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    1. Alexander Gieg

      Olavo de Carvalho. A didática dele quando dá aula de filosofia é fantástica, e mesmo nas ocasiões em que você discorda do que ele diz não dá para deixar de apreciar.

    2. Alexander Gieg

      Depende de qual direita, afinal, o termo é ambíguo.

      Se for um "conservadorismo" em sentido estrito, acho difícil, porque não temos nada que possa ser chamado propriamente de "tradição brasileira", então o quê haveria a conservar? Ou melhor, haver até há, mas envolve patrimonialismo, clientelismo, centralismo político, trocentos jeitos e trejeitos autoritários, e por aí vai. Nesse sentido o Brasil PTista é até que bastante conservador.

      Se for um conservadorismo à USA, ainda difícil, porque este depende de coisas que aqui nunca existiram, como uma primeira constituição defensora das autonomias locais que, de tão cultuada, virou praticamente texto sacro, com direito até a seus próprios Pais da Igreja, na figura dos reverenciadíssimos "founding fathers". Mas há chances, na medida em que apela a um americanofilismo tipicamente brasileiro, que gosta de copiar o que vem de fora desde que seja de fácil digestão. No pior dos casos, pela via do apelo moral, dá para pelo menos combinar mais ou menos bem com os neopentecostalismos (e carismatismo) em voga.

      Há ainda o conservadorismo à europeia, mas este envolve ideais monárquicos. E no plano econômico, embora vá contra o socialismo, também vai *definitivamente* contra o liberalismo. É o conservadorismo pré-Revolução Francesa, que rejeita tudo que saiu desta, i.e., os três ideais econômico-políticos que mais tarde ganharam cada qual vida própria: liberalismo, socialismo e fascismo. Pode até não ser impossível esse ai vingar, mas que é muitíssimo difícil, é.

      E há ainda um conservadorismo ainda mais antigo, o dos distributistas, que se fundam no pensamento escolástico e defendem, em economia, a propriedade privada conjugada a uma organização sócio-econômica em guildas e a proibição da cobrança de juros, mais um sistema político monárquico pré-Estados Nações, que contempla e incorpora, ao mesmo tempo, monarquia, aristocracia e democracia. Sou fãzaço deles, mas a possibilidade, como vejo, é literalmente nula.

      No outro extremos, temos o liberalismo. Esse tem mais chances, porque se encaixa melhor em muito da intuição do brasileiro médio. Mas ele só funciona direito, e de maneira logicamente consistente, abstraído de considerações religiosas, o que o faz bater de frente com os conservadores do segundo tipo mas, ao mesmo tempo, ter apelo em meio a dois grupos relevantes: os intelectuais cansados do socialismo mas não afeitos à religião, e a classe média cansada de tantos impostos. É o grupo que me parece o mais viável.

Alexander Gieg

São Paulo, Brazil

www.alexandergieg.org

Alexander Gieg’s Bio

B.A. in Philosophy by University of Sao Paulo (USP), Brazil.

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