QUESTIONS?

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    1. Julia

      julia, as coisas ficam menos complicadas qdo a gente sai daq adolescencia?

      Mais ou menos. Gostaria de te dizer que sim, mas não é totalmente verdade; quando a gente sai da adolescência as contas começam a chegar no teu nome, checar a tua conta bancária a cada 20min em época de pagamento se torna rotineiro, e quando o chuveiro queima no meio do banho tu para e percebe que cabe a ti, e a ti somente, e a mais ninguém sobre esta terra, a função de se secar rapidinho, botar uma roupa, correr pra ferragem mais próxima e comprar uma resistência. E espera só eu te falar sobre como é que se BOTA uma resistência. Eu tenho medo. Até agora não caiu sobre mim a obrigação de trocar a resistência, mas, gente, que medo, que medo, que pânico.

      Mas muita coisa merda específica da adolescência vai embora. Não tem mais escola obrigatória. Não tem mais dividir sala com gente que não quer as mesmas coisas que tu e nem está particularmente entusiasmado/a com a tua existência. Não tem mais não poder fazer o que quiser (aliás, tem, mas aí é porque tu não tem dinheiro. Agora, vamos combinar que há muito mais dignidade em não comprar um Wii porque não tem dinheiro do que porque os pais não deixam. Você ganha mais likes no Facebook quando reclama de estar fodida/o sem grana do que quando fala mal dos pais). Tu te descobre capaz de resolver as próprias coisas; ter as responsabilidades acima é ruim por um lado, mas maravilhoso por outro, porque tu percebe que tem a tua vida nas tuas mãos tanto para mal quanto para bem. E aí tu aprende a lidar com coisas que antes te pareciam impossíveis e inaceitáveis.

      Eu não sei se as coisas melhoram, até porque estou na Vida Adulta™ há pouco tempo, nem recebi ainda meu crachá. Acho que elas não ficam MENOS complicadas, mas que tu ganha mais experiência e coragem para lidar com as complicações que vêm por aí. É passar de Togetic, passarinho franzino, de base stats terríveis e uma das piores movepools do universo, a Togekiss, pássaro robusto, admito que meio esquisito mesmo, mas com stats admiráveis por padrão e capacidade de unir os melhores ataques do mundo Pokémon em seu expertise.

      <3

    2. Julia

      Julia, vejo vários amigos falando de pokemón e me parece interessante. Queria começar a jogar, mas não sei nada. Nadinha mesmo. Qual game é o melhor, se dá pra iniciar no jogo sem base alguma, e ah, tô me sentindo uma boba com essa pergunta. :|

      Relaxe, querida! Nós vamos te ensinar...

      Pra poder jogar um Pokémon, basta saber o seguinte: você tem um bonequinho ou bonequinha. Tu começa o jogo falando com um professor (na quinta geração, professora). Ele vai te mandar escolher um bicho entre três. Escolhe o que tu achar mais bonitinho, mesmo - faz pouca diferença pra quem é iniciante. Aí tu vai sair andando por aí e treinando esse bichinho. Pra treinar, basta lutar e vencer ou ele estar na luta que outro bicho teu venceu. Ele ganha pontos de experiência e vai subindo de nível (o level). Tu vai ter Pokeballs e vai usá-las pra capturar mais desses bichinhos. Com o tempo, tu vai notando sozinha o que presta e o que não presta treinar. 98% do jogo é tentativa e erro: tu vai descobrir que tem que botar Cut num bicho que seja ruim mesmo, porque é um ataque péssimo, por exemplo. Vai descobrir na marra o melhor jeito de ganhar dos líderes de ginásio. Porque, sim, durante o caminho pelo continentezinho do jogo tu vai ter que enfrentar 8 líderes de ginásio e depois 5 super-treinadores, que são a Elite 4 e o Campeão da Liga. Ou seja, são 13 treinadores mais fortes do que a média. E, até o fim, tu vai periodicamente lutar contra o rival, que vai ter sempre o bicho com poder sobre o que tu escolheu. Peraí, poder sobre? É que todos os bichos (exceto dois, entre os 649) têm pelo menos uma fraqueza e pelo menos uma força sobre outro tipo. Cada pokémon tem um ou dois tipos, que combinados geram relações de fraquezas e forças. Por exemplo: os golpes de água dão dano duplo nos Pokémon que são fogo, enquanto os golpes elétricos dão dano duplo nos Pokémon que são água, e por aí vai (mas te prepara, porque tem umas relações absurdas: por exemplo, por algum motivo tipos LUTADOR dão dano duplo nos tipos DARK. Wtf?). Muita coisa tu aprende sozinha. Eu sugiro, se ficar difícil, ir no GameFaqs e procurar o jogo que tu escolheu.

      Sobre os jogos:
      Há 5 gerações. Cada geração tem mais ou menos 100-150 bichos novos e traz um novo continente. São elas, em ordem:
      Red, Blue e Yellow / Fire Red e Leaf Green - a primeira geração, a dos 151 originais. Tem o professor Carvalho do desenho. Na Yellow, teu inicial é o Pikachu; nas demais, tu escolhe entre Charmander (fogo), Squirtle (água) e Bulbasaur (grama). É o continente de Kanto. Red, Blue e Yellow são pra GameBoy/GameBoy Color. Fire Red e Leaf Green são remakes que foram feitos muito, muito mais tarde, para o GameBoy Advance. São emuláveis, há vários emuladores confiáveis de GameBoy. Se tu tiver um DS ou DS Lite, pode jogar Fire Red e Leaf Green com as fitinhas originais. Eu aconselho a começar, caso seja a geração que tu mais curta, pelos remakes: são mais completos, mais bonitos e os Pokémons não são TODOS IDÊNTICOS.

