Carlos Seabra tira dúvidas dos leitores sobre como as tecnologias potencializam a aprendizagem

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    1. Instituto Claro

      Olá. O Instituto Claro agradece a todos os internautas que mandaram suas dúvidas sobre como a tecnologia potencializa a educação. Carlos Seabra responde logo abaixo. Confira!

    2. Instituto Claro

      A cada dia, mais pessoas das classes mais carentes têm acesso às novas tecnologias, incluindo internet e celulares. Mesmo a imensa parcela da população que ainda não tem acesso será incluída, com o barateamento do custo dos equipamentos e políticas de universalização. O grande desafio é desenvolver estratégias pedagógicas, atividades motivadoras e projetos que levem à construção do conhecimento, pensando-se em promover uma “inclusão cognitiva” para além da chamada inclusão digital.

    3. Instituto Claro

      Sem dúvida, os blogs são uma interessantíssima ferramenta que, se usada no contexto educacional, pode ser uma grande aliada dos profissionais de educação. Informações apresentadas explorando diversos assuntos, seja no formato de diários, contos, notícias, poesias, artigos etc., podem despertar uma nova onda de produção escrita em muitos jovens. Os blogs são uma excelente forma de comunicação, permitindo que seus autores se expressem de acordo com suas convicções e visões de mundo e que outras pessoas possam ler e registrar comentários sobre a produção textual do blog. Isso vale tanto para professores terem seus blogs individuais, compartilhando pensamentos e informações com seus pares ou com pais e alunos, quanto para uma classe ter um blog coletivo, ou os alunos fazerem blogs em grupos ou individualmente.

    4. Instituto Claro

      As tecnologias potencializarem a aprendizagem é um fato se houver o engajamento dos professores e dos alunos em projetos específicos, pois não é algo que ocorra espontaneamente, a não ser em casos esporádicos. Engajar os alunos em atividades que levem à leitura e escrita, seja em processos de comunicação escrita com alunos de outras cidades, produção de pequenos contos ou poesias, ou minirreportagens e publicação em blogs, são alguns exemplos de possibilidades que permitem que esse potencial redunde em estímulo e facilitação da aprendizagem.

    5. Instituto Claro

      Se a intenção é apenas a divulgação, a melhor forma é a criação de um website, ou mesmo um blog, além de usar as redes sociais para sua divulgação, tais como Twitter, Facebook, Orkut etc. Mas, se a intenção é conseguir apoios viabilizadores, você deve procurar, através de um release bem resumido, contactar empresas, jornalistas, educadores e ficar atento a editais na área. Lembre-se: nem sempre a melhor das intenções viabiliza projetos, é importante dar-lhes um formato claro, que mostre seu diferencial e possua estrutura objetiva, com metas a alcançar e custos bem definidos.

    6. Instituto Claro

      Aprender a ensinar e aprender a aprender são competências básicas que não decorrem naturalmente da tecnologia em si, mas que podem e devem ser enormemente facilitadas por ela. Acreditar que a tecnologia, por si só, garanta avanços transformadores é um equívoco, propalado por vendedores de equipamentos e de softwares e por fanáticos tecnológicos. Educação a distância é um caminho muito promissor, mas que exige um investimento de desenvolvimento e uma atenção redobrados, como você deve ter vivenciado.

    7. Instituto Claro

      Um educador ter medo de perder seu lugar para recursos tecnológicos é algo tão descabido quanto uma mãe temer ser trocada por uma geladeira, que é um recurso tecnológico de apoio à alimentação de seus filhos – tanto quanto o computador é uma extensão do cérebro do professor e de seus alunos. Os professores devem ter medo é de ter medo, devem recear a falta de curiosidade, a ausência de experimentação. Estar aberto aos recursos da tecnologia é também uma forma de estabelecer novas parcerias com os alunos, engajando-os em processos de aprendizagem colaborativa.

