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Se você ler a minha última resposta sobre a probabilidade de sofrimento de insetos e plantas na íntegra, vai verificar que eu descarto tal hipótese usando a terminologia probabilística. Comoção depende de processamentos cognitivos intuitivos e inconscientes. Uma memória pode desencadear comoção. Um rosto de um humano ou da maioria dos vertebrados cefalizados que apresente a musculatura constringida de sofrimento pode elicitar reações emocionais fortes. No caso de lagartas, por exemplo, não ocorre nenhum estímulo audio-visual esteriotipado como lagartas "com cara de dor ou chorando de dor". Antropomorfização pode desencadear emoções. Isso é um sinal suficientemente importante para as criaturas suficientemente empáticas identificarem sofrimento. O sucesso evolucionário dos persistentes porém precários ascentrais humanos em identificar a complexidade das emoções e interações sociais só dependia dessa capacidade reativa de inferir sobre estados emocionais alheios através de estímulos audio-visuais, para que as estratégias de cooperação NÃO se resumam à uma mera troca de sorrisos ou caras feias que podem ser falsas e propensas à trapaceiros. Até uma criança de 4 anos de idade já está apta a desenvolver tal módulo mental de inferência empática. Ninguém precisava filosofar ou colocar o filho em um scanner cerebral para verificar se um ser humano sente dor. Levando em conta esses sistemas empáticos plastificados nos nossos ascentrais, não posso julgar o senso estético-emocional de Dawkins se ele chora ao ver uma lagarta reagir e se contorcer, pois tal capacidade pode estar atrelada à própria configuração de suas experiências empáticas. No caso, para ele, a lagarta se contorce de dor. Eu tinha pena de formigas quando tinha 8 anos de idade. Creio eu, nossa mente torna-se menos ingênua, menos animista. É preciso lembrar que as crianças não tem modelo interno de não-existência. Quando o fantoche de um jacaré morre em uma históriazinha, a criança acha que a personalidade e a identidade do jacaré ainda "existe". Ela não entende que o jacaré morreu. Da mesma forma, uma criança não consegue compreender que não pode projetar modelos mentais próprios em uma formiga. Com o tempo, podemos até pensar que existe algo como "Como é ser uma formiga" ou simplesmente pensar que elas tem um modelo mental não-existente (não possuem mente). Para uma criança ingênua, possibilidade implica em probabilidade. Mas nem tudo que é lógicamente possível é provável. Só porque você pode se imaginar sem um corpo físico, não quer dizer que isso seja provável. Só porque você consegue imaginar uma formiga com sentimentos ou uma lagarta em sofrimento, não segue que seja provável que ela esteja sofrendo. É possível que seus sistemas empáticos operando sobre seu senso estético e sua imaginação.
Por inferência probabilística, sabendo da função evolucionária psicológica e computacional da dor em sistemas nervosos complexos, não vejo motivos para pensar que elas estão sentindo dor. Muito menos que plantas estão sentindo dor. Isso não significa que elas definitivamente NÃO sentem dor. Só significa que eu prefiro não me preocupar com a improvável dor de lagartas e plantas, cuja as chances de sentirem dor são um pouco maiores do que as chances de um robô da HONDA feito de silício sentir dor. Se o sofrimento for um valor moral a ser considerado ou uma utilidade negativa a ser minimizada, então, certamente, em nossas políticas éticas e escolhas morais, eu escolheria 1 milhão de lagartas esmagadas no lugar de um porco esmagado. Se levarmos alguma forma de naturalismo e reducionismo ético parcial até as últimas consequências, então é imperativo que, a partir de qualquer teoria justificacional e normativa, busquemos diminuir o sofrimento de acordo com o nosso melhor conhecimento disponível sobre o sofrimento. Usando as mesmas fundações ontológicas e epistemológicas que sustentam o naturalismo, vejo que a probabilidade de vida mental primitiva (experiencia em primeira pessoa) e de senciência (dor, prazer e outros estados mentais primitivos) acompanha a árvore filogenética até sua base. Esse instrumentalismo probabilístico é muito útil. Por exemplo, se você ficar em coma mínimo amanhã, você vai desejar que os médicos estejam atualizados sobre as recentes pesquisas neurocientíficas e prescrevam os medicamentos necessários para impedir que você sinta dor enquanto coma mínimo, mesmo que você aparente estar sereno. Eu apresentei uma modalidade de reducionismo pan-informacionalista capaz de dar esse "melhor conhecimento disponível" acerca da probabilidade