      Gold, Silver e Crystal / HeartGold e SoulSilver - a segunda geração e a preferida de muita gente. Tem uma surpresinha (não tão surpresa, hoje em dia, mas pra ti vai ser - por favor, não procura nenhum spoiler!) no final. Tu escolhe, em todas, entre Cyndaquil (fogo), Feraligatr (água) e Chikorita (grama). Gold, Silver e Crystal saíram pra GameBoy Color também. HeartGold e SoulSilver são remakes pra DS, e são meus jogos favoritos: pra mim, é de longe o jogo mais caprichado e maravilhoso. Eu tenho mais de 150 horas jogadas e não me arrependo de nada.

      Ruby, Sapphire e Emerald - a terceira geração, que saiu pra GameBoy Advance. Tu escolhe entre Mudkip (água), Torchic (fogo) e Treecko (grama). Está se falando em um remake pra Nintendo 3DS - eu espero que tenha. Foi meu primeiro jogo de Pokémon. Se for jogar, aconselho a pegar o Emerald, que é a versão que saiu depois. Eles sempre lançam duas versões primeiro e uma extra, da mesma geração, com coisas muito mais legais (na primeira, foi a Yellow, e na segunda, a Crystal).

      Pearl, Diamond e Platinum - a quarta geração, pra Nintendo DS. Como todas, tu acha emulador fácil pra jogar. Tu escolhe entre Turtwig (grama), Piplup (água) e Chimchar (fogo). A Platinum é a terceira versão que sai depois e mais completa.

      Black e White - ainda não saiu a "grey", hahaha. Tu escolhe entre Oshawott (água), Snivy (grama) e Tepig (fogo). Não joguei inteira, mas zzzzzzzzz, viu? Joguei 30min e só queria dormir. Mas provavelmente é implicância, porque NÃOCONSIGO.COM.BR/NÃOMESMO abrir mão da SoulSilver.

      De resto: www.serebii.net
      Boa sorte, bom jogo e espero que vicie tanto quanto eu viciei <3

    3. Claudine Zingler

      amo seu cabelo e seu alargador, sua perfeeeeeeeeita!

      Awwwww! Um anônimo querido, volte aqui <3 hihi. Muito obrigada!

    4. Julia

      Tu desde pequena já tinha uma visão ateísta?

      Me lembro de ter usado a palavra ateia (ateísta é tão mais bonito, né? Vou usar) pra falar de mim mesma quando tinha uns dez anos. Eu entendia essa coisa de rezar da mesma maneira que entendia heterossexualidade: eu não concordava, eu não tinha a ver com a coisa, mas tinha entendido que SÓ PODIA ser desse jeito, então rezava e imaginava que ia casar com um príncipe encantado etc. Lá pelos 8 ou 9 anos eu comecei a me tocar que, pelo menos quanto a religiões, não tinha obrigação alguma. Demorou um pouco mais pra aceitar que não havia nada de errado ou incomum em não crer em deus. Hoje, estou tão habituada a isso que seguidamente vou falar algo e penso "CARALHO, MAS E SE ESSA PESSOA ACREDITA EM DEUS" e pergunto antes. hahaha (Coisa que, aliás, eu ADORARIA que mais religiosos fizessem por ateus/agnósticos...)

      Na realidade, sou muito mais agnóstica apática do que ateísta. Não ACREDITO que haja alguma coisa, mas não é que eu acredite que não haja - deu pra entender? Pra mim, acreditar em algo seria ter um esforço consciente, e eu simplesmente não faço esse esforço. Não ligo. Não me preocupo. Não filosofo. Realmente penso que se tiver um deus ou deuses ou algo assim vou descobrir quando necessário for; e, até lá, não vejo razões pra querer descobrir. Acho mesmo que o conhecimento certeiro sobre essa questão nunca vai chegar até nós e mamãe sempre me disse: o que não tem solução, solucionado está!

      Uma ou duas semanas atrás, na aula amor-no-coração de Literatura Portuguesa, um cara foi falar que achava que o Saramago desrespeitava religiosos em O Ano da Morte de Ricardo Reis. Até aí, indiferença total da minha parte (mas quando ele começou a falar mal do Saramago, juro pra vocês, umas três pessoas se levantaram como se ele tivesse dito "PAU NO CU DA SUA MÃE" e agredido a professora). Aí ele se meteu a falar que "essas pessoas que trocam deus pela ciência..." e aqueles clichês a que estamos, quem é ateísta/agnóstico/afins, bem acostumados: na hora do aperto sem dúvida ele acreditou em deus, quando morreu deve ter pensado em deus, blablablá. E a verdade, cara, é que eu nunca penso em deus. Nunca mesmo! Quando estou andando sozinha à noite num lugar perigoso eu penso no meu tio que era da polícia ou em ver se tem mais gente por perto. Quando pareceu que minha mãe ia ser demitida, pensei que a gente ia se foder, não me ocorreram forças divinas. Enfim, em todos os problemas que tive (e, como alguém que já teve bem mais crises de pânico do que a maioria das pessoas, posso dizer que foram graves o suficiente), deus nunca me passou pela cabeça. Nessa ocasião da aula, eu virei pro cara e disse: "Colega (sou favela), não me leva a mal, mas não troco deus por nada. Nunca senti deus na minha vida pra trocar ele com algo. E pela ciência, principalmente! Eu não durmo com um Origem das Espécies na cabeceira da minha cama". Porque pra mim é isso. Deve ser estranho pra quem tem deus muito presente na vida entender que haja pessoas que NUNCA JAMAIS dispensam uma única sinapse aos mistérios do universo, mas garanto: acontece. E elas vivem bem. E elas simplesmente não se importam. E não há nada de anormal nisso.