    8. Instituto Claro

      Todo esforço e atenção investidos na superação dos fossos sociais que temos em nosso país redunda em melhorias visíveis em qualidade de vida e em seus indicadores de saúde, alimentação, cultura e educação. Além das três refeições básicas a que você se refere, é fundamental uma quarta refeição diária, que é a do espírito, do intelecto. Nesse sentido, a tecnologia pode e deve ser usada como um “cavalo de Troia”, que permita ultrapassar as muralhas da clivagem social e dar novos saltos de qualidade de vida.

    9. Instituto Claro

      Vínculos sociais e trocas de experiências podem ser componentes preciosos para a facilitação e o estímulo à aprendizagem, desde que inseridos em um projeto de ensino e cujos resultados sejam permanentemente acompanhados e (re)avaliados. A verdadeira ferramenta de aprendizagem são nossos cérebros (com uma pitada de ajuda dos nossos corações, olhos, boca e mãos), e devemos encarar as tecnologias como próteses extensoras de suas capacidades.

    10. Instituto Claro

      As tecnologias podem ser um poderoso aliado do uso sustentável dos recursos naturais (ao buscar uma informação na internet você não precisa se deslocar fisicamente para obter o mesmo resultado) ou comprometê-los (caso dos motores a combustão com efeitos altamente poluidores). Assim, não se trata de nenhum contrassenso, ao contrário, pois tecnologia na plena acepção do conceito pressupõe levar em conta todos os aspectos envolvidos. Mas isso não significa não nos preocuparmos permanentemente com aspectos ligados ao lixo tecnológico, à emissão de radiações e outros.

    11. Instituto Claro

      O celular pode ser usado em sala de aula, e também fora dela, como complemento ou centro de algum projeto pensado especificamente para seu uso. Por exemplo, usando o celular para fotografar determinados objetos solicitados pelo professor ou numa gincana de conhecimentos em que os alunos consultem fontes externas usando seus celulares. O fundamental é que seja uma estratégia pensada e elaborada pelo professor, que com os erros observados e os avanços identificados vá desenvolvendo sua metodologia.

    12. Instituto Claro

      O civismo consiste nas atitudes e no comportamento assumidos pelos cidadãos, fundamentais para a vida coletiva. Como cultura política a ser construída, necessita de uma metodologia de aprendizagem que seja motivadora e engajadora. O uso de tecnologias de informação e comunicação também nesta área pode ser bastante efetivo, rompendo o tratamento “careta” e conservador tantas vezes dado a esta questão.

    13. Instituto Claro

      Um projeto para sair do papel e ser colocado em prática depende em grande parte de uma feliz combinação de oportunidade e de competência. Como já foi dito em resposta anterior, é importante que o projeto tenha um formato claro, mostrando seus diferenciais em relação a outros semelhantes, com uma estrutura objetiva, definindo metas a serem alcançadas e, claro, com os custos bem listados e definidos. Ao formatar o projeto, procure vê-lo não como você o imagina mas sim como a pessoa, ou instituição, a quem o vai apresentar.

    14. Instituto Claro

      O primeiro passo, com certeza, é você divulgar como tem usado o celular como recurso de aprendizagem na escola pública. Uma grande dificuldade (existem muitas outras, infelizmente, sendo das maiores os custos envolvidos, que no Brasil estão entre os maiores do mundo) é a diversidade de operadoras que os alunos usam, o que dificulta o apoio de uma operadora a ações envolvendo celulares de outras. Há usos do celular que não necessitam de ligações de voz, mensagens de texto ou tráfego de dados, mas sabemos como é empobrecedor lidar com essas limitações, pois afinal cada dia mais o celular (principalmente os smartphones) é um computador no bolso de cada um.

    15. Instituto Claro

      Quando surgiu a televisão, que era um aparelho caro e para poucos, os educadores tiveram uma postura omissa, quando não reacionária. Poucos anos depois, a TV estava em todos os lares. O mesmo acontece hoje com os computadores, a internet, os celulares: a cada ano, parcelas mais e mais numerosas da população têm acesso a esses recursos. Populações que ainda não têm água e esgoto, carentes de saúde e educação, já têm acesso à tecnologia. Isso deve mudar nosso foco de preocupação.

