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Disse que não iria voltar aqui, mas só voltei porque loguei e li as novas respostas do Marcelo e senti inveja branca. Sabe quando você se esforça, se esforça e tem alguém pensando tudo mastigadinho por você? Mas, continuemos, continuemos.
Sabe a sensação de bestialismo que padecemos ao longo do dia, se fosse somatizadas, excluindo a linguagem e a civilização, seríamos só um apêndice capaz de construir máquinas (portanto, brinquedos), somente uma parte do reino animal.
Então o macho, etologicamente bombado, é aquele em que, linhas gerais, a amizade é baseada nessa familiaridade com o reino das bestas; um homem pode apertar as bolas do outro e brincar de rolar no chão sem prejuízo da intimidade. A intimidade nos homens é território e violência, mas-, antes de toda essa conclusão feita às pressas -, havia pensado outras coisas que não me recordo. O que nos leva às fêmeas.
As fêmas, em que a opinião do vulgo diz ser a obra prima do Criador, não reconhecem zonas limítrofes territorais, ou hiearquia, e são menos quantificativas e sua violência se exerce nos campos linguísticos e simbólicos. Aqui estou revertendo a inteprretação naturalista da filosofia clássica quanto às mulheres e afirmando que é a mulher a própria raiz da civilização, e toda civilização começou com nescauzinho e leite.
Calma, os homens pegam nas bolas dos outros e manifestam um tipo de intimidade homoafetiva? Não, os homens quando íntimos não vivenciam muitas camadas e repertórios interpessoais, quer dizer que se uma mulher pergar os peitos e na bunda da outra miríades de sensações e emoções, e até sentimentos, surgirão, tais como a libido e a inveja - aqui a advogo uma bissexualidade nativa às mulheres? Não, não estou fazendo isso.
Quero dizer que as mulheres vivem rodeadas duma bolha simbólica e áreas infravermelhas emocionais, que elas quando não dizem tudo, e quando dizem, dizem em muitos níveis - - quero dizer que, no final, quando o galo estufa o peito num galinheiro ele é altaneiro como o sol, e também monótono e ridículo, mas a galinha quando foge e grita manifesta uma espécie de pateticidade cosmogônica, e só escrevi essa parte final pra parecer engraçado e wise guy.
Quando você se compromete a cumprir o itinerário agostiniamo de auto-confissão contínua você contempla a desfragmentação que é sua mente, de que você pergunta à pergunta, e a pergunta, e o porquê do porquê de sentir e viver isso e aquilo, e sente às vezes vergonha e culpa, como se o psiquismo fosse um rim entupido por uma enorme pedra, e que a sinceridade se compromete a expulsá-la no mictório.
Você percebe que no fim a angústia é um símile mental do imperativo categórico de mijar? Uma bexiga cheia também é a imagem da origem cósmica dos materialistas.
Mas, aqui, estou, parodiando o Marcelo para dissipar essa inveja branca.
Estou aqui em vestes sacerdotais sujas no catarro do narcisismo. O exercício agostianimo tem um quezinho de auto-humilhação também, de alguém que desce à terra pra virar argilar e ser remodelado por Deus.
E Deus faz tudo novo novamente, igual um forró.
Beijo, agora vou pro ask porque não vejo o olho horusiano do Marcelo. -
Acho que -- a rigor -- um clássico só pode ser atestado após a morte de nossa geração e depois de algumas. Sei que é um formalismo crítico, só que nesse caso seria um ultrasubjetivismo doxomático; agora se um livro consegue dar um lume de compreensão obras do passado e influencie outras gerações, então, quer queiramos, ou não, é um clássico. A cultura pop mostra numa dimensão menor o quanto endeusar algo que se torna datado e obsoleto e taxá-lo de clássico é apenas fogo no rabo coletivo.
Há sempre o acordo da obra-zumbi que revive mesmo desacreditada e talz. Sempre me pego surpreso, em quase todo texto, o quanto é possível ser dialético ou relativista com qualquer assunto, e às vezes somente a robustez - uma palavra clássica - de uma obra maior pra falar em linha-reta sobre aquilo que temos dúvidas.
