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    1. meiapataca

      A geração passada toda estudou nela, e só deu certo quando o estudante se aplicava muito e corria atrás de outros modos. É enjoado, e menos prático do que seu jeitão metódico sugere. E comete uns pequenos deslizes, pra quem for mais nitpicky: confunde a definição de acusativo com a de objeto direto, etc.

      Mas nutro grande carinho, especialmente pela persona do autor. Cê tá lá, lendo, aí vem uma nota NÃO ME VÁ O ALUNO ESQUECER DO §75, seguida de ESPERO QUE NESTE PONTO O ALUNO JÁ TENHA DECORADO [tal coisa], haha. Cê sente os hematomas da palmatória <3

    2. meiapataca
    3. meiapataca
    4. meiapataca

      Sei, sim. Já te falo. Decorei como todo mundo que decora--usando o ~coração

      Como sou burro e pouco persistente, demorei muito pra progredir. Mas você não precisa demorar o mesmo tanto, especialmente porque me utilizei de muitos métodos ruins.

      Sério, latim é pra ser uma língua de fácil aprendizado. Se tá sendo difícil, é porque estamos estudando errado. Lá no fim te explico o porquê, prestenção.

      Coisas de que você precisa:

      um bom método (ou dois)
      uma boa gramática
      os dicionários corretos
      flashcards (precisar não precisa mas acho excelente)
      amici
      tranquilitas

      MÉTODO -- Em português, recomendo o recém-traduzido Aprendendo Latim. É legal, a escolha dos textos-base foi muito feliz: começa com uma adaptação da Aulularia, de Plauto. É teatro (o que torna tudo mais prosaico), é comédia (ainda mais coloquial), mas é literatura *joinha*

      Existirá também um que minha ex-orientadora está a desenvolver. Quando sair vai ser muito bom. Se você ainda estiver vivo, e interessado, o nome é Latine Loqui.

      Mas se você quer aprender as sílabas com as quantidades vocálicas certinhas (sabe do que tô falando? latim clássico tem diferença entre vogal longa e breve, e isso dá todo o ritmo pra ler prosa antiga, e é fundamental pra se ler poesia), recomendo ALACREMENTE o Latin For The New Millenium. É um método muito agradável, também (e, como o Aprendendo Latim, especialmente fácil pra nós, românicos), e tem o lindo escrúpulo de se anotar TODAS as quantidades naturais em TODAS as palavras.

      Quando você ficar um pouco mais confortável, sugiro de coração que você se divirta com algum método de ~latim conversacional~. Como é língua morta, negligenciamos, claro, a parte falada; mas olha, um poucochinho em que você se empenha a falar e ouvir latim, ou a escrever mail pros outros, dá um ano de estudo formal, viu. No Gugu Books tem um antigo, completo, e eu tenho outro em PDF, recente.

      GRAMÁTICA -- pra não assustar, nessa resposta longa, cito só a do Ernesto Faria, em português. Ainda assim, talvez seja completa demais; pega qualquer uma outra que tá ótimo, é só pra referência, mesmo. Se você quiser THE VERY BEST, outrossim: http://www.duke.edu/~wj25/Bibliographica/Instrumenta_Philologica.html, http://wessweb.info/index.php/Classics_Studies_Web.

      DICIONÁRIOS -- Oxford Latin Dictionary. Lindo e grosso, tem em PDF pra baixar no uz-translations. Lewis & Short tem online no Perseus, e é muito útil, especialmente integrado ao site, que contém a melhor parte da Antiguidade em textos. Esses são os dois.

      Mas o OLD só vai até 200 d.C., e o L&S eu não sei. Pra Idade Média em diante: Forcellini. Também é baixável, e vem em 5 volumes, acho.

      O dicionário mais completo do mundo, pra variar, seria alemão, mas parou na letra P.

      FLASHCARDS -- baixa o Anki. Sério. Se não pro latim, pra vida. Eu usei, e ainda uso, em latim, pra fixar as quantidades.

      AMICI -- pra aprender uma língua você precisa de AMICI. SODALES. FRATES. SOCII *com vox de didi mocó*. Alguém que seja seu professor, por perto, e amigos pra praticar, estudar junto, traduzir, escrever cartinha. Eu nunca usei, mas existem fóruns, no Brasil, pra isso.

      TRANQUILITAS -- Relaxe, e pode ir seguro. Se você quer aprender latim, já começou bem porque você tem o quereres (fon). O resto é garantido: você é brasileiro, e além de falar uma língua românica, estudou gramática em moldes criados todos por milênios de tradição latina. Você já têm as categorias todas pra entender as declinações, por exemplo.