      (Gente, nem sabia que ia acabar escrevendo tanto pra essa pergunta. Apagar as outras 200 e caralhada fez um efeito e tanto! Recomendo! Agora me mandem mais perguntas legais!)

    5. patrick

      qual seu filme favorito do high school musical?

      aquele que não existe

    6. Julia

      Poste a foto de um desenho feito por você, pode ser caprichado ou apenas rabiscos, não importa.

    7. Renuska Celidonio

      curte praia?

      Muito. Mas não suporto aquela coisa de "centrinho lotado", carros tocando funk e mofar no sol atirada na areia. asudhasuygds
      de resto, é a coisa mais afudê do mundo.

    8. Ana (nome fictício)

      Que que eu faço pra ganhar teu coração?

      solicite o transplante depois da minha morte

    9. Lenise Câmara

      ja sofreu algum trauma por causa de amor?

      seria mais fácil perguntar quando isso não aconteceu

    10. S. Spielrein

      self-harm é coisa de fracassado que nunca vai nada na vida -.- esse twloha é mta babaquice, tinha é que deixar se matar mesmo

      Antes de mais nada: Eu espero que um megazord de pedra sodomize-lhe com areia.

      Depois, existe toda uma diferença entre self-harmers e suicidas; nem todo suicida é self-harmer, nem todo self-harmer é suicida (a imensa maioria, sim, mas não todos.); e ser suicida ou self-harmer, ou bulimico,depressivo, dentre outrios tipos que nós apoiamos no TWLOHA, não é uma opção. Você não acorda de manhã e pensa "putz, que vontade de ter vontade de morrer acima de tudo." ou "nossa, que vontade de nunca estar em paz com meu corpo...e querer vomitar e ficar DUAS SEMANAS SEM COMER, apenas bebendo água" como foi um caso que eu acompanhei.
      São questões que envolvem traumas e pontos químicos.
      Não são coisas que as pessoas realmente podem controlar e/ou evitar.
      Depressão não é tristeza. É algo que a felicidade não cura, por quê passa a não existir. Ninguém "tem" depressão. As pessoas "sofrem" de depressão.
      Bulimia não é questão física. É psicológica. Gerada sabe por quem ? Por gente que nem você. Gente que não entende que quando você fala pra uma pessoa que ela é "gorda, nojenta, uma porca", pode acontecer o seguinte: ela chega em casa, chora durante horas, se corta, e no dia seguinte decide mudar: para de comer por dias a fio. E quando a fome aperta, chupa gelo ou bebe água. Se não suportar a fome, se corta, pra focar na dor do corte, e não no estômago.
      Gente que não entende que quando diz "Se mata." pra uma pessoa com tendências suicidas, essa frase pesa 20x mais do que cada "Não faz nada contra você" que se receber de um amigo. Ou nem de um amigo, de um ser humano qualquer com um mínimo de empatia.

      O TWLOHA é formado disso. De gente que tem empatia e quer mudar alguma coisa. Infelizmente os heróis do séc. XXI não são os que impedem que as pessoas sejam mortas, são os que impedem que elas se matem. Sem contar que lá a gente não senta e fala "tudo bem você se cortar, dá cá um abraço". Todo mundo sabe que se cortar não é bom, cazzo. Estamos lá pra evitar isso. E muitos membros são ou eram self-harmers, suicidas, depressivos, bulimicos...e justamente por isso, entendem e querem ajudar; querem salvar as pessoas delas mesmas.

      Mas pra mim, muitos suicídios são assassinatos. As pessoas não se matam por nada. As pessoas são mortas por gente que nem você.

      E sobre nunca ser ninguém na vida... não tô dizendo que se cortar vai levar alguém pra frente, NÃO VAI, mas se cortar não é sinal de fracasso futuro.
      Bom, pelas minhas contas, Angelina Jolie e Johnny Depp ganham mais dinheiro em um mês do que eu vou ganhar em toda a minha vida, e são simbolos sexuais, além de terem as bolas babadas por milhões de pessoas.

      Lady Di foi uma princesa em todos os sentidos da palavra, era conhecida pela simpatia e carisma, todos se abalaram com a sua morte.

      Guess what.

      Eles se cortavam.

      Assim como Courtney Love, Marilyn Manson, Sid Vicious, Amy Winehouse, Colin Farrell,Drew Barrymore, Fiona Apple,Brody Dalle, Richey Edwards, Jessicka Addams, Kelly Holmes, Alfred Kinsey, Shirley Manson, Christina Ricci, Amy Studt, Elizabeth Wurtzel.

