
A análise do comportamento propõe alguma estratégia de treinamento para transformar a prática da leitura em um hábito prazeroso?
Não encontrei estudos específicos em Análise do Comportamento sobre o assunto.
A leitura pode ser um hábito prazeroso a depender das contingências. Em situação de ensino programado, o chamado “método Keller” (Keller, 1966) visa uma estratégia de ensino, por assim dizer, mais prazerosa, baseada em reduzir a níveis mínimos as contingências aversivas. Esse método é realizado através de um Sistema Personalizado de Instrução (SPI). O SPI consiste em ensinar os alunos por meio de tutorias, de maneira que o aluno seja atendido individualmente por um professor ou monitor. Além disso, o ritmo do ensino é ditado pelo ritmo do próprio aluno, não havendo, portanto, uma cobrança para que ele atinja o critério de velocidade de aprendizagem de um aluno ideal.
Fora do ambiente de ensino, um leitor pode diminuir a aversividade da leitura sortindo o conteúdo dos textos; intercalando leituras mais difíceis e longas, como as acadêmicas, com leituras mais acessíveis e breves, como revistas, contos, quadrinhos etc. Também é possível arranjar contingências de reforçamento positivo colocando a leitura obrigatória antes de eventos reforçadores (e.g. ver filmes, sair com amigos).
Acima de tudo, ler é um comportamento que demanda um custo de resposta, que deve ser reduzido gradativamente em comparação às contingências reforçadoras. Para isso, o ambiente deve ser o mais ergonomicamente favorável, bem como não se deve exceder o tempo de leitura, que pode ocasionar fadiga do comportamento e comprometer o responder discriminado às relações verbais do texto, o que podemos chamar de compreensão.
Obrigada por perguntar. Esse tema daria um bom problema de pesquisa. Qualquer atualização sobre isso será disponibilizada no www.baboseiras-epistemologicas.blogspot.com
Att,
Rubilene.
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Referências
Keller, F. S. (1966). Engineering personalized instruction in the classroom. Revista Interamericana de Psicologia.
Ver também:
- Sobre auto-instrução
Skinner, B. F. (1958). Teaching Machines. Science, 128, 969-997.
- Sobre leitura e interesse (visão cognitivista)
Hidi, S. (2001). Interest, reading, and Learning: theoretical and practical considerations. Educational Psychology Review, 13, 191-209.

