-
-
Lord, fui aprovado na universidade federal do meu estado por causa do seu bullying com quem não lê. Comecei a ler o seu formspring agosto do ano passado, e li uns 60 livros até dez. . Por isso fui muito bem nas provas de port. e redação e passei. Obrigado
De nada. E estão vendo, estão vendo, nunca reclamem da minha arrogância. O entojamento é um método didático, e é preciso que apareça um anti-Paulo Freire que ensine isto ao mundo.
-
faça uma lista de tres ou mais mandamentos para se viver bem socialmente
Nunca fale durante mais do que 25 seg. sem parar.
-
5 conselhos que você daria para as pessoas. Pode ser sobre qualquer coisa.
1) Um ponto de exclamação basta.
2) A palavra "Pseudo-intelectual" sofreu recall mais ou menos em 2004 e foi devolvida para o dicionário. Não use, ou corre o risco de parecer idiota.
3) Pedir desculpas uma vez basta. O segundo pedido de desculpas sempre causa uma explosão de ressentimento no qual o amargor pelo seu erro inicial se junta ao amargor pela sua fraqueza.
4) As pessoas esbarram mais em você na multidão se você andar encolhido.
5) Não comece a ler Salinger por "Cather in the Rye". Se começou, não pare por aí. -
A bandeira brasileira é bonita? Quais são as bandeiras mais bonitas?
Não. Um losango num retângulo? Acho bonitas as de Montenegro, Albânia e Macedônia: http://pt.dreamstime.com/fotografia-de-stock-royalty-free-bandeiras-de-pa-ses-europeus-image5505687. Quase sinto vontade de derramar meu sangue por elas, ou pelo menos sangrar um pouquinho na gengiva quando for passar o fio dental.
-
Mas, Lord, diga-me: como saber quando uma obra é mal-feita ou não?
Alguma experiência com obras de arte, atenção à estrutura e aos detalhes, alguma sensibilidade, algum talento. E também: A wise reader reads the book of genius not with his heart, not so much with his brain, but with his spine. It is there that occurs the telltale tingle.
-
Lord, você poderia fazer uma lista com alguns dos seus contos preferidos? Nada que te dê trabalho, mas o que te vier à mente como aquilo que mais te impressionou. Pode ser de qualquer autor, qualquer período, qualquer estilo, etc. Obrigada!
Ok. Acho que já fiz uma lista dessas por aqui, mas vou fazer de novo porque gosto de listas.
Aliás, me pergunto sempre o motivo de algumas pessoas não gostarem de listas. O twitter pelo menos está sempre cheio de listas e de reclamações pela existência de listas. O que lhes causa ansiedade? Escolha, seleção, comparação, injustiça? Fico acanhado de postar listas de melhores do ano por causa dessa gente que há de choramingar. "Ah, Deus, por que há listas no mundo? Por que a ordenação de coisas uma embaixo da outra?" Me parece ingenuamente que toda possível angústia causada por listas devia ir embora com o aviso de que a lista não é tão séria assim, que nenhuma lista é tão séria assim que tenha sido feita antes do Juízo Final; que selecionar e excluir têm a sua dose de diversão; que são atividades necessárias e gostosas do intelecto e do espírito; e portanto, calma, caaalma.
