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O ceticismo filosófico é importante por ser uma espécie de recurso "experimental" para os filósofos testarem suas intuições e argumentos. Mas, não se pode cometer o erro de pensar que a resposta mais razoável para dada questão seria sempre aquela que convenceria o cético filosófico (sobre tal questão) nas condições propostas por ele.
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Em cálculo proposicional seria uma condicional material comum (que poderia ser empregada em um modus ponens): Se P, então Q.
Em cálculo de predicados de primeira ordem poderia ser um argumento: Para todo x, Se Fx, então Gx; logo, Se Fa, então Ga. "F" seria o predicado "é um discurso", "G" seria o predicado "é ideológico" e "a" nomearia o discurso de que todo discurso é ideológico. O argumento seria válido. -
O que seria o absoluto? De qualquer modo, sim, a filosofia pode captar a verdade. O problema é que é obscuro colocar a questão nestes termos: quem pode ou não captar a verdade são os indivíduos, e eles podem fazer isso através da filosofia ou não.
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O exemplo clássico é o ceticismo metódico de Descartes, em que diante de uma lareira ele poderia levantar a seguinte questão: como eu sei se realmente estou diante de uma lareira? Ele poderia justificar sua crença apelando para sua experiência, mas aí a questão retornaria sobre o conteúdo da própria experiência: como sei que minha experiência é confiável? No caso da experiência a posição de Descartes era que ele não poderia estar certo de que não estava enganado (ou sendo enganado). Uma vez que Descartes assumia que nós somos capazes de obter conhecimento, se tornou necessário encontrar alguma crença última, que estivesse justificada por si só, sem precisar de qualquer outra crença, e assim ele chegou ao seu famoso lema.
Na verdade fui impreciso quando disse "não-justificável", seria melhor dizer "não-justificável em função de outra crença ou experiência", porque a ideia não é que esta crença última não seja justificável, mas antes que o modo pelo qual ela é justificada independe de qualquer outra crença ou experiência. Enfim, recomendo a leitura da primeira parte desta entrada na Stanford: http://plato.stanford.edu/entries/justep-foundational/ -
Já li e é completamente desnecessário para estudar os problemas e teorias destas áreas.
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Não segue (para ver isto basta supor que p é falsa e q é verdadeira). Por exemplo: não posso inferir de "Se Sócrates é um morcego, então Sócrates é mortal" que "Se Sócrates é mortal, então Sócrates é um morcego".
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Bom, não se em qual situação "ponto de sustentação" não seria o cérebro. Continuo sem compreender bem qual é a questão. Seria uma suspeita de que para estudar o cérebro precisaríamos confiar nos nossos próprios cérebros? É que se não confiarmos nos nossos cérebros (uma vez que assumimos que nossas faculdades mentais dependem dele) não há muito pra ser feito...
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Mas eu não discordei do que você disse...
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Depende do que se quer dizer com "validade" e "sistema". Não sei se compreendo bem a questão. Talvez a ideia seja algo análogo ao problema da justificação do conhecimento: a justificação última precisa ser, ela mesma, não-justificável (e assim estar "fora do sistema") ou ela pode ser justificável (e aceitamos a possibilidade de um regresso infinito ou de uma circularidade)? Se a analogia for correta, então minha resposta tende ao "sim". Em geral penso que existe conhecimento não-inferencial, por exemplo, mas não é uma posição definitiva, mesmo porque é um assunto bem complicado, que repercute em várias questões.
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Se você assumir que "fato" significa o mesmo que "verdade objetiva" você estará refutando a si próprio e pode acabar violando o PNC.
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"A Estrela da Manhã é Vênus" tem sentido e é predicativa (predica uma relação de identidade entre a Estrela da Manhã e Vênus), não compreendo o que faz você pensar que não é o caso ou que para que algo tenha sentido precise ter predicado. Talvez isto tenha relação com o que eu falei sobre o sentido de um sinal poder em geral ser expresso por uma predicação do objeto que é a referência do sinal cujo sentido interessa expressar. Disto não segue que para um sinal ter sentido ele precise ter um predicado, tampouco é o caso que tal coisa seja necessária. Para que um sinal tenha sentido basta que ele seja inteligível, que compreendamos algo através dele. Não há uma condição mais básica que um sinal precise satisfazer para ter sentido.
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Não faço ideia. Talvez seja porque nosso cérebro gosta de identificar padrões e nos tranquiliza quando isto pode ser feito facilmente, sem exigir muito dos sentidos. Mas, como também podemos nos sentir atraídos por paisagens complexas (e há aquela hipótese de que todos nós achamos certas paisagens naturais belas porque estas eram ideais para a sobrevivência de nossos ancestrais), não sei mesmo...
