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  1. All responses Most smiled responses
    1. Davi Flores

      Bem, dentro do pouco que conheço sobre Monteiro Lobato, enquanto escritor, acho que ele tem uma relevância importante na história da literatura brasileira, principalmente no que diz respeito ao universo que ele criou com o "Sítio do pica-pau amarelo", por exemplo. Se compararmos com muito do que temos hoje no grande mercado para o público infanto-juvenil, percebemos uma grande falta de uma fantasia, sonho e imaginação mais ternos, suaves que, no caso das histórias do "Sítio ...", aparecem em boa quantidade (e, inclusive, perceptível também nas adaptações para televisão). Essa ternura - elemento que acho importante para todas as idades - parece ter se esvaído por entre os tantos modismos, magias, super poderes e ficções científicas hi-tech das publicações literárias atuais mais populares, principalmente as infanto-juvenis. Porém, não podemos esquecer que o olhar do Monteiro Lobato para "outras tendências artísticas" de sua época não era das mais flexíveis (víde crítica ao trabalho de Anita Malfatti). Mas, no geral, o Monteiro Lobato não é uma referência na minha vida, tampouco me incomoda/me move enquanto crítico/escritor. Apenas o respeito, com o mesmo respeito que devoto aos tantos outros colegas de trabalho artístico. É isso.

    2. Davi Flores

      ... além de andar pela vida e vê-la com mais atenção - pois teria beeeem mais tempo -, gostaria de fazer coisas que não envolvessem trabalho-sobrevivência, mas trabalho-amor. O mundo precisa de mais amor, de mais tempo para o amor e, se eu trabalhasse 6 ou 8 horas com mais umas 10 horas de descanso para dormir, as outras 30 ou 32 horas seriam para plantar, cuidar e colher mais amor nas pessoas e na vida em geral.

    3. Davi Flores

      A impressão que eu tive vendo a lista dos artistas é que, no que diz respeito aos artistas brasileiros, não há nada de muito novo; só os mesmos nomes que vemos nos livros, revistas e sites de galerias. Acho que foi feito meio que um apanhado de artistas nacionais já consagrados na história da arte e no mercado de arte em torno de um eixo curatorial. Nada muito fora do comum. Com relação aos artistas internacionais, embora eu não conheça a grande maioria deles, acredito que tenha acontecido o mesmo. Se, por um lado, dessa forma, a Bienal não traz nada de "fresco" e "jovem" em termos de produção, por outro ela traz a oportunidade de vermos ao vivo trabalhos que só víamos a partir de registros em livros, revistas e sites da internet. Dos artistas que vão participar, quero muito ver ao vivo: Antonio Dias, Carlos Zilio, Cildo Meireles, Cinthia Marcelle, Eduardo Coimbra, Efrain Almeida, Flávio de Carvalho, José Leonilson, José Spaniol, Joseph Kosuth, Mira Schendel, Nelson Leirner, Nuno Ramos, Paulo Bruscky, Rex Time, Rodrigo Andrade, Nan Goldin e Marta Minujin.

    4. Davi Flores

      Acho que um músico famoso, mas de música erudita. Gostaria de ser, talvez, um famoso violoncelista. É o meu instrumento musical predileto. O violoncelo tem uma melancolia e intensidade que só ele; meio que "arranha" nosso interior e e nos move a repensar sobre nossas emoções...

    5. Davi Flores

      Olha, não sei se não posso ficar sem eles - é ... acho que não posso mais ... rsrsrs -, mas se eu não os tivesse encontrado, minha vida teria tomado outro rumo, não teria me emocionado tanto e tomado mais e mais gosto pelas palavras e, talvez, algumas de minhas perguntas não teriam sido respondidas (em ordem alfabética): Ana Rüsche, Ângela Castelo Branco, Laércio Fertio (o primeiro poeta que me emocionou com suas palavras), Orides Fontela e Tiago Mine Viera. Faltam mais poetas tão importantes quanto esses que acabei de falar, mas eu vou respeitar o número máximo permitido pela pergunta... rsrsrs

    6. Davi Flores

      No geral, tenho saudade de coisas bem comuns: pessoas queridas, coisas vistas, coisas ouvidas etc. Porém - lembrando um pouco as palavras de Renato Russo na canção "Índios"-, acho que a minha saudade mais intensa e dolorida é daquilo que ainda não vi, não vivi. É uma falta estranha. A falta da realização de um sonho que está sempre conosco enquanto ideia, mas longe enquanto concretização. É uma saudade poética, pois o objeto da falta é algo que nunca existiu enquanto experiência real, mas sempre existiu enquanto idealização e espera e, por isso, acho que dói mais; dói mais pelo fator de um inalcance maior, já que se trata de uma saudade bem mais abstrata. Acho que é isso.

