Blábláblá:

Smiled Responses

    1. her heart

      uma vez vc disse aqui que pensou em cursar artes, mas que não conseguiria trabalhar com isso, pode explicar melhor? e vc tem algum link de alguma resposta sua falando o pq ter escolhido direito? n to conseguindo achar :(

      Eu até achei a resposta, mas ela é meio antiga então resolvi falar melhor sobre isso aqui. E, por sinal, achei curioso e legal que alguém acompanhe meu formspring desde 2010! Me deixa com a ilusão de eu ser alguém de fato interessante. Mas agora, vamos para a resposta quilométrica:

      Eu sou o tipo de pessoa que acha totalmente que você tem que escolher algo que gosta para o que for seguir na vida. Ir atrás de uma profissão pensando exclusivamente na remuneração nunca foi uma boa escolha porque de duas uma: ou você vai acabar se tornando um rico infeliz, ou vai ser um pobre infeliz porque sem o gosto pelo que faz não vai ter o empenho de alcançar o status necessário pra ganhar a remuneração que pretendia. Mas eu também acho que muita gente confunde o "gostar de algo" com o "gostar de algo que queira transformar em carreira".

      Não diria que é um erro irreversível cair no ato falho de se guiar pelo "gostar de algo" unicamente. Fazer com que uma pessoa de 17~18 anos, recém saída da escola, faça uma escolha decisiva dessas já é complicado, e ainda esperar que ela acerte de primeiro é exigir demais. Não que seja impossível, mas na maioria dos casos ou a pessoa surta anos depois, geralmente na metade ou na reta final do curso que escolheu primeiramente, e troca pra outra coisa, ou ela até se forma e se contenta com a vida que passa a ter, mas provavelmente muito menos feliz e satisfeita se tivesse ido para outra área.

      Nem sempre gostar de algo significa ter alguma vocação ou ter amor o suficiente para transformar aquilo em uma carreira e um método de sustento. E também ninguém é obrigado a gostar de apenas uma coisa. Infinitas possibilidades e você vai embestar com gostar de uma coisa só? Desperdício de tempo e de vida.

      Me usando como exemplo, eu sou o típico caso de menina que passou a infância e adolescência sendo uma aluna nada aplicada, sem muitas certezas na vida, longe de ser considerada "popular" e sendo mais habitante do mundo da lua do que do meu espaço físico em si. Um lugar para rabiscar e uma caneta ou lápis era tudo o que eu precisava para me sentir confortável. Em função disso, de desenhar desde que me entendo por gente, por gostar de artes em geral e estar sempre vidrada em desenhos animados ou histórias em quadrinho, a conclusão que todas as pessoas ao meu redor tiraram é que ir para o ramo da artes era meu destino óbvio e inquestionável.

      E na verdade, por algum tempo eu também achei que fosse. Até que uma dose chata de realidade com um duro "se tu for fazer artes, eu não vou gastar um centavo nisso" me desencadeou primeiramente aquela tristeza dramática típica adolescente de "meus pais não apoiam os meus sonhos", mas depois de um tempo eu percebi que as palavras dos meus pais tinham um fundamento. Um bom fundamento.

      O argumento deles, na época, era de que se eu quisesse ser artista, eu não precisaria cursar e me formar em uma faculdade para ser uma. Isso é algo de fato corretíssimo, embora não me faça desmerecer qualquer curso para o qual tu não precise de um diploma pra exercer a profissão. Apenas me dei conta que não só eu, mas várias pessoas se agarram à idéia de que tudo o que importa para garantir teu futuro é um diploma, quando o teu futuro depende de ti esteja você ou não cursando ou formado em alguma universidade.

      Isso fez com que eu desencadeasse um pensamento que deveria ser óbvio, mas eu demorei tempos para descobrir: o fato de eu gostar de desenhar não significava que eu queria passar o resto da minha vida sendo tão somente uma desenhista. Eu poderia até ter potencial para ganhar a vida sendo uma, mas a habilidade com desenho não significa que eu tenha a vocação para viver a vida de uma, com rotinas incertas e demandas que muitas vezes iriam se opor à minha vontade. Eu gosto de desenhar, sim, e muito, e gosto quando sou reconhecida por isso, mas a partir do momento que alguém apontasse pra minha cara e falasse "desenha um cachorro de guarda-chuva", e eu não estivesse com vontade de desenhar um cachorro com guarda-chuva, mas precisasse desenhar o maldito cachorro de guarda-chuva para ter como comprar meu pãozinho da sobrevivência, ah, daí sim meu gosto por desenho iria perder o encanto.

      Ás vezes quando algo que gostamos se torna uma obrigação, ela perde a mágica e o sentido. Era meu sentimento com a artes. Uma pessoa que escolhe o que quer fazer para a vida tem que estar preparada para tornar da obrigação algo que você goste, e não vice-versa. Claro que em alguns casos o contrário pode perfeitamente funcionar, mas eu acho raro. Não é, por exemplo, porque você gosta de jogar The Sims que você terá a paciência de lidar com toma a matemática complexa por trás de construir uma casa de verdade.

      O que eu sugiro, então, é buscar algo que não vá lhe parecer maçante. E deixa o The Sims para os momentos de lazer, assim como eu deixo meus rabiscos para momentos de distração.

      O que eu percebo que acontece muito, pela frequência com a qual parentes, amigos ou conhecidos de anos atrás tentam me apontar o dedo dizendo que eu estou equivocada ao cursar Direito e que deveria ir para a Artes, é que muita gente não entende que é perfeitamente possível, saudável e eu diria NECESSÁRIO que uma pessoa goste de mais de uma coisa.