de insetos e plantas sentirem dor que segue as mesmas premissas usadas para verificar a possível senciência de um paciente em coma mínimo. Segue, também, as mesmas premissas que permitem anestesiologista agirem com confiança sobre a sua inconsciência quando se você precisar de uma operação . Se no futuro existirem paraísos pós-darwinistas genéticamente modificados, vamos buscar sanar a dor de todos aqueles que possam estar sofrendo, inclusive insetos e até mesmo robos sintéticos. Mas enquanto esse momento não chegar (se chegar), seria um dever respeitar todos aqueles seres capazes de sentir dor de acordo com nosso melhor conhecimento disponível. Num mundo onde 34.000 crianças morrem por dia de fome, seria estupidez e até mesmo psicopatológicamente sintomático preocupar-se com o possível sofrimento de plantas e insetos. Eu não precisaria recorrer, como fiz, à minha prolixidade e aos paradigmas da psicologia evolucionária, teoria algorítmica computacional e muito menos à qualquer noção metafísica particular para defender tal postura. O próprio senso comum faz da tarefa de se preocupar com o possível sofrimento de insetos e plantas algo irrelevante no momento, embora importante no futuro. -
Primeiro, é preciso diferenciar vida mental de senciência. Eu fui estúpido e misturei as coisas. Eu deveria ter dito que o sofrimento e senciência de agriões e pernilongos é improvável. Por que eu NÃO deveria ter dito senciência? Senciência demandaria um processo auto-reflexivo muito maior, pois senciência envolve a presença de dor, prazer. Alguns sistemas apenas respondem à estímulos sem ter a necessidade da dor ser representada ou experienciada. A experiência subjetiva de dor é o que modula outras propriedades internas do sistema, e se este for simplista demais, não vejo razões para existência de uma cadeia de processos físicos que elicite dor. Isso fica claro em animais que respondem aos danos físicos pontuais causados, mas são capazes de continuar atividades hierarquicamente mais importantes como sexo ou alimentação. Aranhas sendo devoradas vão continuar fazendo sexo e, muitas vezes, insistem em atividades aumentam o próprio dano causado aos seus sistemas. Danos neurológicos em sistemas nervosos de indivíduos que não são acometidos pela experiência subjetiva de dor diminuem a expectativa de vida dos mesmos. É péssimo viver sem dor, pois a dor é essencial em sistemas complexos com processos hierárquicos correndo em paralelo, muitas vezes em disputa com outras experiências subjetivas.
O primeiro teste para identificar dor ou sofrimento seria localizar o sistema de processamento que tal indivíduo possui e se ele apresenta os mesmos correlatos físicos que os nossos (presença de nocireceptores para a dor por exemplo e um córtex com arquitetura similar). O primeiro teste é importante, pois é possível que, por exemplo, um paciente em coma mínimo, aparentemente sereno, esteja sentindo dor (http://www.newscientist.com/article/dn14891-some-coma-patients-feel-pain.html). Nesse sentido, de acordo com esse primeiro teste para senciência, não basta que um sistema investigado afirme que esteja com dor ou faça uma "cara de dor" ou role no chao gritanto. É pertinente e rotineiro que pacientes em coma mínimo reajam ao ambiente e, assim, sejam medicados para a dor. Esse primeiro teste é, resumidamente, verificar se o sistema usa o mesmo maquinário aproximado que a evolução darwiana nos deu: se ele tem um sistema nervoso e o cérebro dele apresenta um padrão de disparos esteriotipado para dor, então as chances de que ele esteja sentido dor são tão altas quanto as chances de que um paciente que recebeu anestesia geral esteja suficiente inconsciente para receber uma toracotomia, que é literalmente abrir o peito de um humano com um grande corte. Se é probabilisticamente confiável para salvar sua vida abrindo seu peito, o mesmos padrão de correlatos é probabilísticamente útil para inferir sobre estados mentais de dor.
O segundo teste seria verificar se os processos auto-reflexivos do sistema apontam para uma reação de dor ou uma simples reação contra danos físicos. Um exemplo de invertebrado que tem uma reação mecânica para danos físicos é a aranha, que reage se você arrancar um membro da mesma, mas continua se reproduzindo, alimentando-se. Esta aranha não tem a mesma arquitetura funcional de neurônios que um vertebrado cordato, mas ela parece ter algum comportamento de resposta à danos físicos. Será que ela sente alguma coisa? Provavelmente não, pelo argumento dos processos exoadaptativos que conferem à dor uma função evolucionária em sistemas suficientemente complexos.