Tô ouvindo Mariah Carey, o que para mim é uma versão acudíssima e feliz da Etta James, e justamente esses agudos despropositados e essa alegria farão com que ela seja lembrada com desgosto por gerações futuras do R&B; a gastronomia mostra-nos que tudo que é excessivamente doce estraga fácil e é assolado por ratos e insetos.
Bem, é o que tem pra hoje. -
Eu nunca entendi a moral da história do rapto de Ganimedes. Zeus o rapta porque o rapaz é bonito ou porque ele próprio, pai celeste, estava entediado e queria colocar o bonitão no Olimpo pra provocar sua mulher?
Transformar em águia pra puxar um homem pela bunda e levá-lo ao céu, os gregos tem um senso de humor muito pitoresco e alegre. Normalmente alguém gratuitamente rouba alguém, sequestra, mata, caça, etc. São engraçados, mas são pouco lúgubres. Normalmente são histórias assim, cheia de reviravoltas e sem motivo.
Dostoiévski evidentemente entendia Shakespeare, mas Dostoiévski é tipo um notícias populares "pai mata filha e enterra o corpo no quintal" e S. é tipo Datena "curioso caso de homem que matou os filhos porque estava cansado de bater cartão".
Por que estou dizendo isso tudo além do fato de me exibir e mostrar minha sacadinhas? Eu queria dizer que existem tipos D. e tipos S.
Dostoiévski era um homem sensível,
ele nunca superou a idéia de que alguém, um mujique grosseiro e frustrado, poderia surrar uma égua inocente. Dostô quando põe na boca de Dimitri Karamazóvi e o faz dizer que queria viver como um apache e um índio, está entando fazer as pazes com a mãe natureza, fugir do mormaço das cidades e da civilização, quer voltar a ser Abel, o filho bondoso do primeiro casal.
S., Shakespeare não, Shakespeare quer raptar um homem, levantá-lo pela bunda e rir lá embaixo da transcedência, e quase tudo em Shakespeare é uma mistura de tédio e de alegria, e quase sempre esse tédio e essa alegria são fatais.
A égua de crime e castigo, do sonho de Roscô, é um símbolo tão poderoso quando a conversa de Gloster e Lear quando um é cego e o outro é louco, mas a égua não é um estado cósmico de um ser que é depositário da frustração alheia e paga com a própria dor essa frustração; a loucura de Lear e a cegueira de Gloster são estados de condenação que a própria ineficiência do humano se comprova, quando um pai é burro a ponto de se deixar levar por elogios de filhas ingratas e um outro cria uma serpente invejosa e maldita, o seu filho bastardo Edmund.
Eu concordo com o Harold Bloom quando ele diz que S. é pré-cristão e as tentativas de tê-lo como autor cristão redundam mal. Dostô é todo cristão, os personagens dele choram de raiva e de desespero, os personagens de Shakespeare riem de espanto e matam por tédio e avareza.
Há pouco sol na Inglaterra elisabetana e pouco sol na Rússia dostoievskiana - se eu atinar para o fato de que há muito sol na Ática e na Grécia, poderia entender o heroísmo de Píndaro e de Homero, e diria que os gregos se transformam em águia não porque sentem frio e fome e tédio, mas porque roubar e raptar pessoas é engraçado mesmo, tanto quanto é transformar-se em cisne ou jantar os filhos.
Se você colocar Gloster e Rei Lear no Rio de Janeiro eles provavelmente iriam olhar pro bumbum das mulheres alegres e se esqueceriam de seus filhos ingratos; Lear, louco, iria correr atrás de funkeiras e iria descrever suas bundas ao cego Gloster; Dimitri Karamazóvi iria andar tatuado na praia do Arpoador e pediria um sorvete e uma água de coco, sentaria num quiosque e ia falar pra Aliocha olhar as bundas, e Aliocha ficaria perplexo e atônito com a beleza do sol tropical.