      A grande fração dos meninos que conhecemos não adora jogar um futebol? Alguns deles podem ter tido a idéia utópica de que por gostar de futebol o destino deles seria se tornar um jogador profissional, quando um jogador profissional não pode simplesmente resolver jogar quando os amigos tiverem afim de bater uma bola e fazer um churras depois. Por isso em qualquer lugar que se vá, independente do curso que esteja, vai encontrar colegas que adoram praticar esse esporte nas horas vagas — e porquê então não poderia eu, ou você, ter uma válvula de escape? É tão necessário assim que ter aptidão para algo te prenda com correntes à idéia de que esta é sua única opção na vida? Não, muito obrigada, mas não.

      Eu me enxerguei no Direito e optei por este curso devido ao fato de que na mesma época em que todos esses pensamentos existenciais me ocorreram, eu vi que talvez algo no qual eu nunca tivesse pensado antes fosse exatamente o que eu procurava.

      Comecei com alguns conceitos: o primeiro, de querer uma profissão onde eu pudesse, de alguma maneira, ajudar as pessoas. Embora eu hoje em dia acredite que todas as profissões ajudem aos outros, umas mais diretamente que as outras, tive aquelas idéias óbvias primeiro. Psicologia e medicina. Medicina saiu de cogitação no instante em que me passou pela cabeça pelo fato de que eu não aguentaria ver sangue de uma pessoa. E psicologia me pareceu complicado quando eu me vi tratando pessoas depressivas com progresso muito lento ou nulo, e imaginei o quanto aquilo refletiria em mim e acabaria por me detonar emocionalmente por dentro.

      Aí entrou em jogo uma peça importantíssima para a minha escolha: meu professor de filosofia. Ele foi o principal responsável por estimular não só a mim, mas aos meus colegas a largarem um pouco a vida automática de adolescente e pensar mais sobre a vida, sobre tudo. Fez um júri simulado cujo tema era pena de morte. Torci para cair na defesa das pessoas a favor da pena de morte, prepotente que eu era, e o destino resolveu brincar comigo e me botou para defender ser contra a pena de morte.

      Parece algo ridículo, mas quando eu parei pra pesquisar sobre o assunto eu me impressionei com os diversos pontos de vista que uma questão pode ter. Não só um ou dois, mas incontáveis. Há argumentos bons e ruis para cada um desses lados que você pode usar na oratória para defender sua tese. Isso me encantou de cara e me fez ver que eu podia usar isso como meio para não só ajudar pessoas, como para tentar provocar algum tipo de justiça. É quase clichê como eu consigo perfeitamente me enxergar daqui alguns anos chegando em casa, tirando os sapatos e a roupa social, depois de um dia exaustivo — alguns deles nas quais eu estarei completamente frustrada e em outros inexplicavelmente realizada pro uma vitória — e aí sim, eu fosse brincar com meus futuros cachorros, preparar a janta, assistir um algum filme e, quem sabe, me sentar no chão da sala para desenhar.

      Essa é a grande sacada do entre o que você gosta e o que você gostaria de fazer pelo resto da vida: aonde e como você se imagina daqui alguns anos. E outra coisa: não se deixe influenciar pelo que as pessoas acham que é melhor pra você. Ás vezes elas genuinamente acham que sabem o que é melhor e desejam o melhor pra ti, mas a única pessoa que pode ter total noção do que quer é você mesmo. Por todos esses anos incontáveis pessoas acreditam que minha vocação é para o mundo artístico, e isso faz com que muitas delas ignorem que eu possa, também, ter uma vocação pro mundo jurídico. Mas EU acredito nesta minha vocação e mesmo que ela não exista ou seja muito mais frágil do que pareça, o fato de eu acreditar nela é o que mais importa.

      Portanto, eu não sei se o seu objetivo em querer relembrar meu pensamento sobre isso tudo se tratava de mero tédio ou como algo para contribuir para sua reflexão e escolha de cursos e profissões, mas se for esse segundo o caso, lhe aconselho tentar separar bem essas coisas que você gosta e tentar fazer isso de se imaginar no futuro, se imaginar de uma maneira que você pareça feliz e satisfeita, e daí ver que direção precisa seguir para chegar nesse lugar.

    2. Thomas Wilhelm
      wilkeshake responded to ailuj 16 Dec 12

      descreva uma cor sem falar o nome dela [24]

      Cor da melhor Fanta.
       
       
       
       
       
       
       
       
       
      Se vocês não pensaram na mesma cor que eu, vocês tão errados, apenas.

    3. Thomas Wilhelm

      Sei que tu não tens noção de quantos, mas se uma pessoa ficar 1 mês comendo apenas no almoço, quando quilos ela perderia?

      >"Sei que tu não tens noção de quantos, mas quantos?"
      Lol.

      Olha, depende, hein. Se eu comesse o meu peso em sorvete só no almoço e ficasse sem jantar depois, não acho que o resultado seria muito positivo, não.

      Sério, comer é um dos prazeres mais simples a que uma pessoa pode se submeter, mesmo que não seja a comida preferida dela, então TIREM essas idéias de jejum prolongado da cabeça e só COMAM DIREITO, humanos do meu planeta. :C

    4. Thomas Wilhelm

      Oi Thomas,gostaria de saber se existe algum site que de para encontrar todas as redes sociais de alguém atraves do e-mail.Obg

      Olha, não que eu saiba, e triste será o dia em que houver. Vai ser toda uma geração de gente amargurada dizendo que "PORQUE NA MIIIIIINHA ÉPOCA, STALKEAR DAVA TRABALHO! A GENTE CATAVA O ENDEREÇO, CPF, HISTÓRICO ELEITORAL E CRIMINAL DA PESSOA NA MARRA, N'ERA TUDO DE MÃO BEIJADA NÃO".

