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    1. Caio Leonardo

      Há uma tendência de abandono do ator pelo cinema norte-americano, cada vez mais refém do croma-key, da digitalização, das personagens virtuais.

      Irréversible vai na contra-mão dessa tendência, ao exigir do ator algo que não se teve coragem antes de exigir - a exposição à violência física e moral extrema. Não deve ter sido fácil encerrar a cena de estupro como se aquilo tivesse sido arte e nada mais.

      De um lado do Atlântico, a desfiguração do gesto do ator feito personagem pela virtualização do ato cênico. Do outro lado, a desfiguração física do ator pela violência corporal da encenação mais-do-que-presencial.

      Avatar, interessante dizer, oferece uma terceira via, que é a da personagem virtual ser deselvolvida em cima do trabalho do ator - cada gesto de Neytiri, cada expressão facial nos remete à arte de Zöe Saldana.

      É bem verdade que em King Kong o melhor trabalho de ator foi o do gorila. Mas Peter Jackson esteve próximo de Avatar a ponto de assinar comentários a uma edição em capa dura com imagens do filme. E competir com Jack Black é ponto para qualquer gorila.

      A complexidade de roteiro de Irréversible não ilumina a violência de que se serve. Charlie Kaufman consegue - e em Hollywood - criar roteiros complexos sem que a violência seja a linha mestra.

      Tudo considerado, há processos de diluição em curso. Em cantos opostos, francamente antagônicos, estão 2012 (finalmente um filme pior do que Plan 9 from Outer Space) e Irréversible, mas na mesma batalhe de diluição. Enquanto ouso dizer que Avatar, com toda a sua estereotipação do militar, do empresário, do cientista e do herói-necessariamente-americano; e Sinédoque ou outros de Charlie Kaufman são exemplos dessa outra linha, esta sim evolutiva, do cinema.

    2. Caio Leonardo

      Arte, literatura.

      Vida urbana.

      Mas também governo e políticas públicas; direito e processo legislativo.

      Art, literature; but also Brazil at large; foreign investment and doing business in Brazil.

    3. Caio Leonardo

      Primeiros anos de faculdade, convido a moça pra jantar na Camorra, restaurante que fez história nos Jardins, oferecia pocket-shows de commedia dell'arte e boa cozinha napolitana. Uma pena que fechou. Uma pena maior não ter fechado antes daquela noite.

      Jantávamos e eu resolvi cometer um erro que nunca repeti. Comentava que eu era muito seguro de mim mesmo. E que nada me deixava envergonhado. É que tinha vindo o Pulcinella, uma das personagens da casa, e eu tinha caído na velha piada do apito - o palhaço oferece o apito, o tonto oferece a boca, e a boca acaba no dedo do palhaço, péssimo gosto (o da piada e, posso dizer, o do dedo). Ri, como se deve rir nessas horas, quando se é seguro, quando nada nos envergonha, essa balela.

      Algum vinho depois, lá do fundo começou a festa de uma pessoa só. Uma moça tinha bebido muito. E entrado no espírito da casa e superado o espírito da casa e agora já era ela mesma uma festa maior do que o lugar, para constrangimento do casal que a acompanhava.

      Pagaram a conta, a moça se levantou e seguiu em direção à porta. A direção da porta passava pela nossa mesa, e a nossa mesa ouvia minhas balelas sobre segurança, auto-confiança, o desastre pronto, enfim.

      A moça atropelou umas duas mesas antes de se apoiar no meu ombro, olhar nos meus olhos, abrir um sorriso ensandecido e dizer: "Gostei de você, você é isso, você é aquilo, vem comigo, vamos embora". E já ia sentando no meu colo, quando o amigo a segurou. Não segurou o bastante para evitar o beijo.

      A esta altura, Pulcinella estava com o dedo na própria boca, a boca da minha acompanhante estava caída sobre o fusilli à putanesca, o cantor com os poucos cabelos cheios de brilhantina desafinava a legatta a un granello di sabbia, e eu me desdizia completamente ao nem mesmo gaguejar.

      Fiz inveja ao pimentão que era orgulho da cozinha da casa.

    4. Caio Leonardo

      É um exercício aeróbico remar com este brinquedo. E é remar, mesmo, só que ao contrário.

      Cadeira de rodas motorizada é para pessoas com complicação nos membros superiores, não é o meu caso. As de "tração animal" (!) permitem que eu me exercite enquanto me movimento. Costumo sair do escritório na hora do almoço e comer no Pátio Brasil, shopping aqui de Brasília, apenas para poder andar perto de 1km. A comida é horrorosa e não compensa o esforço, mas a vida também é feita desses auto-enganos...

      Quando estou em férias, ando muito mais. Passei o Natal em São Vicente, onde mora minha mãe. Andei muito por lá. Dia 25, fui do canal 3 até a ilha Porchat - 5,5km, mais ou menos. Em 50 minutos - mas ainda parei pra conversar com o Animal - apelidos de praia.

      Vou hoje à noite pra Floripa, e pretendo andar muito pelo "Passeio dos Namorados" em Jurerê.

    5. Caio Leonardo
    6. Caio Leonardo

Caio Leonardo

Brasília, DF

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