Não. Design inteligente é criacionismo.
O julgamento de Dover mostrou evidências claras disso. A autora do livro "Creationism's Trojan Horse" descobriu que os livros-texto de Design Inteligente eram os MESMOS de criacionismo que haviam sido rejeitados por serem inconstitucionais (nos Estados Unidos é proibido fazer proselitismo religioso nas escolas públicas, e criacionismo é só religião, não ciência).
Inclusive na hora de trocar "creationists" por "design proponents" no texto, algum criacionista descuidado esqueceu de deletar todas as letras de "creationists", e ficou assim:
Cdesign proponentsISTS
Mostrando que "teoria do design inteligente" é o mesmo palhaço do criacionismo, só que com outra maquiagem.
Um bioquímico chamado Michael Behe escreveu um livro chamado "A caixa preta de Darwin" para defender o criacionismo do design inteligente. Ele disse que a coagulação sanguínea e o flagelo bacteriano são "irredutivelmente complexos", o que supostamente apontaria para um projetista.
Existem pessoas que vivem sem o fator 9 da coagulação sanguínea. Chamamos essas pessoas de hemofílicas. Se vivem bem, algo está errado em dizer que o sistema é irredutivelmente complexo, porque a pessoa hemofílica apresenta um sistema cuja complexidade se reduziu (com perda de parte da função da coagulação, é verdade, mas mostrando que isso não é um problema tão grande assim, ou seja, funções 'reduzidas' podem ser encontradas na natureza).
O flagelo bacteriano também não é irredutivelmente complexo, porque observamos sistemas quaternários de proteínas com quase todas as peças que ele tem. O caso é que esses sistemas com complexidade reduzida conferem sucesso reprodutivo à bactéria de outras formas, por exemplo como pilus sexual (uma estrutura em tubo que leva DNA de uma bactéria para outra).
As estruturas biológicas mudam de função muitas vezes ao longo da evolução, não se pode esperar, portanto, que seja irredutível algum sistema complexo, definido a partir de sua "função" (existem duas principais definições de função em filosofia da biologia, mas isso é outro assunto).
A mudança de 'função' no percorrer da evolução é chamada de exaptação ou recrutamento. Michael Behe ignora (convenientemente) este conceito que é básico e corrente em biologia evolutiva.
Mesmo que existisse complexidade irredutível, achar que ela implica um "projetista" é falácia non sequitur (não se segue logicamente a conclusão de que há um projetista só a partir disso).
Outra coisa: a defesa do design inteligente (DI) falha em atender a qualquer critério de demarcação entre ciência e não-ciência.
O DI não tem revisão por pares, não é falseável, não tem adequação empírica, e o poder preditivo da suposta "teoria" do DI é nulo.
Não existe nenhuma predição realizada pelo D.I. que tenha sido confirmada por teste empírico.
Em Karl Popper D.I. é metafísica, em Imre Lakatos D.I. é um programa degenerado de pesquisa (programa metafísico), e em Thomas Kuhn o D.I. não resolve problema nenhum.
Para todo critério de demarcação de que eu tenho notícia, o DI não é científico.
E se dermos uma olhada na demarcação semântica dos empiristas lógicos (obsoleta), provavelmente nem nesse critério o D.I. passa.
Outros motivos para rejeitar o Desing Inteligente são expostos nos textos abaixo:
http://bulevoador.haaan.com/2009/12/10/criacionismo-nao-e-ciencia/
http://www.elivieira.com/2009/08/ver-e-acreditar.html
http://bulevoador.haaan.com/2009/11/02/5-criacionistas-desonestos-do-brasil/
Sem contar que se pode arguir que inteligência é um dos resultados da evolução, especificamente a evolução da mente humana. Tomar a inteligência para atribuí-la a um projetista indetectável e desconhecido não é diferente, nesses termos, de atribuir a este projetista uma cauda de pavão ou um sonar de morcego, que como a inteligência surgiram pela evolução. Ao menos que os defensores do DI aleguem que o projetista é um primata da subtribo Hominina...
Eli Vieira