    5. Thomas Wilhelm
      wilkeshake responded to ailuj 27 Jun 12

      se quiser/tiver, poste aqui uma foto sua com roupa formal (de formatura, casamento, festa de 15 etc). quero ver vocês bonitinhos haha se não quiser, só delete. [38]

      That awkward moment quando você só tem camisetas nerds engraçadinhas no seu armário.

    6. Thomas Wilhelm

      Sabe andar a cavalo? Gosta? Já fez aulas de hipismo/equitação? [13]

      Sei e gosto bastante, apesar de nunca ter feito aulas nem nada do tipo.

      O foda é que o que eu queria mesmo era morar n'algum lugar que me possibilitasse ter meu próprio cavalo (sem abdicar totalmente da tecnologia e conforto que tenho hoje em dia, obviamente - a utopia é minha, me deixa), porque eu acho que deve ser um laço bastante especial e único, esse do horse & horseman.

      Imagino que não tenha nem de longe a mesma graça montar um cavalo desconhecido, com um nome que você não deu, que é tratado de forma que não é a sua própria, se comparado ao completo oposto. Na real eu nem acho que deixaria qualquer um montar o meu cavalo. Sabe, é o MEU Sleipnir, para quem eu dou alfazema e iogurte, e não um cavalo qualquer.

      Bitches don't ride on my Sleipnir.



      (Não, eu provavelmente não chamaria o cavalo de Sleipnir. Mas Rapidash é viável, né?)

    7. gabs

      gabs, por sua mãe ser pm, o que sente quando vê um monte de gente falando que "pm não presta, pm é isso, é aquilo" e ah, tu não sente medo quando ela sai pra trabalhar não? obs: vc é mt linda.

      Véeeeeeeei.

      Taí um negócio que me chateia de-mais.

      Palavrinha chave: generalização.

      Te contar uma história: mamãe, além de prender bandido e atender todo tipo de ocorrência bizarra que aparece no rádio, já ajudou gente pra caralho. Ao invés de enxotar os mendigos da pracinha do meu colégio, ela conversou com eles, descobriu que alguns tinham família, daí os que tinham voltaram pra casa, abriram uma cooperativa de artesanato, chamaram os outros, geral saiu da rua, ganham uma vida honesta e tem um quadro que eles fizeram em agradecimento pendurado na minha varanda.

      Outra história: mamãe trouxe pra Belo Horizonte (e agora pra MG inteira) um programa que pega jovens carentes e faz um trabalho de ensiná-los a evitar drogas, evitar crimes, e ainda ensina um ofício pra quem quiser. Ofício simples, mas que dê renda. Exemplo: grafite. Um bando de moleque aprendeu a fazer grafite e a fachada do Batalhão dela é toda grafitada. Muito jovem que ia virar bandido hoje em dia é honesto por isso.

      REFLEXÃO: isso sai no jornal? Nope. Isso aparece no facebook? Nope. Isso faz com que as pessoas pensem que todos os policiais são pessoas tão boas e batalhadoras como minha mãe? NÃO MESMO.

      Tudo bem que proteger os cidadãos é o dever da PM. Mas é aquela coisa, quando você faz certo, ninguém se lembra. Quando você faz errado, ninguém esquece. Uma fruta podre no cesto não torna as outras impróprias. Tem um monte de gente babaca em toda instituição do mundo. Na PM, nas escolas, nos bancos, nos motoristas, nas empregadas, EM TODO CANTO TEM GENTE ESCROTA. Então, cara, vai generalizar a puta que te pariu. Se um PM faz uma coisa escrota, o negócio é cobrar que ELE seja punido - e existem muitos processos disciplinares correndo em todo canto. Não generaliza, cara. Tem muita gente honesta que tenta fazer o bem e dá a cara a tiro todo dia pra proteger um bando de desconhecido ingrato.

      E eu tinha muito medo da minha mãe trabalhando em viatura. Quando ela se atrasava eu já pirava. Quando me ligavam pra dizer que ela foi parar no hospital, eu tinha crises e brigava com ela. Ela já perdeu neném, já apanhou, já se rasgou toda em arame farpado perseguindo bandido. E eu cagava de medo de alguém meter uma bala nela só porque ela passou de farda no lugar errado na hora errada (apagaram um amigão da minha mãe pelo simples pecado de ser policial, morando num bairro humilde, pra onde se mudou um traficante).

      Hoje em dia, por ter se queimado e perdido parte do movimento do braço, ela perdeu o porte de arma e por consequência não pode andar fardada. Só farda de esporte. Então ela fica só no administrativo numa salinha quietinha lindinha. Praise the fucking lord.

      Muito obrigada e DESCULPA P DESABAFO ;_;

    8. Julia

      preveja mais amizades com celebridades

      O Hugh Grant é aquele amigo que nunca tem um puto no bolso e tá sempre te pedindo tudo. Especialmente cigarro. Mas ele é tão querido e engraçadão ao fazê-lo que tu suprime o pensamento "porra, velho, tu fez uns filmes, né possível que não tenha dinheiro pra um maço de cigarro" e vai lá e empresta as coisas. Tem cara de ser furão, também; tu convida pro negócio, ele jura que vai, dá a hora e ele manda uma sms avisando que não rola. Daria certo comigo porque eu muito fiz, faço e farei isso na vida. O Hugh é uma boa companhia, é aquele que sempre pilha as melhores ideias e te ajuda com tudo - até ele ter uma responsabilidade ou precisar de dinheiro. Aí tu nem ouve falar do cara.