      E eu, pessoalmente, não desejo que você morra.
      Desejo só que um dia você queira muito, mas muito mesmo, morrer.

    11. Ana (nome fictício)

      o que vc faz quando ta apaixonada?

      Eu sou a melhor apaixonada, sério. Eu fico muito boba, muito tolinha, rindo a toa. Qualquer coisa é razão pra lembrar do tal. Qualquer palavra, qualquer situação, tudo, eu consigo enfiar o maledito na história. Eu olho pra qualquer porta pública esperando que ele apareça, eu vejo ele em outras pessoas na rua, eu o procuro na rua. Eu fico imaginando como a situação seria melhor se ele estivesse lá. Imagino diálogos. Imagino situações. Imagino como eu posso me arrumar pra agradá-lo. Qual o melhor ângulo pra que eu sorria pra ele. Qual o esmalte. Qual o jeito de não jogar na cara dele que eu estou doida por ele. Falo dele o tempo todo pra quem estiver interessado a ouvir. Escrevo textos. Ouço Chico Buarque como se minha vida dependesse disso (tô ouvindo agora, inclusive, e tô sorrindo). Sorrio muito. E, por pior que meus dias sejam, por mais cansada, exausta, moída, destruída, desolada que eu esteja, eu deito pra dormir e penso nele e fico feliz e começa tudo de novo. Acordo pensando e vou dormir pensando. É muito bom. Não sei como alguém consegue achar esse frio na barriga, esses arrepios, esse tesão todo e essa adrenalina absurda constante uma coisa ruim. Sério.

    12. Lucas

      cenas de desenhos infantis que tu vê HOJE e tem vontade de chorar

      Toy Story 3 foi tensão.
      Wall-E inteiro.
      Aquela porra de Up.
      Lilo e Stitch.
      Partes de Fantastic Mr. Fox.
      Via Rei Leão e entrava em depressão todo santo dia, hoje não sei.

    13. Julia

      (1) Meu professor de Sociologia veio me dizer - à lá pedantismo! - que a mulher não deveria nunca ter conquistado a liberdade (com relação a sair para trabalhar fora) por que, quando só o homem sustentava a família, a renda estava em torno de 2.500 reais

      (2) e agora que deve-se pagar para a mulher também, o salário diminuiu e as famílias brasileiras não conseguem se sustentar dessa forma. O salário mínimo é a coisa mais porca e menos justa do mundo (levando em consideração o quanto de dinheiro está

      (3) entrando no Brasil), mal dá pra comer com isso, ok, mas dizer que deveríamos continuar em casa, tendo de ser sustentada por um homem, quase me fez vomitar na cara dele. O que acha? Devia ter feito o quê com aquela cara-de-bunda?


      R.:

      Tenho um amigo muito querido que estava numa situação similar. Na aula de Recursos Humanos, por algum motivo que me escapa (ele cursa Administração, ou Biscatnistração, como chamamos), estavam falando sobre estupro e não um, não dois, mas quase todos os colegas dele, entre homens e mulheres, falavam que a culpa era da mulher que se vestia de maneira provocante. Esse meu amigo estava tão visivelmente puto que o professor - professor que traz esses assuntos adora botar uma lenha na fogueira, né? - perguntou: e a sua opinião, Amigo da Julia Cujo Nome Não Será Explicitado Porque Não Sei Bem Se Ele Liga de Ver o Nome Dele Aqui Se Bem Que Falo Dele o Tempo Inteiro Nessa Merda? Ele se levantou e disse: "Me assusta pensar que esse bando de animal vai ter um diploma universitário".

      E saiu da sala.

      E a maioria das pessoas odeia ele até hoje por isso.

      Contei essa história maravilhosa porque é o que eu gostaria de ter as manhas de fazer, e o que eu te recomendaria.

      "Me assusta pensar que um animal como um senhor chegou ao mestrado, professor."

      Vê quando é a tua última matéria com esse cidadão e se joga, porque além de esse argumento não ter um único átomo de lógica alguém que solta uma dessas como PROFESSOR - portanto, alguém com um grau de influência sobre os outros acima da média - não vale a pena. Pelo menos pra mim.

      Foda, véi.

    14. Julia

      gosta de ser gorda?

      Me é indiferente. Caminho 1,5km pra pegar o ônibus pra faculdade todos os dias e subo a lombinha que tem do meu prédio até a saída da FAPA brincando, enquanto quase todo mundo, inclusive quem é mais magro, sobe arfando como se fosse morrer. Não me atrapalha em nada pesar 65kg.

      O que não me é indiferente é que gorda, pra mim, tem outra acepção - ou deveria ter:

      n adjetivo
      1 que tem gordura ('tecido adiposo') ou tem uma quantidade de gordura acima da usual; obeso, cheio, corpulento

      Acima da usual quer dizer acima do que costuma se ver, acima do comum. Ou seja, estar 7, 8kg acima do peso recomendado (precisamente meu caso) não se encaixa nessa definição. 20kg, talvez. Mas oito?

