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Assim como 3a = a + a + a e a³ = a.a.a, existe alguma notação que signifique a^a^a? Algo como ³a, p ex? Existe algum estudo das propriedades de tais operações? Poderia haver, ou há, uma "álgebra" com tais propriedades?
A operação a∧b (exponenciação) não possui várias propriedades:
a∧(b∧c) <> (a∧b)∧c - não associatividade
a∧0 = 1; 0∧a = 0 - 0 não é neutro
a∧1 = a; 1∧a = 1 - 1 não é neutro
a∧b <> b∧a - não comutatividade
Pode-se definir uma operação inversa:
a∧b=c é inversa de a∨c=b (logaritmação)
Acho que a exponenciação não preenche um grupo de propriedades para caracterizá-la com alguma estrutura algébrica como grupo, anel, ideal, corpo, ou o que seja. Todavia, vou pesquisar sobre o tema, que achei interessante. -
Professor,o Sr. acredita na educação brasileira?
Infelizmente, não. Mesmo o Colégio de Aplicação da UFV, que conheço bem, pois já fui professor e administrador na UFV, que tirou o primeiro lugar entre as escolas públicas no ENEM 2010, ainda deixa a desejar. Porque, no Brasil, não se educa, apenas se passam conhecimentos e, em geral, mal. Educar é um processo complexo que envolve uma participação ativa do educando na formação de sua intelectualidade, seu físico, seu caráter, sua sensibilidade, sua emocionalidade, suas habilidades motoras, sua vontade, suas maneiras, sua cultura, sua ética e tudo o mais. E isso tem que ser feito de forma integrada, em tempo integral, no ritmo de cada um, não ensinando, mas levando o educando a aprender, quer os aspectos cognitivos, quer as habilidades para usar os conhecimentos teóricos e práticos. Isto é assunto para um ensaio de várias páginas, mas eu recomendo uma pesquisa na internet sobre a "Escola da Ponte" em Portugal. Veja o que é educar prá valer.
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A função seno possui fórmula "explícita"? Assim como um certo f(x) polinomial pode ter fórmula algébrica x² + 3x - 2, imagino que sen(x) tenha alguma fórmula (embora transcendental) onde substituir o x, operar e ter o resultado. Há algo assim?
Não. As funções trigonométricas, logarítmicas e exponenciais, além de outras, não podem ser expressas por uma expressão finita de potências racionais de seu argumento, São chamadas transcendentes. Mas podem ser aproximadas, até a precisão que se queira, por uma série de potências truncada em algum expoente. É dessa maneira que as calculadoras fornecem os valores dessas funções.
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Tudo o que é físico é tridimensional? Se não, que espécie de exceção há?
Tudo que for substancial é tridimensional. Isto inclui campo, matéria e radiação, que são os constituintes substanciais do Universo. Mas as entidades físicas não são apenas substanciais. Espaço, tempo, estruturas e fenômenos são físicos e não são substancias (isto é, não são feitos de algo palpável). As estruturas são constituidas de campo, matéria e radiação, portanto são tridimensionais. Note que a estrutura não é o seu conteúdo, mas a forma como é distribuído no espaço. O tempo é unidimensional. O espaço é tridimensional (sem considerar a possibilidades das dimensões recurvadas da teoria das supercordas). As ocorrências são quadridimensionais, pois se dão no tempo e no espaço. Mas podem existir subconjuntos bi-dimensionais do espaço que são físicos, como, por exemplo, as interfaces limítrofes entre os meios materiais.
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Sr. Ernesto, o que você acha sobre a traição? Eu queria a sua opinião sobre esse assunto.
