henri cartier bresson

  • Marcelo R. S. Ribeiro

    Não sou um conhecedor maior de Cartier-Bresson para poder escrever sobre ele assim, sem uma motivação/questão mais precisa. Em todo caso, como fotógrafo do "momento decisivo", ele atualiza na fotografia todo um debate anterior do campo da pintura, relativo à questão da representação do tempo e, particularmente, da relação entre os momentos retratados nas imagens e os acontecimentos (como fluxo de momentos, por assim dizer) dos quais aqueles momentos fazem parte. Com efeito, o "instante pregnante" constitui um horizonte de sentido importantíssimo para a representação de acontecimentos históricos, resolvendo o problema da dissociação entre momento representado e acontecimento. A proposição dessa noção de "instante pregnante" é de Gotthold-Ephraim Lessing, no seu Laocoon (1766) e me parece que Cartier-Bresson é um herdeiro dessa proposta. Se com o instantâneo fotográfico se inaugura a era da reprodutibilidade técnica de qualquer instante, transformando cada mínima fatia da duração do mundo em mero instante qualquer, Cartier-Bresson recupera a solução de Lessing para o dilema da pintura ao fazer da fotografia a arte do instantâneo, sem dúvida, mas sempre em busca do "momento decisivo". Essa busca pelo "momento decisivo" acaba por levar a uma ênfase enorme no momento do clique como momento definidor da imagem fotográfica, como se não fosse relevante tudo o que se faz antes e depois do clique. É daí que o Arlindo Machado tira a ideia de uma "mística do momento decisivo" que reduz ou limita, historicamente, as possibilidades heurísticas e estéticas da fotografia (aqui, por exemplo: http://www.studium.iar.unicamp.br/dois/1.htm). É isso que me suscita o nome de Henri Cartier-Bresson, além da fascinação com sua belíssima obra, que eu no entanto gostaria de conhecer mais a fundo.

  • Marcelo R. S. Ribeiro

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