Escreva abaixo sua pergunta para o Kurt:

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    1. Pergunte ao Kurt Kraut

      Acho muito feio quem usa o FormSpring e o Yahoo!Respostas para obter respostas de terceiros para deveres escolares/universitários que VOCÊ deveria fazer.

    2. Pergunte ao Kurt Kraut

      É um pseudônimo que uso. É também um personagem de um livro do Pedro Bandeira, mas a que tudo indica, adotei o pseudônimo antes de ter lido o livro. Como foi na primeira metade da década de 90 que eu escolhi 'Kurt Kraut', não tenho lembrança ou clareza de como foi o processo.

    3. Pergunte ao Kurt Kraut
    4. Pergunte ao Kurt Kraut
      kurtkraut responded to LedStyle 3 May 10

      Depende do que você chama de consistência. Falando em interação com o usuário, os sistemas operacionais livres (OpenSolaris, GNU Linux, FreeBSD e derivados) são um ecossistema diverso demais para serem considerados consistentes: se você uma mesma distribuição Linux com Gnome e troca para KDE, a 'experiência' muda radicalmente. As diferenças são ainda mais gritantes de uma distribuição para outra.

      Quanto ao mais produtivo, isso para mim é fácil apontar: Gnome sobre o Ubuntu ou Mandriva. Uma experiência reveladora tem sido acompanhar duas heptagenárias da minha familia que adquiriram notebooks e cursos de Windows. O Windows cria tanta, tanta, tanta dificuldade para elas que o Ubuntu com o Gnome é exponencialmente mais intuitivo e produtivo para elas. Para você ter uma ideia do quão basal são os problemas, não há no Windows Vista como mudar o tamanho da fonte de todo o sistema. Para enxergar o que está na tela, elas são obrigadas a usar resolução 800x600, o que provoca muitas aplicações e principalmente sites ficarem com barra de rolagem horizontal, escondendo recursos, botões etc. fazendo com que elas se percam.

      Definitivamente, Windows não é para idosos.

    5. Pergunte ao Kurt Kraut
      kurtkraut responded to ktz 1 Feb 10

      Sempre antes de sair de casa eu consulto a previsão do tempo. Minha decisão de levar ou não guarda-chuva, de ir ou não com uma roupa mais arejada depende das informações da previsão do tempo.

      Mas a previsão do tempo não é exata, não é certeira. Ela apenas diz que é mais provável que vá chover hoje do que não chover. Não sigo sigo cegamente a previsão metereológica mas é baseado nela que tomo minhas decisões.

      A que tudo indica, é mais provável que Deus não exista. Portanto, saio de casa sem guarda-chuva, sem pé de coelho, sem bíblia de bolso etc.

    6. Pergunte ao Kurt Kraut

      Porque em debates na internet me posiciono de forma muito ostensiva, isso atrai muito pessoas que acham que se você discorda delas, você é contra elas e deseja que elas morressem :D Então isso atrai alguns doentes que ficam fazendo fotomontagens, perfis fake ou perseguindo você presencialmente (o que já aconteceu comigo). Então é uma forma não muito eficiente de dar menos estímulo a esse tipo de pessoa.

    7. Pergunte ao Kurt Kraut

      As pessoas lêem sim e até vi pelo Twitter citarem trechos das minhas respostas mais de 10 vezes. Isso é uma evidência de que o que digo é importante.

      Minhas respostas longas não inflam meu ego mas pelo visto fazem murchar o seu :D Mas por pena de você, dessa vez farei uma resposta pequena.

    8. Pergunte ao Kurt Kraut

      Além de professores e alunos, essa conscientização tem que vir por pressão e cobrança da sociedade em geral. Precisamos cobrar dos professores tanto da educação básica como do ensino superior uma mudança de postura.

      Já se discute por corredores uma mudança na postura do médico, de um novo entendimento no qual o alvo do trabalho do médico não é a doença nem a prevenção: é o paciente. Entendê-lo como um ser social, com um estilo de vida e estado mental que influenciam o tratamento. Isso seria humanizar a medicina.

      Precisamos pressionar professores, escolas e universidades por uma humanização da docência, do magistério. Desviar o foco do trabalho do professor de sua matéria, de sua disciplina, de seu conjunto teórico para um foco no aluno. Ao reprovar um aluno que fracassou (*por*enquanto*) na disciplina o professor universitário não está protegendo a sociedade de um futuro mau profissional, está só e somente só privando a sociedade de ter um.

      Nos filmes, quando um médico vem avisar a família que o paciente morreu, ele diz que 'Fizemos tudo que podíamos mas ainda assim Fulano não respondeu ao tratamento.' Na humanização da docência, o professor reconhece sua *parcela* de responsabilidade no sucesso escolar/acadêmico do aluno e passaria a dizer 'Fiz tudo que podia, mas ainda assim Fulano não pôde ser aprovado.'