Algo inteiramente inadmissível, uma atitude vil e repugnante, indigna de quem quer que seja considerado uma pessoa humana decente e honesta. Porque traição é uma mentira gravíssima, uma quebra de confiança, uma rasteira que se dá em quem deposita crédito em nós. Inadmissível e imperdoável. Isto não significa que ache que os relacionamentos amorosos tenham que ser exclusivistas. Acho perfeitamente viável que uma pessoa possa ter relacionamento amoroso com mais de uma outra. Mas que isso seja do conhecimento e consentimento de todos os envolvidos, antes que o relacionamento se estabeleça. Neste caso não é traição nenhuma, porque os envolvidos sabem do fato e concordam com ele. Acho que o mundo seria muito mais mais justo, harmoniosos e feliz se esta possibilidade fosse aceita normalmente pela sociedade. Então teríamos um conceito estendido de família, cada homem podendo ter mais de uma mulher, cada mulher mais de um marido, cada filho e filha mais de um pai e uma mãe. Tudo de uma forma honesta, comprometida e decente. Isto configuraria uma estrutura social inteiramente diferente, com a abolição, inclusive, da residência monofamiliar, podendo as habitações serem coletivas, o que propiciaria enorme economia de recursos e grande apoio mútuo dos que a coabitassem. A noção de propriedade também seria coletivizada, até que o anarquismo se estabeleça e derrube completamente essa noção.
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Na sua opinião como alguém com dotes intelectuais acima da média pode expressá-los sem ser pedante ou arrogante? Ou a única forma seria a não-expressão?
É claro que se pode expressar de forma inteligente e culta sem pedantismo e sem ser rasteiro, com argumentação consistente e persuasiva, sem prepotência nem arrogância, com elegância e estilo sem empolação nem rebuscamento. Com o uso de um vocabulário correto mas acessível. Isto é simples, basta que se tenha um bom domínio de redação, especialmente no estilo jornalístico, em que a informação precisa ser passada sem mal-entendidos e de forma compreensível. O primeiro requisito é o conhecimento abrangente e razoavelmente aprofundado do conteúdo e o segundo é o traquejo na forma escorreita de redigir ou falar. Tenho procurado atingir esse equilíbrio, mas, às vezes, sinto que uso um vocabulário, para mim inteiramente corriqueiro, mas para alguns um pouco erudito. Mas, acho que seja bom para a pessoa buscar o significado do que não entenda e, assim, enriquecer seu vocabulário. Emudecer é o pior que um intelectual deve fazer, pois assim retém para si o que pode oferecer a todos para que tenham uma visão mais abrangente e perspicaz da realidade.
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Existe alguma *boa* explicação para a notação f^(-1) usada para a inversa de uma função? Ou é apenas o que parece: um mau trocadilho com o inverso de um número, e que acabou "pegando"?
Realmente é um mau trocadilho, pois não tem nada a ver. Inclusive faz muita confusão. Por exemplo, a se adotar essa notação, sen²(x) deveria ser sen(sen(x)) mas significa (sen(x))², o que é totalmente diferente.Uma notação consistente seria usar inv(f(x)) para a função inversa e f^(-1)(x) para (f(x))^(-1).
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Segundo o livro de Cálculo (James Stewart) e certas calculadoras, raiz cúbica de -8 é -2. Segundo o WolframAlpha e outras calc., não existe raiz cúbica negativa - então dá 1 + 1,73i, aproximadamente. Qual a saída desse impasse?
Se você considerar -8 como real, -2 é a sua raiz cúbica sim, e única. Se considerar como complexo, continua sendo, mas tem mais duas que serão
2(cos60° + isen60°) e 2(cos60º - isen60°), que valem 1 + i√3 e 1 - i√3. Certas calculadoras que trabalham com complexos dão apenas o valor de menor argumento, que é o 1 +i√3. Outras trabalham apenas como os reais. A expressão geral para as n raizes enésimas de z = r(cosθ + isenθ), é:
|r^(1/n)|(cos(θ+p360°)/n + isen(θ+p360°)/n), p = 0,...,n-1. -
Ernesto, por que não se pode dizer, igualmente, que os leões foram "definidos", em vez de descobertos? Ou se pode? Foi isso o que você quis dizer sobre os triângulos?