    7. Davi Flores

      Mais do que nunca, o termo "espaço expositivo", de fato, ganhou uma amplitude maior e foge aos já conhecidos - e, talvez, desgastados - espaços dos museus, centros culturais e galerias. O problema é que essa amplitude está mais na teoria do que na prática e, creio eu, muito mais por uma questão de preconceito, de achar que tudo que não está dentro dos espaços institucionais tem menos valor ou nem tem valor. Isso é uma grande besteira, ao meu ver, e só mostra o quanto muitos artistas, teóricos e profissionais da arte em geral tem pompas apenas para recitar suas teorias, muito menos do que forças para pensar e criar ações que realmente expandam os conceitos, hábitos e possibilidades da arte, sem ficarem sempre à mercê da instituição. Bem, mas falando de mim, 2010 promete novas abordagens de disponibilização da minha arte e continuar explorando novos espaços de exposição/ação/sensibilização, com a cara e coragem para pagar o "preço" necessário de se fazer arte de forma mais humana e integral, antes de qualquer coisa. Mercado existe, mas deve ser consequência, que fique bem claro isso sobre o que penso. Aliás, essa é grande diferença dos artistas para as outras profissões: antes de ser profissão, ser artista é um jeito de estar no mundo, é um posicionamento frente as coisas desse mundo e, sem isso, acho que as coisas - na arte - não fazem completo, intenso sentido; vira mais uma fábrica de objetos, comportamentos e modismos dessas que a gente já está cansado de ver. Mas, voltando: quero continuar explorando o espaço não institucional - a vida em geral, que pulsa fora da instituição - como local de inserção das minhas performances e como forma experimentar mais e mais esse meu deslimite entre a vida e a arte. A longo prazo, espero ter o meu próprio espaço de exibição, como se fosse a casa da minha arte, com as especificidades técnicas e poéticas que o meu trabalho pede. Quero que seja um local onde as pessoas sabem que lá vão encontrar meus trabalhos, meus cursos, materiais informativos em geral que eu produzir etc. Na verdade, essa é minha dica para os jovens artistas: batalhem e criem seus próprios espaços com a cara de vocês. Já a curto prazo, quero investir na internet como uma espécie de vitrine/biblioteca no qual eu guardo/exponho as informações e as compartilho com qualquer pessoa que tiver um computador e acesso a internet. É mais ou menos isso que estou pensando para daqui por diante...

    8. Davi Flores

      Difícil dizer do que gostei mais, Rafa. Eu diria que, cada uma, me tocou de uma forma diferente. A exposição da Yolanda Mohalyi (de 05 de dezembro de 2009 a 21 de fevereiro de 2010, na Pinacoteca, em São Paulo) é interessante mais pela parte histórica, como o trabalho dessa artista se desdobra entre o que poderíamos talvez chamar de período moderno e pós-moderno da arte e como é construído seu trabalho na abstração. É do tipo de exposição importante para uma contextualização e experiência visual mais real com aquilo que a gente estuda nos livros, bate-papos ou faculdade. Já Julião Sarmento (de 28 de novembro de 2009 a 07 de fevereiro de 2010, na Estação Pinacoteca, em São Paulo) é uma exposição mais atual e trata do que um artista, ainda vivo e, talvez, afetado por esse viver atual, tem a "dizer". Nesse sentido, meu olhar se interessa um pouco mais para a produção artística mais atual do que para os grandes nomes, como a Yolanda. Eles são de suma importância, já que o que foi "dito" precisa, muitas vezes, ser relembrado e repensado. Mesmo assim, como já disse antes, tenho medo que uma nostalgia alienante nos impeça de percebermos - de preferência de olhos e coração abertos, sem preconceitos - as coisas que estão aqui no nosso presente. Porém, no "Opiniões de Davi Flores" do FACEBOOK, os asteriscos que dou às exposições que vi levam em consideração muito mais que um gosto meu, mas uma importância em termos de estudo, ineditismo da exposição ou mesmo uma oportunidade esperada há muito tempo e que muito provavelmente demorará a se repetir em São Paulo ou no Brasil em geral. Nesse sentido, os asteriscos variam muito, mas é uma forma de manifestar um pouco minha opinião e de abrir, na parte "Comentar" de casa mensagem, um canal para que outras pessoas deem seus astericos para as exposições que eu mencionei ou para outras exposições que elas visitaram.

    9. Davi Flores

      Não. Tenho somente respondido as perguntas enviadas pelas pessoas, embora eu ache essa ideia bem ironicamente interessante.

