“Por isso que” consta em gramática como conj. causal. Outra coisa, o infinitivo como comp. nominal é realmente passivo? Estaria errada uma frase como: isso é difícil de EU fazer?

  • Luis Tavares Ladeira

    O Celso Cunha cita "por isso que" como conjunção causal, mas parece ter sido um erro de revisão: ainda que eu considere a existência da expressão "por isso que", ela teria sentido de consequência, obviamente, e não de causa.
    O infinitivo pode ter sentido passivo ou ativo: leia-se, a propósito, este trecho de José Augusto Carvalho, publicado na última edição dessa revista aqui (http://linguaportuguesa.uol.com.br/linguaportuguesa)

    "Só existem dois tipos de voz passiva: a analítica, construída com o verbo ser auxiliar, como em A rosa foi vista por José, e a sintética, construída com o pronome apassivador, como em Viu-se a rosa. Uns poucos gramáticos mais ousados, confundindo análise semântica com análise sintática, apresentam, equivocadamente, um terceiro tipo de voz passiva: a de infinitivo, como na frase osso duro de roer, pretensamente passiva, porque pode ser parafraseada em osso duro de ser roído. Ora, nos predicados adjetivais desse tipo (difícil de fazer, duro de roer, fácil de ler, ruim de dizer etc.), a voz é ativa; pressupõe a existência de um sujeito ativo: osso duro de alguém roer, livro fácil de alguém ler, trabalho difícil de alguém fazer, etc. Por isso é possível dizer: coisas difíceis de fazer (voz ativa), coisas difíceis de se fazerem (voz passiva sintética) e coisas difíceis de serem feitas (voz passiva analítica)."

    Ou seja, a frase que você menciona não tem erro.
    []s!

  • Luis Tavares Ladeira

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