Não, porque leão não é uma abstração, como um triângulo. Leão existe no mundo concreto e o homem o descobriu. Triângulo é uma ideia. Um exemplo: As constelações foram definidas e as estrelas descobertas. É claro que houve uma atribuição de nome à descoberta, como há uma atribuição de nome a uma invenção. Cadeira é uma invenção. E existe um conceito do tipo de objeto que pode ser chamado de cadeira. Portanto há uma noção abstrata de cadeira que é uma generalização das propriedades comuns a todos os objetos concretos que sejam cadeiras, independentemente de terem três ou quatro pernas, braços ou não etc. Note que triângulo não é o conceito de um objeto e sim uma abstração da "forma" que objetos podem apresentar. Números também são definições abstratas a partir de propriedades comuns a certas classes de conjuntos, que possam ser colocados em uma relação bijetora (correspondência biunívoca). O estudo cotejado da linguística com a ontologia é um dos mais interessantes que conheço. Ontologia é a parte da Filosofia que categoriza tudo e, nisso, há a correspondente associação com as categorias gramaticais.
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O triângulo foi descoberto ou inventado?
Nem uma coisa nem outra. O triângulo foi "definido". Definir é atribuir um novo nome a algo que preencha certas características. Definição é arbitrária. Não tem explicação. Descobrir é achar e inventar é criar algo que já se tem a definição do que seja ou que, descoberto ou inventado, se dê uma definição. O triângulo não foi descoberto nem inventado, pois já se apresentava na natureza desde que o homem surgiu. Ele meramente deu o nome de triângulo à forma dos objetos que preenchessem a característica de possuir três lados que se fecham.
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Hoje escutei de uma professora de antropologia que ela ficou indignada por uma aluna dizer num congresso que não entendia como as pessoas ainda procuravam benzedeiras sendo que a medicina progrediu tanto nos últimos 50 anos. Ai a antropóloga disse que ciê
[continuação] "...ciência e religião são equivalente e dizer que a crença alheia é besteira é usar o discurso da sociedade ocidental secularista branca para dominar aqueles que seriam considerados inferiores."
Chega a ser clichê de tão típico. ¬¬
Tenho aversão profunda a essa estratégia de substituir argumentos por gratuitas afirmações politicamente corretas. Como, diante da evidência e eficácia científica, e da patente incoerência religiosa, ela ousa dizer que são equivalentes?
Até a imagino retrucando, mecanicamente: "a religião é incoerente do teu ponto de vista". Se eu estivesse num dia bom, hehe, era capaz de mandar: "Claro, e esse é o SEU ponto de vista. Que aliás, muito ao contrário do meu, não é fundamentado em absolutamente NADA".
Não me surpreenderia se, em vez de ouvir algum fundamento que tentasse mostrar meu erro, eu ouvisse um desfile de conquistas acadêmicas: "Como NADA? Sou formada e pós-graduada em XYZ pelo UFX, com mestrado em bla...". Já aconteceu algo assim. Essa gente costuma ser altamente insegura, rs.
Caramba... Não posso ler esse tipo de coisa que já me pego tendo debates imaginários, kkkkk. -
O que o Sr. pensa sobre casamento? Não acha algo totalmente supérfluo desnecessário a menos que você resolva gerar filhos? Vc tem filhos?
Acho completamente desnecessário. Fui casado e me separei de minha primeira mulher. Depois encontrei minha segunda e vivemos juntos sem sermos casados. Acho melhor. Ela é viúva e tem três filhas e um filho. Eu tenho uma filha e um filho. A faixa é de 24 a 32 anos. Os meus se casaram no civil. Os da Fátima ainda não. Mas não recomendei que se casassem. Acho melhor não casar, mesmo que se tenha filhos. A questão de herança e bens não depende disso. E, para mim, cada um deve sustentar-se a si mesmo. Eu, aliás, não possuo bem nenhum para deixar de herança. Gasto meu dinheiro todo. Ter propriedades, para mim, vai contra minhas convicções anarquistas. Se eu ficar pobre, que fique, o que tem de mais? Mas, mesmo sem casamento, acho que é preciso que um casal se comprometa a apoiar um ao outro na vida, pois é para isso que as pessoas se unem. Contudo eu acho que não é preciso haver exclusividade. Isto é, cada mulher pode ter vários maridos e cada marido várias mulheres. Desde que todos os envolvidos estejam de acordo. O que eu não admito é a infidelidade, por ser um comportamento em que a pessoa mente para a outra. Isto é completamente errado e inadmissível. Todo relacionamento tem que ser baseado na verdade, na sinceridade. Mas as pessoas podem amar a mais de uma outra ao mesmo tempo. Então, porque se ater a um único relacionamento? Numa sociedade anarquista todo homem é marido de toda mulher e toda mulher é mulher de todo homem. Com consentimento mútuo, é claro. E toda criança é filho de todo adulto e todo adulto é pai e mãe de toda criança. Não precisa existir família no sentido que se concebe hoje. Todos forma uma grande família. Não é preciso saber quem seja o pai de cada criança se não houver propriedade e nem dinheiro. Mas pode saber, se quiser.