      O Nicolas Cage é aquele cara que tu não sabe bem por que que é teu amigo, e aí tu pergunta pros teus outros amigos por que eles são amigos dele e ninguém sabe o o porquê também. Ele aparece tarde nos rolês, quase sempre sem ser convidado, e faz umas piadas boas, mas meio sinistras, às vezes meio cruéis, e quase todas sobre o Holocausto, e aí a gente só ri porque o Mel Gibson ri também, e aliás ele ri muito, faz a gente ficar bolada. O Nicolas não comenta dos filmes dele e ninguém, por medo do que ele possa dizer, fala qualquer coisa; mas o que o Nicolas realmente quer é que as pessoas falem disso com ele só pra ele poder usar o incrível repertório de piadas que bolou ao longo dos anos sobre seus filmes serem ruins. O que ele deseja, no fundo, é se sentir confortável com as pessoas. Por outro lado, ele tem a mania péssima de tratar desconhecidos muito mal. É do tipo que faria que nem o Jack Nicholson naquele filme lá que ele insulta a garçonete e teria uma crise de pelanca porque trouxeram o café com leite demais.

      A Meryl Streep é tipo a minha mãe: conversa com meus amigos, pergunta vida e obra, faz piadas absurdas que ninguém espera ouvir dela. Só imagino que ela tenha uma maior preferência por álcool; não a ponto de falar bosta, mas de ficar muito engraçada de repente. Do tipo que fica bêbada e começa a recitar poesia balançando uma taça de vinho, manja? (Não que a minha mãe faça isso, ela odeia poesia.) A Meryl tem o respeito de não dar piti na frente dos que não estão envolvidos e, pela experiência e sabedoria pessoais, não julga antes de ouvir os outros. O único problema em ser amiga dela é que tu nunca sabe se ela realmente gosta de ti ou só está sendo simpática por ser o natural dela.

      O Michael Fassbender só aparece quando o plano é beber e pegar gente. Excelente companhia pra putaria, péssima companhia pra falar dos teus problemas; tu começa a falar que tal coisa ruim te aconteceu e ele começa a resmungar "aiii que saaaco vamo falar de coisa boooa energiiia vibraçõõõões". Todos no círculo desconfiam que ele cheira uma coca fodida, mas ninguém fala nada porque, apesar de ninguém nunca ter visto, rola a certeza de que, se contrariado, ele tende à violência.

      O Christoph Waltz é muito, muito, muito reservado; impossível saber se ele gosta de ti, a não ser que ele diga - e ele não vai dizer. É do tipo que tá sempre ali quando tu diz que precisa de amigo, mas some durante todo o resto do tempo. Perfeito para ouvir desabafos, bom para dar conselhos, péssimo pra ir no McDonald's pedir umas casquinhas e caminhar por aí; ele vai inventar uma desculpa e tu vai jurar que é porque ele se acha bom demais pra ti. Tem a triste sina de ser aquele cara que demonstra afeição das formas mais sutis e profundas e que, por isso, ninguém nota.

      O Quentin Tarantino é aquele amigo que chega com uns papos doidos às três da manhã. A amizade é toda baseada em tu mandar ele tomar no cu. "Meu achei um site aqui pra fazer molde de pés pensei em fazer moldes de uns pés femininos e espalhar pela casa aí as pessoas me visitam e ficam horrorizadas PENSA QUE DOIDO" "Aff, Quentin, vai à merda, vai arrumar um emprego, já limpou o chão da cozinha hoje?". E ele não se liga, impressionante. Só o Fassbender gosta dele abertamente; o Christoph Waltz gosta, mas só demonstrou uma vez, quando o Tarantino tava muito triste porque cancelaram a compra dele de tacos de baseball no eBay e acabou desabafando sobre a difícil relação com os pais, e só o Christoph tava lá pra ouvir.

      A Scarlett Johansson é aquela amiga querida, que está sempre do teu lado, te ajuda em tudo, te empresta dinheiro, te ouve, te aconselha, te dá sermão e, no teu aniversário, manda presentes fofinhos com cartões carinhosos - ou seja, é que nem o James McAvoy. A diferença é que o James é tapado, não saca ironia nem piada, e a Scarlett, além de mais sarcástica, é mais ligada na vida, não tem ainda cheiro de leite no corpo - ela saca os recalcado e se afasta deles com sutileza. Infelizmente, sofre do mesmo mal que o James - tiram ela pra idiota. Tem dificuldades para ter bons amigos.

      E podem falar o que quiserem do Charlie Sheen, mas ele sempre termina as bebedeiras falando dos filmes e livros que mais o emocionaram e chora profusamente, abraçando todos os amigos e dizendo como eles são importantes e como ele se arrepende de não demonstrar amor com mais clareza e insistência. Nos aniversários dos mais chegados, sempre manda poemas do Robert Frost.

    9. her heart

      vc disse que o lesrrie (escrevi certo?) é como um irmão, mas vcs nunca deram nem selinho de brinks ou coisa do tipo?