      As pessoas enchem a boca pra me chamar de gorda como se fossem me ofender mortalmente, mas não ofende. O que me deixa vagamente perturbada é que tudo é gordo hoje em dia. Eu peso 65kg e tenho 1,57. Meu IMC é 26. É considerado "sobrepeso", mas não se fala em obesidade. Dez anos atrás, 26 nem sobrepeso era: sobrepeso começava no 27, e o peso normal era entre 22 e 26. Depois, foi pra 21 a 25. Hoje ouço gente falando que é de 20 a 24. O cerco diminui, dá pra notar isso? Enquanto revistas de moda e produtos de dieta vendem tanto que não dá nem pra dizer que estão vendendo que nem água, porque já é mais. Enquanto anorexia e bulimia fazem cada vez mais vítimas. Enquanto gordo virou ofensa mortal. Enquanto gente que não gosta de mim tenta me ferir falando que sou gorda.

      Se quer a minha opinião real, não sou gorda. Não na acepção original da palavra. É que hoje até meu controle USB de PS2 é gordo. Eu não sou magra, bem longe disso, também. Eu sou ok, e tenho que prestar contas à sociedade e responder se "gosto de ser gorda" e se me "atrapalha ser gorda" porque meu rosto é redondo, meu nariz é abatatado, meus braços são cheios (33cm, salvo engano), minhas coxas são grossas (63cm) e minha bunda é grande (105cm). Mas, sabe? Grandes coisas. Não é ouvir "sua gorda" que vai mudar em um pouquinho que seja minha auto-estima. Não me custa nada abraçar um rótulo que não me cabe, esse do gorda. Abraço então, que seja. Só aponto as consequências disso.

      Saber que tem gente que olha pra isso http://bit.ly/vx4kSy e entende isso http://bit.ly/tnl2Lc não me ofende. O que me fere é saber que qualquer um dos dois é terminantemente proibido, e quem está fora precisa inventar uma boa desculpa pra não emagrecer, ou precisa disfarçar, mas precisa se adequar a uma sociedade que quer ser cada vez mais esbelta, mas não consegue porque não há lógica alguma em exigir magreza de 7 bilhões de corpos diferentes - alguns, aliás, que estão definhando de fome, enquanto as indústrias que falam em nossos corpos estão esbanjando dinheiro.

      Isso dito, vou preparar meu almoço e comer bolo de chocolate, porque afinal não sou obrigada. <3


      P.S.: talvez você tenha feito a pergunta na maior das inocências, mas duvido. Então, caso tenha vindo aqui com má intenção, enfia uma receita de gelatina light no cu e prepara com movimentos peristálticos, porque você é uma merda de ser humano por tentar infringir dor falando de mim sobre o meu corpo.

    15. Julia

      quais teus joguinhos em flash preferidos? (tô pensando em abrir um clubinho pra fanáticos por robot unicorn attack)

      BEJEWELED. Não há coisa nesse planeta que seja mais viciante que Bejeweled. É tão viciante que eu aprendi a escrever esse nome absurdamente difícil. Sou chegadíssima num joguinho de lógica e Bejeweled associa lógica com CLIQUE NERVOSO, que é a minha modalidade favorita dentre jogos de flash: gosto de poder clicar louca e linda pra resolver meus problemas.

      Gosto de Angry Birds, mas nada assim, ó, meu deus, gastei toda a bateria do celular em 25min. Até porque meu celular não pode ter Angry Birds.

      A série Wario Ware nada mais é que uma coleção de joguinhos em flash, certo? Pois é, tenho que passar longe, se encosto no negócio nunca mais largo, e olha que sou ruim - nunca passo da fase 35, 36, por aí.

      Plants vs. Zombies também é, a rigor, um joguinho em flash - tanto é que tem nesses sites aí de jogos e meu sobrinho de 6 anos tenta jogar e até que se vira decentemente (me parece um pouco complexo demais pra 6 anos de idade, mas deixa mais um ou dois passarem).

      E tem, claro, os de Neopets, que nada mais são que cópias de outros jogos, principalmente os da PopCap (a empresa que criou Bejeweled e Plants vs Zombies). De lá, adoro Meepit Juice Break - chego nos 4 mil pontos na zua e não tenho falsas modéstias. Jogava muito Hasee Bounce. Eu e o @poisony3k tínhamos a seguinte técnica: sobrecarregando o computador, o jogo ficava mais lento e as frutinhas apareciam todas juntas. O lance é que, quando tu pegava mais de uma frutinha, o valor da última era multiplicado pelo número de frutinhas que tu pegou antes. De modo que tu podia pegar a Rainbow - que valia, salvo engano, 40 pontos - valendo até 120, por exemplo. Com o tempo, o código foi alterado, de modo que mesmo que tu abrisse Skype com conversa de vídeo e Photoshop ao mesmo tempo não ia dar pra fazer essas safadezas. E aí nós compramos um computador foda e passamos a poder jogar coisas no naipe de um Crysis - não que tenhamos nos prestado a jogar jogos decentes. Continuamos nos empolgando com Sudoku Online.

    16. Julia

      Essa revolta toda da USP obviamente tem muito mais a ver do que apenas a parada da maconha, né? Poderia citar mais algumas coisas que aborda?