E olhando o céu ele veria numa faixa do horizonte a bunda de Ganimedes e mais, mais, mais acima veria o desapontar da lua e lembraria da mãe morta, e falaria pra Dimitri "hoje, é o dia, eu quase posso tocar o silêncio, a casa, vazia. - Só as coisas que você não quis".
O personagem central da tradição greco-romana é o cavalo de Julio César que lhe advertiu que a morte estava próxima - e ninguém o ouviu porque ele não sabe falar.
S. Paulo, 24 de Janeiro de 2013. -
Agora, postando aqui, vejo os migos no ask espremidos num cortiço mal iluminado cheio de goteiras, com o cabelo molhadinho e a camisa cheia de musgo.
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toda vez que me sinto angustiado leio essa pergunta e me vejo lado a lado, ombro a ombro, com hegel. me sinto capaz de escrever a segunda versão da fenomelogia do gasparzinho numa versão em tirinhas.
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Tô aqui aproveitando os últimos dias de pompéia pra registrar frases.
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Todos filmes brasileiros terão pobres. Sempre que um diretor colocar um personagem angustiado, numa comédia de erros, numa situação incomum, sempre aparecerá um pobre pra dizer - E daí que você está angustiado, eu não almocei hoje!
O cinematerceiro mundista só se reencontrará com angustia e o tedio vitae quando os problemas econômicos forem sanados, aí os pobres apareceram no cinema como figurantes, - talvez eles próprios angustiados. -
Formspring é aquela balada legal que terminou e a gente continua lá dentro -- porque lá fora tá frio e chovendo. Acabou, mas continuamos com medo de enfrentar novas redes sociais.
Depois do auge quando todos inteligentes estavam ativos e escrevendo, o FS foi tomado por esdrúxulos personagens monotemáticos, rancorosos, ressentidos, e toda sorte de mendigos.hmtl, cada com mostrando sua chaga ("ai, ateusinho, "ai machistinha", "ai, feministazinha", "ai, sou anarco-sem-padrões").
Hoje em dia o FS é a cracolândia e o caminho em que as pessoas precisam passar entre drogados, prostitutas, cafetões, mendigos e monomaníacos. A diferença, todavia, é que todos esses - drogados, prostitutas, cafetões & mendigos - estão na rua seguindo o doloroso princípio da necessidade, a necessidade de sofreviver e arranjar alguns trocados.
Já a motivação dessa trupe de drogaditos monotemáticos é o bom e velho complexo de inferioridade; ou seja, quem disse que o carvão que alimenta lomomotiva brasileira é a inveja, estava certo.
Nêgo sem talento e sem o que dizer sempre quer tomar o microfone de quem tem. É um país que ter rabo é malhado é mérito e estudar e ler "é babaquice".
Podem me denunciar também, eu posso produzir e reproduzir conteúdo através da linguagem. O FS é só um meio. Bruno também, ninguém vai tirar dele a sua erudição. (Lágrimas). Nem quem vai tirar o sorriso do meu rosto. Denunciem, medíocres, denunciem, denunciem!
Quem não tem o que dizer, solta grunhidos. Podem grunhir, javalis. Podem grunhir. -
Fourzita, nunca mais te chamei de fourzita, eu não sou januário, eu sou octoberino, nascido no segundo decanato de libra - o cabrito tá só no ascendente. A minha lua tá em câncer, por pouco coloquei siri equânime. Agora chega de egoreferência e vem cá dar abraço de aniversário. Parabéns, parabéns!
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Você é tipo o tio engraçadão da família, do pavêoupacumê, que eu tento esconder dos outros pra evitar constrangimentos.
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Aturo veadagem, mas spam já é demais.
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É esse limite que eu imponho ao palhaço: atravessou meu espaço, meia lua e soco forte na cara dele = Hadouken.
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Banho quente. Lençol. Chocolate derretido. Pede pro seu avô beijar sua testa e contar uma história.
Logo, logo sua doencinha passa. -
Qualquer redatora da Marie Claire lhe dirá que transformar as coisas em pódio gera expectativa desnecessária. "Não existem fórmulas", prosseguirá a redatora. Seja você mesmo!