Mais tarde você vai ler que algumas plantas parecem ter uma reação contra invasores e ameaças químicas. Parece, então, que reagir contra danos físicos, mesmo que você tenha uma arquitetura neuronal primitiva ou que você seja feito de silício, não parece garantir senciência para a dor, pois, como já disse, dor tem uma função muito clara dentro da arquitetura darwiana. Há sensores que reagem à identificação de diferentes odores, capazes de identificar a origem dos odores e componentes químicos voláteis. Será que essa mera reação, de uma máquina capaz de identificar, por exemplo, um chocolate, garante à essa maquina a capacidade de estar tendo a experiência subjetiva de cheirar um chocolate, análoga àquela que nós sentimos quando cheiramos um chocolate? Não, porque a experiência qualitativa análoga à experiência humana é intrínsica à organização complexa do nosso sistema nervoso. Em outras palavras, a experiência subjetiva de cheirar e se guiar pelo cheiro como nós nos guiamos é exclusivamente complexa e útil para sere usadas pelos nossos processos mentais, metódicamente refinados pelos processos evolutivos após bilhões de tentativas e erros acumuladas. Não existe razão para pensar que um robô primitivo que identifica substâncias voláteis provenientes do chocolate e consegue localizar um chocolate apresenta a mesma qualidade da nossa experiência. A qualidade da nossa experiência, como tudo na nossa bagagem evolutiva adaptativa, foi construída pelo acumulo e refinando de estruturas.
Vamos descrever agora o que é vida mental. Para se ter vida mental, parece ser suficiente o processamento de informações. Se já falamos que insetos reagem à danos físicos, também podemos falar sobre plantas. Muitas plantas desenvolveram sistemas de resposta para com o ambiente, de resistência e ataque à predadores e substâncias. Quando atacada por pragas, liberam substâncias voláteis que atraem predadores de pragas. Plantas do gênero Arabidopsis armazenam estados provenientes da luz e processam esses, transmitindo para outras folhas e ramos, modulando a concentração físico-química de processos essenciais para a vida da planta (fotossíntese e distribuição de nutrição). Como se a planta, sem um sistema nervoso como o nosso, exibisse capacidade computacional. Não se sabe como esse processamento se dá, se é através de impulsos elétricos ou disposição de componentes físico-químicos (http://www.bbc.co.uk/news/10598926). Não existe nenhum impedimento fisicista, acerca da disposição funcional dos elementos físicos dos vegetais, que diga que não é possível que plantas não estejam primitivamente cientes, respondendo à estímulos de maneira complexa, dotadas de processamento cognitivo ou computacional. Grosso modo, nosso cérebro é um grande computador e plantas são unidades computacionais primitivas. E todas as unidades de processamento de informação acumuladas na evolução darwiana parecem exibir, progressivamente, grau de reflexividade ou vida mental primitiva. O que chamamos de mente humana lúcida, mente humana em coma, mente humana sob efeito de alucinógeno, mente de um mamífero ou primatava, nada mais é que a acumulação destas unidades primitivas de processamento cognitivo. Assim, descendo o gradiente da complexidade funcional de nossos sistemas, é seguro assumir que plantas possuem alguma vida mental primitiva. Agora, por serem capaz de exibir comportamento primitivamente complexo (e por conseguinte alguma forma primitiva de vida mental), poderíamos dizer que plantas que respondem à ameaças químicas estão tendo alguma experiência subjetiva correlata com a nossa experiência subjetiva de dor quando nossas fibras-C ou A de dor são excitadas e processadas em nosso córtex? Elas possuem vida mental primitiva, que é o caso que eu estou defendendo nesse momento, mas será que elas tem experiências subjetivas qualitativamente idênticas as nossas? Quando aranhas respondem primitivamente aos dados em seus tecidos, mas conseguem sobreviver para se alimentarem ou até mesmo não interromperem o sexo, elas realmente sentiram dor? Nós temos peixes que respondem à danos físicos e não aparentem ter a mesma experiência subjetiva que a nossa, de sofrimento. Mas há outros peixes que já respondem com sofrimento e incomodo aos danos provocados, muitas vezes mudando o comportamento destes. Parece existir uma correlação entre sofrimento e a incapacitação, como a cessação de busca por parceiros, sexo ou nutrição, quando estamos com dor. Plantas que reagem à predadores podem alterar sua disposição química interna, enquanto foram danificados, para responder à ameaças. Será que elas estão sofrendo ou meramente respondendo? Eu acho