ApudLarissa

Para suavizar essa ~entrevista~: fale sobre música e suas relações com ela.

  • Idelber Avelar

    Gosto musical eclético, relação super intensa com a música desde sempre, embora eu escute música bem menos do que possa parecer às vezes, já escrevo tanto sobre ela. Não ouço música ao navegar, nem ao escrever, nem ao comer. Em geral, ouço muito intensamente uns poucos fonogramas durante bastante tempo. E aí vou passando pra outros. Mas fico longos períodos sem ouvir música nenhuma.

    Comecei com o pós-punk dos anos 70-80. Durante muito tempo só ouvi música de Manchester: Joy Division, New Order, Buzzcocks, The Fall, The Smiths.

    Daí esses me levaram pras suas influências, que é até hoje o rock que eu mais ouço: Velvet Underground, em primeiríssimo lugar, e depois Talking Heads, Patti Smith, David Bowie, Television, The Stooges, MC5.

    Nessa época, de música brasileira eu só ouvia a vanguarda paulistana: Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, Fellini. Além de Raul Seixas, Novos Baianos, Zé Ramalho, que eram as figuras da música brasileira popular mais tradicional que a gente respeitava na época.

    Só depois de morar nos EUA é que mergulhei mesmo no samba, e daí mantive até hoje paixão por Cartola, Noel Rosa, Clementina de Jesus, Adoniran Barbosa, Ataulfo Alves, Clara Nunes, Paulinho da Viola, que são figuras que ouço muito até hoje.

    Ouço muita música do Nordeste, em geral: coco, ciranda, xaxado, maracatu, embolada, aboios. Gosto muito de aboios. Não ouço Luiz Gonzaga com frequência, mas quando ouço, vou cinco, seis discos em sequência.

    Ouço muita música de New Orleans, em geral: Professor Longhair, The Meters, The Neville Brothers, Dr. John.

    E muita música cubana, argentina e africana. E muito Beatles, claro.