Em L'Amour, livro que estou lendo homeopaticamente há meses, uma versão erudita da redação da Marie Claire, Stendhal diz que espontaneidade é a mais indicável virtudes de interação social; entrentanto, nós, latinos, confundidos espontaneidade, não raramente, com excesso. Ainda que se passe uma boa impressão, baseada na artificialidade, dificilmente perdurará com uma mulher. "Seja você mesmo", diria a voz da redatora Marie Claire. Stendhal diria, noutras palavras, a mesmíssima cousa.
É, então, necessário tomar cuidado com a castração, ou melhor, auto-castração que o "medo do ridículo" impõe e tomar cuidados frequentes para não atravessar a fronteira entre o sublime e o patético.
As mulheres são, em linha geral, muito suscestíveis a elogios esporádicos e espontâneos, mas podem se entediar e irritarem-se com submissão; nunca é inteligente elogiar uma mulher a ponto dela chegar àquela situação em que imagina um babador imaginário pendendo no seu pescoço e te confunda com adorador maníaco. Então, a redatora diria que pequenas surpresas, bom humor e um pouco de gravidade combinados auxiliam muito nesses momentos.
Além do elogio, as fêmeas são muito mais suscetíveis à imagem do desejo desenhado em seu rosto, mas não é uma expressão sôfrega, não, seria imprimir no rosto tanto o princípio da fome da necessidade e o orgulho de um cavaleiro hussardo.
Toda mulher vive numa torre e é uma versão particular da rapunzel, por isso um puxãozinho de cabelo com cariño é mais válido do que mil lisonjas. Acho que os manuais de bem viver e de boas maneiras chegam até o ponto de coibi-lo de errar muito, mas falam pouco do que se fazer, como fazer, quando fazer.
Nossa, como essa coisa de jogo da sedução é chato e sem graça e é por isso que eu nunca gostei de seduzir mulheres, ou elogiá-las. Sempre segui o dito do bispo Macedo "ou dá ou desce" < - isso é mentira, eu nunca fiz nada disso. Eu sempre olho pras mulheres como um soldado desgarrado em solo inimigo com a voz súplice de quem pede água, pão e carne. E nem sempre funciona, mas é melhor do que 'ai como são lindos seus cabelos, como são pálidas suas mãos, como suas veias são a nascente do Tibre'. Normalmente a psicologia das fêmeas é construída à frente do espelho, e as belas mulheres sempre sabem que são belas, o quanto belas, e até aprenderam, pela cosméstica como serem ainda mais belas; o papel do homem, nessas circustâncias é não deixar que esse efeito o paralise: melhor é falar nossa, nossa, assim você me mata, Delícia, que Delícia, ai ai. -
entendo tudo de roque. faça um perfil com seu nome e rosto verdadeiros que a gente conversa.
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Pessimismo metodológico.
É um gnóstico da era moderna. Por gnóstico vou usar a classificação olavéfica. Citação livre "aquela existencial - negativa - acerca da existência de Deus". Noutras palavras, a experiência gnóstica, é quando conhecemos a face punitiva de Deus e do cosmos. Todo mundo passa por isso na vida. É um rito de passagem humano, supra-cultural. Para não ficar em generalidades, vou citar exemplos: experiências em que "nada faz sentido", momentos em que a justiça não faz sentido, estados emoções de profunda apatia e angústia, desencanto etc.
Kafka inteiro é assim. Tanto que o Harold Bloom, na contracapa duma edição bilingue que tenho aqui duns poemas da Emily Dickinson, diz que, - novamente citação livre- "ninguém pode expressar o desespero como Kafka e Emily Dickinson". Na poesia, pex, a experiência gnóstica é enriquecida através do simbolismo, quando um fenômeno de negatividade (uma experiência atroz que quase sempre promove a dissolução do ego, da auto-consciência, o contemplação do macroscópico em oposição ao microscópico), enfim, na poesia, essa experiência é, às vezes, positivada, com um simbolismo redentor.