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Você acha que a descoberta do gene HAR1 pode mudar os estudos sobre a consciência??
Infelizmente, é muito difícil de se prever algo assim, mesmo por que HAR1 não é um gene, mas uma de várias regiões genômicas as quais acredita-se que tenham evoluído rapidamente (HAR, "human accelerated regions"), dada as diferenças em nossa linhagem quando comparadas aos demais primatas que apresentam esta região muito semelhante entre si e bem diferente em relação a nossa. O que sugere que estas regiões podem ter sido alvo da seleção natural positiva e, portanto, vinculadas com a evolução adaptativa da nossa linhagem. Uma dessas regiões, a região HAR1, é constituída de 118 pares de bases próximas ao telômero do braço q do cromossomo humano 20. A possível relevância funcional desta região é oriunda do fato de que ali se sobrepõem dois genes HAR1F e HAR1R, um dos quais HAR1F expressa, não proteínas, mas RNAs regulatórios.
Um desses RNAs é co-expresso no embrião (da 7a. a 19a. semana) juntamente com a proteína reelina em um tipo particular de célula (Cajal-Retzius) que, por sua vez, estão associadas corticogênese (desenvolvimento do córtex cerebral). Essas células servem como arcabouço temporário para eventos de migração celular ajudando no desenvolvimento do tecido cortical, importantes na formação das seis camadas corticais. Acredita-se, portanto, que os RNAs regulatórios derivados do gene HAR1F ajudem a regular a proteína reelina e assim a controlar esse processo. No entanto, estes RNAs também são expressos nos ovários e testículos cujos genes também sofreram rápida evolução em nossa linhagem desde que divergimos de nosso ancestral comum com os chimpanzés, por exemplo. As relações com a consciência, portanto, ainda são bem especulativas e indiretas, mas sem dúvida são uma possibilidade.
Então, ainda é cedo para sabermos no que isso vai dar, mas certamente é um caminho aberto para investigação e casa muito bem com a idéia que as nossas diferenças em relação aos demais primatas são muito mais ligadas com a regulação de redes genicas do que mudanças em proteínas específicas.
Pollard KS, Salama SR, Lambert N, Lambot MA, Coppens S, Pedersen JS, Katzman S, King B, Onodera C, Siepel A, Kern AD, Dehay C, Igel H, Ares M Jr, Vanderhaeghen P, Haussler D. An RNA gene expressed during cortical development evolved rapidly in humans. Nature. 2006 Sep 14;443(7108):167-72. Epub 2006 Aug 16. PubMed PMID: 16915236.
Pollard KS, Salama SR, King B, Kern AD, Dreszer T, et al. 2006 Forces Shaping the Fastest Evolving Regions in the Human Genome. PLoS Genet 2(10): e168. doi:10.1371/journal.pgen.0020168
KATZMAN, Sol; SALAMA, Sofie; POLLARD, Katherine et al. 2006 Verifying Human Polymorphism and Primate Divergence in HAR1. Disponível em: <http://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/download?doi=10.1.1.123.1237&rep=rep1&type=pdf>. Acesso em: 29 mar. 2011.
Smith K (2006) Homing in on the genes for humanity. Nature 442:725.
Mo. Rapidly evolving RNA genes in human evolution. 2006. Disponível em: <http://neurophilosophy.wordpress.com/2006/08/18/rapidly-evolving-rna-genes-in-human-evolution/>. Acesso em: 29 mar. 2011.
MYERS, Pz. Wells: “Darwinism is Doomed” because we keep making progress. 2006. Disponível em: <http://scienceblogs.com/pharyngula/2006/09/wells_darwinism_is_doomed_beca.php>. Acesso em: 29 mar. 2011.