      Começou basicamente porque a polícia é abusiva. Isso não é novidade pra ninguém: a polícia do Brasil é a que mais mata no mundo e punição física não começou semana passada, não começou na ocupação da USP. A polícia abusa do poder desde sempre e todo mundo sabe disso; tanto sabe que, quando protestos acontecem, a primeira coisa que eu vejo é reaça gritando "CADÊ A POLÍCIA PRA DAR UM PAU NESSA GENTE?". Porra. Eu não consigo entender que haja um mundo em que as pessoas TORCEM pra polícia - que está aqui pra nos proteger e nos servir! - dê um pau... NA GENTE! Porque sim, pode ser você amanhã. E nem precisa fumar maconha pra isso. Na real, maconha foi o menor dos problemas - mas foi o mais amplamente divulgado para ter o apoio do grande público, que agora só consegue repetir incessantemente "Mas são maconheiros brigando por maconha!".

      Aqui alguns textos bons sobre o assunto escritos por pessoas que ESTAVAM LÁ, e algumas inclusive eram CONTRA a ocupação:
      http://on.fb.me/umV8oj
      http://on.fb.me/ta2eKm
      http://on.fb.me/saKkfF
      http://on.fb.me/uQywwg
      http://on.fb.me/sA19uQ
      http://on.fb.me/tiKbSN

      E alguns comentários extras:
      http://bit.ly/vNpXlJ
      http://bit.ly/vBxfGb
      http://bit.ly/titpMg
      http://bit.ly/u7bdYp
      http://bit.ly/sjyUqk (esse é o que eu menos concordo, mas estou tentando pegar visões tão abrangentes quanto eu achar)
      http://bit.ly/w0ZoLv

      E é isso. Na real, só o que eu fiz até agora foi ler sobre o assunto e fiquei chocada quando percebi, no Twitter, a insistência das pessoas em falar da maconha. Eu nem tinha OUVIDO FALAR direito da maconha desde que as primeiras notícias saíram. Era o menos mencionado por ser o menos importante. Veio um cara saído sei lá de onde querer bater boca comigo e não aceitou que eu não quisesse discutir com ele (como vou discutir com alguém que acredita nos jornais enquanto não acredito? Não é possível ter um diálogo assim, nos baseamos em pontos de vista diferentes), tentou até me ofender pessoalmente e o meu blog (sei lá de onde ele tirou que meu blog pessoal fala de política...). É uma bateção de tecla assustadora, um DESESPERO por estar certo, uma vontade louca de protestar e gritar e espernear sobre isso e aquilo e "eu li no jornal". Não estou entendendo, palavra.

    17. Julia

      O que tá achando da situação na USP?

      Acho o seguinte:
      1. O estado de São Paulo tem um apreço impressionante por gastar força policial contra protesto e estudante, né? Me choca isso. Quem vê as fotos da polícia na USP e não sabe do que se trata jamais ia adivinhar que é repressão por causa de protesto estudantil...

      2. Muitas amigas e conhecidas minhas comentaram que queriam que tivesse PM nas faculdades DELAS, porque é perigoso pra cacete. Concordo. Se houvesse segurança onde eu moro, não precisaria gastar uma grana que nem tenho pra voltar de van da faculdade só porque o ônibus mais próximo me deixa no meio de um cruzamento tenso, a 600m da minha casa. Porém: uma coisa é proteção policial. Outra coisa é repressão policial. Há uma diferença. E a Polícia Militar ficou famosa pelo segundo, não pelo primeiro.

      3. Se você desmerece o protesto só porque em algum momento ele teve a ver com maconha, você já está errado na discussão. Ponto. Não vou discutir com você. Não adianta insistir.

      4. São ricos? Meus amores, vocês realmente esperaram até agora pra serem informados de que universidade pública, no Brasil, é destinada a quem tem dinheiro e não a quem não tem? É CLARO que vai ter moletom da GAP e carrinho importado. Por causa de várias características do nosso sistema educacional, tirando alguns cursos (que por serem mais fáceis de passar estão menos preenchidos por gente com grana), todas as universidades públicas têm alunos com essa realidade. Isso acontece há anos. É babaca desconsiderar o que eles têm a dizer só porque são ricos. É engraçado que eu só vi algumas pessoas falarem mal do pessoal do USP mencionando atitudes erradas feitas por eles (como um amigo meu, que estava falando que a ocupação da reitoria foi votada na FFLCH e, embora a maioria tenha votado contra, uma porção de alunos foi pra lá desrespeitar a decisão)... só estou ouvindo o blablablá "mas são maconheiros" e "mas são vagabundos".

      5. Se alguém aqui tiver UM POUQUINHO de conhecimento que seja sobre o movimento estudantil SABE que ele não é bem visto por nenhum órgão do Estado. HÁ uma repressão maior com estudantes, especialmente os ligados ao movimento. E todo mundo só prova isso cada vez que diz que são tudo vagabundo. Eu não sei se rio ou se choro toda vez que vem camarada pro meu lado falar que esses estudantes precisam arrumar um emprego e deixar de ser vagabundos... ainda mais quando isso é dito no Twitter.

      6. Todo mundo sabe que porte de maconha é contra a lei. O protesto começou pela forma que foi feita a apreensão, não POR ter sido feita a apreensão. Como eu disse, a polícia É violenta, ESPECIALMENTE com estudante e ESPECIALMENTE no estado de São Paulo e qualquer pessoa que já tenha ido ou conheça quem foi a manifestações pacíficas sabe disso.