      Numa humanização da docência, não se poderia falar mais em ensino e sim em ensino-aprendizagem, como dois termos inseparáveis. Afinal, se não houve uma parte que aprendeu, houve uma parte que realmente ensinou? Falar em ensino-aprendizagem divide meio a meio a responsabilidade por essa ação entre alunos e professores, ambos têm que depositar esforços convergentes para que o ensino-aprendizagem aconteça.

      Como concretizar isso? Parar de chamar de 'bons professores' aqueles que não seguem esses valores que decidi. Talvez, até pará-los de chamar de professores. E exigir, pressionar e prestigiar instituições de ensino que se renovem e passem a ser 'instituições de ensino-aprendizagem'.

    9. Pergunte ao Kurt Kraut

      Até poucos meses eu teria dificuldade de responder isso. O que mudou é que consegui ouvindo por acidente pelos corredores descobrir como é que os alunos me percebem.

      Eu evito cobrar aquilo dos alunos que eu não posso cobrar de mim mesmo. Não me incomodo com uso de mp3 players (desde que em uma única orelha), não me incomodo que conversem DURANTE a aula desde que seja em baixíssimo tom e brevemente, nem que durmam ou faltam a minha aula. Não sou professor de ego inflado que acha que minha aula é a única forma magnânima de se conseguir o conhecimento. Às vezes, naquele dia, ficar quieto ou simplesmente dormir é mais importante para o aluno como pessoa do que saber quantos NADs e FADs participam da respiração celular.

      Meus alunos são no mínimo meus colegas de trabalho, não meus subalternos. Sou sensível ao que eles têm a me dizer, reconheço que cada um tem seus dias bons e ruins. Quero trabalhar COM eles e POR eles. Isso me permite um prestígio, carinho e acolhimento em que ser linha dura torna-se desnecessário e até incompatível com relacionamento que tenho com eles.

      Também faço de tudo para não reprovar um aluno. Não dando notas, mas dando quantas oportunidades eu puder para que ele cumpra com as metas estabelecidas no curso. Sou favorável a várias oportunidades de provas e trabalhos. Afinal, se um professor bom é aquele que reprova, um médico bom é aquele que mata?

    10. Pergunte ao Kurt Kraut

      Se entendi direito, você está no fundo perguntando para mim se ser um bom professor é uma questão de dom, algo que alguém já nasceria pré-disposto a ser um bom professor. Eu diria que não.

      O senso comum diz que para ser professor, basta ter um bom conhecimento em uma área específica, acordar de manhã, entrar na sala e ficar falando dessa tal coisa específica por horas segudas. Isso é um instrutor, não um professor.

      Um professor é um profissional do conhecimento, não do corpo de conhecimento que ele ensina. Um professor de Biologia é o profissional do conhecimento da Biologia, não um biólogo. Percebe a diferença? Ele trabalha com ensino da Biologia, não a Biologia. São áreas diferentes.

      Professores ruins costumam se orgulhar de dar a mesmíssima aula em todas as turmas ou de dar há 20 anos a mesmíssima aula, como se a aula fosse uma jóia polida até chegar ao seu estado final. É trabalho do professor manejar o corpo de conhecimento em sala de aula e em tempo real de acordo com demandas emergentes dos alunos no momento.

      Se uma turma tem 40 alunos, 41 aulas diferentes simultâneas estão sendo dadas: a que o professor tem na cabeça dele e a que cada um dos 40 alunos está percebendo na cabeça deles. O professor tem que dar conta das diferenças cognitivas de cada aluno, de sua trajetória e repertório diferente e realmente conduzí-los pelo processo. Um professor que só fala, não interage com os alunos e não modifica seu discurso durante a aula pode ser muito bem substituído por um DVD. Basta dar play.

      Ensinar é um ofício em si. Existem técnicas, teorias educacionais distintas e conflitantes, procedimentos como planejar, avaliar, aconselhar etc. e tudo isso pode ser adquirido pelo profissional com muito estudo, treino e supervisão por outros professores mais experientes. Não é algo que se nasce com, um dom, são competências profissionais que podem ser criadas e esmerilhadas.

    11. Pergunte ao Kurt Kraut

      Diploma nunca foi e nunca será qualquer tipo de garantia, atestado ou prova da qualidade de um profissional. Infelizmente, lecionam no ensino superior brasileiro *público* mestres e doutores que são chamados de 'professores'. Parte da idéia é por alguém que faz pesquisa, que produz conhecimento, em contato direto com o alunado. Nada poderia ser mais catastrófico.

