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“Se eu, ilustríssimo Cavaleiro, manejasse um arado, apascentasse um rebanho, cultivasse uma horta, remendasse uma veste, ninguém daria atenção, poucos me observariam, raras pessoas me censurariam e eu poderia facilmente agradar a todos. Mas por eu ser delineador do campo da natureza, por estar preocupado com o alimento da alma, interessado pela cultura do espírito e dedicado à atividade do intelecto, eis que os visados me ameaçam, os observadores me assaltam, os atingidos me mordem, os desmascarados me devoram. E, não é só um, não são poucos, são muitos, são quase todos. Se quiserdes saber porque isso acontece, digo-vos é que tudo me desagrada, detesto o vulgo, a multidão não me contenta. Somente uma coisa me fascina: aquela virtude da qual me sinto livre na sujeição, contente no sofrimento, rico na indigência e vivo na morte. Aquela em virtude da qual não invejo os que são servo na liberdade, sofrem no prazer, são pobres nas riquezas e mortos em vida, porque trazem no próprio corpo os grilhões que os prendem, no espírito o inferno que os oprime, na alma o erro que os debilita, na mente o letargo que os mata.Não há, por isso, magnanimidade que os liberte nem longanimidade que os eleve, nem esplendor que os abrilhante, nem ciência que os avive.Daí sucede que não arredo o pé do árduo caminho, como se estivesse cansado. Nem por indolência, cruzo os braços diante da obra que se me apresenta. Nem, qual desesperado, volto as costas ao inimigo que se me opõe. Nem, como desnorteado desvio os olhos do divino objeto. Que sempre me seja propício o meu Deus. Oxalá os astros me tratem tal como a semente o faz ao campo e o campo à semente, de forma que apareça ao mundo algum fruto útil e glorioso do meu trabalho, por despertar o espírito e abrir o sentimento àqueles que estão privados de luz.”
Giordano Bruno.
Fiquem em paz. -
'Você acha que há dois mundos para você, dois caminhos, mas só existe um. O único mundo possível para você é o mundo dos homens, e esse mundo você não pode resolver largar. É um homem. O protetor, Mescalito, lhe mostrou o mundo da felicidade, onde não há diferença entre as coisas, porque lá não há ninguém que indague pela diferença. Mas este não é o mundo dos homens. O protetor o sacudiu dali para fora e lhe mostrou como é que o homem pensa e luta. Este é o mundo do homem. E ser um homem é estar condenado a este mundo. Você tem a presunção de crer que vive em dois mundos, mas isto é apenas vaidade. Só existe um único mundo para nós. Somos homens e temos que seguir o mundo dos homens satisfeitos.'
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Livros de Câmara Cascudo e Gustavo Barroso.
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A tua pergunta é mais ampla: como proteger-se e não ser enganado de modo geral? Afinal, você pode ser enganado em doutrinas new age, em sistemas de trabalho, em atividades intelectuais, em relacionamentos... não há uma garantia de que não estamos enganados. Nunca.
Quando você fala de seitas new age, parece que pede fórmulas especiais para poder detectar charlatões ou impostores: não há. A realidade e o engano nesse campo, especialmente, não funcionam como um jogo de futebol amador: camisas x sem camisas. Em impostores famosos há magnetismo e coisas que podem escapar ao controle de seleção intelectual, ainda que rigoroso.
Caso você não fosse ludibriado por seitas e gurus, poderia se-lo por atitudes mentais, ideologias e esperanças. Quem nunca foi enganado por esperanças? Corre a vida entre a decepção, o medo e a sensação de que temos que nos armar contra um inimigo que não sabemos bem de onde vem. A inevitável tensão que nos assola produz seus próprios métodos de refúgio: inveja, ira, rancor, orgulho e afins. O processo de sair do engano, portanto, envolve tudo quanto existe. É o próprio curso da vida. -
Rapaz, vocês levam esse negócio a sério. Anón melindrado: não vou responder sobre suas comparações idiotas de textos postados por mim, que, em geral, são de terceiros, porque eu não tenho o menor interesse em discutir esse assunto. Se você quer ler Foucault, Marx, Mauricio de Souza.. vá e não me perturbe.