Abraços,
Rodrigo -
O que você me disse sobre a busca pela verdade não poderia ser a busca pelo conhecimento? Sei lá, acho o termo "verdade" algo muito dogmático. Posso estar errado, mas acredito que não haja uma verdade absoluta, e se há, nunca a alcancaremos. Não que isso
Verdade absoluta é um pleonasmo. Verdade é a adequação entre a realidade e o que se diz a respeito dela. Logo, se é verdade, é absoluta. Conhecimento é exatamente a busca do estabelecimento de verdades. O problema é a dificuldade em se verificar se algo que se está dizendo é verdade ou não. Assim o conhecimento é feito por aproximações provisórias da verdade. Há ainda a questão da subjetividade e da objetividade da verdade. Alguém pode estar convicto de que o que diz seja verdade e, portanto, não mente, mas, de fato, não o seja, pois ele está enganado. De modo geral considera-se que alguma proposição seja objetivamente verdadeira se contar com concordância de muitas opiniões. Mas isto não é uma garantia, pois podem estar todos errados, como acontecia no tempo em que se supunha que o Sol girava em torno da Terra. Existem dois critérios de verdade: a evidência sensorial (mesmo que assistida por instrumentos) e a comprovação lógica. Mas o problema do estabelecimento da verdade é epistemológico e não lógico. A lógica só cuida da validade do raciocínio e não da veracidade das premissas. Premissas verdadeiras, por meio de raciocínios válidos (não sofismas nem falácias) levam a conclusões verdadeiras. Assim toda comprovação só será verdadeira se for baseada em premissas verdadeiras. Estas podem ser a conclusão de alguma outra prova, mas, no início de tudo, há que se ter alguma evidência direta como ponto de partida. Em suma, a verdade sempre fica como um ideal a ser buscado, muitas vezes sem nunca se ter certeza de que já se alcançou. Por isso é que o ceticismo é uma ferramenta preciosa na busca da verdade.
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É o seguinte: Halton Arp mostra evidências de que os quasares surgem, aos pares, do centro de galáxias próximas. Assim, seu desvio para o vermelho não é sinal de afastamento: eles estão próximos, e não nos confins do Universo. [continua]
(aontinuação): Ele relata vários casos de quasares (supostamente distantes) com uma galáxia do grupo local entre eles. E tem outras evidências mais técnicas de tal associação. Mas a maioria ainda acha que é só coincidência. Estranho.
Mandei buscar esse livro e vou lê-lo (normalmente leio um livro por semana, de umas 350 páginas - 50 páginas por dia - a não ser que seja muito absorvente - então leio mais). Depois comento com você. Uma coisa é certa, existem três causas possíveis para o "red shift": a cinemática, a gravitacional e a cosmológica. A primeira deve-se ao movimento relativo em um espaço estático. A segunda ao encurvamento do espaço-tempo e a terceira à expansão (ou contração - blue shift) do espaço, sem movimento relativo. As três podem estar presentes ao mesmo tempo, mas a primeira, para explicar o enorme red-shift de algumas galáxias, exigiria uma velocidade relativa até maior do que a da luz, o que é impossível, enquanto a segunda exigiria uma massa gravitante muito maior do que tudo o que se conhece que tenha o tamanho de uma galáxia. Assim a explicação cosmológica é a única plausível. O processo de determinação de distâncias astronômicas e cosmológicas é feito por meio de vários procedimentos, dependendo da faixa de distâncias, e que se superpõe em certos intervalos, o que permite calibrar um pelo outro. Assim temos, começando das menores distâncias: método de trangulação, de luminosidade aparente, das variáveis cefeidas, das estrelas mais brilhantes de uma galáxia, das galáxias mais brilhantes de um aglomerado e do red shift. A consistência dos resultados nas faixas de superposição, permite confiar nos métodos. Mas sempre podem haver erros de suposições. Já orientei um trabalho de iniciação científica do curso de física da UFV sobre medidas de distâncias astronômicas e cosmológicas. Vou ler o livro. -
Big-Bang, de Simon Singh, é fabuloso. Mas as evidências pró Big-Bang me soaram fraquíssimas. Fiquei chocado. E fui ler "O Universo Vermelho", de Halton Arp. Começo a pensar que nunca houve Big-Bang mesmo! Você leu? Teria algo a dizer?