      Pesquisador e Professor são ofícios diferentes, que requerem talentos diferentes que dificilmente serão encontrados na mesma pessoa. O ditado popular 'Quem sabe faz, quem não sabe ensina' apesar da carga pejorativa tem um fundo de verdade: ensinar é um corpo de conhecimento em si separado daquilo que se ensina. Um técnico de futebol não sabe chutar uma bola, porém, é um profissional em treinar aqueles que o sabem para que façam um bom trabalho.

      O que acontece nas universidades é essa inversão: são os jogadores de futebol que treinam as equipes, não os treinadores. O professor universitário nunca foi submetido a discussões de pedagogia, educação, psicologia, filosofia e sociologia como os professores da educação básica são obrigados e ainda assim não necessariamente são bons profissionais. Portanto, atente que o professor universitário, sem essa munição de conhecimento sobre 'como ensinar' dificilmente será um bom professor.

      Então as aulas universitárias são dadas por pesquisadores que não sabem usar um quadro negro, que não sabem fazer uma prova justa, que não sabem avaliar trabalhos acadêmicos de forma construtiva, que não sabem passar conhecimento e muito menos valores. Um diploma atesta apenas que seu portador foi capaz de ter 75% de presença no curso, de sobreviver às avaliações infundadas dos professores e de atender as metas usualmente medíocres estabelecidas no curso ministrado por professores que não são profissionais do ensino e sim de pesquisa. Isso dá nenhuma pista sobre a qualidade do portador como profissional nem como membro de nossa sociedade.

      Se a sociedade quiser se proteger de maus profissionais, eu acho que o caminho certo seria fazermos um 'código de conduta' para cada carreira. Para ser considerado um profissional, o indivíduo teria que assinar esse código, se comprometer em agir eticamente, em adimplir com os prazos, a não lesar os clientes, estar ciente de suas obrigações legais e outros compromissos específicos de cada área (como já é com médicos e advogados). A assinatura desse código de conduta obrigaria que o profissional o seguisse e caso descumprisse alguma regra, poderia ser alvo de uma sindicância e perder o status de profissional conferido por alguma entidade.

    12. Pergunte ao Kurt Kraut

      Isso não mudaria dois fatos: de que é minha aluna ainda e de que é menor de 18 anos. Portanto, por uma questão ética não me permitiria ter 'dormir com uma aluna' como me fora aqui perguntado.

    13. Pergunte ao Kurt Kraut

      Tenho 24 anos. Não dormiria com uma aluna pois isso colocaria em dúvida acredibilidade e finalidade do meu trabalho, por exemplo, as notas que atribuí ou todos os valores que em sala de aula tentei transmitir.

      Agora com ex-aluna e maior de idade, meus compromissos éticos como professor cessam e não vejo impedimentos. Mas me parece que por parte das alunas, se perde o charme da situação e o assédio diminui :P

    14. Pergunte ao Kurt Kraut

      Vou me empenhar para responder de forma resumida: sim e não. Embora eu concorde com os agnósticos, de que a questão da existência ou não de um ou mais deuses não foi nem nunca será resolvida por um ser humano. Nossa intelectualidade muito menos nossa percepção do mundo físico (através da audição, visão, tato etc.) darão conta de saber se existe ou não uma divinidade. Portanto, como não tenho como saber se há um, vivo como se não existisse e acho que viveríamos melhor individualmente e em sociedade se menos pessoas acreditassem na existência de Deus.

      Quando quero entender o mundo, quando sinto desconforto, recorro à Sociologia, Psicologia. Quando quero entender a natureza, recorro à Biologia, Química e Física. Todas elas dão excelentes respostas e deveras confortantes sobre como as coisas funcionam e ampliam meus horizontes, em vez de me condenar p/ o inferno por trabalhar aos sábados (o que a Bíblia cristã faz).

      Meu código pessoal de valores é superior ao Deus da cultura judaico-cristã. Não tenho preconceito com gays, com adúlteros, com aqueles que trabalham aos sábados. Não sou favorável à pena de morte nem aos genocídios e muito menos gostaria de condenar a um sofrimento eterno aqueles que discordaram de mim. Pelo contrário: entendo que aquele que não crê em mim ou não concorda comigo se deve a uma falha minha em convencê-los. Não projeto contra eles uma vingança eterna como o Deus judaico-cristão faz. Esse é só um dos vários exemplos em que eu, um mero mortal, tenho um conjunto de valores menos repulsivos do que o Deus judaico-cristão.

      Por esses e outros motivos, não acredito em Deus.

Pergunte ao Kurt Kraut

São Paulo, Brazil

www.kurtkraut.net

Pergunte ao Kurt Kraut’s Bio

Sou professor de Biologia e consultor de tecnologia no mundo do Software Livre. Sou 'metido a entender' de Sociologia, Psicologia, Biologia, Tecnologia da Informação e Telecomunicações. Mas mesmo perguntas fora desse escopo são bem-vindas.

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