Quando alguém pergunta se 'fulano é legal', eu posso achar que sim, posso pensar que não, ser indiferente ou simplesmente não ter opinião alguma. Não sou obrigado a ter maior relevância intelectual do que aqueles que me causam desgosto ou antipatia. Pedir esse tipo de coisa no formspring, ou em qualquer barraco da internet, é a mesma coisa que cobrar coerência semântica em conversas de bar.
Se eu ainda não disse nada oficialmente, em livros ou tratados, é porque minha escala pessoal de valores aponta que é melhor ficar calado, nesse sentido, do que produzir qualquer besteira. Ademais, sigo com o Platão da Carta VII e as orientações diversas sobre tratamento público de temáticas especificamente orais.
Seria bacana você arrumar uma vida interior, por mísera que seja, para não perder tempo provocando ou odiando alguém, e isso são palavras suas, tão insignficante como eu. -
Você mandou essa pergunta pra um monte de gente, mas vou responder. Berkeley é um autor que já foi refutado de tantas formas diferentes, por amigos e inimigos, que é dificil alguém dar atenção ao que ele fala. No caso da filosofia da ciência, eu acho recomendável que você compre volumes com um maior índice de atualidade, que contemple os novos paradigmas, quânticos, e a evolução da história científica até o momento presente. Um ótimo livro sobre isso, mesmo não sendo sobre história da ciência, é Insight de Bernard Lonergan. Não espere por um livro fácil, é extremamente complexo, mas nele você poderá compreender melhor o que são estruturas heurísticas, modelos científicos clássicos, método empírico, método matemático e assim por diante.
Eu recomendaria também o livro 'O que é ciência, afinal?' de Alan Chalmers e o blog do nosso colega @Areopagita: http://oleniski.blogspot.com.br/ -
Um famoso guru do povoado pretendia ser capaz de ensinar uma pessoa analfabeta a ler mediante uma técnica relâmpago. Nasrudin saiu do meio do povo.
— Pois bem, me ensine então!
O guru tocou a testa de Nasrudin e disse:
— Agora vá imediatamente para sua casa e leia um livro!
Passada meia hora, Nasrudin voltou à praça do mercado com um livro nas mãos. O guru já tinha ido embora.
— E então, você é capaz de ler agora, Mullá? — perguntaram-lhe as pessoas.
— Sim, posso ler, mas este não é o caso. Onde está aquele charlatão?
— Como pode ser um charlatão se fez com que você conseguisse ler sem nenhum aprendizado?
Este livro, que provém de autoridades indiscutíveis, diz:
“Todos os gurus são uma verdadeira fraude”. -
De que mundo você está falando? A palavra mundo, aqui, pode significar muitas coisas: você não vê sentido nas percepções externas, nas sensações, nas coisas que as pessoas fazem, no trânsito, na maneira como você arruma os objetos da estante, nos relacionamentos, na cultura? Geralmente não vemos sentido em determinadas coisas, mas em outras sim. A sensação genérica de falta de sentido pode ser gerada, fundamentalmente, por duas coisas: por um abismo entre você e aquilo que percebe, como se houvesse um desligamento entre as interfaces, ou por uma fenda do que você imagina ser com aquilo que efetivamente é. O primeiro detalhe é que normalmente temos uma identificação imediata com aquilo que fazemos, pensamos e falamos. É salutar, contudo, meditar no seguinte tema: sou eu somente aquilo que penso, falo e faço? Ou, ainda, há um eu que consegue transitar livremente, de maneira sólida e permanente, em todos esses trajetos contingenciais?
Quando você diz que não vê sentido eu posso pensar que:
-você procurou algum sentido, frustrou-se e não o encontrou.
