-
-
Não tenho, Alex. Também forcei a memória mas não consegui lembrar.
Em A importância de viver, de Li Yutang, há um capítulo chamado "Alguns curiosos costumes ocidentais". Yutang destaca nosso aperto de mão como um dos costumes mais ridículos, e prefere sempre estreitar as próprias mãos quando encontra ou se separa de outras pessoas, segundo a velhíssima etiqueta do Celeste Império.
Ele diz: "É claro que todo o mundo sabe que esse costume é uma sobrevivência dos dias bárbaros da Europa, como o costume de tirar o chapéu. Esses costumes se originaram dos perigosos barões e cavalheiros medievais, que tinham de erguer a viseira ou descalçar os guantes para demonstrar que estavam em disposição amistosa ou pacífica para com o outro indivíduo. Está visto que é ridículo, nos dias modernos, repetir os mesmos gestos, quando já não usamos capacetes nem guantes (,,,)." -
Contenha-se, meu filho. Não seja tão verdadeiro, tão sincero. Sem fingimento o mundo seria insuportável.
-
Eu uso a intuição.
-
Os melhores são Alexandre Soares Silva, Diogo Mainardi (este tecnicamente morto; desistiu de escrever ficção, o que é lamentável; quem leu Arquipélago e Contra o Brasil sabe do que estou falando), Fabio Danesi Rossi, Galera & Pellizzari, Michel Laub - quem mais? Não me ocorre nenhum outro nome agora; talvez haja um ou dois acréscimos, mas em todo o caso são esses os meus favoritos.
Os piores são André Sant'Anna, Dalton Trevisan, João Gilberto Noll, João Paulo Cuenca (e Paulo Scott; estes dois por puro e saudável preconceito; nunca li uma linha sequer deles - nem quero), Marcelino Freire, Marcelo Mirisola, Raduan Nassar, Ruben Fonseca - e mais uma porção de escritores tão obviamente ruins que nem vale a pena listar. As moçoilas filhas de Clarice também são um purgante. -
Ah, mas não desista. Sempre fica alguma coisa - a atmosfera do livro, uma e outra passagem, as características de certos personagens, o estilo do autor, o prazer que você teve durante a leitura etc. etc. E esses resquícios são renovados e ampliados à medida que você relê.
-
Vitória do Jon Jones no comecinho do segundo round. Não tenho interesse em ver as demais lutas.
-
Em entrevista a João Pereira Coutinho, Miguel Esteves Cardoso diz que "pessoas que se lembram de dizer os livros todos que andam a ler são pessoas que não leem". Isso é verdade, sobretudo em se tratando de um desmemoriado como eu. Se me perguntam quais ando a ler, listo os que estão na cabeceira; estes mudam semana a semana: leio uns, devolvo-os à estante, pego outros, e assim vai, assim vou, sem ordem. Quase nunca associo um livro ao ano em que o li - "Ah, Mãos de cavalo, aquele grande romance de 2006!". Não. Leio e esqueço, motivo pelo qual jamais serei 'erudito'. Sem mencionar os inúmeros que começo e paro no meio. Enfim, essa ladainha toda para dizer que por acaso lembro de dois livros lidos este ano, The same man, de David Lebedoff, e O fio da navalha, de Maugham. Porque os citei numa resposta ao Alex e porque pretendo escrever uma resenha sobre o primeiro para uma revista local. Recomendo-os vivamente. Evelyn Waugh e George Orwell são figuras fascinantes; admirava-os antes, admiro-os ainda mais agora. (A Oxford dos anos 1920 é mais ou menos como imagino o Paraíso - e é para lá que você vai logo nos primeiros capítulos, junto com Waugh, Harold Acton, Anthony Powell etc.) E Larry Darnell sintetiza todos os anseios da minha adolescência (que aliás perduram até hoje).
-
Uma latinha de Vick Vaporub; uma agenda em que rabisco de vez em quando as banalidades mais disparatadas; uma caneta Pilot BPS 1.6; vinte pesos uruguaios, alguns pesos argentinos (estes em moeda); a primeira edição, datada de 1984, de um livro psicografado por uma amiga que narra o massacre no La Maison de Route (está comigo há vários meses e eu só li dois parágrafos); a biografia de Schopenhauer escrita por Rüdiger Safranski; uma coletânea de ensaios de George Orwell; um ensaio de Christopher Hitchens sobre George Orwell; Superstição no Brasil, de Câmara Cascudo; A importância de viver, de Lin Yutang (indicação sua, Marcio; muito bom).
-
Outro dia fui ao shopping e, na falta de melhor distração, notei que os adolescentes de hoje têm vergonha da própria testa, como se ela fosse uma parte pudenda de seus corpinhos imaturos, e agora cobrem-na com uma folha de parreira conhecida como franja. Daqui a uns anos, podem anotar, calvície será sinônimo de depravação. Quanto a moicano, trata-se de um fenômeno restrito a jogador de futebol e pagodeiro; é coisa de gueto, nem me preocupo.
-
-
-
Na internet, aparência e caráter vêm juntos, a julgar por sua foto e esse beijo na alma.
-
Eu daria o dedo mindinho do meu pé direito para ter escrito contos como Ideias de canário, O aleph, Um dia ideal para os peixes-banana, Possibilidades da abstração, Três mortes, as histórias de P. G. Wodehouse ambientadas em Blandings Castle, romances como Os suicidas, Memórias póstumas de Brás Cubas, Viagem à roda do meu quarto, Orgulho e preconceito, Moby Dick, O castelo, os diálogos de O retrato de Dorian Gray - enfim, coisinhas assim. Ah, queria ter composto O lago dos cisnes, filmado Silk Stockings e desenhado aquelas ilustrações de Edward Lear.
-
Cara, não sei a que se deve, se ao estilo, ambientação, personagens etc., mas nunca tive paciência pra ler Faulkner até o fim. Há ali qualquer coisa que me enfada facilmente. Já tentei O som e a fúria, Palmeiras selvagens (o melhorzinho), Santuário e mais um ou dois cujos nomes agora não lembro. Larguei todos na metade.
Quais são seus favoritos?
-

