que elas estão meramente respondendo, processando. Acho que, para existir alguma forma primitiva de dor, é necessário que exista uma necessidade para tal experiência subjetiva, porque há uma necessidade de uma disposição funcional específica que sustente tais processos mentais. Nós temos uma dor aguda, provocada pela excitação de fibras-A, que transportam o sinal até córtex numa velocidade de 20m/s, apta a responder à danos de tecidos de maneira rápida, elicitando reações que podem garantir a vida ou a morte. Temos a excitação de fibras-C, que garantem aquela sensação de dor "queimando" e persistente, dando sinal de que precisamos, de maneira séria, nos adaptar ao ambiente e mudar nossas prioridades para garantir o equilíbrio do sistema. Não vejo razão para que uma planta respondendo à ameaças químicas, uma aranha ou um pernilongo tenha uma vida mental primitiva complexa o bastante para ter experiências subjetivas similares à nossa. Não vejo razão porque o sistema das mesmas não tem o mesmo poder de processamento que o nosso sistema cognitivo possui. A experiência de dor parece ser proporcional à complexidade da nossa vida mental. A dor é nosso maior guia e para a dor ser respeitada é preciso que ela se sobreponha à todas nossas outras experiências. Moscas do gênero Drosophila, que possuem uma das arquiteturas neuronais mais estudadas na história da neurociência, quando selecionadas para a ausência de um certo gene para não sentirem "dor" ou, mais precisamente, para não terem resposta ao calor extremo, não exibem o comportamento esteriotipado de se rolarem em cima de uma chapa quente. Esse gene codifica a expressão de resposta para danos térmicos e mecânicos. Em moscas normais, verificou-se a expressão de um sistema de neurônios periféricos abaixo da epiderme das larvas (http://www.cell.com/retrieve/pii/S0092867403002721). Insetos possuem sistemas de processamento de informação, respondem à danos físicos, tem uma vida mental primitiva (se acreditamos num viés fisicista para a sustentação das NOSSA própria vida mental e se não existe evidência de que a mente é algo mais do que a própria disposição do sistema nervoso, então automaticamente deveriamos esperar alguma forma de vida mental em outros sistemas físicos, sejam neurônios ou outros). Não me parece claro que a vida mental de insetos sustenta a idéia de que eles sentem dor como nós sentimos, muito menos que eles sofrem. O mesmo se aplica às plantas, que são ainda mais primitivas no processamento de informações e nas respostas necessárias que apresentam aos danos físicos e ameaças.
A improbabilidade de insetos, plantas, pernilongos ou agriões sentirem dor se baseia na psicologia evolucionária, pelo argumento da adaptação das experiências subjetivas e modulos mentais. Não parece existir razão para que tenham dor ou sofram. Experiências subjetivas complexas como dor ou sofrimento não seriam necessárias em animais de vida mental primitiva. Se baseia também, na ciência da computação. A ciência da computação possui ferramentas para mensurar a atividade inteligente de sistemas, sejam eles feitos de neurônios, estruturas físico-químicas que armazenam e processam informações, silício, etc (http://esciencenews.com/articles/2011/01/27/on.hunt.universal.intelligence). Usando a teoria algoritmica da informação, é possível se ter uma idéia da complexidade das informações manipuladas por um sistema e com isso inferir sobre a inteligência do sistema, se comparado com a nossa capacidade de lidar com informações comparavelmente complexas. Dessa forma, é possível afirmar o quão complexo é um sistema, inferir sobre sua vida mental primitiva e a necessidade da presença de emoções, dor, sofrimento. É preciso lembrar que, por exemplo, uma Drosophila é muito mais complexa que qualquer computador que existe atualmente (não estou falando de poder computacional, mas da complexidade algoritmica de seus programas genéticos e sistemas adaptativos). -
Sim, sigo nessa direção de estudos sobre a filosofia da mente e inteligência artificial. IA é um dos tópicos que mais me interessa, a ponto de me atrapalhar no objetivo mais básico que preciso alcançar, que são os estudos de graduação. Antes de focar-me nos paradigmas computacionais e filosóficas mais "abstratos" de IA, eu preciso primeiro preciso estudar mais matemática, arquitetura de processadores, programação, ou seja, mais engenharia e menos procrastinação. É como o fulano que fica sonhando com obras de arquitetura e desenhando, mas esquece primeiro precisa estudar geometria e matemática. Fica sobrando "gaps" de conhecimento, o que é arriscado para um estudo completo e sério em qualquer área.