      E as declinações nem são assim esse monstro. A gente ainda tem algum resto delas, nos pronomes: eu/mim/me.

      Latim é uma língua muito fácil, num certo sentido. Foi usada, e ainda é, como um padrão de escrita: quando era viva, não pretendia refletir o uso coloquial, e quando morta, virou uma lingua franca. Todos os holandeses não-contemporãneos que quis ler na vida escreveram em latim; o mesmo pros tchecos, noruegueses, húngaros. Isso quer dizer que o latim é fácil porque o latim NÃO MUDA. Você não vai ter que estudar diferenças históricas de registro (a não ser questões de estilo, mas é tranks), não vai esbarrar nunca num dialeto (latim não tem dialeto), e a gramática vai ser [quase] sempre só aquela, mesmo. Não é assim com nenhum outra língua viva, e, não costuma ser assim com as mortas, tampouco. Esse é o maior alimento da noção de que grego antigo é mais difícil do que latim. Grego antigo não é uma língua só, e não se permitiu congelar como o latim.

      UMA DIVIAGAÇÃO: A gente tá acostumado com outra ideia de facilidade, que é a do inglês, que não regula nada, não tem academia. Isso é, também, uma facilidade, mas também torna inglês uma língua bem difícil. Por conta da pronúncia assistemática, a alfabetização de crianças nativas é /bem/ problemática (cf. Phonics); e a variação, tanto sincrônica quanto diacrônica, é brutal. Lembro-me de assistir Monty Python e súbito alguém imita um sotaque, ou um tipo, e eu não entender mais nada. Compare Old English com português arcaico. Compare mesmo Middle English com o português da mesma época. O inglês do século XVIII.

      Espero não tê-lo assustado; quis justo o contrário \o

    5. meiapataca

      Haha, não, não. Tô vendo aqui que foi o primeiro dele, né? Agora quero lê-lo 8Y

    6. meiapataca
    7. meiapataca

      Parabéns, viu. Sua pergunta me deixou confuso em mais de um aspecto ^^

      Lembro quando cês vieram com essa tipologia de ambições, "fodinha" (doravante sem aspas) da lit / do espírito. No primeiro minuto achei fon, mas cedi logo: casava bem com o ambiente, e, bom, casava bem comigo. Tenho vergonha de dizer isto a vocês, a mesma vergonha que teria de assumir que às vezes (rodando bem no automático, mas, sim, viu) meu modelo de conduta é um personagem de mangá/videogame/coisa genérica de menino--mas digamos logo: decidir-se por uma das duas ambições era, até certo tempo, um hot topic na assembléia rafaélica aqui.

      Decidi-me por tentar ser um fodinha do espírito. Ainda me vejo preocupado com objetos e assuntos da ambição rival, mas isso vai aprendendo a ficar em seu lugar ou a se dissolver.

      Ai, que me sinto tão exposto!
      (que mentira, sinto nada. puro afrescalhe)

    8. meiapataca
    9. meiapataca

      Essas coisas pra mim não óbvias ^^

      Não é sacanagem, eu não sei do que se trata, mesmo. Conheci esses nomes (Evola, Guénon, Coomaraswamy) por vocês, sempre relacionados a essa Tradição, que eu não sei o que seja, e a adjetivos como "hermético" e "esotérico".

      Tenho a impressão de que tratam de assuntos de interesse e fôlego muito maior do que os meus. Mas é tudo impressão, a gente sempre pode conversar, e é bem fácil me alegrar com gente querendo me dar livro \o\

    10. meiapataca
    11. meiapataca
    12. meiapataca

      Pois então. Não negou nem afirmou. É uma estratégia do budismo considerar os fenômenos, gradualmente, não-atman ("não-eu, não-meu", em outra fórmula aí). É só uma tática, não é uma doutrina essencialista.

      Cês me perguntaram sobre estoicismo, e anteontem ganhei uma tradução do Encheirídion de Epiteto, pelas mãos do tradutor. Fiquei impressionado como o negócio começa justamente por esse ponto. Se alguém conhece a obra, pois então. O Buda quis dizer aquilo ali.