Não conheço este último e até anotei para comprar e ler. Há muitas evidências de que houve o Big Bang. As duas principais são a expansão cósmica e a radiação de fundo. A expansão do Universo é observada em todas as direções e em todas as profundidades, o que significa, em todos os momentos passados. Isto permite concluir que, há um certo tempo, tudo estava junto. Este tempo até é calculado em 13,7 bilhões da anos. Este é o momento, Chamado Big Bang, em que o espaço que contém o Universo começou a se expandir, isto é, a inchar, sem que o conteúdo se movesse. Mas isto não significa, como dizem, que todo o Universo se reduzia a um ponto. O que se reduzia a quase um ponto é o Universo Observável, que é até onde se consegue ver, pois a luz não teve mais de 13,7 bilhões de anos para provir de lugar nenhum. Logo, o que estiver além, não é visível, por enquanto. Como o Universo se expande, este ponto, hoje, está a 46 bilhões da anos-luz. Mas há Universo além disso. Quanto? Depende. Se o Universo for infinito, como parece que é, não há limite. E se não há limite, nunca houve, nem no Big Bang. Só que, então, tudo estava concentrado em uma densidade quase infinita, mas não infinita, pois as condições, então, não permitem a aplicação das equações da Relatividade Geral e há proibições quânticas para uma densidade maior do que, me parece, 1E81kg/m³ (depois confiro isto).
Aplicando-se todos os conhecimentos físicos à evolução dessa expansão, pode ver que, a princípio, matéria, antimatéria e radiação viviam em equilíbrio, criando-se e destruindo-se num Universo inteiramente opaco como o interior de uma única estrela. 380 mil anos após o Big Bang a temperatura desceu o suficiente para que este equilíbrio fosse rompido e o remanescente de matéria ficasse desacoplado dos fótons. Aquela formou as estralas e galáxias e estes a radiação de fundo. Considerando o quanto houve de expansão até hoje, pode-se calcular o quanto a temperatura dessa radiação teria decaído e o valor coincide exatamente com o valor medido experimentalmente.
Esses fatos garantem que houve um Big Bang. Mas ele não foi uma explosão de um conteúdo para um espaço vazio circundante. Todo o espaço sempre existente foi o que o conteúdo preenchia. A expansão foi do próprio espaço.
Mas isto não significa que o Big Bang tenha sido a origem do Universo. O conteúdo que começou a expandir pode ter surgido então, de nada, já expandindo, pode já estar existente, desde sempre, ou ser o resultado de uma contração de um Universo anterior. Ainda não se sabe como decidir. Pessoalmente sou a favor da primeira hipótese, mas não tenho garntias. Nem as outras.
Veja estes artigos:
http://www.talkorigins.org/faqs/astronomy/bigbang.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Big_Bang
http://en.wikipedia.org/wiki/Timeline_of_the_Big_Bang
Veja também os links contidos neles. -
Vc acha que é capaz de mostrar que alguma crença católica é falsa? Quanta prepotência. Vc é apenas um biólogo boboca que odeia a Igreja e os católicos e aparentemente não consegue confessar isso nem para si mesmo.
Sim, sou capaz. Qualquer um é capaz. Basta perguntar que evidência há para dizer que um pedaço de farinha vira o corpo de Jesus*, ou para dizer que o Espírito Santo concede "sacramentos" ou virtudes morais para alguém, ou para dizer que Maria subiu aos céus como um balão de Hélio, ou para dizer que Jesus esteve morto três dias e depois ressurgiu, ou para dizer que o universo é controlado por um fantasmão amorfo com uma mente análoga à mente humana.
A Igreja Católica Apostólica Romana não ampara nenhuma dessas afirmações extraordinárias com evidências. Por isso mesmo tem que exaltar a certeza cega e delirante da fé. Por isso mesmo tem que fazer propaganda de fraudes como o sudário de Turim e os santos milagreiros. Todos os dogmas desta igreja são falsos até que ela prove o contrário, coisa que ela nunca fez, justamente dependendo da doutrinação infantil para manter vivas estas crenças ao longo dos tempos, principalmente em face à ameaça racional do Esclarecimento (Iluminismo) e das ciências.
