Nana, lembra-se do deputado Bolsonaro? acho que você postou o vídeo dele falando aquelas merdas no artigo sobre kit gay do teu blog. pois bem, você deve ter ouvido ou visto já as novas merdas que ele falou no cqc. sua opinião? eu sei qual é, mas eu precis

  • Fernanda

    Então, durante a maior parte do tempo, eu prefiro esquecer que o Bolsonaro existe, porque o pensamento de que o povo brasileiro deu tantos mandatos pra um sujeito como aquele me dá vontade de ir chorar e me encolher num cantinho escuro. Mas eu entendo que quando a gente ouve uma merda dessas faz bem ouvir outra pessoa replicando. Então vamos lá, tô com o vídeo aberto aqui em outra aba, comentarei ~pergunta por pergunta~:

    Em primeiro lugar, os comentários sobre a ditadura. Eu juro que comecei a RIR quando ele falou do "respeito, da ordem, da família e das autoridades que protegiam o povo sem enriquecer" (algo assim). Esse tipo de referência à corrupção é super comum no povo de direita, né? Como se corrupção fosse algo que tivesse sido inventado no governo do PT. E o comentário sobre o passado da Dilma como guerrilheira, puta que pariu, gente, que exemplo de classe. Esse cara parece uma caricatura gigante, parece um menino de treze anos que cresceu demais e até hoje não parou para perguntar aos pais sobre a veracidade das matérias da Veja. O negócio do Brasil possuir a bomba atômica, para mim, resume a imagem que ele acredita que o país deve passar: "é preciso intimidar para segurar o poder" - e, lógico, né, gente, como é que a gente NÃO vai querer segurar o poder, que absurdo é esse? Vai preferir investir em coisas de dentro, inutilidades como ensino público ou saúde? Assim não dá, né.

    (Btw, UM PARÊNTESE ~MÁGICO~ pra eu frisar o meu ódio contra o comentário sobre Cuba - tanto pela maneira como a mulher perguntou como pelo que ele respondeu -: Eu acho IMPRESSIONANTE como 90% dessas pessoas que saem por aí malhando o país horrores não fazem a menor idéia concreta de como as coisas funcionam por lá. Focam-se na "ditadura" de maneira totalmente abstrata e, se tu perguntar, eles não vão realmente saber dar nem três exemplos que sustentem a tese. E, não, não estou dizendo que Cuba é o lugar perfeito nem nada, mas acho incrível como o pessoal gosta de esquecer que nos últimos anos o número de presos políticos lá diminuiu exponencialmente, que 99,8% dos cubanos acima de 15 anos sabem ler e escrever, e que o sistema de saúde de lá é um dos melhores do mundo e também um dos que utiliza menores gastos. Aliás, esquecer o cacete, duvido que metade deles sequer SAIBA desses dados.)

    Continuando, o comentário sobre "dar uma porrada" no filho que fumasse maconha também me impressionou absurdamente, de maneira negativa, claro. Gente, quanto tempo será que vai demorar pro povo compreender que essa parada de bater nos filhos NÃO FUNCIONA? Quer dizer, até funciona quando o menino tem três anos, mas funciona do mesmo jeito que funciona quando tu bate num cachorro com um jornal toda vez que ele sobe no sofá: A criança entende apenas que não é pra fazer, não POR QUÊ não é pra fazer. E, quanto mais velho for, pior ainda. E sobre o "se agir com energia é torturar, eu até torturava": Vindo de um homem que apoiava a ditadura, não poderia ter me surpreendido menos.

    Aí, CLARO, chegamos na parte X: Os comentários preconceituosos e ignorantes, começando, é claro, pela homofobia. Eu não sou fã do Rafinha Bastos nem nada, porque ao mesmo tempo que eu acho ele hilário e gosto de alguns comentários tem outros que me deixam totalmente facepalm, mas rialto com o que ele disse e vou assinar embaixo: "Ele acha que funciona como, o pai chega tarde em casa e o filho dá o rabo?! Não é assim que acontece, cara". Depois, tem o comentário sobre homossexuais no exército, que também é típico de gente como o Bolsonaro - primeiro ele "acalma" a pessoa falando que, apesar de existirem gays por lá, são poucos; depois, para posar de bom moço, fala que são respeitados; e então fecha com chave de ouro falando que "sempre tem aquele que quer aparecer" e que esse "recebe o tratamento devido". Claro que não é preciso pensar duas vezes que, para o Bolsonaro, gay que "quer aparecer" é aquele que exige direitos iguais aos heteros, que comenta de vez em quando no meio da conversa que tal cara é bonito ou fala de algum namorado, ou que age de uma maneira supostamente não "masculina" - em suma, gays que ele não pode esquecer que são gays ou ignorar por completo. E tenho até medo do que esse "tratamento devido" deve ser.

    (E teve o comentário da "preservação familiar", que me deixou toda "GPOY, EXATAMENTE COMO EU FALEI NA OUTRA PERGUNTA". Ai, se eu ganhasse um centavo pra cada vez que vejo alguém mandando essa...)

    Então, pra finalizar, vem o racismo. O engraçado de indivíduos assim é que eles são os primeiros a afirmarem que não existe mais racismo no Brasil, e, ao mesmo tempo, são exatamente os que o sustentam. Com o Bolsonaro não é diferente. Notem a ironia de ele falar que "todos somos iguais", para, depois, no segundo seguinte, afirmar que "não seria operado por um médico cotista jamais". Agora, fica a dúvida: Como será que ele descobre que o médico foi cotista? Ele pergunta? Ou ele simplesmente suspeita quando vê que o cara é negro? Depois, eu acho engraçado como esse pessoal anti-cotas age como se passar por cota fosse te garantir um diploma de faculdade imediatamente. Só porque uma pessoa passa por cota, não significa que ela não tenha que lidar com os deveres da faculdade exatamente da mesma maneira que outros.

    E então vem a pérola final e a mais polêmica, por causa da pergunta da Preta Gil. Bem, antes de mais nada, devo dizer que eu NÃO COMPRO essa história de ele ter "ouvido a pergunta errado" - dá pra ouvir CLARAMENTE no vídeo que a Preta fala "negra", não tinha como confundir. Depois, é aquele negócio, né: Mesmo que ele tenha de fato se confundido, isso torna a resposta ok? Tipo, racismo é feio mas homofobia tá tudo bem? Lógico que eu sei que é um pensamento comum, infelizmente, mas numa situação dessas é foda. E vou acrescentar que, sim, fico FELIZ, na verdade, que ele tenha feito essa declaração. Porque, vejam bem, nessa sociedade hipócrita e nojenta, racismo é o único crime que merece ser condenado, todo o resto é "questão de opinião". Então não importa que o Bolsonaro tenha feito comentários ridiculamente fascistas, estúpidos, grosseiros, ignorantes, homofóbicos e desnecessários na entrevista, porque a única maneira para processá-lo é por conta do comentário racista. Acho isso triste, deprimente, mas pelo menos é um começo. Pelo menos ele não sai COMPLETAMENTE impune. Mas ainda assim é triste.

    (Aliás, não é por nada não, mas que GROSSERIA DESNECESSÁRIA ele falar do "ambiente" da Preta Gil, hein? Sei que foi o menor dos males, mas mesmo assim achei risível.)

  • Fernanda

    smiles
    37 this week
    2,728 all-time

    Wants Questions About

    • tropes machistas
    • Homestuck
    • headcanons
    • ativismo LGBT+
    • Disney
    • fandoms
    • ships
    • feminismo
    • escrever
    • tropes