    10. Davi Flores

      Todos esses nomes e conceitos estão no passado por uma questão apenas de tempo e espaço e são importantes de alguma forma para a construção do que entendemos hoje por arte, performance e deslimite entre vida e arte. Nesse sentido, estão muito mais "presentes no presente" do que se pensa. O que não podemos é viver de imobilizadoras nostalgias, deslumbres alienantes e bateção eterna de palmas a legados. Precisamos, acima de tudo, viver, pensar, repensar o presente e produzir com o que temos hoje, com as experiências e implicações do nosso hoje. Não esqueçamos também que muitas coisas importantíssimas daquela época devem ter acontecido e não foram mencionadas, creditadas, contadas e validadas pelas intituições e historiadores. Isso nos ensina a poder olhar nas entrelinhas, olhar o que aconteceu e ainda acontece nas bordas ou no lado de fora do sistema de arte, dando assim a devida menção e reflexão sobre elas.

    11. Davi Flores

      O meu trabalho em geral tem muito a ver com minha vida. Nem sempre como uma autobiografia integral, mas parte muito do que eu vivo. A performance surgiu dessa minha vontade de "dizer" ao outro em tempo real o que penso, acredito e vivo, sem que com isso eu precisasse de um objeto (desenho, pintura, escultura etc) mediando esse processo. Além disso, essa relação de ruptura e subversão, de "é/não é" e de "vida/arte" da performance me interessa muito; ficar no entre. Diferentemente de uma palestra, a performance é uma forma de eu "dizer", porém dentro do âmbito da linguagem poética. Isso me abre um leque bem maior de possibilidades de comunicação. Outra coisa que me interessa é saber que meu corpo é incitador de uma situação que é vivenciada, a princípio, apenas por mim, mas que, ao ser compartilhada com o outro (em tempo real para quem vê o trabalho ou em vídeo para quem não vê o trabalho no exato momento), faz com que esse outro se torne automaticamente cúmplice desse processo. Além disso, o laço de autoria, do "isso tudo que estou mostrando vem de mim" é muito forte na performance, acredito (isso para os artistas que tem o seu próprio corpo como incitador do trabalho), e isso é importante para mim, menos por uma questão de orgulho ou ego e mais por uma postura de assumir o mais próximo possível aquilo que eu proponho; mostrar a cara. Quanto às minhas referências, Marina Abramovic não pode faltar, menos pelo seu trabalho (embora eu também goste de suas ações), mas mais pelo que ela pensa e viveu sobre performance, sua postura inteira com relação à linguagem e a responsabilidade que ela tem não só enquanto artista, mas enquanto expoente dessa linguagem artística. Já em relação aos trabalhos, Gina Pane de longe é minha favorita. Os registros de seus trabalhos são lindos e lindo também é o jeito como ela cria poesia daquilo que é dor, é sacrifício, é estranho. Aqui no Brasil, sem dúvida alguma, minha preferida é Márcia X, com trabalhos não só delicados, mas politicamente inteligentes e com uma pitada bem peculiar de bom humor. Já dos mais contemporâneos, gosto de alguns membros Coletivo Osso (em especial, Rose Boareto e Zmário), de Alexandre Vogler, de Yuri Firmeza, de Marcos Paulo Rolla, de Michel Groismann, de Lia Chaia, de Maurício Ianês e de Deyson Gilbert, citando alguns aqui do Brasil.

      Para finalizar, costumo dizer assim:

      "Algumas coisas precisam ser feitas e ponto. Só isso: eu vou e faço."

      É isso!

    12. Davi Flores

      Pode ser tudo isso ou nada disso ou tudo isso junto e mais um pouco. Eu acho que o amor é uma experiência muito particular de um querer bem ao outro (não só pessoas, mas tudo aquilo que é externo a nós) e a si próprio. Uma experiência bem particular de estar em harmonia com o mundo e, de tão bem que se está, de tão bem que as coisas juntas estão, querer que tudo e todos possam compartilhar de toda essa coisa boa de forma a, em comunhão, tudo isso se potencializar em mais e mais amor, felicidade ... Entende?

    13. Davi Flores

      O bem. O bem me sustenta. E, a cada dia que passa, sustento a esperança de o bem ser menos uma utopia ou um ideal ou um clichê espírita cardecista ou qualquer coisa que venham a dizer, mas de se tornar uma máxima factual na vida das pessoas, assim como o amor e todas as outras coisas boas que realmente fazem a diferença na vida de todos, de tudo.