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Como eu falei, Olavo de Carvalho é um lixo. Mas ele escreveu livros sobre filosofia aristotélica e kant, se não me engano. Para ser um filósofo basta filosofar, por mais débil que seja o resultado.
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Thomas Jefferson disse que negros escravizados e torturados aparentam sentir dor, mas seu sofrimento é menor e transitório, rapidamente esquecido pelos mesmos e que sua existência é feita mais de sensações do que de reflexões (de consciência e sentimentos, creio eu). http://www.historytools.org/sources/Jefferson-Race.pdf Psicopatas que cometem crimes violentos conseguem expressar analíticamente a disposições das normais sociais e do comportamento das suas vítimas (eles sabem que as vítimas deles sofrem), mas os estímulos audio-visuais das mesmas parecem não elicitar nenhuma emoção ou sentimento de culpa. Psicopatas que apresentam um score maior que 25 no teste geral de psicopatia tendem a apresentar visíveis anormalidades estruturais no cérebro. Altered connections on the road to psychopathy. Molecular Psychiatry (2009)
Como saberemos se agriões sentem dor ou sofrem? Como saber se negros sentem dor ou sofrem? Perguntaremos aos psicopatas extremamente desviantes? Perguntaremos à um dos pais fundadores dos EUA (Thomas Jefferson)? Quem deveria guiar nossos valores morais, para que você, negro, branco, azul ou amarelo, não saia de casa e seja prontamente escravizado, torturado e morto? Que critérios usaríamos para não marcar o seu grupo social, étnico ou político como menos senciente que um boi ou uma vaca? Quem são nossos guias ou quais são nossos critérios que decidem se um agrião ou pernilongo sente dor ou sofre? Parece simples dizer que uma pessoa como você, um branco ou um negro "sentem" dor. Você diria "ora essa, mas é óbvio que você não pode escravizar negros, eles são seres humanos!". Mas algumas pessoas não concordam que alguns seres humanos sentem dor, pelo menos não no nível de serem capazes de expressar a mesma análise emocional sintética que nós. O psicopata diria que negros sofrem, tudo bem. Mas nós diríamos que negros sofrem e isso é horrível e horrendo. E se todas as pessoas em volta de você acordassem amanhã como cópias de Thomas Jefferson, alguém que viveu no XVIII, e decidissem (se você for negro) que não há problemas em torturá-lo e escravizá-lo? E se todos amanhã acordassem como psicopatas, como você argumentaria para reter seus direitos fundamentais? Você choraria e pediria por sua vida, pois, "por favor, eu sinto dor"? Os psicopatas diriam que não são burros, que sabem que você sente dor, mas não entendem qual o problema nisso.
Sabendo disso, o que devemos fazer, de fato? Quando um filosófo político como Rawls afirma que existem direitos humanos fundamentais e que a manutenção do bem-estar é um dever, isso certamente faz sentido para você que certamente sente uma reação emocional exacerbada ao ver um negro sendo escravizado. Mas será que Thomas Jefferson entenderia Rawls? Um psicopata que tortura crianças entenderia Rawls? Certamente não, pelo menos em nível emocional. Deveríamos respeitar a comunidade moral representada por Thomas Jefferson? E se boa parte da população de São Paulo decidir que, assim como pernilongos e agriões, nordestinos não sofrem ou não sentem "dor" de fato? Deveríamos atualizar a constituição Brasileira para respeitar os direitos dessa comunidade moral unificada que vê nordestinos como animais inferiores? Alguns utilitaristas poderão argumentar que, ao não respeitar as preferências dos nordestinos, certamente o resultado será negativo no final, pois os mesmos deixarão de serem independentes para serem meras propriedades, o que afetaria a economia brasileira em algum futuro distante. Há teorias que dizem que psicopatas não optariam por isso, pois um indivíduo, mesmo sem capacidade de sentir emoções, mas suficientemente racional, escolheria por respeitar as preferências alheias para garantir a melhor solução possível. Mas seres humanos não são suficientemente racionais, não são maximizadores de utilidade ou fitness, mas executores limitados de adaptações. Não há nenhuma garantia de que, no mundo real, pessoas que não entendem empaticamente o sofrimento, vão optar pela maximização de todas as preferências dos outros.
