voz. O que quer que elas estejam enxergando em nós, aceitemos cheios de gratidão e sem fazer perguntas.

    15. Fernando
      oldwulf responded to laisperandei 31 May

      Os usuários. Algum dia historiadores debaterão a era das Redes Sociais. A maioria concordará que não havia vida inteligente em nenhuma delas. Numa grande mesa de mogno eles farão piadas sobre o surto de ateus, a onda de memes, os botões serelepes - "curtir", "compartilhar", "cutucar". Algum deles se lembrará de fazer troça da música contemporânea. Desenterrarão com punhos de ferro todas as nossas vergonhas. Horrível, horrível.

      Mas nesse momento um senhor mirrado se levantará de um canto escuro da sala, bloco de notas em mãos, e dirá com um semblante metódico que na História nunca houve espaço para generalizações. "Entre 2011 e 2013 existiu uma pequena parcela do Formspring...", ele começará, firme num discurso que nos salva.

      E de algum lugar nós o ouviremos.

    16. Fernando

      Worry not, dear lady. Não me ofendo com tanta facilidade. Tenho dezenove, caminho esse ano pr'uma segunda década concluída. Não que eu a queira, envelheço suficientemente bem sem a contagem numérica, muito obrigado. Mesmo assim, em Setembro tenho que prestar contas às ampulhetas. Terríveis, elas, alguém precisa tomar providências. Vou dormir durante o mês e ver se acordo com a idade intacta. Wake me up when September ends, shall you?

    17. Fernando
      oldwulf responded to laisperandei 31 May

      24ºC. Não está ruim para o que é de praxe no norte de Minas, mas vale mencionar, nostalgicamente, que há menos de uma semana eu estava em Dublin. Amante dos ventos irlandeses, só posso dizer que há demônios banqueteando no inferno em temperaturas mais agradáveis que as daqui. Mas vá, gosto dessa terra, dá pra levar.

    18. Fernando
      oldwulf responded to laisperandei 30 May

      Gosto, sim. Muito e por várias razões.

      Realismo, antes de mais nada. Não consigo mais me interessar por obras de fantasia no modelo clássico. Tem que ser regrado, estruturado, com foco na condição psicológica dos personagens e explicação plausível para os eventos. Isso descarta a maioria dos livros que encontram-se no mercado. Martin, para mim, carrega o maior potencial de criação desde Tolkien. Criação lógica, coerente, imersiva.

      A diversidade de situações. O que você normalmente encontra num livro convencional são dois ou três polos, sejam eles (os livros) de fantasia ou não. Em A Song Of Ice And Fire eles são incontáveis. Há espaço pra tudo, dos clãs freefolk para além da Muralha à história de cada uma das casas de Westeros, passando pela ambientação nas Cidades Livres e mesmo pelos terrenos que parecem ganhar unidade diferenciada (Dorne, Dragonstone, etc). Nos livros você encontrará personagens de todas as estirpes inseridos em contextos tão variados quanto se pode esperar. É um universo grande demais, principalmente se você considerar o nível de detalhes nas abordagens - aliás, aqui está outro ponto forte.

      A irreverência. Cuidados e pudores não têm vez na saga. O autor é fiel a todos os aspectos humanos e não poupa quem lê de uma narração pormenorizada da violência, dos horrores, da selvageria.

      Escrita inortodoxa. É ousado narrar uma estória sob tantos pontos de vista, e mais ainda se desfazer de tantos personagens como Martin faz.

      Não sei se atendi ao seu "bastante", mas sou uma boa alma, voltei até Dezembro do ano passado para fazer uma coletânea de respostas que dei sobre o assunto. Algumas delas, pelo menos.

      Pontos chave, basicamente o que fiz aqui: http://www.formspring.me/oldwulf/q/295224158483131089

      Idem. Vide número II: http://www.formspring.me/oldwulf/q/323465124012648763

      Previsão infeliz pro que nos aguarda: http://www.formspring.me/oldwulf/q/267297485687372715

      Sobre a tradução: http://www.formspring.me/oldwulf/q/328671686062786261

    19. Fernando

      É o calor. Toda problemática brasileira se explica pelo calor. No Hemisfério Norte eles organizam e preparam suas respectivas vidas como aquela formiga da estória, que conhece e teme o inverno. Nós também estamos na fábula. Somos a cigarra, uma versão tropical dela, tocando maracas e resolvendo os eventuais problemas graças à esmola nortenha.

    20. Fernando
      oldwulf responded to laisperandei 30 May

      Yesterday, Norwegian Wood, Let It Be, A Day In The Life, Nowhere Man, While My Guitar Gently Weeps, Strawberry Fields Forever. Não dá pra ter música favorita. Quando me perguntam, o diálogo é sempre o mesmo.

      - Qual a sua música favorita dos Beatles?
      - As músicas dos Beatles.
      - Sim, suas favoritas.
      - Já respondi. As músicas dos Beatles.

Fernando

Belo Horizonte.

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