-um vazio semântico apropriou-se repentinamente de sua mente: 'nada mais faz sentido' (geralmente causado por alguma desilusão em sentido amplo)
Por que colocou 'falta de sentido' entre aspas? Via de regra, a mente cotidiana tende a pensar em termos de propósito bem definidos. Da criação à forma como escolhemos nossas meias, o senso primordial é encontrar estruturas ordenadas que confirmem um determinando conjunto de possibilidades organizadas de maneira lógica. Denominamos, normalmente, esse modelo de 'Gestalt' ou plano de fundo em que ocorrem nossas aptidões e onde ocorrem os intercursos narrativos da existência. Quando há algum corte epistemológico, emocional ou anímico, sentimos que essa estrutura já não está tão firme. Nossas férias podem ter dado errado, contraímos uma doença fatal ou nosso cachorro tornou-se manco. O fato, na verdade, pouco importa. Ele só existe para confirmar um certo loop estratégico onde essas figuras e planos são nominalmente reorganizados de maneira a produzir os efeitos desejados.
Não raro, portanto, estamos apenas fazendo testes de sentido com a realidade: é como enfiar o rosto na sopa quente para obter confirmação de que estamos acordados.
Há, no entanto, algo que não esteja submetido ao domínio dos nossos longos mind games e brincadeiras de gato e rato? Quando esvaziamos o sentido, o abraço do vazio, existe uma entidade permanente ou só sobrevive o crítico interno que tomou a cadeira dourada na cidadela do ego?
Não posso, ninguém pode, preencher os significados para você. Se em alguma instância das coisas as perguntas e as respostas entrarem em choque, viaje à terra da sanidade e não espero pela confirmação definitiva (que, nesse caso, é a delusão absoluta). -
Desculpe, mas não vou falar disso. O Dalai é problema dos budistas e dos tibetanos.
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A questão é que a filosofia analítica não é um movimento uniforme: existem tomistas analíticos, analíticos da linguagem, filósofos da mente que utilizam preceitos analíticos, filósofos analíticos da ciência... e assim por diante. A filosofia analítica já era, com exceções conhecidas, o modo filosófico dominante em boa parte do mundo. É natural que o Brasil queria inserir-se nesse diálogo mundial. Alguns amigos meus afirmam que os analíticos abriram novamente a possibilidade do debate acadêmicos. Eu mesmo não desgosto de tudo: li muitos textos interessantes do Peter van Inwagen, assisti seminários bacanas sobre Frege, gostei do 'Corda Tripla' do Putnam.
O estilo dos analíticos, no geral, é um pouco cansativo e acho que muitos deles não sabem exatamente o que estão fazendo ou perderam o foco filosófico clássico (no sentido de trabalhar sempre em cima dos temas da tradição que começa nos Pré-Socráticos).
Estou escrevendo um artigo sobre a noção de símbolo em Gadamer e vou usar um livro chamado 'Gadamer e Wittgenstein' para falar sobre as relações entre a hermenêutica gadameriana e a tradição pré-analítica. -
Sim. Digno de ser esquecido.
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Mas eu preciso verificar com o anón universitário quais são os requisitos acadêmicos para poder permanecer com a conta no Formspring.
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Sim senhor. Grande livro que faz parte da obra noturna de Bachelard. Recomendo imenso que procure também 'Psicanálise do Fogo' e 'A terra e os devaneios da vontade'.
A obra noturna de Gaston Bachelard serviu de base para estudiosos como René Alleau e Gilbert Durand e para a composição das terminologias e sustentáculos epistemológicos da psicologia do imaginário. Alguma universidades, acho que no Brasil também, criaram 'Centros de Estudos do Imaginário' e promovem eventos anuais e publicações periódicas sobre alguns tropos tratados, fundamentalmente, por Bachelard e Durand.
Se você não tiver interesse em se aprofundar muito, recomendo que leia os volumes que citei com acompanhamento das obras poéticas que lá são citadas.
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Alex Magus
Curitiba, Brasil
Alex Magus’s Bio
http://simbolica.wordpress.com
Bicho gryllo reacionário.
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