      Hahahaha nem a pau, seria a mesma coisa que eu dar selinho na minha irmã, ou seja, eca, nunca. Ja dormi na casa dele algumas vezes, ja apresentei pra familia, ja peguei camiseta de banda que ele gosta como pijama, ja troquei de roupa na frente dele pedindo opiniao de roupa pra festa, ja falei de asssuntos intimos sexuais pra ele, contei segredos, minha mãe adora ele, fiquei vendo ele trovar mina no facebook e ele me ajudou a trovar caras por sms, ele ja me deu liçoes de moral haha, a gente é bem irmão mesmo, ate falamos em morar juntos um dia.

    10. João

      Que cara feio da porra. (Em honra à sua avó)

      Sim, mas vovó ainda me fazia bolinho de chuva e suco de goiaba, ela tinha crédito, não vamos vulgarizar a coisa. Tem que ter uma contrapartida, amigo.

    11. Julia

      Oi Júlia! Poderia contar mais sobre você e o thiago quando vc tinha 13? Todos sempre acham que "namorico" de adolescente não dá em nada, mas veja só vocês 2! Tudo bem se você não quiser falar, também. Obrigada e beijinhos!

      Guardei essa pergunta até o dia de hoje porque hoje, putedo, hoje é o dia em que o Thiago passa dos 23 para os 24 anos de vida, o dia em que começa o último ano em que os pais dele podem colocá-lo como dependente no plano de saúde, o dia em que começa a ficar próxima a necessidade de fazer uns corre pra ter união estável reconhecida só pra quem tiver plano de saúde primeiro colocar o outro como dependente, enfim, o dia em que eu tive que tolerar uma pessoa que achei que era nossa amiga dizer "tá fazendo 24 rsrsrsrsrsrs" (e, acreditem, não foi o @unfashionerd - mas deve ser porque ele esqueceu, senão ele obviamente faria essa piada também).

      Então. Quando eu tinha 13 anos eu tinha 13 anos, e acho que isso resume muita coisa - eu fazia trezeanices e ele fazia suas dezesseteanices. Reclamar dos pais, reclamar da escola, fazer planos absurdos, passar o dia na internet sem dormir nem comer por causa da firme convicção de que alguém, em algum lugar do mundo, estava errado, e cabia a nós dois prová-lo, desde que a pessoa errada falasse uma das duas línguas que conhecíamos com fluência (já me virei em espanhol também). Um dia, e salvo engano começou em agosto ou setembro do ano de 2005, o Thiago resolveu que ia me telefonar. Entendam que em 2005 nós não tínhamos apetrechos que hoje parecem indispensáveis a qualquer computador - o conceito de webcam era risível (eu não tinha fotolog, por que precisava de webcam?) e um headset, ou mesmo um solitário microfone, era coisa de quem jogava WOW de madrugada - e, por mais que o Thiago fosse chegado nos videogames, a esse ponto eu não permiti que ele chegasse. Enfim; ele me ligou e foi um momento de muita magia porque 1. eu não estava desconfortável, 2. ele não estava desconfortável, 3. os assuntos fluíam magicamente e 4. parecia magia que eu pudesse ouvir a voz dele de verdade. Um pouco após isso nossas mães - lembrando que éramos muito piazinhos - compraram webcams por preços ridículos e pudemos nos ver sem ser por fotos borradas. Eu tenho um superpoder esquisito: jamais pareço a mesma pessoa de uma foto para a outra, mesmo que tenham sido tiradas com um intervalo de segundos. Ou seja, sem me ver ao vivo ou em movimento não dá pra confiar na minha suposta aparência. Outro momento mágico, esse. Eu tinha uma internet muito boa, só que do outro jeito de ser boa, que é ser ruim, e a gente usava o Skype e sempre tinha 5 segundos de delay (vocês, jovens, nem devem saber que existe lag fora do Call of Duty), aí a gente brincava de falar merda ao mesmo tempo e ver quando é que o outro ia ouvir. Nos vimos pela primeira vez quando eu já tinha 14; lembro que foi no dia do meu aniversário de 14, aliás, que o Thiago falou pra mãe dele o que estava acontecendo e que era isso aí não gostou me processa. Ele veio nas férias de julho e ficou só uma semana, mas todo mundo se impressionou porque parecia que estávamos juntos há anos etc. Uma coisa que eu acho legal é que a gente sempre age como se se conhecesse, ao mesmo tempo, há sete anos e há três meses; quero dizer, a gente ainda faz idiotice de começo de namoro tipo fazer piadas nonsense e rir e dar beijinhos em público e fazer caretas; mas, ao mesmo tempo, dia primeiro de julho faz, oficialmente, sete anos que estamos juntos (sempre falo sete porque é mais prático que dizer seis e alguma coisa etc e também porque a gente confunde), e isso é indisfarçável.

      Hoje acordei com ele destapado, pra variar, e com a Katamari dormindo nos pés dele - depois de ter dormido no meu colo um tempinho e saído porque eu me mexo muito. Agora, a fim de comemorar o aniversário dele, que é uma bichona e fica reclamando que agora está muito velho, farei seu prato favorito - que é estrogonofe - e vamos ver South Park. De presente de aniversário, comprei pra ele o Humble Bundle 5, que vem com Amnesia e Psychonauts, entre outros que - podemos ser sinceros? - obviamente não vamos jogar, porque depois de ultrapassar a marca dos 115 jogos e só ter jogado 30 desse total a gente não pode mais ter a ingenuidade de achar que realmente vai terminar Gish ou Hammerfight ou NightSky ou, bem, vocês entenderam. Ele não sabe, mas vai ganhar algo de dia dos namorados também. Shhh.

