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Nossa, obrigado. Você acredita que quase parei de ver depois da morte do Francis? Se me lembro direito, o Jabor ficou um bom tempo nele, depois veio o Mainardi, que às vezes era bom, dava uma animada geral, depois dele não sei como ficou, parei de ver.
Mas aquilo ali nunca mais foi a mesma coisa sem o Francis. Ele era mesmo a alma do programa.
Fico imaginando as possíveis escalações para um Manhattan Connection feito pelo pessoal daqui. Todos fixos. E haveria um convidado especial a cada três programas. Os convidados poderiam ser recorrentes, claro (até preferiria assim).
Escalação fixa: @soaressilva como mediador, @Otsomagus, @mvmonteiro, @cabritoequanime, @bdelykleon, @yurihugueney e, ora, eu, se me quisessem.
A @tanjakrm poderia ser a, como se diz, produtora ou diretora?
Convidados especiais:
@constantor, @ilcondottiere, @trobairitz, @Guy, @fourme, @GustavoLfs, @camillepaglia, @Shibbo, @MarceloMesser, @callmetheseeker, @meiapataca, @joaoluisjr, @JeanSansPeur, @jpot16, @alemmsouza, @moonikahammer, @CersiLannister, @leopbrito, @qndt, @Areopagita, @ptyx, @fribi, @rodrigovspagnol, @Vareiro, @naianarodriguez, @delance2, @cydlos, @cesarmiranda, @rogerprado, @girlontherocks, @laliseuse, @murilomunoz, @tsalon, @andrekangussu, @RodrigoNemo, @cmagnata, @BiaMgmt, @richandpretty, @mimneskein, @osmarbernardes, @Rodolfoss99, @thbarbalho, @naifgendarme, @naoseicriaruser, @amyjade, @berceuses, @facbs e @militrissa.
Os que por acaso tiverem ficado de fora da lista, considerem-se convidados.
Ah, e aquele cara que aparece aqui de vez em quando e depois evapora, o Giuliano (é esse o nome?), que saca tudo e mais alguma coisa de hinduísmo. Ele me parece legal.
No aniversário de 10 anos: Animadruga e Jether -
@yurihugueney/Uriel: inteligente com as idéias erradas. Certas respostas e comentários dele me dão nos nervos. Com outras não poderia concordar mais do que já concordo, de tão precisas. Tem estilo próprio, devo admitir. É um cavalheiro e, aqui do alto de meu castelo, tenho para mim que é uma pessoa de bom coração, de princípios e caráter. Isso conta.
@soaressilva: excelente escritor e observador social. Um cavalheiro em todos os sentidos da palavra, além de extremamente simpático e prestativo, o que não se vê todos os dias. Avis rara. Gostaria que fosse meu vizinho de porta.
@bdelykleon: Bruno Gripp é um gênio, ponto. Ainda vai dar muito o que falar, afinal é jovem, tem muita coisa pela frente. E é um gênio acessível, não tem frescuras. Sabe muito e sabe se fazer entender.
@constantor: não saberia defini-lo ou descrevê-lo. Mas deve ser uma das melhores pessoas do mundo para uma longa conversa de bar. Ou em qualquer outro lugar. Um cara legal.
@areopagita: queria ter um décimo da determinação que ele tem em matéria de filosofia (estudo da mesma). Gente fina. Tem bom gosto musical.
@andrekangussu: gente finíssima.
@murilomunoz: idem e acho que deveria ser escritor. Bom, quem aqui não é ou não deveria ser? Todos aqui têm essa veia.
@trobairitz: simpática e inteligente.
@laliseuse: muito inteligente e simpática.
@richandpretty: nossa, garota, como você é bonita. E legal. Se cuide, tenha juízo nessa cabecinha. Você é muito especial e tem futuro, a julgar pelas nossas conversas.
@Wasserspeier: um doce.
@BiaMgmt: e eu que pensava estar sozinho em minha paixão por música latina e tradicional cubana.
@camillepaglia: perguntas e comentários desconcertantes e que me fazem rir, gosto disso.
@joaoluisjr: temos gostos parecidos. Me arrependo de ter me afastado das HQs depois da adolescência, isso foi um erro.
@fribi: é da minha cidade, ainda que não esteja aqui agora. Ainda quero conhecê-lo (o mesmo vale pra qualquer um aqui).
@rodrigovspagnol: outro com quem tenho várias coisas em comum. Algumas das respostas mais legais são suas.
@AngelicaChris: a garota mais simpática do mundo. E física!
@DukeofStafford: você faz falta. É virtualmente impossível conhecer gente obcecada por assuntos militares como eu. Você é um e é um privilégio poder falar com um dos meus, alguém que fala a mesma língua que eu. Adoro responder às suas perguntas sobre guerra. Mas peço que deixe pra fazer outras, se as tiver, daqui a uns meses, porque elas exigem respostas que me dão um trabalho danado e minha vida anda um pouco caótica.
@naianarodriguez: você é legal.
@letstwist: você também é legal.
@delance2: mais um que poderia ser meu vizinho de porta.
@thbarbalho: dá belas respostas.
@mvmonteiro: uma das pessoas mais legais e acessíveis aqui.
@Guy: witty
@KosherX: direto e sem frescuras. Gosta de jogos eletrônicos, que bom.
@GustavoLfs: deveria dirigir o Louvre, o Musée D'Orsay e toda a rede de museus do Estado em Roma, Florença e Veneza. Isso pra começar.
@abookslover: gosto das suas respostas.
@rogerprado: você é muito bom.
@cesarmiranda: podia ser meu colega de trabalho.
@CostaVareiro: boas respostas as suas.
@jpot16, @ptyx, @qndt: falam pouco mas falam tudo.
@Otsomagus: deve ser muito bom poder conversar com você pessoalmente. Só uma impressão minha.
@callmetheseeker: muito articulado, escreve bem demais.
@militrissa e @cabritoequanime: diferentes de tudo que já vi. Bons de ler.
@fourme: refinada e simpática.
@leopbrito: você é ótimo.
@Shibbo: espirituosa e muito engraçada. Escreve bem.
@MarceloMesser: original e imprevisível.
@meiapataca: tem uma cabeça muito boa.
@precambriano: desde o meu começo aqui, um dos melhores.
@padrepinto: hors concours! -
É o que a maioria quer. As pessoas levam tudo o que passa nela muito a sério. Aposto que produtores quebram a cabeça o tempo inteiro tentando descobrir do que é que o povo gosta, o que é que ele quer ver e, nessa ânsia de querer agradar à ratatuia, são bem menos poderosos, autoritários ou alienadores do que se pensa. É o que o freguês quer, em última análise. TV nivela por baixo porque o distinto público, bem, não é nada bonito de se ver. Tirando as mocinhas bonitinhas nas primeiras fileiras do programa da Hebe, o resto é uma procissão de abantesmas. As senhoras gordas da platéia, rindo e se refastelando com enorme alegria, "sastisfeitas" que só. A simpática caravana de Jacupiranga, aêêê! Depois a animada caravana de Engenheiro Ernesto Austregésilo, aêêê...
Nem a tv fechada escapou. Me lembro do GNT no começo, tinha bons documentários. Virou um canal mulherzinha - até amigas minhas concordam comigo. Só fala em relacionamento, em discutir a relação, gravidez, filhos, estética, decoração, arrumação da casa, essas chatices. Você põe nele e lá está a Astrid Fontenelle num aeroporto entrevistando gente se despedindo e se reencontrando. Que porcaria é essa?
O que não nivela por baixo hoje? Às vezes tenho a impressão de que a sociedade inteira é uma grande nivelação que nunca passa, não pode passar, do meio-fio. E não estou falando só do povão, dos proles. Todo mundo ama TV. Do alto proletariado (classe média baixa, cada vez mais baixa) à classe alta. As pessoas discutem o emagrecimento do Faustão "ô Loco Meu, vem aí um dos Monstros Sagrados da Televisão Brasileira" Silva com o mesmo entusiasmo com que discutem as diferenças entre planos de operadoras de telefone. É seu mundo mental. Ou no que a Xuxa, que não é animal vertebrado, acredita agora - oh, não mais gnomos? Talvez ela acredite em bonecos de ventríloquo vivos depois de tanto ver o Luciano Huck com aquela cara de cera e vozinha anasalada. Ana Maria Braga, outra desprovida de coluna vertebral, mantém o mesmo sorriso desajeitado há anos num rosto acrílico, falando mole enquanto dá dicas imperdíveis para donas-de-casa. Ratinho e Datena cheiram à churrascaria de posto de beira de estrada, a festa em fazenda de dupla sertaneja, ao sujeito que te abraça com "grande carinho" e te chama de meu querido - e é de se imaginar o cheiro. Pedro Bial no BBB ainda é mais tolerável do que o da fase dos poeminhas. Augusto Liberato e Zeca Camargo são bicharocas e Serginho Groisman é o inominável. O intelectual da turma, o refinado é Jô Soares...
Não quero falar no Sílvio Santos, mas acho que isso aqui resume bem:
Porque sou a favor da violência e do sexo na TV
A Rede Globo é uma empresa nascida no berço da classe-média-alta carioca. É uma TV de Ipanema, do Leblon, com atores de teatro fazendo novela, romancistas e cronistas fazendo roteiros, diretores de cinema comandando núcleos de dramaturgia.