    16. Instituto Claro

      A alfabetização, ainda mais em adultos, não é um assunto trivial, embora deva ser uma prioridade em qualquer política pública. Essa população não alfabetizada certamente assiste à televisão e boa parte se comunica telefonicamente, certo? Um dos grandes potenciais da tecnologia é ampliar a realidade, fazer simulações, criar contextos lúdicos, e isso tudo pode e deve ser pensando em conjunto com as metodologias de alfabetização. Segundo Paulo Freire, a leitura do mundo sempre precede a leitura da palavra – nesse sentido, as novas tecnologias de informação e comunicação possuem condições ímpares para fazer a ponte entre essas duas leituras, do mundo e da palavra, cabendo aos educadores a descoberta e a elaboração dessas possibilidades.

    17. Instituto Claro

      Como podemos observar pelas redes sociais que se desenvolvem através da internet (Twitter, Orkut, Facebook e outras), as tecnologias na web, e sua interconexão com a mobilidade (celulares, smartphones e tablets), são poderosos e naturais instrumentos para que a humanidade faça o que sempre fez desde o início de nossa espécie: tecer relacionamentos, físicos ou virtuais, envolvendo finalidades profissionais, sexuais, amizades, casamentos, negócios... Como isso pode ser usado na educação é algo que necessita, principalmente, de acompanhamento e engajamento proativo dos professores, que podem através desses ambientes acompanhar, mais do que nunca, como seus alunos pensam, como se expressam, e assim desenvolver e adequar suas estratégias pedagógicas.

    18. Instituto Claro

      Essa é uma interessantíssima possibilidade ainda pouco estudada e aplicada, que como você destaca é mais um motivo de conflitos e proibições do que uma real oportunidade de ferramenta de ensino e aprendizagem. Esse conceito é conhecido também como “m-learning” (mobile learning, ou aprendizagem por celular), procure referências a respeito na web. A grande preocupação e receio dos educadores é com o potencial desvio de atenção que os alunos podem ter: imaginemos durante uma aula eles ficarem a conversar com namorados, familiares ou amigos! Mas o mesmo potencial distraidor podem ter as canetas e folhas de papel, pois um aluno pode não prestar atenção à aula e fazer outras coisas com esses recursos. Claro que o exemplo é fraco, pois o potencial de distração do celular é muito maior, canetas e papéis não tocam e não fazem outras tantas coisas... O principal, a meu ver, é uma experimentação e uma pactuação do professor com os alunos: experimente discutir com eles os limites e as possibilidades, como uma abordagem inicial.

    19. Instituto Claro

      O uso de audiovisual em aulas é pleno de potencial e abordarei aqui apenas dois aspectos. Um é usar filmes em sala de aula: é necessário selecionar trechos, pois vídeos muito longos só levam à perda de atenção (o ideal é algo em torno de oito minutos de duração), e fazer uso das pausas e mesclar a exibição com o debate, a verbalização, e juntar isso a outras atividades (redação, desenho, trabalho em grupos). Outro é a produção de minivídeos: usando celulares, câmeras fotográficas ou mesmo filmadoras (cada dia os primeiros com mais qualidade, os segundos mais baratos), em trabalhos feitos individualmente ou em grupo. Interessantes possibilidades nesse sentido podem ser vistas no Claro Curtas (www.clarocurtas.com.br) ou no Festival do Minuto (www.festivaldominuto.com.br).

    20. Instituto Claro

      Se o computador, o celular e a internet são formidáveis extensões de nossas capacidades para as pessoas sem necessidades especiais, para quem possui qualquer tipo de deficiência, visual, auditiva, de locomoção ou outras, a diferença é altamente impactante para um salto na qualidade de vida! No caso específico de pessoas cegas ou com visão subnormal, os softwares que permitem leitura automática, com voz sintética, possibilitam inúmeras aplicações no ensino e na aprendizagem.

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O Instituto Claro tem como causa Empreender para Educar e Educar para Empreender. Confira as respostas de Carlos Seabra sobre o uso das tecnologias na educação.

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