    12. Thomas Wilhelm
    13. Thomas Wilhelm

      Violência gera violência,gentileza gera gentileza,e eu te pergunto: Por que amor não gera amor? ☠ [26]

      "Love, it turns out, is as undemocratic as money, so it accumulates around people who have plenty of it already: the sane, the healthy, the lovable, [...] and much as we would like to spread it all around a little, we can't."

    14. Lolla Moon

      Lolla, tenho 18 anos, nunca tive um namorado e minha mãe vive me pressionando pra arranjar um... Vive fazendo comentário chato pra mim e dizendo que vou ficar pra "titia", isso me irrita pra caralho e eu não sei mais o que falar... +

      + acho que o medo dela é de que eu seja lésbica ou algo assim... E eu tenho certeza que a familia dela faz o mesmo comentário pq são um bando de crente hipócrita, tá foda...

      R.
      Relaxa. Meu pai tinha o mesmo problema comigo. Queria ver o velho feliz era chamá-lo para ir ao shopping comprar um vestido pra mim. Ele até pagava. Disse para um pessoal da família dele que achava que eu "era sapatão" - provavelmente porque não tinha namorado e não "usava roupas femininas" (o estereótipo de feminilidade que envolve vestidinhos, roupa justa, curta e salto alto). Caguei, sinceramente, até porque o que ele pensava a respeito da minha sexualidade não importava. O que a sua mãe pensa também não importa tanto assim, uma vez que a vida é sua. Se ela estivesse preocupada com a sua saúde ou abuso de substâncias aí quem sabe. Eu sei que é quase impossível não se deixar abalar, mas tente rir e dizer, "é, vou ficar pra titia mesmo - não gosto de GENTE". E sacuda os ombros. Deixe que falem.

    15. Thomas Wilhelm

      quem tem a personalidade mais racional é mais feliz ou menos do que quem é mais emotivo ?

      É uma questão complicada - eu julgo que pessoas racionais são mais felizes a curto prazo, e, pessoas emocionais, a longo prazo.

      A pessoa racional, geralmente, visa compreender a lógica por detrás daquilo que o cerca, então os eventos que vivencia acabam por ganhar uma nuance menos.. espontânea. Não há tanto calor naquilo que o racional vivencia, porque já é, mesmo que a plano subconsciente, esperado - o racional conhece a sina da inevitabilidade daquilo que lhe é iminente, e por isso, se abala menos com o que seria devastador, a curto prazo, para os emocionais. Não só isso, a pessoa racional gasta mais tempo em introspecção e acaba por ter a si a lógica de seus próprios sentimentos - sua causalidade, sua duração, seus fatores de interrupção, seus sustentáculos de existência; enfim, todo o mecanismo emocional que, aos emocionais, com certa ironia cômica (já que são eles que recebem este nome), não é tão bem compreendido. Os racionais, de forma geral, conhecem esse mecanismo tão bem a ponto de ele também não lhes ser tão espontâneo. Todas as emoções e sentimentos dos racionais são menos intensos do que são estes nos emocionais - é por isso que eles são emocionais - e, por isso, a infelicidade não os abala tanto. A infelicidade é apenas mais uma parte da vida, um estado de espírito que se sabe que vai passar, e este prospecto passageiro garante a felicidade e contentamento do racional a curto prazo.
      O grande problema de ter essa racionalidade, é que você acaba por se dar conta dela. Você acaba por notar que nada te causa tanto impacto quanto deveria, e você se sente... mais vazio. Mais vazio do que deveria, ou do que gostaria, ou do que sente que é o certo. E eu acho que é ESSE o maior fator de infelicidade nas pessoas racionais: a assimilação da racionalidade, a assimilação daquilo que te define. E é isso, que te define, de que não há escapatória, e é com isso que a pessoa racional tem que aprender a lidar. Caso contrário, será só mais um miserável.

      Já em pessoas emocionais, acho que esse problema não existe tanto. Poucas pessoas emocionais sentem que devem ser _menos_ emocionais: emocional é bom, não é? Foi isso que a Arte, em todas as suas formas, com seu poder de catarse, nos ensinou: a fé é boa, o amor é bom, o medo é bom em sua própria maneira; sentimentos são bons, enfim. São bem-vistos, são o que separa as pessoas "boas" das "ruins" - ninguém quer ser frígido. Essa emocionalidade toda, ainda que bem-vista e tida com carinho, é o que causa aos emocionais sua condição de miserabilidade aparente; mortes, discussões, atrocidades, crimes, e todas as coisas que nos abalam são de MUITO maior intensidade em pessoas emocionais, que vão dar mais importância a este tipo de coisa, por não suportarem a ideia de que este tipo de coisa está lhes acontecendo, e que devem ser resolvidos. E também acho que pessoas emocionais prezam muito mais pela resolução daquilo que está mal, do que aquilo que já está bem; se a situação está boa, não há motivos para querer mudá-la - mas se a situação piora, a resolução deve ser imediata, e, caso seja impossível, os emocionais se sentirão muito, MUITO pior do que os racionais. É por isso que gente emocional se vê triste tantas vezes - existe muito mais coisa catastrófica acontecendo no mundo, mesmo que não no mundo delas, do que coisas realmente boas, e tudo isso acaba por lhes abalar.
      Essa emocionalidade, no entanto, tem seus lados positivos, é óbvio. Eventos e situações boas VÃO acontecer, e propiciarão bons sentimentos junto a si. E estes sentimentos vão ser intensos, também, na pessoa emocional. Então, por mais que, a curto prazo, pessoas emocionais se vejam mais miseráveis do que aquelas racionais, julgo que acabam por ser mais felizes a longo prazo, justamente por estes curtos prazos mais intensos - os eventuais bons curtos prazos não serão bons, mas ÓTIMOS. ESTUPENDOS. FANTÁSTICOS. E estes bons curtos prazos gerarão uma felicidade duradoura, antagônica àquela dos racionais.