O escritor francês Anatole France, ao passar pelo santuário de Lourdes e observar um monte de muletas e bengalas abandonadas pelos supostos curados milagrosamente, disse: "o que, o que, nenhuma perna de pau??" ( http://www.centerforinquiry.net/blogs/entry/lourdes_medical_bureau_rebels/ )
Nenhuma perna amputada regenerou por milagre. Todos os supostos milagres têm explicações naturais mais prováveis, econômicas e racionais. É curioso que todo novo caso de milagre é alegado em doenças que têm regressão espontânea documentada (como câncer), ou doenças pouco compreendidas pela medicina, ou então em coisas que a Igreja se recusa a disponibilizar para a análise de cientistas não-católicos, como os corpos que supostamente não se decompõem por milagre, como o de João XXIII.
Têm um deus onipotente e a coisa mais milagrosa que ele pode fazer é manter uma pessoa morta conservada como picles, e é incapaz de regenerar membros amputados? Não estou impressionado.
* E sobre a doutrina da transubstanciação, é claro que hoje a ICAR dirá que é "simbólica" ou algo do tipo, ou que as propriedades físicas da hóstia não são literalmente mudadas. Mas não era isso o que ela fazia no passado. Inclusive, massacres contra judeus foram executados várias vezes na Idade Média quando era alegado que um judeu sangrou a hóstia consagrada, que literalmente se convertera em carne de Cristo.
Têm um deus onisciente e bondoso, e o ritual mais sagrado que ele pôde inventar lembra um ritual de canibalismo? Denovo, não estou impressionado.
Todas as doutrinas católicas são falsas até que a ICAR prove o contrário. Temos tantos motivos para aceitar que Jesus ressuscitou quanto para aceitar que Maomé voava sentado num cavalo alado: motivo nenhum.
Já disse que nenhuma pessoa católica tem meu ódio, exceto talvez o Papa. Eu certamente não tenho nada melhor que ódio para sentir em relação a uma pessoa que acobertou, criminosamente, vários pedófilos ao redor do mundo, durante décadas, mudando-os de paróquia para dá-los novos rebanhos com carne fresca de vitela.
E sim, eu odeio o Vaticano, que é um estado totalitário e teocrático tanto quanto o Irã. Eu odeio a ICAR, que durante 60 anos viu as crianças da Irlanda serem estupradas e violentadas sem fazer nada além de abafar o caso.
Mas não se preocupe. Meu ódio não é sinônimo de violência. Meu ódio é sinônimo de trabalho na promoção do humanismo secular, infinitamente superior a qualquer instituição dogmática, sobrenaturalista, supersticiosa e corrupta como a Igreja Católica Apostólica Romana. -
Queria saber tua opinião sobre a qualidade média das faculdades e se o objetivo de ser um grande pensador EXIGE cursar faculdade (conheço graduados que dizem que, para isso, facu atrapalha!). Vc está bem no olho do furacão dessa questão, creio!
Sobre a qualidade média das faculdades eu não irei opinar, mesmo porque só tenho aulas em um curso (entre vários outros) de uma universidade (entre várias outras). Não acho que fazer um curso superior seja condição necessária (ou mesmo suficiente) para alguém ser um "grande pensador". Claro que estou falando de "pensadores", o que significa que estou falando das áreas humanas (não que os estudiosos de outras áreas não pensem): um bom físico, médico ou engenheiro sem ensino superior é algo inconcebível, por exemplo.
A própria ideia de "grande pensador" já guarda as ideias de "gênio" e de "talento", não faz muito sentido argumentar que um "grande pensador" precisa necessariamente de curso superior caso você não esteja interessado em defender que talentos são aprendidos e que não existe genialidade.