Na terminologia judaica e também escolástica, temos a terrífica expressão do Deus absconditus, o Deus que se afasta da criação, e já não ouve. A imagem de um patriarca em profundo sono/dormência.
Experiências gnósticas, citando mais exemplos, podem envolver, como aludido acima, a sensação de incomunicabilidade, o massacre da nascente burocracia frente à possibilidade de liberdade, o mecanicismo repetitivo das fábricas (daí o próprio Bloom chamar o marxismo de "esperneio de dor"), meu tio que acabou de acordar, às 4h20m da manhã cantando uma música horrível dos anos 70, terminar com a namorada, rompimentos, ascestrais malignos, doenças misteriosas; a sensação de impotência, inclusive a peniana, o abandono, a carência afetiva insanável, - muitas vezes, resumidamente, a experiência pessimista pode ser o confronto do infinito plenipotente e a fragilidade material, o terrível princípio da necessidade. Esse reino lilás e obscuro do pessimismo, incluindo a maldade e a representação infinita de papéis sociais, a hipocrisia reinante, a teatralidade, a difícil comunicação entre opostos (exemplificados na figura do masculino e do feminino), etc, como dizia, esse reino é o reino onde as delícias do ritmo e da melodia são mormente confundidos com o ruído e embotamento, é um lugar froteiriço onde o homem põe os pezinhos à beira do abismo e o fita; é a imensidão do infinito negativo que Kierkegaard tentou descrever. Aquelas esferas em giros intermináveis, os perdigotos de um homem velho e ressequido sendo derrubados sobre nossas faces, a namorada que não quer colocar uma calcinha mais enfiada, o chefe te ligando em casa pra você ir no churrasco, o vendedor de churros de aspecto cadavérico, casais de velhos onde um é alzheimer team e o outro é meio surdo; negros ressentidos, navios negreiros, judeus usurários, vendedores de picolés envenenados.
Essa experiência com o mal e a finitude faz parte da existência e da maturidade da própria alma; é, inclusive, através dela que seu espírito começa a se deslocar de categorias tempo-espaço & matéria, para inteligir o infinito positivo, o que todas tradições religiosas dão de Deus.
Cioran, para mim, é o sujeito que responde o silêndio de Deus com um mugido mouco e, ansioso, não é como Eliseu e Elias e os profetas que, desde sempre, souberam que a expressão de Deus não está no trovão, no sol, nos raios, no martelo, no esmagamento, mas na suavidade e na misericórdia.
Cioran, então, acaba por transferir à pena, aquele aziago gosto de cansaço e morbidez própria dos hospitais e dos panos e lençóis onde convalesceram tuberculosos e tísicos.
É uma modalidade de Nietzsche sem a loucura e a frase chantagista e dramática; é uma imagem horrenda da "criança velha", daquele estúpido que amadureceu sem ter adquirido sabedoria, então, por fim, acaba por derramar seu lasso suor sobre tudo aquilo que construímos com alegria & esperança.
A esperança, como entende o cristianismo, não pode ser uma irmã etimológica do verbo esperar - a Spe, dos latinos, só pode ser, para mim, aquele último suspiro do tição à espera de um bafejo divino. Quando S. Paulo, bilioso, escrevia cartas às igrejas da ásia menor, muitas vezes preocupado com o "crescimento espiritual" de seus pares, falava de inferno, mas de um inferno àqueles que não superavam essa etapa da gnose, da experiência da tristeza abúlica dos fracos; muitas vezes a realidade nos bate, é claro, para nos tornarmos mais fortes, então é por isso que muitos não suportam as chiatadas, porque se acham grandes e importantes pra apanhar.
Cioran me lembra aquele cujas cintadas não o fizeram crescer, mas levantar-se nervosinho dizendo "quero colo, vou fugir de casa. Só vou voltar depois das seis".
Meu filho vai ter nome de santo.
rs <--- o riso é a arma do artista. -
O que você quer dizer com "atualmente" e "coisa errada", DGR?
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Thiago’s Bio
Lupercalia
Amei.Um.Bicheiro.1952.DVDRip.x264.mkv