Esta não é uma lista dos melhores contos, porque não gosto de listas objetivas - pela razão de que são impessoais, todas basicamente iguais, repetitivas - mas dos que mais gosto de reler. Um para cada autor:
The Creative Impulse, Somerset Maugham
An Affair of Honor, Nabokov
Four Meetings, Henry James
The Artistic Career of Corky, P.G.Wodehouse
The Destructors, Graham Greene
Funes, o Memorioso, JL Borges
The Novelist of Manners, Louis Auchincloss
A Dama do Cachorrinho, Checov
The Concentration City, JG Ballard
Sredni Vashtar, Saki
The Laughing Man, J.D.Salinger
A Circle in the Fire, Flannery O'Connor
Casting the Runes, M.R.James
The Room in the Tower, E.F.Benson
Conto de Escola, Machado de Assis
The Gardener, Rudyard Kipling
A Piece of Steak, Jack London
A Dama do Pé de Cabra, Alexandre Herculano
The Dead, James Joyce
The King of the Elves, Philip K Dick
Mr Skelmersdale in Fairyland, H.G.Wells
The Short Happy Life of Francis Macomber, Ernest Hemingway
The Wind, Ray Bradbury
Os Três Eremitas, Leon Tolstói
The man who wrote books in his head, Patrcia Highsmith
Drink my blod, Richard Matheson
The Angry Street, G.K.Chesterton
Rapaccini's Daughter, Nathanael Hawthorne
In the Reign of Harad IV, Steven Millhauser -
Como diferencias cultura de entretenimento? E alta cultura de baixa cultura? Pode recomendar livros sobre o assunto?
Eu não diferencio. Acho bobo. Toda literatura, por exemplo (fiquemos na literatura), é de entretenimento. A Divina Comédia entretém, a Ilíada entretém. Sem prazer não viraríamos uma página. Mesmo que seja o prazer seco de um asceta comendo um pão seco.
As pessoas que fazem essa distinção querem distinguir entre literatura que só entretém e literatura que, além de entreter, faz outra coisa. Mas que coisas são estas? Engomar suas camisas? Esquentar o arroz? Não, em geral estão falando de conhecimento.
Se o que se procura além do prazer causado pela beleza e bem-feitura da obra são conhecimentos sobre o mundo, ou sobre si mesmo, a distinção que se quer fazer é o do poder dessas revelações, a força com que o autor o sacudiu histericamente pelo colarinho e lhe deu uns toques aí sobre a vida.
Acho bobagem de gente filosófica demais, que carrega para a arte a mesma bundinha tensa com que lê filosofia. Em primeiro lugar, mesmo que uma determinada obra de literatura fosse só de entretenimento e não oferecesse mais nada, não vejo motivo para olhar com desprezo para um livro e dizer:
"Tudo que você me deu foi prazer, algumas risadas, algum encantamento, algum envolvimento com o destino das personagens, alguma admiração pelo estilo de fato perfeito, e duas ou três tardes de alegria. Pfui."
Certamente há obras sérias e obras frívolas, mas em termos de mérito elas estão todas embaralhadas, e não há conexão alguma entre seriedade e excelência, nem entre leveza e ruindade.
A única distinção que interessa é entre obras bem-feitas e obras mal-feitas. Não há limite para o quanto uma obra de arte pode ser bem-feita, ou o quanto pode ser mal-feita, e toda nossa admiração e desprezo cabem bem nesse espectro. Todo o nosso elitismo será bem saciado no desprezo ao mal-feito e na admiração ao bem-feito, sem que tenhamos que inventar essa divisória entre baixa e alta cultura, ou outras distinções furrecas de parolos. -
Qual sua opinião sobre gente que usa drogas/plantas psicotrópicas com desculpas do tipo "expande minha consciência" ou "uso para me conhecer melhor"? Sério, acredita que uma droga pode proporcionar esse tipo de "iluminação"?
Há mentes tão pequenas que se expandem até assoando o nariz.
-
por que vocês homens não nos mantêm informadas? viajam e não mandam msg's, tipo: tô vivo. tô embarcando. tô cansando, vou direto pra cama.
Bem, pra mim é um pouco complicado responder essa pergunta porque acho que estou no extremo oposto do espectro, que é o do cara que oferece informações demais pra namorada - eu cheguei a essa conclusão quando acabei de fazer uma defesa na pelada de segunda-feira e quis pegar o celular pra contar pra ela.
Mas acho que isso tudo deve depender das regras de comunicação que vocês estabeleceram entre si, e que variam de casal pra casal, já que ao mesmo tempo que tem gente que acha necessário ligar pra avisar que vai colocar leite no cereal tem outras pessoas que consideram que é ok terminar, mudar pra Nova Caledônica, voltar casado com uma nativa e não dizer nada. É muito de cada um, acho.
