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    1. Cátia Maturana Larsen
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    6. Cátia Maturana Larsen

      Acho que foi vir à Århus sozinha pra conhecer o Ruivo. Não aconselharia isso a ninguém. Mas dei sorte, felizmente. Ruivo não era um psicopata, mas o rapazinho mas doce do mundo.

    7. Cátia Maturana Larsen

      Eu diria: "Relaxa!

      É a coisa mais natural do mundo sentir todas essas coisas loucas que você está sentindo. Você não é diferente de ninguém.

      Não existe uma fórmula pré-estabelecida sobre como viver em sociedade, apesar de parecer que todos a sua volta sabem exatamente o que fazer, o que falar e pra onde ir. Eles não sabem.

      Não deixe deboche e sarcasmo te intimidarem. São simples mecanismo de defesa. Diga o que pensa, pois suas idéias costumam ser sensatas. Ninguém é dono da verdade e você tem, no mínimo, direito de ter sua opinião.

      Dê uma boa olhada no espelho. Você pode não ser o ideal de beleza que você gostaria que fosse. Mas você é o ideal de beleza de muita gente boa por aí. Gente boa do mesmo tipo de gente boa que você mesma é. No fundo no fundo, o ideal de beleza que você ACHA que tem para com os outros, não é o ideal de beleza que você REALMENTE tem.

      Explore seus limites. Respeite seus limites. Se respeite."

    8. Cátia Maturana Larsen

      Ruivo sempre falou em ter filhos, muuuitos filhos. Já eu, com minha mentalidade brasileira, vivia dizendo que filhos era pra bem mais tarde, depois que nossa vida estivesse bem estabelecida, emocionalmente e principalmente economicamente. Rá! O relógio biológico tocou e acabei me entregando antes mesmo de eu começar a faculdade. Respondendo a sua pergunta, fomos nós dois mesmo.

    9. Cátia Maturana Larsen

      Fica diferente. Requer mais atenção e cuidado já que o tempo à dois fica limitado. Mas para nós acho que foi uma transformação natural, sem grandes problemas.

    10. Cátia Maturana Larsen

      Tenho poucos bons amigos. Pouquíssimos brasileiros. Não por falta de vontade, mas por falta de oportunidade.

      Não diria que fiquei com pé atrás, mas simplesmente não senti que havia afinidade o suficiente. Nada mais natural. No Brasil também não virava amiga de todo mundo que encontrava na rua. Querer que alguém frequente a minha casa requer uma boa dose de afinidade.

    11. Cátia Maturana Larsen

      O Ruivo gosta de passear pelo Brasil, de ir de férias. Mas gostar do Brasil ao ponto de ir morar definitivamente, ele não gosta não.

    12. Cátia Maturana Larsen
    13. Cátia Maturana Larsen

      Conheci o Ruivo no icq. Ele me mandou uma mensagem no Random Chat, que era um sistema que mandava mensagem para uma pessoa que estivesse online naquele instante, qualquer pessoa, aleatoriamente. Por isso ele diz que me ganhou na loteria. Mimoso o Ruivo, não?

      Mas claro que não viramos namorado assim, com uma mensagem aleatoria, né? Fomos amiguinhos virtuais/penpals por longos dois anos, antes de pintar aquela vontade de se ver ao vivo.

      Namoro pela internet é perigooooooso! Fui parar do outro lado do mundo, casada e com filho. Nunca podia imaginar que usar o icq fosse fazer isso comigo!

    14. Cátia Maturana Larsen

      Já fui au pair, trabalhei fazendo limpeza num escritório de advocacia, arrumando prateleiras num supermercado e numa empresa que escaneia documentos. De tudo um pouco.

    15. Cátia Maturana Larsen

      Bom, o Ruivo trabalha e eu recebo uma bolsa do estado pra estudar. Nós temos uma economia conjunta, ou seja, cada um tem uma conta pessoal no banco e uma conta conjunta. Todo mês nós mantemos uma quantia fixa na nossa conta pessoal (que é a mesma para os dois) e transferimos todo o resto para a conta conjunta. Fazemos assim desde a época que era eu quem trabalhava e o Ruivo que estudava. Esse jeito funciona bem pra gente.

      Não acho o Ruivo mais pão-duro do que eu mesma sou. Rs. O único problema é que somos pão-duro com coisas diferentes. Eu gasto dinheiro com livros e roupas, já o ruivo gasta com eletrônicos e gadgets em geral. Mas o bom de termos cada um sua conta pessoal é que podemos gastar o que está lá com o que quisermos e o outro não tem o direito de dar um pio. Já a conta conjunta é só para coisas que usamos juntos mesmo ou Lukas.

      Eu quero começar a trabalhar logo que terminar. Já cansei de ser estudante. Mas claro que é como me sinto hoje, né? Nunca se sabe o dia de amanhã. Só sei que tudo é possível. :)

    16. Cátia Maturana Larsen

      Nós falamos só em dinamarquês. Já deve ter uns 4 anos que substituímos o inglês pelo dinamarquês. Foi uma barra no início, mas fez com que meu dinamarquês evoluísse com bastante rapidez. Eu falo português com Lukas, com isso o Ruivo acaba também assimilando muita coisa de carona, e de vez em quando até se mete na conversa em português. :)

    17. Cátia Maturana Larsen

      Felizmente nós nos entedemos muito bem. Temos problema como qualquer casal, mas costumamos resolvê-los com muita muita conversa. Acho que o fato de sermos de culturas diferentes acabou ajudando nesse senstido, pois nos esforçavamos mais para fazer o outro entender o que pensávamos/sentíamos. O fato de não termos a mesma língua materna nos obrigava a nos explicarmos com mais detalhe, com mais cuidado para ter certeza que outro entendesse. Não tenho dúvida de que isso ajudou na nossa relação.

      Ainda rola um probleminha ou outro que acreditamos ser culpa da cultura diferente. Mas esses são raros. Nossos (poucos) desentendimentos atuais são nada mais nada menos que meros desentendimentos normais de casais com filhos.

    18. Cátia Maturana Larsen

      Já posso dizer que sim, falo dinamarquês fluentemente. Ainda cometo erros, claro. Mas nada que impeça as pessoas de me entenderem. :)

    19. Cátia Maturana Larsen

      O mais difícil foi com certeza a língua. Para mim foi muito importante desde o início que eu aprendesse a falar dinamarquês. Sem falar dinamarquês eu me sentia um alienígena que ficava de fora dos papos, não podia ler um jornal, não entendia o telejornal, os programas. Eu achava isso um saco e isso me deixou bem pra baixo por um bom tempo.
      É perfeitamente possível morar aqui sem falar dinamarquês, pois praticamente todos falam inglês. Mas é chato ter SEMPRE que interromper as pessoas e explicar que você não fala a língua.
      Além de inglês não ser minha língua, nem a do Ruivo. Para mim não fazia sentido ter que falar uma terceira língua para me comunicar com meu namorado. Foi duro mudar de língua em casa, mas depois da mudança foi bem mais fácil aprender e pegar fluência.

    20. Cátia Maturana Larsen

      Levou 1 ano e meio para eu terminar o curso de dinamarquês. Mais 6 meses/1 ano para perder a timidez e soltar a língua sem medo.

      Mas isso é pessoal. Cada pessoa tem seu rítmo pra aprender dependendo de quanto ela se empenha para tal, o tipo de personalidade que ela tem (quem não tem medo de cometer erro e sai falando, acaba pegando fluencia mais rápido do que os tímidos com eu).

Cátia Maturana Larsen

Århus, Denmark

catinha.dk

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