Já o SBT é a TV paulistana, do povão. Fundada por um camelô judeu, faz programas para a patuléia, entretém a esculhama, quer agradar ao lúmpem proletariado. Ratinho, Hebe, Gugu, as péssimas novelas mexicanas e os jornais sensacionalistas, que fazem matérias de 5 minutos sobre homicídios na periferia, ou sobre o nascimento de um urso panda no zoológico de Jacarta, estabelecem o patamar intelectual dos programas, que é baixo.
Nos anos 80 o SBT era um lixo. A qualidade técnica e a falta de dinheiro das produções era de doer. Pedro de Lara, Sônia Lima e Sérgio Malandro cambaleavam até a mesa dos jurados de um show de calouros, cujo cenário parecia ser feito de papelão e isopor coberto de cola pritt e lantejoulas. Os filmes eram dos anos 70 e a coisa toda exalava uma vulgaridade ímpar. As nossas faxineiras assistiam ao Domingo da Alegria. Nós, digníssimos membros da classe dominante e opressora, assistíamos ao Jornal Nacional e à novela das 8. O Brasil tinha então duas classes sociais: os globais e os essebetistas. Eu era (e ainda sou) global. A Cícera, minha mucama e ama de leite, era essebetista e, para minha diversão e regozijo, além de tudo gostava de ouvir o Eli Correia no rádio (oiiiiiiiiii, gente!!).
De lá pra cá
Por que o SBT não tinha dinheiro? Vamos lá, Sherlock. Pense. A inflação comia 40% do poder de compra da esculhama, que mal tinha dinheiro para a condução. O salário só dava porque as faxineiras faziam as refeições nas casas dos patrões, em um regime de claras reminiscências escravocratas. O SBT sempre foi feito para essa gente e não fazia sentido alguém comprar espaço publicitário e anunciar produtos para uma horda de miseráveis esfarrapados. O SBT minguava ao lado do povo.
A história toda mudou quando a inflação foi controlada em 94, e a classe baixa ganhou poder de compra. Comparados com uma classe média que via seu crédito achatado por juros de cartão e cheque especial, eles viraram filé. Os anunciantes rapidamente perceberam que seus novos consumidores eram agora os essebetistas e passaram a comprar espaço na banquinha do camelô judeu. Em pouco tempo, o SBT cresceu, novos programas surgiram, com mais dinheiro, mais recursos técnicos, mais pontos de audiência, porém sempre voltados para o gosto do povão: muita bunda, muita violência, muito pagode.
A Globo teve de se adequar ao gosto dos essebetistas para morder um pedacinho da nova torta. O Linha Direta, o Zorra Total e os peladões das novelas das 6 são a nova marca. O Boni, que não gostava da idéia, rodou.
Minha opinião
Minha opinião? A violência e o sexo na TV são o maior legado do Governo FHC. Antes eu reclamava do baixo nível da programação. Isso até ver a nossa Perfeita Biscate, de tailleur Gucci e do alto de seus saltos Prada, defendendo a idéia de uma comissão de burocratas em Brasília para controlar o conteúdo das redes. Aí tudo ficou claro pra mim. Os programas com violência e sexo são uma conquista do povo brasileiro. Talvez a maior conquista desde o fim da escravidão, desde a volta do voto direto. E a Marta, como todo petista assistencialista, que acha o povo estúpido e incapaz até mesmo de escolher um programa de televisão, quer privar os coitados dessa diversão democrática.
A baixaria é a vitória dos excluídos e assim concluo: quanto mais violência e sexo na TV, melhor.
http://canjicas.blogspot.com/2004_05_01_archive.html -
Não quis fazer "o" vestibular, estudar feito um cachorro pra entrar na UnB. Claro que se não tivesse opção é o que teria feito. O fato é que nunca pensei nisso, mesmo antes de entrar na universidade. Não me sentia mal em ter ficado de fora. Me lembro de que os professores no segundo grau faziam um terrorismo insano em cima do vestibular, era UnB pra lá, UnB pra cá, histórias mil de superação, de vitória, a maior breguice misturada com a maior nerdice. Era como se depois do vestibular a gente morresse, indo direto para o Paraíso em caso de sucesso. Ou o Inferno, se não passássemos.
Graças a Deus meu desprezo por escola, por "ensino" já estava num nível tão alto que mal ouvia o que essas bestas profissionais diziam.
A mística da UnB não me pegou. Não fazia nenhuma questão de passar em seu vestibular difícil. Sabia de antemão, pelo que me diziam, que as públicas formavam um monte de gente medíocre, igualzinho às particulares. Na minha sala havia alunos excelentes que fizeram ou estão fazendo boas carreiras, no Estado ou na advocacia, um pessoal trezentas mil vezes superior a alguns arrogantes que conheci da UnB, fraquinhos, fraquinhos. Quem faz o curso é, em grande parte, o aluno.
Escolhi uma particular que me parecia boa (e na época ainda não havia começado essa proliferação de faculdades vagabundas, havia realmente poucas)
O que me interessa é se a pessoa tem cabeça (em matéria de direito ou em qualquer outro assunto), não em que universidade ela se formou ou que curso ela fez. Estou caindo de conhecer gente inteligentíssima e retardada tanto entre principiantes do mundo acadêmico quanto entre PhDs.
Só uma vez fui hostilizado, depois de comentar na frente de um bando de nerds, não sei de qual curso, que tinha acabado de entrar na universidade X. Eram alunos da UnB e dispararam um "boa sorte com as mensalidades". Respondi: "E vocês, boa sorte com as greves." Depois soube que esse boa sorte com as mensalidades era piadinha corrente.
Pessoas, tão mesquinhas. Às vezes gostaria que todas elas tivessem um único pescoço, para que pudesse decepar todos eles de um só golpe. -
Tudo gente finíssimis.
@soaressilva
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@ivanantonio -
Porque a vida não é um sonho de padaria. Oh, bloody hell... Odiar é eufemismo. Ou melhor, desprezo, não odeio. Se por odiar a gente entender algo que necessariamente tem que estar acima de você. Improving, anyway. O que começou sendo uma relação de amor e ódio virou uma détente. Estamos convivendo bem, os orcs e eu, como os russos e americanos. Sou capaz de sobreviver nesse meio, ainda tenho chances razoáveis de escapar dele ou de ao menos subir o suficiente dentro dele para terminar num lugar agradável. Intelectualmente é a morte em vida. Há mortes piores. Vou levando, na medida do possível. Além do que, é verdade, estou muito no começo. Tudo bem pensado, é normal começar por baixo. Caí no esgoto do funcionalismo - baixos salários, trabalho nível macaco e funcionários que na escala evolutiva estão entre a barata e a torradeira. Estou cansado, exausto de lutar sozinho. Cheio de conhecer gente que come, dorme e sonha com concursos. Gente que acha professor de cursinho legal... Desenvolvi um modus vivendi para tolerar esse mundo de mesas de fórmica, de "ressalte-se por oportuno", de café ruim, comida com gosto de plástico, recursos humanos lastimáveis (a maioria não serviria nem pra limpar campos minados numa guerra, são tão incompetentes que talvez as trouxessem de volta e as explodissem na sua cara, é inacreditável), de Almeidas e Palhares, de mentalidade bovina. O importante, na falta de uma rota de fuga, é localizar as ilhas de racionalidade dentro do sistema e ter um plano pra chegar lá. Fazer o nosso trabalho da melhor maneira possível e esperar estoicamente pelos resultados.
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Gente que fica se fazendo de boazinha. Um punhado de gente chata que não tem o menor conhecimento de como viver nem a menor percepção de quando deve morrer, segundo Oscar Wilde.
E três perfeitas dele pra quem faz concursos públicos:
Nos exames, os tolos fazem perguntas que os sábios não conseguem responder.
Todo mundo que é incapaz de aprender agora deu pra ensinar.
O homem que deseja ser algo distante de si mesmo, como membro do parlamento, grande comerciante, advogado de renome, juiz ou qualquer outra coisa igualmente tediosa, acaba sempre conseguindo se tornar o que quer. Esta é a sua punição. Quem pede uma máscara, tem que colocá-la. -
Dá trabalho, requer paciência e nascer com o dom para isso ajuda. Está longe de ser um fator determinante, uma vez que pode ser desperdiçado, mas ajuda.
Uma divagação:
Quem diz que não existe dom (seja para o que for, para se ter cultura ou para ler, escrever, ser cobra em línguas, matemática, artes, filosofia, genética, engenharia, finanças, investimentos...) está mentindo.
Em geral quem diz isso é gente medíocre... ou até talentosa, só que talentos ordinários. Talentos que se rebaixam, se vulgarizam no contato excessivo com gente, bem, ordinária.
Um bom exemplo são professores acima da média, tanto os autônomos como os de cursinhos mil por aí. Estou caindo de ouvir de bons professores - e não só deles, de profissionais vários - que talento não existe, que a vida é feita de "esforço" e sacrifícios sem fim.
Tratam o talento individual como os ateus militantes tratam Deus: uma piada de mau gosto, uma crendice absurda que tem que ser eliminada a todo custo.
"Existe uma resistência, por parte das pessoas comuns, em admitir a existência de pessoas realmente extraodinárias." Quem disse isso foi Gustavo Franco, um dos economistas do Plano Real, sobre Mário Henrique Simonsen.
Há os professores excepcionais, um entre trezentos, o problema é que eles passam a vida dando aulas para gente sem conseqüência na vida. Tirando o eventual aluno incrível, o resto é uma sala cheia de ninguém e a convivência excessiva com tantos ninguém dá nisso. O mesmo acontece com outros profissionais brilhantes, pode ser na iniciativa privada, no funcionalismo público, não importa. Se desgastam demais no dia-a-dia com a plebe.
