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    1. Rodrigo Cássio

      Você pensa que o conceito de "cinema pós-moderno" tem algum interesse interpretativo e analítico para a teoria do cinema? Que critérios você proporia para defini-lo? Que filmes escolheria como exemplos?

      Tenho o conceito como pouco interessante, na medida em que aquilo que ele pretende superar tornou-se tão vago que, talvez, esteja nisso o maior sintoma da sua permanência. O Jacques Aumont trata o tema mais ou menos assim no livro dele, recentemente lançado em português ("Moderno: como o cinema se tonou a mais singular das artes"). E é certo: "modernidade" passou a servir para quase tudo, de mudanças comportamentais a invenções tecnológicas, de novas maneiras de dar forma a sentimentos artísticos a crises teológicas profundas. Falando bem livremente a partir do Aumont, penso que, inflado, o conceito perdeu significativamente a sua potência. Ao menos para a crítica, para a interpretação dos filmes. Pois o que significa dizer que um filme é moderno? Esse conceito explica algo sobre o filme? Talvez, isso significa dizer apenas que um filme é um filme; é um olhar tautológico sobre a obra, porque a inscreve historicamente em um tempo de que o cinema não pode mais se livrar, a não ser que deixe de ser cinema. Pois a singularidade do cinema é ter nascido e crescido com a modernidade, a ponto de, em muitos casos, confundir-se com ela. Onde o cinema chegou, a modernidade também chegou; nos centros urbanos, nas metrópoles, é lá que o cinema consolidou uma identidade, e qualquer movimento inverso na direção da diferença que remanesce (o sertão, por exemplo) leva consigo a possibilidade de um choque de realidades que anuncia justamente a crítica do que é ser moderno - daí o simbolismo de um filme muito bom, o Cinema, Aspirinas e Urubus, do Marcelo Gomes, ou daí o projeto do cinema novo brasileiro, em um sentido bem amplo. O problema que surge, mais interessante, seria: o moderno não é um contexto ou prática a ser superado(a), nunca foi, pois mesmo os cinemas de ruptura são filhos profundamente fiéis da modernidade (e não por acaso são cinema "modernos" armados não raramente contra Griffith, contra Hollywood, contra o espetáculo que tem sua origem na própria... modernidade!); o moderno é um campo transitório que não cessa de se transformar, inclusive para acolher internamente a sua crítica, e é nesse sentido, enfim, que mais fracassa a teoria pós-moderna quando candidata a paradigma. O problema deste "pós" não é o que ele explica, mas o que ele descarta. E isso já é indício forte para dizermos que há uma condição maior envolvendo a afirmação de um estado de coisas e a sua retro-alimentação por meio daquilo que poderia negar-lhe. A afirmação prevalece. Se o termo "moderno" não explica obras, mas explica o cinema, resiste com importância na boa crítica (é fundamento largo, é filosofia inevitável); o mesmo não se dá com o seu "pós". Ou se é moderno, ou então abandona-se o cinema. O conceito de pós-cinema, aqui, me parece muito melhor que o de cinema pós-moderno, depondo a favor disso a tendência das análises fílmicas dos pós-modernos que conheço ressaltarem aspectos temáticos (o que é sempre pouco) e/ou a reciclagem de formas como as do cinema de gêneros.

    2. Moysés Pinto Neto

      Você acha que imagens de Bin Laden morto devem ser divulgadas?

      Tanto as imagens quanto a morte de Bin Laden não irão provocar nada que não a alimentação do mal que procuram ir contra. Derrida chamava isso de "lógica auto-imunitária", quando o organismo se imuniza contra suas próprias defesas.

    3. Moysés Pinto Neto

      Quando você vai ao cinema, o que mais te agrada e o que mais te irrita?

      O que mais me agrada é um filme que me tire da posição de conforto. O que mais me irrita - de tantas coisas possíveis - é sem dúvida pessoas conversando, os(as) comentaristas de filmes. Vão conversar no bar, porra. :D

Marcelo R. S. Ribeiro

Goiânia

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Autor e editor do @incinerrante, com textos sobre cinema, fotografia, televisão, vídeo e arte.

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