Quem está certo, ou seja, qual a justificativa moral para esses valores morais? Você acha que está certo só porque você tem empatia e simpatia por nordestinos? Devemos fazer como toda a sociedade brasileira aparentemente sustenta como comunidade moral unificada, ou seja, devemos ser "bons" ao não torturarmos e não escravizarmos nordestinos? Quem está certo? Por que Thomas Jefferson estaria errado sobre os negros? Por que um psicopata estaria errado em torturar? Por que, na prática, a maioria das pessoas sequer cogita que pernilongos ou agriões sofrem ou sentem dor? A neurociência dá pistas. Correlatos neuronais específicos aparecem em pessoas que reportam respeitar os chamados direitos modernos, quando estas visualizam fotos e videos de pessoas sofrendo. Pessoas que são definidas como empáticas através de um questionário tem respostas emocionais contingentes com as imagens (de rostos de felicidade ou sofrimento) que elas classificam como ruins. Parece-me que uma parte das pessoas da comunidade moral unificada que sustenta os chamados Estados de Direito apresenta um funcionamento neurológico diferenciado. Seus cérebros, nas áreas correlacionadas à emoção e o comportamento social (córtex pré-frontal medial), funcionam de maneira diferenciada, respondendo à padrões de imagens. Então, parece que há um imperativo biológico cognitivo e inconsciente que suscita alguma reação emocional empática para com aquilo que é considerado sofrimento. Pode ser que essa reação seja a expressão sintética do sofrimento emocional, aquilo que torna o sofrimento importante para alguém, mas não para Thomas Jefferson (no caso dos negros) ou para um psicopata? Alguém deveria sentir empatia por um agrião ou um pernilongo sendo esmagado? Qual a cara de felicidade de um agrião? Agrião tem estados mentais? Pernilongos tem estados mentais de dor? Pelos estímulos audio-visuais disponíveis, aparentemente não. Ou será que nossos cérebros não conseguem refletir os estados mentais dos pernilongos? Será que pernilongos, entre si, conseguem identificar uns aos outros e elencar suas hipotéticas expressões de dor ou sofrimento? Será que somos psicopatas para com a subjetividade e a vida mental de um pernilongo só porque eles não são fofinhos, bonitos, ou seja, por que não conseguimos antropomorfizá-los corretamente ou por que não conseguimos nos imaginar como um pernilongo? Se pernilongos e agriões não possuem sistema nervoso, apesar de serem vivos e serem constituídos por sistemas adaptativos e programas genéticos, por que deveríamos esperar que eles sintam alguma coisa? Talvez eles sofram em silêncio? Se continuarmos a matar pernilongos, que diferença faz? Eles se voltarão contra nós? Não nos servirão mais? Se somos psicopatas para com o hipotético sofrimento dos pernilongos e agriões, então nos resta pelo menos garantir nossa desculpa epistemológica: vocês agriões e pernilongos são muito simples e diferente de todos aqueles com sistema nervoso que despertam empatia em nós. Vocês são diferentes de negros, focas, pandas, aves, répteis e mamíferos. Por serem tão diferentes de nós, por ser tão difícil e improvável inferir sobre o sofrimento de vocês, quiçá suas vidas mentais, que matamos vocês. Você poderia contra-argumentar e dizer que seria exatamente isso que um psicopata diria: que não sentiu nada e que ao se lembrar do que fez, não sente culpa. Alguns relatam que psicopatas são predadores inter-específicos. Talvez psicopatas nos observam da mesma maneira que nós observamos pernilongos e agriões? Talvez sim. Porém, a ciência da moralidade aponta para a improbabilidade do sofrimento e da vida mental de pernilongos e agriões. E tal fato pode ser verificado por qualquer um, mesmo aqueles que não se sentem compelidos a ter empatia por seus semelhantes biológicos. Se nós estabelecermos que nosso dever é promover sistemas nervosos que estão "felizes", então essa deveria ser uma regra acessível até mesmo por psicopatas, ainda que eles não sejam compelidos a agir conforme tal regra de maneira emocional e empática. -
Há diversos modelos-teorias para o que se define como auto-consciência, que incluem diversos testes para diversos níveis de auto-consciência assumida de acordo com o comportamento observado dos animais. A maioria dos testes sofre de críticas gerais dessa natureza aqui: http://en.wikipedia.org/wiki/Mirror_test#Criticism
Acredito que mamíferos possuem um modelo interno-externo, já que os mesmos possuem os sistemas somatosensoriais compartilhados conosco. Possuem propriocepção, sabem onde seus musculos, articulações estão localizadas de maneira mais ágil e precisa do que muitos atletas olímpicos. Certamente eles tem uma experiência subjetiva de serem eles mesmo, mas talvez sem a metacognição avançada que nós temos, sobre pensarmos que estamos pensando, ou que vamos pensar, planejar. -