Se toma aquilo que se vê todos os dias pela regra. Como o que eles vêem todos os dias é um oceano de banalidade, começam a achar que só o que existe nesse mundo é o esforço, muito, muito esforço. Duvidam do verdadeiro talento intelectual, do gênio e até mesmo do superdotado, que é um tipo inferior ao gênio, portanto, mais comum.
Duvidam de si mesmos em alguns casos.
Pois o gênio e as classes extraordinárias abaixo dele não são facilmente explicáveis. Há que se acreditar em algo acima delas que as sustente, num dom que lhes foi dado, vindo de algum lugar, de algo ou alguém muito acima do nosso mundinho vil. Para mim é Deus, mas não vou discutir religião aqui. Não é o momento.
Fim da divagação.
Se você tem consciência disso, é sinal de que não é burro. Ao menos está bem acima do tipo médio de rua (que nem sempre é anônimo, também pode estar na tv e nos jornais – Faustão, Ana Maria Braga, Lula e amigos e alguns apresentadores de telejornal, por exemplo). O lixo errante nacional e internacional. Lixo humano é como lixo comum: não tem fronteiras.
Não existe uma fórmula para se adquirir cultura, muito menos um caminho exato. Nem vou fazer listas aqui. Vá atrás do que você gosta. E é bom que goste de ler, porque vai ter que ler muito. Quais livros, não sei. Minha biblioteca particular foi toda feita em cima de um critério: meu gosto. Nela há de tudo e falta de tudo também. Boa parte dos supostos livros obrigatórios sobre isso e aquilo e aquele outro você não vai encontrar nela. Nem hoje, nem amanhã, nem em nenhum outro dia. Não sigo escolas, academias, correntes, vertentes, sistemas e modismos. Leio o que me interessa - muitas coisas me interessam, logo leio pra burro - mas é tudo baseado no meu prazer. Não leio para me aborrecer ou porque alguém disse que tal livro é necessário. O que chamam de indispensável costuma ser o mais descartável às vezes.
O que mais? Tenha bom senso, discernimento e prazer nas coisas que fizer. Se ler um livro é uma tortura para você, é porque livros não são para você. Vá fazer outra coisa. -
Deus, que pergunta. Não acho nada. Me parece meio niilista e seco, mas que sei eu disso. Quanto às suas vertentes, sei lá, nunca as vi mais gordas.
Achava que fosse a religião mais rígida em matéria de ascetismo, ao menos para os que vão para a elite da coisa (monges, ou seja, os que se dedicam a ela em tempo integral e pelo resto da vida), mas depois vi que padres ortodoxos e sacerdotes hindus alcançam níveis comparáveis, quando não superiores, de ascetismo. Quer dizer, vi de "ficar sabendo", ao menos no caso da ortodoxia, da qual só tenho conhecimento livresco, portanto incompleto e superficial. Tenho algum conhecimento de primeira mão - a quente, não a frio - do hinduísmo.
E devo dizer que esse ano aprendi bastante sobre o cristianismo ortodoxo, afinal dois dos caras mais cultos, inteligentes, articulados - e por que não dizer eventual e involuntariamente engraçados - daqui são dessa religião, o @Areopagita e o @constantor. Pra não ficar voando feito uma besta, me senti na obrigação de ler a maior parte dos links que eles punham, muitos dos quais remetiam a textos enormes e de letrinhas pequenas em sites da própria igreja ou de cristão ortodoxos mundo afora. You two gentlemen have enlightened me quite a lot, for that matter - and for that I'm very much obliged.
Bom, longe de mim querer entrar em discussões teológicas que podem por vezes chegar a níveis bizantinos de complexidade, mas posso dizer que li e entendi quase, quase tudo graças ao meu amor pelo lugar das discussões bizantinas por excelência, sim, o próprio, o único, o inigualável Império Bizantino, um dos pontos altos da civilização humana junto com a Roma César.
E aproveito para desejar um Ano Novo maravilhoso, o mais perfeito possível em todos os departamentos para todos vocês, amigos da Rede Globo que estão nos vendo aqui no Ellis Park Winnie Mandela Stadium em Johannesburg. Que 2013 seja bem melhor que as melhores expectativas, as de vocês e as minhas. @soaressilva, @leopbrito, @osmarbernardes, @camillepaglia, @precambriano, @cabritoequanime, @callmetheseeker, @Shibbo, @MarceloMesser, @RodrigoNemo, @rodrigovspagnol, @delance2, @evepetersen, @otsomagus, @ilcondottiere, @bdelykleon, @Areopagita, @constantor, @militrissa, @mvmonteiro, @meiapataca, @fribi, @Guy, etc, etc, quem não está na lista é porque realmente não me lembrei, estou escrevendo essa resposta voando porque me apareceu uma festa de fim de ano de última hora, foi um prazer conhecer e conversar com vocês nesse ano já quase morto e enterrado.
Over and Out! -
Nossa, você largou medicina pra fazer economia e direito? Ousada. É que tenho essa impressão, de quem é de fora, que só entra em medicina quem ama a coisa - mais por ser algo tão diferente do resto. Não sei pq hoje me pego às vezes pensando: e se eu tivesse feito medicina? Será que teria dado certo? Tenho uma certa atração pelos nossos mecanismos bioquímicos todos - não sei se isso é culpa do excesso de House em minha vida.
E você fez dois cursos. Até hoje conheci pouquíssimas pessoas que fizeram isso e só me lembro bem de um cara que, com 26 anos, dando aulas no ceub (formado em direito e relações internacionais), passou pra consultor do senado em 2002. Hoje deve ganhar perto de 30 mil. O sujeito nao era bem um prodígio, só uma máquina de estudar, extremamente frio e metódico. E incansável. Tenho uma prima que é consultora na câmara, desprovida de qualquer brilhantismo intelectual ou imaginação, porém igualzinha a esse cara. Em regra quem se dá bem em concurso é esse tipo de gente.
Sobre o seu curso de economia não posso dizer nada porque não sirvo pra coisa, passei minha vida fugindo de exatas (um dos motivos pelos quais fiz direito) e de qualquer área que tivesse matemática. Para mais tarde esbarrar em questões de... raciocínio lógico e matemático em concursos públicos, invenção da ESAF nos anos 90 feita sob medida pra eliminar ainda mais gente. Ridículo.
Mas você fez direito. Admito que direito tem suas utilidades e abre muitas portas, mesmo se vc não fez por vocação (meu caso). Não gosto mas ao mesmo tempo passei daquela fase do ódio e do arrependimento ("no que eu fui me meter?", "o que é que estou fazendo aqui?", etc). Olha, lá pela metade, no quinto semestre, já estava de saco cheio do curso, mas fui até o fim. Pensava que não seria muito difícil passar num concurso e tinha ilusões mil sobre o funcionalismo, acreditava poder encontrar um lugar muito bom, de alto nível e com um trabalho dinâmico e interessante. Pfui...
Então, o que posso dizer? Se você desisitir do Rio Branco, garanto que não estará perdida, poderá fazer mais concursos do que se tivesse qualquer outro diploma. Sei que é chato dizer isso, mas é melhor do que nada. Veja o meu caso, não me interessam as tais carreiras de estado (juiz, procurador, promotor, adovgado da União, etc), nem analista judiciário, de tribunal. Não sou apaixonado pra me dedicar às tais carreiras, durmo só de pensar em ter que saber a jurisprudência de cada lugar sobre cada assunto, em ter que estudar troços como tributário, previdenciário, trabalhista... Se o básico (processo civil, pra citar um) me entedia, imagine essas daí. Sobre ser analista de tribunal, bem, não quero passar o resto da minha vida analisando processos, deus me livre. E apesar de ter cortado algumas, me restam várias outras. Não faltam concursos pra mim - o que me falta é disposição às vezes, fora que não sou franco-atirador, que se inscreve em tudo e faz de tudo, no desespero. Escolho.
Agora, se você quer ir em frente com o Itamaraty, pelo menos escolheu o único que é certo: todo ano tem a prova. Ou melhor, provas. Uns seis meses de exames. Chutando aqui, talvez passasse na segunda tentativa se me matasse de estudar. O Clio, famoso curso de São Paulo que abriu faz uns anos em Brasília, cobra perto de 20 mil (1800 cada matéria). Por isso mesmo muita gente prefere fazer outros. Chutando de novo, se o Clio sai tão caro, os outros devem sair em torno de 10 a 15 mil, quem sabe. Para certas matérias, como história político-econômica brasileira, simplesmente não teria como eu me virar sozinho, lendo. É um porre. Não dispensaria nem o curso de redação em inglês avançado (aliás, penso em fazer um, nada a ver com o MRE, só como um desafio. É de uma norte-americana que vive aqui há décadas e prepara, adivinhe, futuros diplomatas), enfim, não dispensaria cursos nem sobre os assuntos em que me considero bom, do meu ponto de vista de autodidata diletante.
Antes que me esqueça, só pra constar: direito é o curso que mais manda gente pro MRE. Rel. Intern. perdeu a primazia faz tempo. História e jornalismo também tem suas cotas - e, risos, muitos risos amargos e tristes - não falo das absurdas cotas raciais no concurso nem da bolsa pra afroblacknegão, que dá curso preparatório pro White River. Vou passar uma graxa na cara, como Laurence Olivier em Othelo, aí eles vão ver.