    13. meiapataca
    14. meiapataca

      Claro. Ao invés de fazê-lo pessoalmente, todavia, vou te passar links do uz-translations, pra você conhecer este bonito site que encanta os alunos, diverte as senhoras, auxilia os mestres, previne doenças, adorna o espírito e torna Dahers amistosos à minha pessoa pataca:

      http://uz-translations.net/?category=linguistics&altname=how_to_learn_any_language
      http://uz-translations.net/?category=linguistics&altname=How_to_Learn_Any_Language_Quickly_Easily_Inexpensively_Enjoyably_and_on_Your_Own

      mais de um link caso algum falhe (acontece muito depois da morte do library.nu)
      e um estepe (bom tb caso nem o avax você conheça): http://avaxhome.ws/ebooks/eLearning_book/languages/0806512717.html

    15. meiapataca

      MENINO* me segurei um bocado pra não estudar estas coisas**, mas está nos planos mais tarde. Há muitos estudos sobre isso. Vou te contar o common sense que retive.

      Não entendo muito bem o que foi védico tr00 e o que não foi na cultura indiana, especialmente a antiga. As formas de registro histórico lá, como você bem disse, são muitos diferentes, e eu segurei o estudo. O próprio budismo parece ter influenciado demais as formas religiosas tradicionais. Mas de todo modo, o budismo nasceu no meio do movimento sramana, que eram na verdade grupos diferentes, que, pelo que entendi, tinham em comum não serem védicos, e tentarem florescer autonomamente.

      Boa parte do cânone me dá a impressão de que os budistas viam tudo aquilo meio como superstição, religio. "Tudo aquilo" é a relação que as pessoas estabeleciam com os vedas. O estilo às vezes me lembra Lucrécio, ou os Padres da Igreja zombando.

      Mas às vezes parece haver uma relação mais amistosa com os textos por si mesmos. Um certo carinho por versos em geral; apesar de não gostarem de dar trela demais a poemas (apego etc), uma parte considerável dos escritos canônicos são versos, atribuídos ao Buda e aos discípulos e a mais um monte de gente. Estes versos, acho, acabam se relacionando, por mais de uma forma, aos vedas.

      Não se quanto dos vedas estava presente na Magadha do VI a.C., e quanto deles era escapável; por isso não sei quanto dos elementos e figuras védicos presentes no budismo estão ali deliberadamente.

      Interesso-me pelo assunto. É uma pena não ser de mais valia por ora :)

      *entenda esta palavra como em uma iluminura (é assim que se chama aquele adorno de maiúscula caprichadinha?)

      **porque se me der trela estudo história da Índia e sânscrito e páli e serious budologia e 1) entro em polêmicas bestas 2) deixo de praticar o que interessa 3) fico culpado porque tenho minhas outras coisas a estudar 4) acabo não aprendendo nada direito. vc entende?

    16. meiapataca

      Minha situação é parecida :) Nunca fiz curso de inglês, e nunca vivi com nativos. Mas já dei aula em curso e tudo.

      O que não foi a coisa mais tranquila que já tenha feito. Não é legal aprender sem guia; realmente, se é difícil apostar em autodidatismo em geral, ainda é mais difícil com línguas, em particular. Porque você não usa uma língua sozinho.

      Vou sugerir um monte de recursos óbvios, agora.

      Se você tem dinheiro pra tanto, recomendo um bom professor particular. Se não, cercar-se de bons materiais e de bons colegas anglófonos. Com os bons materiais, estudar tranquila e consistemente, todo dia. Com os bons colegas, praticar bastante.

      Enfatizar a comunicação sobre a correção. É melhor dizer tudo errado do que gaguejar pra dizer o certo e cansar o ouvinte. Sem perder o interesse, claro, nas correções. Solte a borracha e depois analise.

      Junte-se a um desses grupos de conversação que marcam encontros e bebem juntos. Soube que isso existe. Converse no Skype com gringos. Entre no LiveMocha e faça amigos lá, se não tiver nenhum contato estrangeiro.

      Faço muito: assistir a certas séries só pra exercitar. Estraga bastante se você liga pra série, mas é muito eficiente: primeiro sem legenda, voltando sempre se não entender, tentando entender tudo. É pra desistir se ficar difícil demais, e estipular um tempo máximo pra brincadeira toda senão ce perde o dia. Depois que acabar, assistir de novo com as legendas em inglês. É muito bom pra exercitar a FORÇA ESPIRITUAL também, haha :)

      Acredito em dois maguinhos da metodologia: Barry Farber, cujo livro ("How to learn any language -- to enjoy it!") tenho aqui em PDF; e o irlandês do Fluent in 3 months. Se você não for propenso a viciar-se em autoajudas e lifehackings etcs, recomendo mt :*

    17. meiapataca
    18. meiapataca

      aaaaah, entschuldigung. supus que não fossem passarinhos, mas não soube o que seriam.

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