      E é isso, acho.
      Comentários e pontos de vista divergentes são bem-vindos; eu realmente gostei de pensar nisso tudo!

    16. Thomas Wilhelm

      somos iguais tristes :~~

      Eu queria conseguir só bloquear a tristeza. Pior é que eu demoro pra NOTAR que tô triste, imagina isso?
      Eu fico meio chato e aí quando perguntam eu falo "ah, é sono/cansaço", porque, convenhamos, sono é a desculpa perfeita pra tudo.

      PÔ THOMAS PQ CE TA CHATO ASSIM
      Sono.

      PÔ THOMAS PQ CE TA BURRO ASSIM
      Sono.

      PÔ THOMAS PQ CE DEU UM SOCO NA MINHA MAE CARA
      Sono.

      Perfeito!

    17. Thomas Wilhelm

      O que te faz sorrir (meio que automaticamente)?

      Gatos, quaisquer filhotes de animais, descobrir que tem algum doce em casa, receber um presente inesperado, receber alguma coisa pelo correio, sol de 16:30, passar a mão em uma superfície macia, abrir na exata página do livro que o professor mandou, achar dinheiro no bolso da calça (ou em qualquer lugar, for that matter), receber um elogio qualquer, sentir nostalgia, ver alguém sorrindo por minha causa, witty comments, a sensação de acordar antes da hora e poder voltar a dormir, receber uma SMS inesperada (que não seja da operadora, que senão é frustrante), ver alguém dormindo em paz, ser bem-recebido por um funcionário numa loja, sons diferentes, adivinhar a hora sem olhar para um relógio e depois conferir que estava certo, coxinha com muito requeijão, chocolate com menta, descobrir que tem Fanta Uva no lugar onde estou almoçando, lembrar inesperadamente do nome da música que se manteve na minha cabeça há horas, ver uma criança com um DS, ou ver uma criança se divertindo genuinamente com coisa pouca, crianças educadas, ser tratado com educação por moradores de rua, ser chamado de "senhor" por atendentes de telemarketing, fazer bolhas assoprando uma bebida, acidentalmente derramar essa bebida em alguém fazendo isso, lembrar de um sonho, poder me enrolar nos meus cobertores sem me preocupar com mais nada, notar que alguém sabe meu nome completo, ver as pessoas tentando pronunciá-lo sem sucesso, receber café-da-manhã na cama, ser elogiado particularmente no que diz respeito à minha inteligência e escrita, sensação de ser lembrado pelos outros, estourar plástico-bolha, sensação de liberdade ao tirar os tênis ou desabotoar a calça, ver que algum programa que eu goste está passando nas raras ocasiões em que ligo a TV, ou então uma música que eu goste na rádio, garotas de moletom e sem maquiagem, sardas, cabelo macio, the chirping of birds in the morning, tacar água na frigideira e ouvir o som da calefação, sensação de dever cumprido e consequente sensação de preguiça pelo resto do dia, quando a máquina de refrigerante finalmente aceita a nota amassada, o cheiro da minha namorada nas minhas roupas, chegar em algum lugar antes que esteja lotado, acordar antes do alarme tocar, ou mesmo esquecer de configurar o alarme e acordar do mesmo jeito, conseguir ajustar o chuveiro à temperatura perfeita, conseguir fazer alguém rir ALTO, cheiros de infância, cheiro de livro novo, sotaques, sair correndo com um carrinho de supermercado, sair correndo com alguém DENTRO deste carrinho de supermercado, witty TV comercials, achar alguma coisa que eu tenha perdido há muito tempo, ouvir o ronron do meu gato, ver/ouvir pipocas estourando, conseguir achar múltiplos argumentos durante uma discussão, conseguir lembrar o que fui fazer em algum lugar logo depois de esquecer, fazer xixi depois de MUITO TEMPO querendo isso, comer sorvete no jantar, a sensação de estar em casa sozinho, acordar antes de qualquer outra pessoa em casa, descobrir que minha falta foi sentida, pão que acabou de sair do forno, a sensação de rastejar até o meu travesseiro depois de um dia cansativo, ver caligrafias interessantes, ouvir o espirro ou bocejo da minha namorada (it's too darn CUTE.), letras bonitinhas do Pato Fu, ser elogiado por algo em que botei esforço, conseguir pensar num bom nickname QUE NÃO ESTEJA EM USO!, ver fotografias antigas, receber agradecimentos por segurar a porta ou o elevador para vizinhos, cumprimentar porteiros e atendentes, receber algum pedido de "saúde" ao espirrar na sala de aula, ver casais velhinhos andando na rua, conseguir comer algo inesperado usando hashis (do tipo, comer M&M's com hashis), escova/pasta de dente novas, quando dizem que eu estou cheirando bem, comer sorvete direto do pote, tomar água direto da garrafa, pão com manteiga bem derretida, receber amostras grátis, ouvir histórias sobre quando eu ou meu amigo eramos crianças, a sensação de quando as luzes são apagadas no cinema, cheiro de pipoca, ter o troco exato para a passagem de ônibus, quando me perguntam algo sobre animais por eu fazer veterinária, ouvir músicas MUITO velhas, conseguir dormir rápido, a sensação de adorar uma música que conheci há pouquíssimo tempo, descascar frutas, som de grilos e cigarras à noite, ver que o elevador está lá quando eu acabei de chegar, sentir adrenalina subindo, quando se oferecem para segurar minhas coisas no ônibus lotado, a sensação que vem logo após o espirro, adormecer sem querer no sofá e acordar vendo que alguém te cobriu durante o sono, ser elogiado sobre alguma insegurança, notar que sou da mesma altura do que a pessoa com quem estou falando, a sensação de quando uma pessoa com quem eu comecei a falar há pouco tempo me chama de amigo pela primeira vez, ver que o dever de casa tem uma página só, descobrir que algo é mais barato do que eu pensava, conseguir avistar uma pessoa de longe quando eu marco de nos encontrarmos, avistar a comida que eu pedi vindo até mim no restaurante, responder algo corretamente durante a aula, acertar a nota exata de uma música de primeira tentativa, conseguir resolver um problema de matemática muito grande, conseguir lembrar de uma mnemônica que eu mesmo inventei, sensação de papel quentinho recém-impresso, quando eu sorrio junto com minha namorada durante um beijo, conseguir sintetizar um pensamento em exatos 140 caracteres, conseguir pegar algo frágil no ar antes de cair, ler conversas antigas, pisar em poças d'água usando galochas, apertar o botão de parar do microondas logo antes de ele começar a apitar, a sensação de quando você finalmente pode grampear um trabalho pronto, arrancar uma página de um mês no calendário, quando alguém responde uma sms minha imediatamente, quando o meu gato vem todo animado até mim quando eu chego em casa, conseguir abrir a tampa de um pote que ninguém mais conseguiu, ser elogiado por um prato que eu mesmo preparei, ver notifications de que gente que eu não conheço começou a me seguir em alguma rede social, descobrir que alguém tem a mesma mania estranha que eu… e ler listas sobre o que faz os outros sorrirem.