O que me desestimula: o salário, 12900 bruto, descontados os impostos para a Dona Dilma vestir Chanel, sobram menos de dez. Acho pouco para um diplomata. A partir de vinte seria o justo. A carreira lenta. Depois do curso de formação, que ao que parece vale como um mestrado em rel. intern., com defesa de monografia e tudo o mais, você vai ficar em terceiro-secretário até cansar. Dizem que chegar a primeiro-secretário já é uma luta e que depois fica pior. Conselheiro (de 1a e 2a classes) e Ministro (de 2a e de 1a - ou embaixador) é coisinha de 20 a mais de 30 anos. Chamam de ascensão meteórica quem chega a embaixador com menos de vinte anos de casa. Como eu não tenho pistolão, não sou de família quatrocentona, não sou neto e filho de diplomatas nem tenho um Antônio Carlos Magalhães pra me apadrinhar, fico desanimado.
Ah, e a politicagem interna, o favorecimento, o puxa-saquismo. "No Itamaraty você tem que puxar o saco sem parecer que está puxando o saco, é uma ciência." me contou um chefe de departamento com uma promoção pra embaixador engatilhada. Deu tudo errado. Do que deveria ter sido, Austrália, ele terminou na Coréia do Sul. Triste. Posso contar essa depois.
Laços políticos, de preferência com senadores ou direto com o partido que estiver no poder ajudam muito. Alavancam as maiores mediocridades, não duvide. Não darei nomes porque nem vale a pena. Estão na mídia, são falados há dez anos...
O que acontece muito por lá é o diplomata talentoso ser jogado num departamentozinho e ficar nele, pegando traças. Ou ser preterido nas indicações para os postos no exterior, pegando países classes C e D, os mais baixos. Outro dia descobri que a única maneira de um diplomata ser enviado diretamente para um classe A - obrigatoriamente - é tendo passado uma temporada num classe D. Logo, a classe D deve ser o Inferno pra dar tal direito exclusivo. Quatro anos em Guiné-Bissau, já pensou? Sem ninguém que fale direito a sua ou qualquer outra língua, sem infraestrutura na cidade, sem opções de diversão, sem livrarias, comida que preste, tv que preste, água potável, energia, segurança. E é de se imaginar o cheiro, do lugar e dos nativos. Embaixada, nem pensar. No Quinto Mundo o Brasil tem consulados (leia-se: salinhas alugadas num edifício cabeça-de-porco qualquer, onde na prática você é só mais um no meio do povão). Não dá. Sou enjoado demais, fresco demais pra aguentar uma vida assim. Veja que nem entrei na questão dos costumes diametralmente opostos aos nossos - incluiria essa na parte "segurança". Por si só daria uma tragicomédia de costumes, a julgar pelas história que conheço.
Não faz muito tempo uma diplomata de 30 e poucos anos morreu de malária num inferninho africano.
Bem, chega de más notícias. Do que me ocorre de bom, tem o fato de você não ser obrigado a ir para um lugar horrível no exterior. Apresentam uma lista e o melhor ali é a República Centro-Africana? No problem, pode passar. Há um porém: quando vier outra lista, interessante, e você quiser, digamos, Roma, corre o risco de ser preterido porque não aceitou nenhum das outras tantas vezes. Esnobar lugares neutros ou decididamente horrendos pode dar nisso.
O que mais? Tem os diplomatas que se dão bem, que são felizes, que adoram o que fazem. E estou excluindo da lista os aventureiros, os que se satisfazem indo pra qualquer fim de mundo, vão com prazer. Aqueles pra quem tudo está sempre maravilhoso. Não, não, gente normal. Que gosta das boas coisas da vida, de algum luxo e conforto. Que tem exigências culturais, de classe.
O fato é que a carreira diplomática, sui generis, esbarra no poder onde se encontra, o Executivo. E o Executivo, tirando meia-dúzia de carreiras além da que estamos falando, é uma merda. Paga mal e concentra o baixo clero do funcionalismo público, o pessoal mais fraquinho, de baixo nível e low life possível na burocracia estatal. Não que o Judiciário seja uma maravilha, mas é outro nível. E o Legislativo, as usual apinhado de bestas, tem ilhas de excelência, gente com quem eu adoraria trabalhar. O Executivo sucateado prejudica demais a pessoa que pretende fazer algo à sua altura. Não se cresce muito num ambiente pobre. As limitações dos outros te limitam, isso é fatal.
Infelizmente meu conhecimento do meio acaba aqui. Não sou orientador vocacional nem profundo conhecedor do Itamaraty, posso ter deixado de fora detalhes importantes que ignoro. A última coisa que quero é te influenciar mal com uma visão enviesada de lá. -
Calma, sua vida não está terminando.
Nem eu gosto de bancos. Me dão calafrios sempre que passo tempo demais dentro de um. Me sinto mal dentro deles.
Se desse pra sacar dinheiro pelo PC, jamais pisaria num banco, Porque o resto faço sem sair de casa.
Agora... é bem provável - não fatal - que o início será deprimente. Desesperador mesmo. O mundo do trabalho é baixo e vil. Um dos pontos baixos, abissais da espécie humana. Para alguém que, como eu, levava uma vida tranqüila, quieto em casa, lendo e escrevendo horrores, vendo filmes e ouvindo música, etc e tal, ter que entrar no mundinho do trabalho foi uma das piores experiências pelas quais já passei. Uma das piores obrigações, das que o sistema nos impõe, pela qual qualquer pessoa civilizada pode passar.
E nenhuma pessoa decente e que viva acima do meio-fio social deveria passar por ela. É degradante ao extremo. Falo isso sem qualquer ironia.
O ambiente. As pessoas. As prioridades dessas pessoas. As conversinhas. As piadinhas nojentas. Os sites nojentos que essa escumalha acessa o dia inteiro. O jeito amarfanhado e mofino da maioria. As regrinhas dementes de conduta. Os papeizinhos disso e daquilo. A burocracia interna e a outra, a que constitui o seu trabalho propriamente dito. As normas ridículas de redação oficial. O analfabetismo funcional do Estado querendo dizer a você o que e como escrever. A piada de mau gosto suprema.
O ar sujo, tanto em sentido figurado quanto real, palpável.
O café ordinário. Os banheiros imundos. O cheiro de plástico e lixo industrial que exala do refeitório (me recuso a chamar aquilo de restaurante, restaurante pra mim é outra história). E como eles comem satisfeitos a lavagem servida nesses lugares. Afinal, sendo barato, esse povo come até chumbo derretido. Fazem um prato em forma de pirâmide, os animais, comida para três dias, e devoram tudo em quinze minutos. Falam e espirram e tossem na fila, apesar do cartaz enorme pedindo para que não cometam nenhuma dessas gentilezas, por uma questão de higiene. E de educação, coisa que eles nem desconfiam o que seja.
As raimundas mal-amadas que cheiram a cigarro e sugerem um passado suspeito fazendo vocês sabem o quê no cais do porto. Se é que algum dia passaram perto de ter o que se possa chamar de vida sexual. Só se foi na antiga Suméria, a julgar pelo estado em que se encontram. Criaturas de idade indefinida e boca de lagarta (me lembrei de uma história que o @andrekangussu contou aqui faz tempo), sempre meio trôpegas, perdidas, andando em ziguezague, jamais em linha reta. Como o povão numa tarde de sábado no shopping, andando feito uns autômatos enguiçados. Quanto mais você sinaliza que está indo numa direção, mais eles se movem... na sua direção. Falta de senso de direção é uma das marcas do idiota moderno.
Do lado menos aterrador há umas coleguinhas jovens, várias interessantes, porém basta engatar uma conversa que não se salva uma. Sabe aquela cara de quem foi lobotomizado? O olhar vácuo? Pois é. Aliás, isso é geral, vale para os homens também. Todo mundo vidrado nas telas dos computadores ou no trabalhinho idiota. Todo santo dia.
Aqueles homenzinhos atarracados, sem pescoço, com cara de celerados e nomes e sobrenomes do tipo Almeida, Veronese, Nepomuceno, Atanagildo, enfiados em ternos que parecem ter sido herdados do tataravô. As mesmas roupas sendo passadas de uma geração a outra. Uma gente de ar antigo, muito antigo, quase cadavérico. E, se você chega perto deles, sente aquele cheiro de carpete velho e seco. De mofo.
De que esgoto saem essas criaturas?
E estão ali há quanto tempo? Quinze, vinte, trinta anos?, ainda que pela aparência pareçam ter quinhentos. Olhava para essas múmias astecas e pensava: "Que merda eu fui fazer? Por que não estudei mais para pelo menos entrar num lugar melhor, com gente de outro nível, gente com quem dá pra manter uma conversa, que tem coisas em comum comigo? Algum lugar top de linha. Se tivesse estudado um tantinho a mais - não muito, na verdade - estaria num lugar onde ao menos há funcionários de certo nível, de e com certa classe e posição sociais, ALÉM dos espantalhos que infestam todo canto. Um ambiente onde eu teria possibilidade de escolha. Aqui não, aqui só dá essa gentalha..."
Como diria o Capitão Nascimento, agora parceiro, você está sozinho. E sozinho, parceiro, no meio da encosta, subindo o morro.
Fui ter minha primeira doença séria na vida depois de uns seis meses trabalhando. Tenho certeza de que peguei algo no serviço, só pode ter sido. Febre alta com uma infecção violenta na garganta, parecia que tinha uma faca lá dentro, toda vez que tentava engolir algo.