      7. Tá acontecendo, por fim, uma parada que acontece sempre: as pessoas leem o que acham mais fácil de ler. Estão falando da maconha sem procurar entender o que aconteceu e onde é que maconha entra. Estão falando mal dos estudantes sem ouvir os alunos da USP que estão divulgando informações no Facebook e no Twitter. Estão, por fim, preferindo inferir o mais fácil de ser inferido. Não é mais bonitinho dizer pra todo mundo que esses maconheiros sem vergonha te fazem ter nojo da classe estudantil? É. Então bora!

    18. jun

      jun, vejo que vc é bastante ligado em moda. não que uma coisa implique outra necessariamente, mas, enfim, fiquei curiosa: você é gay?

      (Eu gosto de estilo, não exatamente de moda)

      Não sou gay, não. Sou hetero. Tenho até umas combinações daqueles interesses heteros bem clássicos: futebol, corintiano, musculação, artes marciais e porrada, brigas, (as vezes) meio folgado, cerveja, samba, amigos, babaquices junto dos amigos (Daquelas que as namoradas acham insuportáveis), drogas, ternos, rap music, filmes de ação, hardcore, malandragens, jogos, mulheres e falar sobre mulheres. HHAHAHAHAHAHAHAHAH Amo as mulheres!
      Mas, ao contrário da maioria dos homens, essa combinação não me transforma num otário. O problema é que quase todos os homens com esses interesses ligam tudo isso a muito machismo e homofobia. E isso é uma merda. Eu tento cada vez mais me desprender do machismo e da homofobia.

    19. Lolla Moon

      lembro que uma vez tu comentou que tu e o Respectivo costumam ser bem carinhosos um com o outro, mesmo que tenha gente por perto. pode ser uma baita baranga e falar coisas fofinhas que vocês fazem? TUDO MENOS ESSE PAPO DE ESCOVAR DENTE.

      Reza a lenda que inglês não curte public displays of affection. Escandinavos, eu suponho, devem curtir menos ainda - então o mix ali não era muito promissor. MAS ENTÃO. Logo no segundo dia em que saímos juntos na rua, ele pegou na minha mão. Nenhum dos meus exes gostava muito de pegar na mão, e eu fiquei chocada. A auto estima era tão grande (irony mode on) que eu fiquei seriamente tentada em tirar a minha mão dali com algum pretexto (procurar algo na bolsa, arrumar o cabelo, etc), mas resolvi que ia deixar ficando até segunda ordem porque hell, eu havia me fodido muito no quesito romance até então e merecia, pelo menos, acreditar.

      Pula para dois adultos saltitando pela rua. Mas saltitando mesmo, no sentido literal da palavra, sem o menor traço de álcool no sangue. Ou dançando ao som da música de fundo das lojas de departamento. Uma vez passamos uma boa meia hora usando as escadas rolantes da Harrod's no sentido contrário, sob risos das vendedoras das lojas. Temos várias músicas compostas um para o outro, para eventos que aconteceram, para as gatas, e cantamos muito, o tempo todo. Ele sempre fala de mim para as pessoas, e a secretária dele já disse que não aguenta mais ouvir. :)

      Ele sempre me abraça no metrô e me dá beijinhos na testa, uma coisa que eu raramente vejo outras pessoas fazendo. Metrôs aqui são estranhos, os bancos são virados uns para os outros e as pessoas são obrigadas a se encarar em silêncio por vários minutos (e como aqui encarar é considerado deseducado, elas então encaram o chão, o jornal, o iPad, qualquer outra coisa). Mesmo que alguns nos olhem feio (e olham, acredite) e eu às vezes fique sem graça (não deveria) nunca reclamo ou me esquivo do abraço e do carinho.

      Não creio que tenha se passado um dia sem que ele tenha me dito que me ama e que "you're my beautiful girl"; tanto que às vezes eu até acho que acredito.

      Não trocamos presentes em datas especiais, e nem ligamos muito para datas. São apenas um número no calendário. Ele nunca se esquece de trazer minhas revistas preferidas, no entanto. Sempre se lembra todos os meses, de todas elas, e não perde nenhuma. Quando esqueci meu chapéu numa estação, ele rodou a cidade inteira atrás até encontrar outro igual. E sempre traz alguma bobagem barata da rua que o fez se lembrar de mim.

      Todas as manhãs, todas mesmo, antes de sair para o trabalho, enquanto eu ainda estou meio dormindo na cama, ele me traz uma xícara de chá ou café com leite, canta uma música boba (temos um pequeno, mas seleto repertório) e faz uma dancinha. É o nosso ritual matinal diário. E quando estamos longe um do outro, ele me liga de manhã para cantar, e à noite para me desejar boa noite. Não importa o que aconteça, não ficamos um dia sem nos falar desde que nos conhecemos no lobby do Caesar Park.

      Em Hannover tem um ralo no meio da rua que toca música. Apelidamos de Musical Drain e sempre que passávamos ali perto, tínhamos que ir até o ralo, descobrir o que estavam tocando e fazer uma dancinha. Muita gente passava e ria, mas certa vez olhamos para trás e havia um casal de velhinhos fazendo o mesmo e rindo muito. Vi o meu futuro ali e achei lindo. Sorrimos de volta e continuamos a dançar.

    20. Julia

      cont Até os de sempre: pêlos= credo, nojo eterno /Que mulher suja e etc. Uma coisa é preferir. O que me incomoda é esse 'tem que ser assim'. Como vc lida com isso, Júlia? Já teve encanações do tipo ou julgamento besta em relação aos pêlos?