No entanto, uma formulação mais fraca dessa ideia, que dê a devida importância para o papel da cooperação e do diálogo na construção do conhecimento, estaria mais próxima da realidade do que a ideia de que o ensino superior é absolutamente dispensável para o "grande pensador". A academia coloca os estudiosos em contato com o que há de mais recente e relevante, fornece os melhores materiais para que se busque o conhecimento e faz do diálogo uma necessidade. Um pensador pode ser um PhD e ainda assim ser medíocre. Um pensador pode ter talento, mas não ter ensino acadêmico e ser medíocre porque está tentando reinventar a roda ou está com o pensamento viciado pelo regime pouco dialético.
Pode haver um grande pensador sem curso superior. Porém, maior será o grande pensador que tiver. -
Vivemos em um mundo hipócrita?
Extremamente. A facilidade com que as pessoas mentem é assustadora. Dizem que o fazem por educação. Para mim, ser educado é ser verdadeiro. Quantas desculpas são dadas inventando-se mentiras. Fale-se a verdade, porque não? Se não se puder dizer a verdade, então não se dê desculpa e faça-se o que é pedido. No comportamento moral, então, a coisa e escabrosa. Pessoas defendem posturas e atitudes que, em sua prática pessoal, não cumprem. Isto é notável no relacionamento conjugal. Quantos homens defendem a fidelidade conjugal e a traem às escondidas. Mulheres também. Se se quer ter relacionamentos extra-conjugais, então porque não se diz ao outro cônjuge que vai mantê-los, antes de começar? Se o outro não concordar, que se separe, ou que se desista do extra. Mas, qual o problema em aceitar? De ambos os lados, pois não se pode admitir um homem que pretenda ter um segundo relacionamento sexual que não permita à esposa que também o tenha. Acho isto tranquilo. Nos negócios a mesma coisa. Parece que a verdade é um estorvo, algo a ser evitado. Ora, se o lucro depender de alguma mentira, há que se ter prejuízo, pois, senão, o lucro é imoral e indevido. Na política, então, nem se diga. Por isso é que nenhum partido me aceitaria como candidato, pois não falo mentira, mesmo que isto prejudique o meu partido e a mim mesmo. Tá errado... tá errado! Doa a quem doer, inclusive a mim mesmo. Nos órgãos colegiados da Universidade de que participei, cansei de desmascarar propostas aparentemente boas que escondiam intenções escusas. Então eu as explicitava e pedia para constar em ata que a aprovação da proposta teria tal consequência danosa. Geralmente não era aprovada. Mas eu ficava malquisto, e o pior, por todos os lados, pois em não protegia quem me elegeu, se pleiteasse algo danoso ao bem comum. Mas, em todos os cargos que exerci, a maioria me queria bem, pois sempre defendi os direitos legítimos de qualquer facção. Mas sempre exigi dedicação, competência, diligência e lealdade, mas lealdade à verdade, antes de tudo. Hipocrisia é um mal que precisa ser extirpado a todo custo, mesmo ao custo de se ir para a cadeia. Como? Denunciando sempre, especialmente os poderosos. Perigoso? Sim, mas se não se enfrentar isto, não consertaremos o mundo. E é para isto que vivemos.
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Eu não acho mais fontes para a sua afirmação de que é só "campo, radiação e matéria". Todo lugar que eu vou tem escrito que é materia e energia.
Energia não é um conteúdo do Universo. Não é uma entidade. Isto é um grande equívoco. Energia é um atributo dos conteúdos. Não existe "energia". O que existem são coisas que possuem energia. A própria "Energia Escura" é uma propriedade de algum campo ainda desconhecido, que alguns chaman de "quintessência". Não há como se ter energia que não seja uma propriedade de algum sistema de coisas concretas, como matéria, radiação ou campo. Sé essas coisas possuem energia. Energia é como massa, força, velocidade, carga, cor, volume. Não são coisas, são propriedades de coisas. Campo, matéria e radiação são entidades constitutivas. Os sistemas físicos são feitos disso. É o seu conteúdo. E eles podem possuir energia, como massa, carga, spin. Mas não "são" nada disso. Eu não sou feito de peso, nem de altura, nem de temperatura. Mas eu tenho todos esses atributos. Energia é assim. Eu não sou feito de energia. Eu possuo energia, como possuo peso, possuo altura.
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Paralelo (Lauro Edison)’s Bio
Outsider Legítimo ®


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