Tivesse ficado um pouquinho pior e teria sido hospitalizado (na emergência do hospital tomei dipirona e antibiótico na veia e uma injeção cavalar de outro antibiótico; em casa tomava um analgésico com codeína, parente pobre da morfina que me apagava deliciosamente por umas duas horas - memso assim um remédio pesado, que dependia de receita médica, dada na hora quando o médico viu o estado da minha garganta). Passei quatro dias sem conseguir ingerir nada sólido. Levava uma hora pra tomar um copo de banana, leite, neston e farinha láctea batidos no liquidificador. Fiquei duas semanas longe do trabalho e na terceira voltei ainda arrebentado, sem sentir o gosto da comida (a de casa, que lá nunca mais comi depois dessa) e quase sem disposição pra nada. Morto-vivo.
Um dos artrópodes de 1,50 m no trabalho deve ter me passado peste negra com pneumonia, só pode ser.
Mas que horror, hein? Um banco.
Bom, o meu não é nenhuma maravilha, mas um banco... toda vez que vou a um fico olhando para aqueles funcionários fazendo aqueles trabalhinhos todos e atendendo o público e me sinto na antesala do Inferno. Como deve ser chato e inútil trabalhar num banco. Mil vezes pior do que a pior repartição pública. Não desejo isso pra ninguém.
Dito isso, calma. Minha primeira semana de trabalho foi desesperadora. Na segunda já estava (um pouco) mais tranqüilo. Mas a primeira foi devastadora. Pensei em ir embora e nunca mais voltar no primeiro dia. Sério.
Hoje faço mil coisas lá dentro e acho engraçado esse meu pavor inicial.
Mas naquela tarde de quarta ou quinta-feira, voltando para casa às seis da tarde, eu queria simplesmente morrer. Queria sumir, desaparecer, ir para qualquer ponto do universo. Ir para outra galáxia. De preferência bem perto de uma supernova. Baixei os vidros do carro buscando por ar, o que não é meu normal. E repetia pra mim mesmo: "Meu deus, onde fui me meter?"
Acho que essa foi a única vez na minha vida em que tive o que pode se chamar de princípio de síndrome do pânico. Uma amiga minha tem, sei como é, mais ou menos. Pois esse foi o dia em que toda a minha mente controladinha cedeu. Nem pensar direito conseguia. Cheguei em casa e tomei dois comprimidos de Dorflex e fui deitar. Isso às sete da noite. Acordei às duas da manhã, levemente refeito. Só então comecei a reorganizar minha cabeça.
O nível da minha primeira chefe era baixo demais. Além disso a mulher era louca. A suportei por longos onze meses. Aí entrou uma nova diretora, muito legal por falar nisso, e fui falar com ela na hora. Não quis nem saber, falei tudo, contei tudo o que passei em quase um ano e no fim ela estava me olhando de queixo caído, incrédula, como se estivesse falando com o último sobrevivente de um campo de prisioneiros japonês da II Guerra.
Senti o drama e o que viria dali pra frente logo no meu primeiro dia de trabalho. Sem falar que o cenário inteiro era podre e eu definitivamente era um estranho ali. Era um extraterrestre.
A propósito, muitíssimo a propósito (do antigo blog do @soaressilva):
J´ai horreur de tous le métiers
As profissões, todas elas, são formas de degradação, como um chapéu de burro; ou uma perversão sexual, como o ondinismo. Nada mais explica a contabilidade. “Ah, eu curto fazer um balancete, preparar uma conta em T, ficar mexendo no passivo das empresas”. Taras com PowerPoint. Curtes PowerPoint? E não perca, em breve, o primeiro site de mulheres grávidas peladas fazendo planilhas de Excel.
O primeiro dia de emprego na vida de uma pessoa é o dia em que ela ficou mais boba. As pessoas voltam do primeiro dia do primeiro emprego e vão direto para a cama, arrasadas, desesperadas, repetindo mentalmente Deus Deus Deus Deus Deus, como se tivessem sido curradas num terreno baldio. Minto?
E o tempo todo ela tem que se mostrar agradecida porque pelo menos não está desempregada, etc. E olhe, não é verdade que o emprego não vem atrás de você se você não fizer nada. Todos os trabalhos que tive me foram oferecidos através de telefonemas indesejados que recebi enquanto via os Sopranos ou algo assim. E depois sorri no telefone, para ficar com aquela autêntica voz de quem está sorrindo, e agradeci, “puxa que bom, fico contente, ufa”, mas desligado o telefone lagriminhas vinham-me aos olhos, distorcendo a paisagem de New Jersey na tevê. O pior de receber um emprego é ter que agradecer ainda por cima.
Um estudante lia, na Internet, uma lista das profissões que poderia seguir; e acabou escolhendo a última delas, saltar da varanda.
“Ganhar o pão do seu dia
com o suor do seu rosto…”
- Mas não há maior desgosto
Nem há maior vilania! -
É a última vez que falo em direita X esquerda.
A direita não tem a raiz utópica, que costuma degenerar em totalitarismo, da esquerda.
Não se preocupa em ficar controlando as vidas dos outros. Está longe de Rousseau e do puro e incorruptível Robespierre.
O comunismo é uma forma de religião secular, pervertida. A comunidade dos santos na Terra. Novamente, uma utopia.
Mesmo os derivados mais ralos do socialismo são uma chatice sem fim. Vivem insistindo em querer mudar o comportamento das pessoas e supostamente salvar o mundo.
O conservadorismo, como o próprio nome diz, quer conservar, não virar nada do avesso.
Fico com os conservadores. Burke, William Pitt the Younger e seu pai, the 1st Earl of Chatham, Disraeli...
Um pouco sobre o assunto:
http://www.amazon.com/Reflections-Revolution-France-Oxford-Classics/dp/0199539022/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1334686137&sr=8-1
http://www.amazon.com/Black-Mass-Apocalyptic-Religion-Utopia/dp/0374531528/ref=sr_1_2?ie=UTF8&qid=1334685821&sr=8-2
e Comunismo e o História Concisa da Revolução Russa, de Richard Pipes. -
Faça-me o favor, né? Isso não se pergunta. Sandrinha, minha querida, Datena, meu querido, o que vocês acham disso?
Sandra Annenberg, mãozinha no queixo:
"Que deselegante!"
Datena, caneta Bic numa das mãos:
"Porra, mas é brincadeira, viu, ô. Pensam que a gente tá aqui brincando. Ô, Everest, dá um close, dá um close aí na foto do elemento... isso..."
E que interesse tem isso para o distinto público?
Estou longe de ganhar o que essas sumidades televisivas ganham.
E igualmente longe de poder dizer o que Gibbon dizia: "I am indeed rich, since my income is superior to my expenses, and my expense is equal to my wishes."
Sou, contudo, controladinho com o que ganho. -
Porque são burras e porque a importância do ócio não é bem entendida pela ratatuia. Uma das marcas do tipo ordinário é pensar que só o trabalho conta, que é bom se matar de trabalhar, que é importantíssimo cumprir horários e passar a vida dizendo para os outros que se está "na luta". Invariavelmente quem considera a vida uma luta é um perfeito idiota. Mas o trabalho foi feito exatamente para essas pessoas, que no fundo não são pessoas de verdade, pessoas completas, que, como gosto de dizer, entraram na espécie por acidente. Esses bovinos precisam, em primeiro lugar, de uma ocupação. Não saberiam viver sem o trabalho. Toda a estrutura de suas vidas banais está assentada nele. Gente sem imaginação, de inteligência mediana e desprovida de cultura - que é uma excelente válvula de escape, além de boa por si mesma, por nos levar mais fundo e mais longe - fica desesperada se não tiver algo mecânico, repetitivo e adequado aos seus intelectos (logo, medíocre) para fazer. Alguns entram em parafuso rapidinho.
-
Não. Acho que ainda vai piorar, que as ondas de estrangeiros vindos de lugares muito pobres (Oriente Médio, Norte da África e alguns cantos da Ásia) vão aumentar, levando a violência lá pra cima e dificultando até as nossas vidas, quando a gente resolver passear pela Europa. Turismo hoje tem que ser feito com algum cuidado, não dá mais pra ficar aéreo, avoado numa cidade européia.
Só que uma hora os europeus vão reagir. Não será bonito. Me lembro do Francis falando sobre isso, que os mais sensíveis, os mais delicados no quinto mundo fazem de tudo pra escapar de onde vivem, e que se pra esses a vida na Europa é difícil, imagine pra maioria, que não tem futuro algum, intelecto, e que não é aproveitada nem pra trabalho braçal, já que sobram trabalhadores braçais. Disse que sabia muito bem no que isso ia dar. Que a reação européia seria previsível. E terminou dizendo "prefiro não escrever".
Os franceses andaram deportando um pessoal aí faz pouco tempo, ciganos, Romani people, não foi? Acho que em menos de uma década a deportação em massa de imigrantes e indesejáveis em geral será política extra-oficial de todos os países europeus ricos e de grande parte dos remediados.
Ciganos são mesmo muito perigosos. Em junho, na Itália, havia sol até umas nove da noite, depois anoitecia, só que de uma vez. O sol não descia aos poucos. Notei que o policiamento era bastante ostensivo, via casais andando com crianças pequenas até bem depois das dez horas, ainda que quase nada estivesse aberto (italiano trabalha pouco, o comércio abre lá pelas dez e fecha às cinco da tarde), nem restaurantes. Se você quiser jantar, a regra é fazer isso até umas oito, oito e meia no máximo. Vi também gente sacando dinheiro em ATMs bem tarde da noite. Todas essas coisas que não dá pra fazer no Brasil.