E como tem várias razões que podem levar um cara a ser vago sobre o que ele faz (ele pode achar que você não está interessada, ele pode pensar que vai soar presunçoso, ele pode ser um agente secreto, ele pode apenas não querer que você saiba onde ele está mesmo), pode ser uma boa começar a dar uns toques, de forma tranquila e não-opressiva, do tipo "ah, e quando chegar em casa me manda um boa noite" ou "e chegando de viagem me avisa". Homens aprendem muito mais facilmente com doutrinamento subliminar do que com qualquer outro método de ensino conhecido, sério. -
O que você acha de gente que não sabe usar os porquês? Tem como respeitar?
Os porquês são fáceis, mas tenho uma dúvida ainda. Quando você escreve: "Vai interditar o Center Norte por quê?" Vai acento porque tá no final. Ok. E quando escreve: "Vai interditar o Center Norte por quê, hein, senhor Kassab, filho de uma morsa?" Vai acento também? Eu ponho de feliz.
-
Seguindo, um dia eu vou precisar de umas dicas de portugues ! Hehe Segue ?
sempre que precisar!
-
Qual é a sua opinião sobre o livro Cem Anos de Solidão do Gabriel García Márquez?
Minha opinião é de que esse livro deve ser relido pelo menos a cada cinco anos.
-
"não-rolância preguicenta" foi a melhor do dia.
Obrigada, mas devo dizer que a parte da não-rolância não é de minha autoria. Quem diz isso é meu chefe, quando fica com preguiça de trabalhar e deixa todo mundo ir embora antes do horário. Chamamos de "momento de não-rolância intrínseca do ser".
-
Existe algum livro que, mesmo não gostando, você leia porque "faz bem"? (moralmente, religiosamente, intelectualmente, etc)
Todos os livros de filosofia hard (i.e. não Nietzsche, Schopenhauer, Voltaire e outros filósofos divertidos) que tentei ler foi porque achei que eram uma espécie de sopa que me faria bem por causa dos legumes, e o resultado é que não me lembro de nada deles exceto que a fumacinha que subia do prato me deu sono.
-
Alexandre, desses escritores que têm por tema tristeza angústia depressão e desespero, gosta muito de algum ainda hoje? Se sim, pq ele e não os outros?
Olás, Márcio. De vez em quando leio gente assim, e fico tristão e tal, mas gostando da arte da coisa, se há alguma arte. The End of the Affair, digamos, ou The Heart of the Matter.
Só não entendo quem esteja sem fazer nada em casa e sinta, de repente, vontade de ler uma história triste. Sempre que estou lendo um livro triste, ou vendo um filme triste, fico dizendo para mim mesmo: "Imbecil, podia estar vendo The Awful Truth." Se o livro ou filme triste não forem muito bons, me arrependo imenso.
Outra maneira de responder a pergunta: pode ser triste, mas tenha pelo menos algum senso de humor. A maior parte desses autores tristes são solenes como uma criança num enterro de hamster. -
Conseguiria escolher entre Borges e Chesterton?
Tenho que conseguir, Dr Pimpolho. A graça dessas perguntas, e acho graça nessas perguntas, é se imaginar forçado a responder, digamos com alguém apontando uma arma pra sua cabeça, e você tem que escolher e não pode dizer "ambos", "nenhum", etc. De modo que com muito sofrimento psíquico respondo Borges. Porque comecei a ler Borges antes, muito antes de ser capaz de entender alguma coisa na verdade, quando era criança, quando achava que estava entendendo tudo; e ele lembra mais a minha infância. Havia um exemplar de Ficções na biblioteca do meu pai, que é onde eu cresci, como Borges cresceu na biblioteca do pai dele em Palermo.
-
Luis Tavares Ladeira’s Bio
Professor de português online.












Loading...