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Bom, isto está incorreto, e é um erro até grosseiro, pois sugere que quem escreveu neste livro sequer leu o On Denoting (http://www.philosophie.uni-muenchen.de/lehreinheiten/philosophie_5/personen/anagnos/lv_sose_2011/russell_on_denoting.pdf). Basta olhar na página 484 do link que passei, logo no início dela Russell afirma explicitamente que "the King of France is bald" não é "nonsense", que é "plainly false".
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Sim. Mas, cabe notar que a forma lógica desta proposição seria complexa, algo como "Para todo x e para todo y tal que, Se x é burguês e y é trabalhador, então x explora y". Ela, contudo, seria verdadeira mesmo que não existissem burgueses ou trabalhadores e, caso existisse pelo menos um trabalhador que não fosse explorado, a proposição seria falsa. Por isso uma formulação melhor poderia ser "Para todo x existe um y tal que, Se x é burguês e y é trabalhador, então x explora y", neste caso poderiam existir trabalhadores que não fossem explorados e a proposição só seria falsa se nenhum trabalhador fosse explorado. Em um caso a proposição é falsa se existir um trabalhador que não é explorado, em outro é falsa se nenhum trabalhador for explorado. O que é mais plausível: que não exista trabalhador que não é explorado ou que somente alguns trabalhadores sejam explorados?
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Não impede que se possa afirmar ou negar qualquer coisa, o que impede é que as afirmações ou negações possam ter valor de verdade. É perfeitamente aceitável que se diga algo como "Batman gosta de alface", o que não é aceitável é pensar que tal afirmação possa ser verdadeira ou falsa, que ela possa fazer parte do nosso conhecimento sobre a realidade. Ela pode ser afirmada como um comentário sobre Batman, por exemplo, ela só não pode ser um juízo sobre o mundo (da mesma forma que "Lisboa tem menos habitantes que Paris" poderia).
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Vamos com calma. Até agora eu estive falando da teoria fregeana do significado. É particularmente no tratamento dado para uma expressão como "O rei da França é careca" que diferem as teorias de Frege e de Russell. No caso de Frege tal sentença expressaria um pensamento, isto é, teria sentido, mas simplesmente não seria verdadeira nem falsa (porque não existe um rei da França). Russell não aceitava esta saída (porque, entre outras coisas, ela incorre em uma violação do Princípio do Terceiro Excluído) e defendia que tal sentença expressaria uma proposição falsa (uma vez que na sua forma lógica ela se compromete com a existência do rei da França). Contudo, nem Frege e nem Russell diriam que tal sentença não é inteligível, que é "sem sentido".
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Você cometeu algumas confusões. Ficções podem depender da existência de mentes, mas sentidos não dependem e, por isso mesmo, sentidos não são ficções. Uma ficção é algo que construímos em uma linguagem, não é um objeto abstrato. Agora, o sentido expresso por um termo ficcional, este sim seria um objeto abstrato. Desta maneira, sempre houve o sentido de "Batman", mas o que nos permite dizer que Batman é uma ficção é o fato de que "Batman" possui apenas sentido, não tendo referência. Quando se está falando apenas de sentidos não se pode falar em ficção, só se pode falar em ficção quando se fala de sentido e de referência, e para tanto é preciso falar da linguagem e do mundo. Além disso, não é necessária uma mente para fazer a ligação entre predicado e objeto (ou, no caso de Frege, entre função e objeto), pois tal ligação ocorre nos pensamentos, que são entidades compostas por sentidos e igualmente abstratas e objetivas. É exatamente porque tais ligações (entre função e objeto) não precisam de mentes para ocorrer que podemos falar de verdades objetivas.
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Não, objeto fictícios não podem ser referências. Isto pode parecer estranho, mas é exatamente o que Frege defendia.
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Não, é precisamente porque expressões (como nomes próprios fictícios) podem ter sentido sem terem referência que as predicações que podem expressar o sentido não precisam (e nem podem no caso dos nomes próprios fictícios) ser verdadeiras para constituir o sentido da expressão em causa. Por exemplo: podemos dizer que o sentido de "Batman" é expresso por "O herói de Gotham City". Agora, uma vez que "Batman" não tem referência (e nem "Gotham City"), então tampouco pode ser verdadeiro qualquer pensamento constituído pelo predicado "O herói de Gotham City", tal como "Batman é o herói de Gotham City" ou "O herói de Gotham City usa capa".
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