Mas isso nas partes mais centrais, limpinhas e civilizadas de Roma e Florença.
Veneza prefiro deixar de fora, por ela ser diferente de tudo, ter outra configuração. Me pareceu tão segura quanto as outras, só que há muita gente nas ruas até altas horas. Acho que a explicação está no acesso à cidade propriamente dita, que é difícil. Deve ser fácil para a polícia impedir a entrada de imigrantes violentos e batedores de carteira. O que se vê são aqueles africanos e marroquinos vendendo bolsas Louis Vuitton falsificadas. É um pessoal tranquilo, desde que você, turista, não dê muita sopa perto deles. O engraçado é que eles sim vivem assustados. Em Florença, fiquei impressionado com a velocidade com que um grupo deles desarmou um monte de bancas, empacotou tudo e saiu voando com aquilo nas costas ao menor sinal da polícia. Basta uma viatura da guarda municipal passar que eles desaparecem. E isso acontece o dia inteiro. Correm de um lugar pra outro sem parar. Se forem os Carabinieri, já era, levam todo mundo. Não dá pra escapar porque os caras vem cercando por todos os lados.
Nos subúrbios é que a coisa pega. Para os locais e para nós que estamos lá de alegres. Ninguém se aventura muito longe numa cidade como Roma – Paris e Londres menos ainda – nem pega o metrô depois de certo horário. A polícia funciona muito bem na Europa de um modo geral, descendo o pau. A francesa bate pra valer. Nos redutos, porém, a lei é feita por quem vive neles e até que a polícia chegue o estrago já está feito. Bandos de árabes do norte da África às vezes espancam parisienses desgarrados e turistas perdidos ao ponto de matá-los. Os que escapam vivos podem precisar de reconstrução facial. Há casos de imigrantes adolescentes que violentam a vítima com cacos de vidro. Casos assim são esparsos porque a população se cuida, mas servem pra mostrar que com selvageria a gente não pode aliviar. Não se brinca por lá, não se anda distraído.
Na Itália o maior cuidado que tomei foi com os ciganos. Odiados pelos italianos, andam sempre em duplas, trios ou grupos de quatro ou cinco, jamais sozinhos. Variam do mão-leve que ninguém vê, o prejuízo sendo descoberto tarde demais, aos tipos violentos. Em regra são violentos. Costumam tomar o que querem com facilidade e ainda assim dar uma surra na pessoa, por puro prazer. E sabem bater, batem onde machuca. Vão direto no pescoço, cabeça, rins e baço. Gostam de lâminas. Apanham feio dos italianos, direto.
Nada tão assustador pra quem vive no Brasil. Os métodos variam, o grau de violência é o mesmo. Aqui fazem a pessoa sacar dinheiro em várias máquinas e, se forem bonzinhos, deixam a pessoa vestida num acostamento na saída da cidade. Se forem maus, tiram a roupa. E há os que torturam, mutilam e queimam gente viva.
Muda o modus operandi, as preferências desses animais – que a meu ver deveriam ser executados sumariamente, os nossos e os deles. Por uma questão de gosto, uns fazem assim, outros fazem de outro jeito.
Na estação ferroviária de Roma, Roma Termini, fui comprar a passagem de trem lá pelas dez da manhã e vi filas enormes nos caixas. Claro que fui nas maquininhas, vazias. Aí entendi porque é que elas ficavam vazias. No momento em que se chega perto delas aparecem uns vinte ciganos, africanos, todos falando a mesma coisa ao mesmo tempo, pedindo dinheiro em cinco dialetos. Outros dizem que “ajudam” a gente a fazer o procedimento de compra na máquina por alguns euros. Foi meio complicado escolher horário, assento e ainda pagar com um monte de suspeitos à minha volta, eu ali exposto, com o Visa Travel Money na mão e a bolsa interna, presa na cintura por dentro da calça, aberta. Deveria ter feito isso dentro da livraria ao lado e depois usado a máquina. Não pensei. Os caras podiam ter levado o dinheiro vivo que eu estava carregando, fora o passaporte. Sem violência se quisessem.
Sobre o risco dos europeus começarem a desaparecer, li algumas coisas explicando porque a tendência é aumentar (e o excesso populacional no quinto mundo estabilizar, talvez cair). Acho que foi no The Next 100 Years do George Friedman, o dono da Stratfor (sou leitor e assinante da Strategic Forecasting faz uns dez anos, aliás estou com toneladas de análises, milhares e milhares de páginas no Word pra apagar, quero ver se deixo só as boas e de interesse permanente pra mim). Esse livro e o The Next Decade são a maior viagem, por sua própria natureza especulativa. Tem os que gostam e os que dizem que ele é um idiota. Acontece o mesmo quanto ao que a Stratfor diz. Eu gosto, feitos os devidos descontos, com os devidos caveats. Esses dois livros e o America’s Secret War não trouxeram muita novidade pra mim porque estou acostumado com a Stratfor quase que diariamente, mas pra quem não é viciado nessas coisas são livros que reservam umas surpresas bem legais.
O fato é que o mundo inteiro está se acomodando com um filho a dois. Casais que chegam ao terceiro são cada vez mais raros. Três ou quatro argumentos, uma aulinha de História e alguns dados estatísticos que o Friedman apresenta no começo do The Next 100 Years me convenceram de que a Europa vai reverter a queda demográfica e começar a subir bem devagar. Levará um tempo até o efeito ser sentido. Não toca nesse problema dos imigrantes enclausurados em bairros, hostis a qualquer interação cultural ou mistura com europeus (o sentimento é recíproco e com razão). No livro. No site da Stratfor existem análises nos arquivos sobre a diferença do tratamento dado ao imigrante nos EUA e Europa. Uma série especial tratou da emergência do México, com potencial ainda ignorado para se tornar uma potência mediana e criar um monte de problemas para o vizinho ao norte. Não é algo certo como a ascensão da Turquia, retalhada depois da I Guerra, seu Império Otomano morto muito antes. Começa a sair da hibernação que lhe foi imposta, com uma economia fortíssima, uma sociedade organizada e desenvolvida e um dos melhores exércitos disponíveis. Excelentes soldados. Rússia e Europa Oriental que se cuidem. O Irã, coitadinho, ainda vai suar muito com a Turquia.
Deixando essa divagação de lado: e daí se eles se reproduzem feito coelhos em Paris, Londres, Berlim? Os filhotes terão o mesmo destino dos adultos: continuarão isolados em suas reservas. Não tem vez. França, Inglaterra, Alemanha, Suíça... quem é que vai dar abertura pra estranhos vivendo apartados em seus territórios? Certo, eles vieram lá de longe, mas nunca se integraram às sociedades européias. Por dois motivos simples: porque não quiseram e porque os europeus não querem. Minha impressão é de que a maioria não quer saber de conversa. Não quer contato. A intensidade desse sentimento é maior do lado dos donos da casa, mas não é pequeno do lado dos estrangeiros.
Se multiplicam aos montes? E daí? Vão fazer o quê? Começar uma guerra civil e tomar o poder? Minar o país aos poucos, se infiltrando no Estado? Essa última é meio difícil se se vive em apartheid informal. Meia-dúzia de descendentes de árabes conseguem subir numa França, claro, nem discuto isso. São, contudo, uma elite desde o início, dentro de suas próprias comunidades fechadíssimas. O desejo de sair delas pra mim trai um instinto de elite, cientes que estão de que o meio em que vivem não foi feito para eles, que há mundos melhores lá fora.
E estes somente serão aceitos pelas classes altas, na elite da iniciativa privada, na burocracia estatal e por aí vai depois que se tornarem mais e mais parecidos com os habitantes daquele país. Longe de mim querer insinuar domesticação. É adaptação, conformação, ponto. Que espírito revolucionário étnico sabotador sobreviveria a isso? Caso estivessem dispostos a sabotar o sistema por dentro, coisa que nem passa pela cabeça da maioria, nunca passou.
Quem chegou primeiro sempre tem a vantagem, tem as instituições e toda uma estrutura de segurança interna (que se não bastar, tudo bem, é só descer o aparato de segurança feito pra defesa externa em cima deles). Terminariam todos deportados. Eles e seus filhos, fora, out, au revoir.
Basta uma fraçãozinha desse cenário extremo – um desconforto um tiquinho maior com os imigrantes do que o atual – para que as sociedades supostamente abertas e democráticas da Europa façam uma limpa. Ser democrático, ser aberto não quer dizer que se é idiota. Assim que a pressão aumentar virá uma pressão contrária.
Europeus tem outra visão quando se trata de imigrantes, nada a ver com os US of A, onde você pode se naturalizar e virar americano, sendo aceito como um deles dentro de certas condições e apesar de eventuais discriminações. Nos EUA o estrangeiro pode se integrar, vir a fazer parte da nação, do povo, venha de onde vier. Claro, tem que trabalhar e andar na linha. Agora, a possibilidade existe. Na Europa, nem pensar. Se é estrangeiro, pouco importa quanto tempo você passe lá ou quem você seja, o que faça. Por mais que você suba, seja bem recebido e tratado, há uma separação clara. Dá pra sentir. Nativo é nativo, é quem nasceu lá e de pais nascidos lá. O resto é resto.