Acho que se as consequências tão bem traçadas, sem um grau de incerteza muito grande por trás delas, se você consegue até colocar em um papel ou na sua cabeça cada consequência, então acho que isso não garante que a definição de consequências é a coisa mais difícil, mesmo que você tenha que parar pra pensar e ficar indecidida e inconstante... Tem a parte psicológica por trás, motivos que não podem ser colocados em palavras, motivos inconscientes, que você não consegue sequer colocar em palavras, verbalizar. É o caso das pessoas que sabem tudo no vestibular (exemplo de algo que envolve vários processos racionais), mas na hora se cagam toda e ficam nervosas. Então se você falar de consequências racionais de uma decisão, sim, elas podem ser fodas. Mas e as consequências arracionais, que são sentimentos e besteiras das nossas emoções que temos que enfrentar? O bom das consequências inteligíveis e racionais é que você pode disputar elas, apresentar argumentos e a pessoa vai contra-argumentar com fatos também e no fim você pode provar com certa facilidade que errou por causa de uma coisa objetiva ou de outra. Já as coisas que envolvem a emoção e nosso inconsciente não são disputáveis, você vai precisar da compreensão emocional (empatia) da pessoa que pode te contrariar, além da compreensão intelectual como base. Algumas pessoas vão te culpar pra sempre e achar que você é um robôzinho que deveria pensar, calcular e "sentir" tudo na maior perfeição. Mas somos demasiadamente humanos. E isso deveria estar claro até mesmo para nós, quando ficamos nos culpando também. Pelo menos é isso que entendi da sua pergunta.
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é, eu eu gosto de várias áreas, não sei como eu finalmente consegui me focar na vida e seguir meu rumo. eu gosto de várias áreas, gosto de ler, conhecer, entender. faço engenharia da computação, mas busco me focar em também em filosofia analítica, filosofia da ciência, ética e filosofia da mente (porque desde cedo gostei muito de inteligência artificial e psicologia em geral).
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gosto, de escrever sobre as coisas que eu gosto. pro resto eu procrastino e sou vagal :|
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no geral, somando tudo, acho que sou paciente. mas pra certas coisas sou doente e chato de tão impaciente. minhas outras capacidades conseguem se sobresair na maior parte do tempo. sei lá, ja falaram q sou zen como buddha :3
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Não acredito em vidas futuras, mas se houver, então as chances do suicídio ser um ato imoral podem aumentar, tanto do ponto de vista moral realista, deontológico ou utillitarísta, pois algumas pessoas vão ficar "aqui" chocadas e muitas vezes sofrendo ou sentindo falta da sua presença. Mas suspendendo o julgamento sobre isso, creio que o suicídio é uma escolha e realização como qualquer outra, que visa os propósitos hedonistas dos nossos processos. Creio que é uma realização extremista e arriscada, o que faz com que tal ação tenha um valor de expectativa maior, mesmo se você levar em conta as pessoas que podem sofrer com o seu próprio suicídio ou a ausência da sua vida. Até hoje não me matei porque acredito que há mais realização útil de felicidade do que sofrimento para mim, mas não julgo quem escolheu. Acho que a Cena III, Ato I, de Hamlet, mostra bem isso:
"Ser, ou não ser, eis a questão: será mais nobre
Em nosso espírito sofrer pedras e setas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provocações
E em luta pôr-lhes fim? Morrer.. dormir: não mais.
Dizer que rematamos com um sono a angústia
E as mil pelejas naturais-herança do homem:
Morrer para dormir... é uma consumação
Que bem merece e desejamos com fervor.
Dormir... Talvez sonhar: eis onde surge o obstáculo:
Pois quando livres do tumulto da existência,
No repouso da morte o sonho que tenhamos
Devem fazer-nos hesitar: eis a suspeita
Que impõe tão longa vida aos nossos infortúnios.
Quem sofreria os relhos e a irrisão do mundo,
O agravo do opressor, a afronta do orgulhoso,
Toda a lancinação do mal-prezado amor,
A insolência oficial, as dilações da lei,
Os doestos que dos nulos têm de suportar
O mérito paciente, quem o sofreria,
Quando alcançasse a mais perfeita quitação
Com a ponta de um punhal? Quem levaria fardos,
Gemendo e suando sob a vida fatigante,
Se o receio de alguma coisa após a morte,
–Essa região desconhecida cujas raias
Jamais viajante algum atravessou de volta –
Não nos pusesse a voar para outros, não sabidos?