    14. Davi Flores

      O FORMSPRING é uma forma bem divertida e fácil das pessoas, anonimamente ou não, conhecerem um pouco mais sobre você em vários sentidos. Ao passo que as perguntas são respondidas, elas são automaticamente publicadas no seu "mural" e isso serve se informação para que qualquer visitante do seu "mural" conheça um pouco sobre você sem ter que necessariamente perguntar algo. Caso queira, esse mesmo visitante pode fazer uma nova pergunta ou esmiuçar determinadas questões já publicadas. Eu sinto o FORMSPRING meio como uma entrevista que está sempre em construção e gravada para que seja acessada, de qualquer lugar, sempre que alguém quiser. Tenho sugerido que as perguntas sejam focadas sobre minha carreira artística, mas não censuro quaisquer outros tipos de perguntas. Porém, no caso de artistas, um foco para as perguntas ajuda a criar um canal para que curiosidades e determinados aspectos do trabalho desse artista sejam compartilhados.

    15. Davi Flores

      Primeiro: se eu souber quem você é (mas, isso não garante muita coisa). Segundo: se eu tiver maior certeza que esse sentimento é recíproco (você gostar e mim e eu gostar de você também).

    16. Davi Flores

      Bem, parecido talvez. Igual, nunca. Mas, apenas por uma questão lógica: cada ser humano é único em todos os sentidos. O que podemos é nos espelharmos naquilo de bom que os outros nos trazem como lição, sempre tendo uma visão crítica a esse processo. Logo, se de alguma forma eu puder contribuir para desencadear algo saudável em alguém, fico lisonjeado. Mas, de resto, no fundo no fundo nosso último refúgio somos nós.

    17. Davi Flores

      Vou ligar o modo "convencido" e dizer: "Eu sou assim naturalmente"... rs Bem, estou brincando, mas, na verdade, o que eu tento é poder dar à vida o melhor de mim enquanto ser humano. Isso inclui, obviamente, uma relação saudável com todas as pessoas ao meu redor. Contudo, funciona assim: você vem com uma pedra e eu venho com uma rosa; você vem com uma rosa e eu venho com um ramalhete cheio de rosas. Tampouco sou ingênuo: seleciono bastante quem fará parte do meu círculo de amizades, sem que isso signifique que os que não fazem parte desse círculo sejam tratados de forma muito diferente. E, como com bom fã de Jesus Cristo (independentemente de religiões), essa máxima sempre caminha comigo (uma grande lição e, ao mesmo tempo, um grande desafio): "Amor o próximo como a si mesmo". É isso!

    18. Davi Flores

      Não sei se foi bem uma decisão. Acho que foi mais um desembocar de escolhas. Minha história começou na Moda, com a minha formação livre em desenhista de moda e vestuário e um semestre frustrado do curso de Design de Moda. Entrei em crise porque tudo que eu fazia no Design de Moda era entendido como "conceitual" e "não vendável". Eu batia o pé e achava que tudo estava muito atrasado e que a Moda precisava de uma repaginada, uma mudança de valores e que o meu trabalho deveria contribiur de alguma forma para isso acontecer. Ao conhecer o sistema de Moda mais de perto, percebi que, se eu queria operar uma "revolução", não era de dentro de lá. Aí, eu fui embora porque quis preservar meu tesouro: meus sonhos, minha poesia e minha ideologia. Foi aí que eu encontrei o curso de Artes Visuais. Um leque de outras formas de expressão me foram apresentadas e tudo aquilo que eu pensava e queria fazer tinha mais sentido ali. Foi lá que entendi que Moda era apenas mais uma linguagem dentre outras que eu podia utilizar e que, no fundo, o que eu queria, acima de tudo, era dar vazão, apresentar o que penso e sinto sobre as coisas do mundo. De certa forma, sinto que errei em ter começado de fora para dentro (da matéria para a poética) e que deveria ter investido, desde o começo, de dentro para fora (da poética para a metéria). Você pode aprender a costurar, cortar, fazer modelagem; usar aquarela, guache, tinta óleo, carvão etc; mas, fazer Arte mesmo, ter o que dizer ao mundo, ninguém te ensinar. Eu precisava era entender melhor, organizar as coisas que borbulhavam dentro de mim e foi no curso de Artes Visuais que eu consegui fazer isso. Bom, foi um risco que eu corri, pois conhecia pouco do curso, mas valeu muito a pena.

    19. Davi Flores

      Só pelo MSN e Facebook, Rafa. Nos vernissages e encontros pela vida, temos trocado algumas ideias; o necessário. Além do mais, o jeito de cada um de nós lidar com seu próprio trabalho e ver a arte tem nos separado um pouco sim, confesso. Acho que é isso!




      "As palavras certas podiam ainda salvar a humanidade."

      (Ana Rüsche, do livro RASGADA)

Davi Flores

São Paulo, SP

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