A única solução pra isso é misturar. Duvido que cheguem a um nível brasileiro de miscigenação racial. Nem precisa. Uns setenta por cento de tolerância à la Brasil me parece atingível. De qualquer maneira, a mistura é inevitável, ainda que gradual e lenta como uma lesma. Vai demorar muito para os casamentos interraciais pegarem. A tendência já é visível por lá, em termos. Daqui a dezenas de gerações todo mundo vai estar misturadinho, com a consequente assimilação dos imigrantes pelas culturas locais e destas pelos imigrantes. Tensões à parte, não me surpreenderia se em duzentos anos os europeus estiverem parecidos com o brasileiro nesse departamento, nós que recebemos incrivelmente bem qualquer um.
Se um dia o mundo fosse invadido por aliens o Brasil seria poupado. Nenhum sentido em invadir, o brasileiro faria a maior festa com eles de qualquer jeito. O negócio é os ETs não cortarem o futebol. -
Essa lista não é exaustiva e não farei outra nesse milênio.
The End (e demais livros do Ian Kershaw sobre nazismo e II Guerra. Se não estivesse saturado do assunto, depois de ler várias biografias enormes dele, acho que leria o Hitler em 3 ou 4 volumes do Kershaw).
A trilogia do Richard J. Evans. Estou lendo o último, The Third Reich at War, porque queria ir logo onde está a ação.
Hitler’s Empire, Mark Mazower
Os Generais de Hitler, The Desert Generals e outros de Correlli Barnett. Clássicos.
Para campanhas de todas as guerras em detalhes, tem a vasta coleção Campaign da Osprey. Em média 100 pgs., capa vermelha e branca.
Outras coleções da Osprey, como a nova Raid, sobre assaltos feitos por pequenas unidades de elite, operações especiais. Quase tudo da Osprey é bom. Os livros de aviação são ótimos, coleções Aircraft of the Aces e Combat Aircraft.
Hitler’s War and the War Path, David Irving, o nazista inglês que se deu mal (processado, desacreditado e falido). Descontando as bobagens (negação do Holocausto, Hitler não sabia de nada, etc) é um livro muito bom. O conhecimento dele do assunto de um ponto de vista puramente militar é bom.
Crete, Stalingrado e Berlim – 1945. Antony Beevor.
De David Glantz (coronel da reserva norte-americano, especialista em União Soviética) recomendo o When Titans Clashed. Os demais são enormes, densos, altamente técnicos e minuciosos – e caros. Vou terminar The Battle of Kursk e mais tarde escolher alguns da trilogia sobre Stalingrado e do restante da série (livros que analisam a Operação Barbarossa, antes e depois de Stalingrado).
The Grand Strategy of the Roman Empire, The Grand Strategy of the Byzantine Empire, Strategy – the Logic of War and Peace, Coup D’État, todos do Edward Luttwak.
Black Hawk Down, Mark Bowden
Inside Delta Force, Eric Haney
Legionnaire: Five Years in the French Foreign Legion, Simon Murray
SAS: Operation Storm, Tony Jeapes (a ser lançado: SAS Operation Storm: Nine Men Against Four Hundred).
Immediate Action e Bravo Two-Zero, boas introduções sobre o SAS.
In Action with the SAS, sobre o SAS australiano e neozelandês.
Fireforce: One Man's War in the Rhodesian Light Infantry, sobre a Bush War, guerra na Rodésia contra guerrilheiros negros de inspiração comunista. Envolveu todos os países vizinhos e terminou com a eleição do então protoditador Mugabe, um asqueroso com bigode à la Adolf. Uma pena, pois foram frescurinhas geopolíticas que impediram as forças armadas da Rodésia de aniquilar o inimigo, nada além de bons modos. Boa obra pra conhecer os Selous Scouts e o Rhodesian SAS.
The Storm of War, Andrew Roberts. II Guerra.
The Main Enemy: The Inside Story of the CIA's Final Showdown with the KGB. Completinho e bom pra quem nunca leu nada sobre o assunto.
Spy Handler: Memoir of a KGB Officer: The True Story of the Man Who Recruited Robert Hanssen and Aldrich Ames. Victor Cherkashin. Maravilhoso.
By Way of Deception, Victor Ostrovsky, boa introdução sobre o Mossad. Livros sobre o Mossad são raros e 99% não valem porcaria nenhuma, são lixo. O SAS e outras unidades de elite famosas sofrem do mesmo problema, literatura ruim, a.k.a. caça-níqueis.
Striking Back: The 1972 Munich Olympics Massacre and Israel's Deadly Response, Aaron Klein. Cut and dry. Nada daquela besteira sentimentalóide do filminho do Spielberg. Aliás, Klein escreveu um artigo pra Slate detonando Munique.
Six Days of War, Michael Oren, melhor análise sobre a Guerra dos Seis Dias e uma bela aula de História.
Carnage and Culture, V. D. Hanson.
As Far as My Feet Will Carry Me (pára-quedista alemão escapa de campo na Sibéria. Bem legal, como o The Long Walk do Slavomir Rawicz, do filme The Way Back).
The War Nerd, Gary Brecher (pseudônimo de John Carrol Dolan, se bem que o melhor é procurar ler absolutamente todos os artigos do War Nerd que possam ser encontrados na internet, o livro é apenas uma seleção do que já estava nela).
Talvez faça um dia uma com livros de História e assuntos gerais. Nem sei se valeria a pena, porque sem nenhuma surpresa pra quem gosta. Livros conhecidos, alguns clássicos, sobre Roma, Bizâncio e Cruzadas (Gibbon, Steven Runciman, Christopher Tyerman, Ronald Syme, Erich S. Gruen, a trilogia sobre Bizâncio e a história de Veneza do John Julius Norwich, etc), fora uns sobre episódios específicos de todas as épocas, um pouco de história medieval, Cruzadas, mundo islâmico por Bernard Lewis, o Seven Pillar do T. E. Lawrence, River War e Minha Mocidade do Churchill e por aí vai. Uns poucos livros de História por economistas, biólogos e outros (David S. Landes, Jared Diamond). Em literatura, livros óbvios, grandes e pesados (Shakespeare’s Pelican Edition, War and Peace e The Death of Ivan Ilyich and Other Stories, do casal Pevear/Volokhonsky) e cerca de trinta mais levinhos (de Kafka ao irregular Martin Amis). Pouca coisa. Filosofia, praticamente tudo de Nietzsche e alguma coisinha de cada um daqueles que mencionei aqui na perguntinha dos filósofos favoritos. Começando a ler sobre religiões com os três clássicos facilmente encontráveis do Norman Cohn (Europe’s Inner Demons, The Pursuit of the Millennium e Cosmos, Chaos, and the World to Come). And I guess that is it.
Deve haver outros, uns vinte ou trinta, que levariam a outros vinte ou trinta e assim por diante. Teria que olhar minhas prateleiras, que nem são muitas, nem compridas. Melhor parar por aqui. -
Vou contar uma historinha e vocês decidem se a minha vida é uma comédia, um drama ou uma mistura dos dois.
Revelação assustadora. Perderei quase todos meus followers, eu sei, mas o que fazer? Minha vida é um livro aberto. Serei hostilizado, ostracizado, vilipendiado. Perderei minhas posses nababescas. Virarei um proscrito. Fecharão os portões da cidade atrás de mim e jamais adentrarei nela novamente.
Portanto, se um dia vocês me virem trabalhando de ajudante-de-ordens do Dugin na próxima conferência evoliana, a ser realizada em Maracaibo, La Tierra del Sol Amada, não fiquem assustados. Pois esta é a história sobre
O DIA EM QUE FLERTEI SERIAMENTE COM O NAZISMO
Foi numa noite de quinta-feira. Quase meia-noite.
Estava eu no MSN, naquela época negra em que usava esse troço (2009, mas parece que foi em 1900), quando uma garota - que me descobriu no Facebook... - me adicionou e começou a conversar comigo.
Bonita. Trinta e poucos anos, branquinha, cabelos castanhos escuros, longos e lisos, muito bonitos.
Ela era direta e inteligente. Gostava muito de filosofia, ainda mais se fosse alemã. Eu morro em Nietzsche e Schopenhauer, não me interessei pelo resto. Ela leu todos aqueles senhores pesados e vaporosos. No original.
Por uns dez minutos a conversa correu bem. Furiosa, intensa, a gente não conseguia digitar rápido o suficiente pra falar tudo o que queria.
Que legal, pensei.
Até que notei uma coisa no MSN dela. A frase ARBEIT MACHT FREI lá em cima.
A frase que os nazistas punham na entrada dos campos de extermínio.
Não foi invenção deles, ela já existia. Naturalmente, como tudo o que foi apropriado pelos nazistas (a suástica, pra ficar só em uma), essa frase virou anátema. Virou... coisa de nazista.
http://en.wikipedia.org/wiki/Arbeit_macht_frei
Na hora eu não falei nada, mas um tempo depois não agüentei, tinha que perguntar. Sabia que ia dar pau, mas perguntei mesmo assim:
- Eu estou lendo certo aqui? Você pôs ARBEIT MACHT FREI aí no seu MSN?
- Sim. Por quê? O que é que tem isso?
- Você sabe quem usava essa frase? E onde ela era colocada?
- Sim. Os nazistas. Na entrada de Auschwitz.
- E você não acha isso meio... mórbido?