O pensamento assim nos acovarda, e assim
É que se cobre a tez normal da decisão
Com o tom pálido e enfermo da melancolia;
E desde que nos prendam tais cogitações,
Empresas de alto escopo e que bem alto planam
Desviam-se de rumo e cessam até mesmo
De se chamar ação [...]" -
SPOILER: Há várias interpretações, eu prefiro aquela em que a Mel realmente existiu fora da suposta realidade onírica que se passa no filme, que o Cobb realmente injetou o meme solipsista na cabeça de sua mulher e que no final do filme ele realmente está na realidade visitando seus filhos, depois de conseguir abandonar a entidade virtual da Mel em seu limbo. Alguns dizem que o peão rodado no final do filme pode dar margem para interpretar que tudo ainda é um sonho ou que, por mais louco que pareça, o verdadeiro "alvo" em todo o filme, ao invés do oriental, era o próprio Cobb (Leonardo DiCaprio), já que ele é quem estava duvidando da realidade (como a Mel disputa na cena final). É uma teoria menos consistente, porém de alguma forma válida.
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Fico com uma parte do realismo de Russell, sem cair na epistemologia platonista, admitindo a existência de objetos matemáticos que poderão ser reconhecidos ou não por qualquer operador (transistores/portões lógicos/neurônios), sem necessidade que esse operador tenha uma consciência (ele pode ser um zumbi ou não, uma forma de vida estranha ou não), enquanto a tessitura do universo se manter da maneira que é. Porém, o reconhecimento de um objeto matemático com certas propriedades é tido como verdadeiro se um objeto com tais propriedades pode ser construído, de maneira intuicionista (aí entra uma dose de anti-realismo), atrelados à teoremas que não conseguem provar a sua consistência em si mesmos, gerando algumas afirmações que não podem ser provadas, nem refutadas (como o primeiro teorema de Gödel mostra). Qualquer objeto matemático é considerado um produto da construção de uma mente/sistema cognitivo e consistente dentro dela, sendo que a refutação da não-existência não significa que tal objeto pode existe de maneira construtiva. Qualquer objeto matemático pode sustentado como o produto de uma mente/corpo específica de acordo com seu conhecimento atual ou até mesmo ontologia. É concebível que existam, por exemplo, seres que possam operar manipulando números irracionais (como a natureza o faz, para além da nossa razão ou da organização da nossa matéria), nesse universo ou quem sabe em outro universo (isso é disputável e pode ser loucura ou minha ignorancia prolixa, já que eu não entendo o suficiente de filosofia matemática). Para mim a matemática tem significado, talvez diferente, sem a presença de humanos, quiçá cérebros.
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No jornal só vi a Erundina (PSB) reclamando. Nunca vi ela votar contra o povo. Acho que, probabilísticamente, algus poucos políticos bons se salvam, como a Luiza Erundina. Por sinal, a campanha dela foi feita do zero, sem financiamentos. Hoje em dia você tem até partido pequeno recebendo milhões de construtoras... De graça é que não é. O universo pode ser um free lunch, mas aqui dentro não existe nada de graça, sempre há uma motivação intrínsica (sentimental, moral) ou extrínsica (troca de favors materiais). Aumentar o salário em 60%, 4x acima da inflação, é coisa para fazer meu humanismo sumir por um instante e desejar que todos eles sejam mortos em horário nobre com transmissão em rede nacional. Eles recebem um salário invejável, uma vida corrida porém nobre (representar um povo), tem todo tipo de custo administrativo e de assesoria pago. E ainda querem mais. Isso é um absurdo. Quanto menos eles ganharem, mais os interessados por dinheiro vão fazer carreira privada e mais os verdadeiros interessados no trabalho nobre vão estar lá, lutando e representando todos, pois vão estar lá presentes aqueles que provávelmente tem interesses diferenciados, motivações altruísticas e mutualísticas.
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Informação em um loop estranho*.
*: http://pt.wikipedia.org/wiki/G%C3%B6del,_Escher,_Bach -
Todos.
Dissonância cognitiva é um termo da psicologia social, que se refere ao conflito entre duas idéias, crenças ou opiniões incompatíveis. Como esse conflito geralmente é desconfortável os indivíduos procuram acrescentar "elementos de consonância", mudar uma das crenças, ou as duas, para torna-las mais compatíveis. http://pt.wikipedia.org/wiki/Disson%C3%A2ncia_cognitiva -
Nolan é o diretor mainstream mais foda, depois de Darren Aronofsky. Inception é simplesmente foda, poderia escrever horas sobre o filme, fazendo inúmeros paralelos com diversas áreas de conhecimento.
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Boni’s Bio
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