      Eu acho que sou bem bobo.

    18. Thomas Wilhelm

      vc fica reparando na vida das outras pessoas? vc fica jugando e criticando as pessoas? vc se importa com o que as outras pessoas pensam sobre sua vida? e vc da moral para o que elas dizem?

      Reparar, eu reparo. Julgar, inevitavelmente eu também faço, porque 20 anos de experiências não foram completamente inúteis para a minha formação. Mas, na minha concepção, julgar e criticar são coisas bastante diferentes. Eu vou julgar tudo o que vejo porque essa é a natureza humana e porque cresci de forma x observando eventos y, mas só vou chegar a criticar alguém quando suas atitudes interferirem imediatamente na vida de outras pessoas. Eu critico abertamente alguém que acha que a sua opinião deveria ser tida como máxima e reconhecida por todo o resto do mundo, alguém que se acha no direito de inferiorizar outra pessoa que está quieta em seu canto meramente por ter vontades e opiniões alheias às dela. Mas criticar alguém por ter um gosto z com que eu não simpatizo é algo que eu já aprendi a não fazer, justamente por ser só.. um gosto. Uma opinião inofensiva.

      Inevitavelmente eu me deixo importar com a opinião alheia, sim, porque vivemos em sociedade e minha formação também me ensinou que a minha vivência dentro dela vai ser influenciada pelas minhas atitudes. Cada um age de acordo com aquilo que acha que fará bem a si, e contanto que isso não interfira diretamente com a vida de mais ninguém que pense diferente, não deveria haver qualquer inibição moral para o modo com que a pessoa leva sua vida, mas a verdade é que há, sim.

      É um tanto triste, visto que é óbvio que todo mundo tem seu direito individual de julgar e criticar as escolhas alheias, mas expôr isso querendo que os outros mudem seus hábitos por vontades e opiniões SUAS não só é de um egocentrismo absurdo como também é um tanto... babaca, simplesmente. Quer passar o dia recluso em seu quarto jogando World of Warcraft? Fica à vontade, ué. Quer ter um novo parceiro sexual a cada semana, se protegendo e sem machucar ninguém? Sem problemas. Quer beijar em público uma pessoa do mesmo sexo que tu tem como querida? Vai fundo. Não são escolhas que eu faço, mas por que seriam escolhas que você não deveria poder fazer? Porque um grupo presunçoso acha feio, anormal, ou em desacordo com o que se tem como "bons costumes"? Ah, vá se foder.

      No final das contas, o mundo seria melhor se as pessoas fossem mais humanas, só. Ou quem sabe menos.

    19. Thomas Wilhelm

      estás namorando?

      Estou! Há um ano, nove meses e três dias com essa gata loira aí, e há dois e oito meses com o laranja.

    20. Thomas Wilhelm

      Qual o barulho produzido por animais (sem contar humanos) que mais te agrada? Por exemplo: ronronar, piar de corujas, canto de algum passarinho específico...

      Olha, eu gosto muito de vários sons animais, mas os que mais me relaxam:

      - ronronar de gatos
      - piar de corujas
      - gorjeio de gaivotas
      - uivo de lobos
      - canto de cigarras
      - canto de grilos
      - canto de baleias

      Inclusive, nesse site aqui (http://naturesoundsfor.me/) tem todos esses sons e mais vários para você escolher e compôr uma seleção de sons que te relaxem. Perfeito pras noites de insônia ou background music pra estudo.

Maria C.’s Bio

Goiânia, GO.

twitter.com/s8namongus

I don't know the significance of this, but i find it very interesting.