Pronto. Por que é que eu tinha que falar nisso? Namorar uma nazista talvez não tivesse sido tão mal assim, não é? Fazendo uma retrospectiva, poderia ter dado certo. Nazistas dão boas donas-de-casa, sempre dóceis e fiéis aos seus maridos (por isso daí vocês vêem o quanto eu, moldado por filmes de II Guerra, sou bobo) e comandam o lar como eu comandaria uma divisão Panzer.
Quem precisa de Espaço Vital, Lebensraum, Sangue, Solo e Raça, Herrenvolk e o cacete com uma mulher dessas? Teria uma Julie Andrews da Noviça Rebelde, só que na versão nazista. E a Andrews era uma mulher belíssima. Atualmente, ainda mantém o status de senhora admirável, junto com a Sophia Loren. Isso não é pouca coisa, não.
- Mórbido? Não. O nazismo é lindo.
Cacilda. Cacildis do forévis. Fiz um silêncio bizantino depois dessa. Me perguntou se havia acontecido alguma coisa, se a internet tinha caído. O que caiu foi o meu queixo. Ela não era burra. Fanática, iludida, não burra. Já foi soltando um "é, você é muito preconceituoso, e pior, intransigente. Já notei pelo pouco que a gente conversou que você não abre mão das suas posições, é irredutível e pa-ta-ti-pa-tá-tá..."
Daí pra frente foi uma graça. Ela me disse que o nazismo é a promessa de um novo homem, puro, verdadeiro, superior. Que o mundo moderno é podre porque vive numa grande auto-enganação chamada cristianismo, um sistema de crenças podre, morto e decadente - o judaísmo, então, coitadinho, pra ela estava em avançado estado de decomposição - e uma moral falsa, a judaico-cristã, ridícula...
Ah, e ainda tem esse inconveniente que é Deus, o qual, além de não existir, virou um obstáculo que impede o homem de atingir seu potencial máximo.
"O nazismo é sublime porque sincero. Livra o homem das amarras da..." Me esqueci. Bom, ela conhecia tudo, explicava tudo e discutia, com bastante elegância, os rumos da catilogência. Em alemão, inclusive, se você quisesse. O que é que eu ia falar?
Me dispensou com um "escuta aqui, é quase meia-noite e eu tenho mais o que fazer do que perder meu tempo com você, garoto. Acordo cedo amanhã, tenho que trabalhar, sou chefe do departamento de neurologia do hospital X - um hospital particular de elite aqui de Brasília - e diretora do departamento de psicanálise do hospital Y - mais elite ainda - afinal, com quem você pensa que está falando? Morei cinco anos na Alemanha, isso aí que você conhece de ouvir falar eu li no original, para as minhas teses de mestrado, doutorado e pós. Fiz tudo isso lá. Existencialismo alemão, Kant, Hegel, Nietzsche, Freud, you name it, boy. Saco tudo isso."
Ela ganha bem, pensei. She can afford all the wine and dine she wants. E deve estar há um bom tempo sem namorado. Sem um macho, para ser mais vulgar, porque foi isso que pensei na hora, com essas palavras. "Boa noite e passar bem. Boa sorte com outra."
E eu: "Boa sorte pra você também com os garotos. Você vai precisar...." -
Fui agnóstico por vários anos, ainda tenho meus dias de agnóstico. É uma posição prudente, acho. No final das contas o agnóstico é um ateu fraco, pouco decidido. Não acho ruim ou errado ser agnóstico. É perfeitamente compreensível se a pessoa não tem um temperamento religioso. Eu mesmo não tenho temperamento religioso, talvez por isso circule com desenvoltura por todas as religiões. Meu interesse por elas é mais histórico, cultural. Não tenho essa necessidade de ter que fazer parte de uma igreja. Religiosidade é uma questão eminentemente individual, entre você e Deus. Há quem se sinta bem dentro de uma congregação e acho isso muito bonito, porém no fim estamos todos sozinhos e é nessa condição que tratamos com Ele. Cada homem responderá a Deus individualmente um dia, gosto de pensar nessa possibilidade.
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Talvez, se ela fosse uma bactéria atraente, uma protozoária charmosa, quem sabe uma arquebactéria anaeróbica das nascentes hidrotermais das profundezas do oceano, cheia de mistérios.
Sabe, uma dessas moças que se reproduzem por cissiparidade.
Mas tenho um longo histórico de relacionamentos ruins com essa parte do reino animal e sinceramente prefiro mulheres (não-assexuadas, bem entendido), por isso acho que a resposta é... não. -
Cansa. Em Brasília é mais opressivo, dependendo do meio que se freqüenta. Ficava assustado, hoje ignoro. Parece uma seita de fanáticos. Vendedores da Amway. Herbalife. No segundo grau era a paranóia do vestibular. Estudei em colégios ditos de elite em Brasília nos anos 90 que faziam um terrorismo sem fim.
A faculdade de direito foi normal. Houve um incidente. Um professor certa vez disse que a pessoa sentada do nosso lado na sala não era nossa amiga e sim nossa concorrente amanhã, que não havia amigos na faculdade direito. Mandamos ele pastar.
Nada contra quem se sai bem neles e tem a sorte de construir uma boa carreira, é feliz, etc. Desde que não tentem me converter.
E tem os simpáticos. O tipo jecão, casca grossa, na faixa dos quarenta a cinquenta, espírito de fazendeirão, que vira delegado da federal, juiz de direito, auditor da receita ou procurador disso e daquilo e, mal te conhecendo, já vem dizendo "se mata de estudar, rapaz, entra lá, você se esforça uma vez na vida, um ano ou dois de sofrimento e o resto no bem-bom, olha só, eu tiro tantos mil por mês e nem sei isso aí tudo que você sabe, rapaz, logo você, que é um INTELEQUITUAL! Se eu cheguei onde cheguei...”
Não acho ruim. É a mentalidade, o nous, a esfera de vida deles. Querem o nosso bem.
Nas horas negras me lembro disso:
In estimating the comparative advantages and disadvantages of this wearisome period of his life, he has summed up with the impartiality of a philosopher and the sagacity of a man of the world. Irksome as were his employments, grievous as was the waste of time, uncongenial as were his companions, solid benefits were to be set off against these things.
É do verbete sobre o historiador Edward Gibbon, da Britânica de 1911.
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...é algo completamente diferente, entretanto, se o fim a ser alcançado é o de elevar-se no serviço do Estado, onde favor, amigos e relações têm de ser conquistados para, por meio deles, de degrau em degrau, alcançarem-se promoções, talvez até os mais elevados postos. No fundo, num caso como esse, é bem melhor ser atirado ao mundo sem fortuna alguma. Em especial para aquele que não é nobre, mas dotado de algum talento, ser um pobre-diabo é uma verdadeira vantagem e uma recomendação. Pois o que cada um mais procura e aprecia, não apenas na simples conversação, mas sobretudo no serviço público, é a inferioridade do outro.
Ora, só um pobre-diabo está convencido e compenetrado em grau suficiente de sua completa, profunda, decisiva, total inferioridade e de sua plena insignificância e ausência de valor, tal como exige o caso. Apenas ele, portanto, inclina-se amiúde e por bastante tempo, e apenas sua reverência atinge os plenos 90 graus; apenas ele suporta tudo e ainda sorri; apenas ele conhece a completa falta de valor dos méritos; apenas ele enaletece como obras-primas, em público, em voz alta ou em grandes caracteres, as inépcias literárias de seus superiores ou de homens influentes em geral; apenas ele sabe como mendigar; por conseguinte, apenas ele pode tornar-se um iniciado, a tempo, portanto, na juventude, naquela verdade oculta que Goethe desvelou nos seguintes termos:
Sobre a baixeza
Que ninguém se lamente:
Pois ela é a potência,
Não importa o que te digam.
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It is quite another matter if one’s object is success in political life, where favor, friends and connections are all-important, in order to mount by their aid step by step on the ladder
of promotion, and perhaps gain the topmost rung.
In this kind of life, it is much better to be cast upon the world
without a penny; and if the aspirant is not of noble family,
but is a man of some talent, it will redound to his advantage
to be an absolute pauper. For what every one most aims at in
ordinary contact with his fellows is to prove them inferior to
himself; and how much more is this the case in politics.
Now, it is only an absolute pauper who has such a thorough conviction
of his own complete, profound and positive inferiority
from every point of view, of his own utter insignificance
and worthlessness, that he can take his place quietly in the
political machine.
He is the only one who can keep on bowing
low enough, and even go right down upon his face if
necessary; he alone can submit to everything and laugh at it;
he alone knows the entire worthlessness of merit; he alone
uses his loudest voice and his boldest type whenever he has
to speak or write of those who are placed over his head, or
occupy any position of influence; and if they do a little scribbling,
he is ready to applaud it as a masterwork. He alone
understands how to beg, and so betimes, when he is hardly
out of his boyhood, he becomes a high priest of that hidden
mystery which Goethe brings to light.
Uber’s Niederträchtige
Niemand sich beklage:
Denn es ist das Machtige
Was man dir auch sage:
—it is no use to complain of low aims; for, whatever people
may say, they rule the world.
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Schopenhauer is probably here making one of his most virulent attacks upon Hegel; in this case on account of what he thought to be the philosopher’s abject servility to the government of his day. Though the Hegelian system has been the fruitful mother of many liberal ideas, there can be no doubt that Hegel’s influence, in his own lifetime, was an effective support of Prussian bureaucracy.
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André’s Bio
City 17
The end comes when we no longer talk with ourselves. It is the end of genuine thinking and the beginning of the final loneliness.
Edward Gibbon