      Eu imagino que tenha mensagem antes, mas só chegou essa e não tem nada no spam. |:

      Falam em preferir pelos de um jeito ou de outro, mas na realidade ninguém prefere. Não existe preferência pelo obrigatório. Veja, já é absurdo as pessoas entenderem que o padrão é uma mulher depilada e que outra situação é passível de preferência ou não. Quero dizer: nossos pelos vêm com a gente, e no entanto o padrão, o que as pessoas esperam sempre, é que sejam depilados, e caso você escolha não depilar (repito, o que deveria ser o procedimento presumido) as pessoas acham que você pode ser julgada pela sua preferência. Sua preferência... de manter seu corpo... do jeito que ele é... sendo que isso só afeta a você mesma. Quando a gente analisa a coisa friamente, vê que não há lógica alguma.

      Já fui terrivelmente encanada, de tirar todos os pelos todos os dias. Com o tempo e com o feminismo isso foi diminuindo e passei a tirar só o que me parecia mais confortável. Vou dar três exemplos das minhas decisões e como elas se relacionam com meu conforto:
      - pelos pubianos às vezes prendem na calcinha ou na camisinha; quando se menstrua, fica mais difícil limpar se tiver muitos pelos também; pelo menos é essa a minha experiência, e por isso eu acho mais confortável manter depilado ou no mínimo bem aparadinho.
      - meus pelos da axila não me incomodam em nada; antes eu depilava todo dia, o que deixava a pele ferida (acredito que pela alergia a metal) e escura, mas depois mudei de tática e hoje depilo com um enorme intervalo de tempo entre uma vez e outra. Raspo de vez em quando, quase sempre aparo. O que seria mais confortável pessoalmente, é claro, seria deixar assim mesmo: já me acostumei a achar que axilas peludas não são menos femininas (até porque GENTE NÃO EXISTE FEMININO NEM MASCULINO TUDO ISSO É INVENTADO E CONSTRUÍDO E ALIMENTADO COM BESTEIRAS pronto desabafei) nem menos bonitas. Mas o que é mais confortável num âmbito geral é deixar os pelos de lá mais discretos, porque são justamente os pelos mais vigiados e que as pessoas mais condenam existirem.
      - olho pras minhas pernas e não vejo um só motivo pra me encher de alergia com uma lâmina ou - como uma ex-colega de trabalho sugeriu, como se eu estivesse me desculpando de uma obrigação - morrer de dor com uma aplicação de cera. Minhas pernas ficam cheias de bolinhas vermelhas por QUALQUER COISA - meia-calça, calça jeans, qualquer coisa deixa a minha pele das pernas feridas. Por que eu vou me torturar?! Qual a lógica? Posso deixar meus pelos à mostra porque o que se espera na perna feminina é muito mais a aparência de liso que o toque realmente depilado.
      Como podem ver, em um dos casos eu acabo preferindo abrir mão até certo ponto do meu conforto pessoal pra não ter que me incomodar com ignorância na rua. O foda é que as MINHAS pernas não depiladas são muito mais perdoadas porque meus pelos nascem branquinhos, só dá pra ver de perto. Uma mulher de pelos escuros não pode tomar a mesma decisão que eu e ser bem aceita. De alguma maneira ela vai ter que ficar bem mais desconfortável do que eu: ou vai ter que passar cera, ou vai ter que tirar os pelos, ou esconder sempre com calça, ou clarear com água oxigenada. Isso, aliás, prova que o argumento da higiene - se existir alguém genuinamente ingênuo o suficiente pra cair nele (acho, de verdade, que as pessoas reproduzem esse argumento ou sem pensar, ou com preguiça de procurar uma argumentação real) - é mais falso que uma nota de três e setenta e cinco.

      (Em tempo: se você, genericamente, diz que homem que se depila não é macho - mesmo que não queira dizer que é gay -, você é babaca. Desculpa. Não queria ter que chegar nesse ponto, mas me irrita ter que ver mulher falando que odeia ter que se depilar e depois julgando o gênero de um cara que se sente melhor sem pelos. Se você acha que ele é menos homem por se depilar, não é nem um pouco melhor do que os homens e mulheres que te acham nojenta por não tirar os pelos.)

      Por fim, acho que se você, tentando se separar ao máximo do julgamento social, acaba preferindo (muito cuidado com esse termo, porque é difícil decidir o que preferimos ou não quando somos obrigados a fazer aquilo) tirar os pelos, seja minha hóspede, fica à vontade, e lembro que Gilette é da Procter & Gamble que testa em animais. Só não fale em higiene, ou que é melhor, ou que os outros deveriam fazer. Já viu careca falando que todo mundo deveria raspar o cabelo porque, afinal, cabelo sua muito e fica sujo fácil? Pois é, porque carecas tendem a ter noção de que o que você faz com o seu cabelo é uma decisão pessoal e você não é melhor por isso. Resta às pessoas esclarecidas que se depilam também ter esse bom senso.

      AFF SAIU BÍBLIA DESCULPA. Acho que soei um pouco mais agressiva do que o normal nessa resposta. Não era a minha intenção, nem estou irritada, e nem vi nada recentemente que tenha acendido alguma raiva; é mais que fazia tempo que eu não tinha ~~brainstorming~~ aqui sobre o assunto.
      Beijo.

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